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sábado, 13 de abril de 2013

Pillow shot: uma pausa para confortar o ego


Na crónica de Eduardo Cintra Torres, publicada no passado dia 24 de Março no Correio da Manhã, registei com grande prazer a parte que dedicou ao "trabalho de bastidores" que esteve por trás do aplaudido relançamento da rubrica "5 Noites, 5 Filmes". O movimento cívico que chamou a atenção da estação para a necessidade de uma programação de cinema sólida e regular nasceu aqui, no CINEdrio, tornou-se numa petição assinada por milhares de cidadãos, que foi à Assembleia da República, que motivou um debate com o antigo director do canal. Foi produzida reflexão, mas, antes de tudo, foi restaurada uma cultura de maior exigência em relação às opções editoriais da televisão pública no que diz respeito à sua missão de divulgação e preservação da memória cinéfila.

A frase curta mas significativa de Eduardo Cintra Torres que quero aqui destacar, em jeito de síntese do meu reconhecimento em relação a todos os que fizeram parte desta causa, é portanto esta: "Por pressão da sociedade civil, a RTP2 repôs agora o programa ["5 Noites, 5 Filmes"], pondo fim ao câmara-obscurantismo de Wemans e Moura Pinheiro".

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A T-shirt é da autoria da Sabrina Marques, a nossa colaboradora da Newsletter do CINEdrio, projecto que - como todas as comunidades de interesses e paixões - vive destas manifestações de amor. Sabem bem, como também sabem bem as palavras que o Carlos Reis, do blogue Cinema Notebook, escreveu a propósito desta nossa folha, num post com o sugestivo título "Uma newsletter que vale a pena!". Agradeço ao Carlos a atenção e reforço que a divulgação por parte dos nossos leitores é a nossa única publicidade; logo, o nosso crescimento depende da capacidade que os leitores terão ou não de, por assim dizer, "vestirem a camisola". 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Confirmadíssimo: "5 Noites, 5 Filmes" veio para ficar

Agora, caros amigos, é de vez: "5 Noites, 5 Filmes" está de volta à grelha da RTP2.

Depois de uns tantos falsos alarmes - ainda no tempo da direcção anterior -, a RTP2, no anúncio de hoje da sua nova grelha, relança, e passo a citar, uma rubrica "que já faz parte da história do canal".

A nossa causa Pelo regresso da exibição regular de cinema à RTP2, gerada espontaneamente entre bloggers e cinéfilos há cerca de dois anos, chega assim ao seu ponto culminante.



A partir daqui, conquistado que está o espaço que era devido à Sétima Arte na televisão pública, cabe-nos apenas acompanhar criticamente a forma e o conteúdo da "nova velha" rubrica "5 Noites, 5 Filmes". Contudo, penso que o passo maior já foi dado: é que agora temos, de facto, um espaço - com um nome que a responsabiliza directamente aos olhos dos espectadores com memória - onde se veja, se dê a ver, onde se pense e se dê a pensar os grandes filmes da história do cinema ou cinematografias menos vistas ou - pode ser o bastante - "apenas" Cinema.

