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domingo, 28 de novembro de 2010

A selvajaria intelectual continua e continua


Salvo um ou outro comentador do futebol, como Luís Freitas Lobo ou o treinador Carlos Carvalhal, a maioria dos opinion makers do futebol é, no mínimo, execrável. Mesmo não fazendo mais nada na vida - e provavelmente só conseguindo mesmo descodificar o óbvio num jogo de futebol -, certos comentadores exibem, sem que ninguém faça caso, uma clamorosa ignorância em relação não só ao passado longínquo como, o que é mais indesculpável, aos factos recentes do futebol nacional. Ouço na TVI algo como isto: "neste jogo o Benfica não está a acertar com os cantos".

Mas, ó senhor comentador, você, que não deve fazer mais nada na vida que ver jogos de futebol - coisa complexa, como todos sabemos... -, não viu o jogo do Benfica contra o Hapoel de Tel Aviv? Não viu quantos cantos o Benfica desperdiçou? Não viu a permeabilidade da equipa a marcar e a sofrer cantos? Cantos e livres, meu caro comentador, são o calcanhar de Aquiles do Benfica deste ano. David Luiz e Roberto - sobre o qual pende, hoje, a mais humilhante condescendência jornalística - que o digam.

Enfim, ocupam-se horas diárias a discutir algo que só merecia, quanto muito, uns minutitos de conversa, para depois termos de levar com a opinião ou mau jornalismo destes ditos especialistas da bola que raiam a ignorância fascizante ou um histerismo sabujo de bradar os céus (vide tudo o que o senhor Nuno Luz faz).
Pronto, já me queixei. Agora vou ver o Rui Santos comentar a jornada antes do "Tempo Extra", espaço onde Rui Santos - a gralha aqui é a televisão que temos - comenta durante mais de uma hora, precisamente, a jornada que acabou há minutos... Uma televisão com Alzheimer.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Talk shows desportivos (II): a selvajaria intelectual ou o reino das "trêvas"

Este foi o estado em que ficou o meu televisor - ou o da minha avó? - depois do berro do cirurgião

Já escrevi sobre este fenómeno extraoardinário que são (alguns) talk shows desportivos, que se multiplicam na televisão portuguesa como cogumelos. Quando pensava que o modelo "Donos da Bola" tinha sido totalmente abandonado, porque o barulho era ensurdecedor e, provavelmente, mais substancial que as palavras que inanes comentadores proferiam, sou confrontado com o esplendoroso regresso do berrómetro ao espectáculo televisivo nacional.

Quanto mais berram, mais audiências têm? Não sei, mas arrisco num sim, face à passividade galhofeira do moderador - mas eu escrevi jornalista? ah não, ufa... Como diz o doutor Ricardo Sá Fernandes, isto só pode mesmo estar a acontecer debaixo de um "reino das trÊvas".

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Talk shows desportivos (I): o "Dia Seguinte" ou a selvajaria intelectual


Uma coisa é certa: a bola é redonda e no início há onze contra onze. Tudo pode acontecer, o futebol é assim mesmo.

Agora que o campeonato nacional de futebol já começou, voltam com ele os inenarráveis talk shows desportivos com os habituais comentadores (parciais e assumidamente facciosos) a representar cada um dos três grandes. O programa "O Dia Seguinte" é, de longe, o mais degradante produto televisivo dentro deste formato de abominável celebração fanática e fascizante do "desporto-rei" - por sinal, um rei absolutista... Há séculos que este programa mantém um formato quase inalterado e o mesmo painel - só há um ou dois anos o comentador do Benfica, Fernando Seara, mudou-se para a concorrente TVI 24.

Se há modelo, de facto, fascista de televisão é este: três adultos, "vendidos" como homens sérios - veja-se como gostam de puxar dos seus galões de juristas - defendem com argumentos de bradar os céus cada um dos seus clubes - como se fosse uma questão de vida ou de morte. As insinuações mais gravosas são feitas de forma genérica ("o sistema...", "eles") e intelectualmente infantil (cada comentador faz, por programa, a sua birra) sem que haja, da parte do "jornalista" moderador, qualquer tipo de pedido de esclarecimentos ou tentativa de elevar o debate dentro dos possíveis - no caso, muito, mas muito pelo contrário.

O contraditório é falsificado, porque todos eles dizem, todas as semanas, as mesmas coisas, repetem ad nauseam os mesmos disparates, lançam as mesmas insinuações criminosas (principal alvo: os árbitros, claro...) e entram nas mesmas discussões vazias em torno do "se não ganhamos, empatamos ou perdemos" e outras tiradas absolutamente néscias que tão ilustres juristas/políticos (por acaso, sobretudo, de direita) vomitam todas as segundas com a soberba de quem se julga muito inteligente e mordaz -- e, o que sinceramente me deixa de queixo caído, corajoso! Mordaz e corajoso, no mundo do futebol, é pensar-se pela própria cabeça e fazer-se comentário a milhas da "clubite aguda", que só instiga o ódio e o pensamento selvagem (o anti-benfiquismo, o anti-sportinguismo, o anti-portismo...).

Ouvir um destes senhores a chamar "corrupto", imputar actos de corrupção a dirigentes e árbitros é o pão nosso de cada dia. Mas pior são os raciocínios circulares em torno dos lances de arbitragem polémica: todos defendem a respectiva cor perante a "EVIDÊNCIA" das imagens, mas todos convergem numa coisa (esta é a birra que os une): os árbitros são parciais, não se sabe bem por quê, nem se sabe se DE FACTO são, mas são, porque erram "de propósito". Bem, então, se é assim tão EVIDENTE, porque é que tão ilustres senhores (e são juristas, minha Nossa Senhora do Caravaggio!) têm tantas dúvidas ou divergem tanto nos juízos que fazem a cada lance, mesmo através de mil repetições, em mil posições de câmara diferentes e em slow motion? Haja paciência! Parem com insultos à inteligência do espectador!

Pena que este modelo "arena" tenha contaminado o debate político, na Assembleia e/ou na Televisão. Cada vez há mais programas de debate político com representantes das forças políticas com acento parlamentar. A TV pública defende-se com o dever de pluralidade, mas que pluralidade há numa conversa onde ninguém está disposto a ouvir, onde todos têm o dever - e ai de... - de seguir a sua agenda partidária? Onde estão os valores da independência e da mínima decência moral e intelectual, senhores da televisão?

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