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Jorge Mourinha (jornal Público): Esta insistência cívica de um grupo de pessoas que vêem algo de errado na política cultural da televisão e acham que vale a pena continuar a pugnar pelo seu objectivo explica muito bem que é este o público-alvo da RTP-2 que o canal teima em não servir como deve ser: atento, activo, interessado, fiel Jorge Campos: o óbvio dispensa o comentário. Eduardo Paulo Rodriguês Ferreira: É um Canal do Estado. O Estado somos nós. Portanto nós exigimos uma programação. E mais, é caso para dizer: Eu pago para ver! João Mário Grilo (em entrevista ao JN): Foi na televisão que aprendi a ver cinema, com programas como "as noites de cinema". A televisão tem um papel muito importante num país onde os cinemas não estão a abrir, mas a fechar. É um direito das pessoas e um dever da televisão. Manuel Mozos (em entrevista): Há actualmente alguma programação de Cinema da RTP2? Inês de Medeiros (em entrevista ao JN): A uma petição que diz 'gostaríamos de mais' não se pode responder com contratos de concessão e tabelas mínimas. Concordo com mais cinema e penso que é importante terem atenção ao pedido, o que não quer dizer que a RTP2 não passe cinema. Paulo Ferrero (em entrevista): QUE HAJA CINEMA, do Mudo ao Digital. Vasco Baptista Marques (em entrevista): diria que a programação de cinema do segundo canal do Estado se destaca, sobretudo, pela sua inexistência.Alice Vieira (em entrevista ao JN): Para mim, cinema é no cinema, mas temos de pensar nas pessoas que estão longe do cinema por várias razões. E muitas vezes vejo-me a ir ao canal Memória para ver filmes e que aguentariam perfeitamente na Dois. A RTP2 deveria insistir mais no cinema e aí estaria a cumprir o seu papel. João Paulo Costa (em entrevista): Adoraria assistir ao regresso de uma rubrica do género "Cinco Noites, Cinco Filmes" que, há uns anos, me fez descobrir realizadores como Bergman ou Truffaut e crescer enquanto apreciador de cinema. João Milagre (em entrevista): é preciso aprender a amar. Eduardo Condorcet (em entrevista): Numa altura de crise é difícil compreender que a RTP2 não cumpra a sua função de serviço público, nomeadamente no que toca à produção audiovisual.Fernando Cabral Martins (em entrevista): [A programação de cinema da RTP2] parece-me errática e é raro dar por ela.Daniel Sampaio (em entrevista): A programação [de cinema da RTP2] caracteriza-se pela escassez e por não ter uma linha editorial, referente à escolha de filmes. Não se percebem os critérios de escolha. Maria Armanda Fernandes de Carvalho: e que o cinema mostrado seja do mundo e não só o chamado cinema comercial ou dos chamados autores consagrados. Deana Assunção Barroqueiro Pires Ribeiro: Cinema de qualidade é inprescindível em televisão José Perfeito Lopes: Como director do Cine Clube de Viseu, nos anos 73 a 77, vejo com mágoa o que estes senhoritos fizeram ao "canal 2". Manuel António Castro de Sousa Nogueira: Há muito e bom cinema à espera de ser exibido na RTP2, assim queiram os seus responsáveis que este canal seja efectivamente uma alternativa real à pobreza franciscana da programação dos restantes canais generalistas portugueses (incluindo, infelizmente, a RTP1). LUIS PEDRO ROLIM RIBEIRO: JÁ ERA SEM TEMPO António Manuel Valente Lopes Vieira: A televisão é o cinema daqueles que não podem ir ao cinema. Que o cinema volte à televisão. Miguel Barata Pereira: Aprendi muito do que sei de cinema a ver a saudosa rubrica "5 noites, 5 filmes". Marta Sofia Ribeiro de Morais Nunes: Como cresci a poder ter acesso ao melhor do cinema através da RTP2, quero continuar a poder crescer com ele. Maria do Carmo Mendes Carrapato Rosado Fernandes: As pessoas estão a "desaprender" de ver cinema, e isso não é bom...que regressem os ciclos de cinema, que regressem os bons filmes nos anos 30/40/50 do seculo passado, que regresse o cinema americano, japonês, europeu, que regres, se faz favor. Obrigada. JORGE MANUEL DOS SANTOS PEREIRA MARQUÊS: Só neste paraíso político à beira-mar plantado é que se tem de pedir e justificar o óbvio,o justo,os direitos e o razoável...Amadeu José Teixeira da Costa: Foi na RTP2 que vi cinema como nunca mais vi na minha vida. TODOS ESTES E OUTROS COMENTÁRIOS DOS NOSSOS SIGNATÁRIOS AQUI

Durante todo este tempo, fiz desta "animada" galeria de subscritores da nossa petição, postada na barra lateral do blogue, uma janela sempre aberta para que o leitor, no confronto com a realidade, pudesse aferir o que mudou e produzir a crítica... Durante demasiado tempo, essa crítica nascia do vazio de uma das partes. A partir de hoje, com toda a segurança, podemos passar a criticar a televisão pública, especificamenta a RTP2, não "na ausência" mas "na presença" de uma programação de cinema. Fecho, por isso, a janela, para que, enfim, se abra aquela porta - que nunca perdemos de vista - chamada serviço público.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Make my day: estará o 5 Noites, 5 Filmes de regresso à RTP2?


Já sem Wemans ao leme e com o cancelamento do ornitorrinco artístico-cultural "Câmara Clara", a RTP2 entra numa nova fase da sua vida. Quer dizer, isto se de facto não acabar por ser privatizada, extinta ou outra solução qualquer que o governo improvise entretanto em cima do joelho. Num momento em que se anunciam novas grelhas, não é evidente ainda o rumo que a programação do segundo canal vai tomar em 2013, contudo, os sinais que tem dado em matéria de cinema não oferecem ainda grandes garantias: se, por um lado, muito se lamenta o fim do programa "Onda Curta", por outro lado, perguntamo-nos se o regresso do "5 Noites, 5 Filmes" - que na próxima semana homenageia Clint Eastwood - é para ser levado a sério ou se este canal "de serviço público" continuará a usar o cinema - e essa rubrica histórica, tão acarinhada pelos telespectadores com memória - como tapa buracos da programação. Outro sinal pouco claro prende-se com o fim (definitivo? Não sei...) das sessões duplas de sábado, espaço que era usado, insidiosamente, pela anterior direcção para vender a ideia de que passava cinema em qualidade e em quantidade.

Das duas uma: ou este regresso de "5 Noites, 5 Filmes" é outra piada do canal, poeira lançada para os olhos dos milhares de espectadores que há anos pedem - exigem! - mais cinema na RTP2, ou então estamos na presença de uma mudança de política, que só dá razão a quem sempre associou a estagnação do cinema no segundo canal à direcção chefiada por Wemans e Paula Moura Pinheiro. Obviamente que o meu desejo é que esta segunda hipótese se confirme, porque, caso contrário, ficaremos definitivamente sem cinema no segundo canal, logo, estaremos condenados de vez à falsa oferta dos privados - até porque parece que em 2013 teremos menos cinema na RTP1. Não quero acreditar que se vá descer mais baixo e rasgar de modo ainda mais notório o contrato que vincula a RTP ao Estado, ignorando de vez a obrigação de dar a ver e a missão de contextualizar os grandes filmes da história do cinema.

Adenda (dia 13 de Janeiro): para minha felicidade, constato que a ausência de "Onda Curta" na programação da RTP2 terá sido apenas temporária. Este domingo e, pelo menos, nos próximos dois domingos o programa histórico da televisão nacional tem espaço garantido na antena da RTP2. Uma boa notícia.

sábado, 25 de agosto de 2012

Contra o fim da RTP2


Em português temos a muito feliz divisão entre "o que é" e "o que está". A RTP2 "que está" não pode ser confundida com "o que é". Penso que isso tem sido bem traduzido nas redes sociais, onde só tenho apanhado recuperações de imagens, símbolos, programas e experiências do segundo canal anteriores, bem anteriores, ao segundo canal que tem "estado" sob ocupação da actual direcção.

Hoje passa cinema no segundo canal das 22:42 até às 05:35. Como sempre fiz, a título pessoal e em nome da Petição pelo Regresso da Exibição Regular de Cinema à RTP2, peço para usufruírem desta maratona, servindo este canal de audiências numa área em que tinha obrigação de prestar mais e melhor atenção.

Como é óbvio, não defendo a extinção do segundo canal, isso seria confundir o "ser" com o "estar". As 3000 pessoas que apoiam a nossa causa amam "o que é", gostam menos de "o que está". Por isso, não haverá segmento da população que se sentirá mais atingido pela extinção deste canal com um passado tão querido na formação cultural e cívica dos portugueses.

Por tudo isto, apoio iniciativas como esta ou esta. E também por tudo isto me irei demitir de fazer o choradinho retórico, amnésico e acrítico, em torno das maravilhosas "migalhas" que a estação de Wemans nos oferece hoje. Isto é: não me verão a relativizar o "que é" a RTP2 em favor de "o que está". A RTP2 foi criada em 1968, há uma história e muita memória boa a respeitar.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O fim da RTP2: pelo apuramento de responsabilidades


Vamos lá ver se não perdemos "a perspectiva" sobre a evolução desta história, a meu ver lamentável, em torno da privatização do segundo canal.

Quem a dirige há mais de quatro anos? Quem decidiu investir sobretudo numa programação infantil e desinvestir nas outras áreas culturais previstas no contrato com o Estado, como por exemplo no cinema, no teatro e na música? Quem cortou com o passado da estação e não ouviu, nunca ouviu, o seu público? Quem fez da RTP2 o "elo mais fraco" hoje, em tempos de horror à despesa e de obsessão pelo dinheiro? Quem fez da RTP2 um canal sem um público suficientemente convicto para sair à rua na sua defesa? (Os meninos e meninas de 5 e 6 anos, infelizmente, não deverão conseguir muito, agora que se anuncia o fim de tudo, ou conseguirão?)

Sim, a ideia de concessionar a RTP1 a um privado é uma não-medida ridícula - afinal, o problema não começa com "quem" a chefia, mas com "quem" fiscaliza o cumprimento ou não das obrigações de serviço público... e, já agora, "que serviço público?" - e sim, também acho que a orientação correcta é aquela que a RTP2 em tempos personificou, na realidade, que personificou durante a maior parte da sua existência. Contudo, e infelizmente a maioria cederá à diabolização simples deste executivo - e, logo, a culpa morrerá solteira, coisa que essa mesma maioria irá afirmar a plenos pulmões como se não fosse nada com ela... -, a história do fim da RTP2 tem como primeiro carrasco a sua actual e, pelos vistos, derradeira direcção. Na realidade, esta foi a coisa mais conveniente que podia ter acontecido a um governo que parece estar pouco preocupado em gizar uma hipótese séria de serviço público de televisão.

(Um dia a Dra. Paula Moura Pinheiro apelidou de "mal-entendido" uma causa que reuniu mais de 3000 cidadãos, pois eu agora digo que ela e a direcção de que faz parte é que nunca entenderam nem quiseram entender o que estava em jogo... Talvez agora fossem, pelo menos, 3000 a lutar empenhadamente pela sobrevivência do canal.)

domingo, 5 de agosto de 2012

O fim da RTP2


Uma notícia recente dá conta da eventual venda da RTP2. Chegámos ao momento que pessoas como o Professor João Mário Grilo já anteviam no debate que a petição pelo regresso da exibição regular de cinema à RTP2 organizou, há quase um ano. Momento para a defesa da RTP2, mas que RTP2 é essa que as pessoas poderão defender, face a um presente tão descaracterizado e a uma direcção que nunca quis ouvir o seu público?

Agora vão aparecer meia dúzia de vozes, mais ou menos sonantes, que só sabem defender aquilo que é e não aquilo que devia ser um segundo canal de televisão. A discussão vai-se politizar, pior!, vai-se "partidarizar", mas algo me parece incontestável: nesta altura de vacas magras, em que se anuncia a reestruturação da televisão pública, o governo percebeu que o elo mais fraco era a estação de Jorge Wemans, um canal que se alicerça apenas numa boa programação infantil, numas quantas séries norte-americanas que duplica com outros canais do cabo e nalguma informação cultural mal amanhada e snobe (leia-se, o insuportável "Câmara Clara").

A direcção da RTP2 arrastou-se durante anos a mais, perdeu força e credibilidade e, agora, arrisca-se a levar consigo não só o passado e bom nome do canal mas também o canal propriamente dito. Parece uma daquelas ditaduras do norte de África: só acabam com a decapitação do ditador. Pena que esta "decapitação", se acontecer, seja executada pelo Poder e não seguindo a vontade dos cidadãos. Será não uma revolução "primaveril", mas a implosão de uma direcção decadente. RTP2, a estação que Jorge Wemans enterrou?

(Quanto ao ministro Miguel Relvas querer um canal público mais próximo da RTP1 do que da RTP2 ou dizer que não quer um canal "residual" a nível audimétrico, claro que isto constitui o triunfo da perspectiva tecnocrática que já impera há muito na televisão pública; logo, a machadada final sobre qualquer possibilidade de vir a existir - como já existiu um dia, na RTP2 - um serviço público de televisão.)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um ano depois, o cinema continua a tapar buracos na RTP2


Já passou mais de um ano sobre o debate Cinema na RTP2, no qual o director da estação, Jorge Wemans, surpreendeu todos quando assumiu a pouca atenção que tem dado ao cinema desde que assumiu a liderança do segundo canal (já lá vão 5 anos!). Recordo as suas palavras precisas: "E aceito que em relação ao cinema a memória destes anos não seja uma memória que acrescente, digamos, algum passo decisivo em frente". Palavras que recebi como um sinal positivo no sentido de ver respondidas as reivindicações constantes da nossa petição pelo regresso da exibição regular de cinema à RTP2.

Apesar de cumprimentar o director por ter aceite, nessa altura, o convite que lhe endereçámos e pela auto-crítica que fez, não consigo disfarçar a decepção, partilhada seguramente pelos mais de 3000 apoiantes desta causa (no facebook já são 3 289 amigos!), agora que passou um ano e três meses sobre esse encontro.

O "5 Noites, 5 Filmes" voltou aos nossos ecrãs, mas apenas foi recuperado como "marca" ao serviço da programação do canal em tempos de férias. Esta tímida e incompleta recuperação de um espaço mítico dedicado ao cinema também pouco ou nada acrescentou ao estado das coisas na estação, já que, nos seus mini-ciclos da Páscoa, detectámos um número excessivo de repetições de títulos exibidos no canal há pouco tempo ou "casamentos forçados" entre títulos escolhidos sem arrojo.

Em Agosto, como já fora prometido, o cinema volta a ocupar as emissões diárias do canal, mas a lógica mantém-se: logo na primeira semana, percebe-se que a RTP2 continua a tratar o cinema como tapa buracos, por isso, volta a passar títulos recentemente exibidos no espaço da sessão dupla de sábado. Este comeback não foi ainda anunciado como aconteceu na Páscoa, isto é, em comunicado da estação, de qualquer modo, desconfio dos critérios que presidiram à selecção de títulos tão diferentes e tão distantes estética, temática e historicamente entre si.

Ainda assim - já me começo a contentar com as migalhas da refeição que eu e, aliás, todos os contribuintes pagámos na íntegra - saúdo a estreia, penso que absoluta, no nosso país do filme "Pa Negre" do talentoso cineasta catalão Agustí Villaronga (lembram-se do seu intenso "El Mar"?). Também espero que, desta vez, a direcção da RTP2 perceba que o público quer o "5 Noites, 5 Filmes" em permanência na grelha do canal. Lamentavelmente, penso que isso só acontecerá se soubermos "mexer" com o indicador que rege a política desta estação dita "de serviço público": as audiências. Sugiro, então, que vejamos os filmes do regressado "5 Noites, 5 Filmes" para, dessa forma, relembrarmos a estação de Wemans das suas próprias obrigações.

Post Scriptum: Apesar de não vir na programação como fazendo parte do regressado "5 Noites, 5 Filmes", o meu camarada de petição Ricardo Lisboa fez bem em me apontar o seguinte: já nesta semana, a RTP2 passa durante 5 noites 5 filmes, todos sempre às 4 da madrugada. (E depois dizem que são regulares na sua programação de cinema...) Desta feira, o cinema serve não para tapar o buraco deixado aberto pelas séries da preferência de Jorge Wemans, mas para cobrir a falta do espaço Euronews na grelha. Posto isto, a dita selecção de filmes é a mais aleatória que nos poderia ocorrer: "Forget Paris" de Billy Crystal (segunda-feira), "O Atalho" de Kelly Reichardt (terça-feira), "As Praias de Varda" de Agnès Varda (quarta-feira), "Tetro" de Francis Ford Coppola (quinta-feira) e outra vez "The Fearless Vampire Killers" de Roman Polanski (sexta-feira). Que confusão e trapalhada de canal.

sábado, 31 de março de 2012

"5 Noites, 5 Filmes", só na Páscoa?


Ao contrário do que noticiámos, parece que a RTP2 só retomará o espaço "5 Noites, 5 Filmes" durante as duas semanas correspondentes às férias da Páscoa. Uma comunicação da RTP emitida ontem dá conta, ainda que de modo pouco claro, desta muito infeliz notícia. Estaremos, contudo, atentos aos desenvolvimentos que daqui possam advir, porque, na nossa opinião, reabilitar um espaço com nome e com história para o matar logo a seguir é puro sadismo televisivo.

Se quer fazer algo para mudar esta situação, recomendo que deixe comentário nesse comunicado da RTP, manifestando a sua vontade e a vontade da maioria dos telespectadores do canal de que haja um espaço regular de cinema nesta estação de "serviço público".

Adenda (no dia 2 de Abril):

sábado, 24 de março de 2012

"5 Noites, 5 Filmes" está de regresso à RTP2


Penso que esta é a verdadeira primeira grande vitória da Petição Pelo Regresso da Exibição Regular de Cinema à RTP2: o saudoso "5 Noites, 5 Filmes" regressa à antena da RTP2 a partir do dia 2 de Abril. A afirmação deste espaço na grelha do canal dá-me alguma segurança de como este não servirá para tapar, provisoriamente, o buraco deixado vago na programação pelo talk show "5 Para a Meia-Noite", até porque, espantem-se, a avaliar pelo teaser e outras informações do site da nova temporada, este também regressa em Abril, não na RTP2, mas na RTP1!

Com estas decisões de transferir aquela que era a jóia da coroa da direcção Wemans do segundo canal para o primeiro e de devolver a este um espaço digno - esperemos que o seja... - dedicado à exibição de cinema, a RTP2 volta a fazer jus ao seu passado, reaproximando-se dos objectivos, a que nunca se deveria ter furtado, de serviço público.

Mas, agora, se me permitem, também quero dizer isto: para quem nunca acreditou na nossa iniciativa por achar que ela não ia a lado nenhum, para quem achava que só fazendo rolar cabeças as coisas podiam mudar, para quem pensava que as críticas públicas que fiz a programas como "5 Para a Meia-Noite" eram "contas de outro rosário", aos cépticos e aos cínicos, aqui têm a resposta. Aos outros, muito especialmente, aos perto de 3000 cidadãos que subscreveram a nossa petição, endereço uma mensagem de parabéns e um grande obrigado por darem provas de que a opinião pública é livre, independente e pode fazer a diferença, nomeadamente, contra a ditadura da opinião publicada.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Canal Hollywood e o programa Estreia da Semana: a indigência mental televisiveira


Até fico arrependido de já ter escrito algumas coisas, mas não posso. Por quê? Porque estou inocente: a mediocridade e a mais obtusa inanidade não me vão pôr aqui a engolir uma única palavra que escrevi sobre este ou aquele indivíduo, sobre esta ou aquela estação. Se já falei aqui no "grau zero" da apresentação ou divulgação do cinema em televisão, tenho então de inspirar bem fundo e dizer que a pobreza intelectual do que li neste post de João Lopes e depois na notícia do Diário de Notícias sobre o novo magazine (des)personalizado do canal Hollywood ultrapassa os limites da minha tolerância.

Quem me conhece minimamente sabe que não coloco, à partida, reservas à existência de programas da TV privada com maior ou menor número de junkets ou que façam gala de passar trailers de filmes distribuídos pela Lusomundo. Já realizei uma conferência onde fiz questão de fazer representar no painel alguém ligado a esta vertente pipoqueira do jornalismo cultural televisivo. Diga-se que essa "alguém" foi Mário Augusto, pessoa que, nesta área, conseguia dar várias lições de seriedade e profissionalismo a qualquer uma destas novas caras do canal Hollywood.

Mas, recuemos: muita coisa me deixa incrédulo. Primeiro, tal como João Lopes, considero, no mínimo, desconcertante a ligeireza com que uma ex-apresentadora do "5 para a Meia-Noite", voluntaria ou involuntariamente, reduz ao mais embaraçoso vazio intelectual o trabalho que deve envolver qualquer espaço concebido para in-formar, pensar e dar a pensar o cinema. Se a rapariga, coitadita, não tem tempo para ver os filmes, a solução - segundo a mesma publicita às escancaras, sem pingo de pudor... - está encontrada: ver trailers e making ofs no YouTube, fazendo depois uma espécie de "share" no programa em questão... O leitor menos atento a estas coisas até poderá pensar que, se calhar, porque o trabalho parece tão ao alcance de qualquer pessoa da geração da apresentadora, esta só lá está ou porque tem uma cara bonita ou porque, tendo uma cara bonita, já apresentou outro programa do género.

Que a Luísa Barbosa, por ser da escola "5 para a Meia-Noite", jóia da coroa da televisão "de serviço público" RTP2, constitui uma mais-valia para programas deste género num canal que é uma playlist aleatória de filmes, não me surpreende, mas que revele "de onde vem" de forma tão pornográfica na sua primeira intervenção pública enquanto apresentadora do "Estreia da Semana", isso já me deixa bem mais preocupado. Estaremos todos assim tão insensíveis à irresponsabilidade e desonestidade intelectual das pessoas que fazem a nossa televisão? Haverá "crítica" capaz de despertar a consciência do espectador para este tipo de abusos discursivos?

É que a rapariga não está só nesta cena degradante. "Estreia da Semana" terá 4 apresentadores, cada com uma exigente pasta em mãos. Bernardo Mendonça tem a seu cargo os filmes de ação e guerra, Luísa Barbosa dedica-se às comédias e aos romances, a Maria de Vasconcelos competem os filmes de animação e infantis e Bruno Pereira está encarregue dos thriller e dos dramas. O objetivo é fornecerem um olhar personalizado sobre o filme em questão. Aguardamos impacientes pelo estilo "personalizado" que esta malta que nem se dá ao trabalho de ver os filmes irá investir nas suas análises aos seus filmes devidamente pré-etiquetados de "guerra" ou "infantil". Mais um contributo para o "engavetamento" - desta feita, "personalizado" - do cinema no espaço mediático.

Enfim, escusado será dizer que, mesmo antes da estreia - a deles no canal... -, este grupo de apresentadores já deu provas de ser um desastroso erro de casting mediático. Mas o que dizer de quem - no caso, alguém chamado Bruno Pereira - se orgulha de escrever os seus próprios textos, de não ser um "papagaio"? Então, não vai o Bruno Pereira papaguear nos seus textos, seguramente, muito "personalizados", as coisas que ele, a Luísa e companhia "apanham" na Internet? O que dirão os outros colegas do Bruno Pereira, os das outras estações, que, no fundo, são, numa frase, enfiados no saco dos "papagaios" da Sétima Arte? O que deve o leitor retirar disto tudo?

Desde logo, eu, enquanto espectador, retiro que o canal Hollywood só pode ser pessimamente gerido. Já pressentia isso face à progressiva redução de qualidade da sua programação estilo "playlist", mas depois desta amostragem fico mais do que convencido. Aliás, registo com quase igual estupefacção a intervenção do director de programação do canal, que diz que não passará - e não passa - cinema português porque o canal se chama Holywood. Faz sentido, é verdade, mas o mesmo canal passou durante anos e até há bem pouco tempo vários grandes clássicos do cinema mundial, como "Ran", "Fahrenheit 451" ou "A Noite Americana". Mas, se fazia algum sentido o que disse no início, Paulo Guedes - é o nome do senhor - apressa-se a concorrer em matéria de indigência mental com os seus pupilos: Temos espaço para outros produtos. Só em termos de filmes é que não podemos apostar tanto nos portugueses. O canal chama-se Hollywood... fará sentido um filme português se for mais comercial, com grande sucesso das salas portuguesas.

Não vou sequer entrar na discussão do quão relativo pode ser o critério "grande sucesso nas salas portuguesas", porque o disparate está no facto de só fazer sentido passar cinema português num canal chamado Hollywood se este se sair bem nas salas... Primeiro, não faz sentido: se é para não passar cinema não-americano, não passe, mas enganar o leitor e o espectador com retórica televiseira mal amanhada, isso é mais uma machadada na credibilidade de quem dirige o canal. Por outro lado, com essa observação ilógica e desonesta, o senhor director mostra ter a visão mais redutora e ignorante que podia haver da história do cinema nascido em Hollywood - para Paulo Guedes, Hollywood será sinónimo de blockbusters, é isso? - e, segundo, é a visão mais estreita e potencialmente desastrosa para um canal inserido num mercado, cada vez mais, de oferta única. Quer o canal oferecer o que os outros oferecem? Sucessos nas salas, sucessos nos outros canais. Estes são, como o director lhe chama, qual bom tecnocrata televisiveiro, os bons "produtos" do canal Hollywood.

O canal Hollywood não quer oferecer qualquer alternativa mas, muito pelo contrário, oferece a confirmação de todos os preconceitos televisivos em relação aos modos de ver e dar a ver o cinema, pensar e dar a pensar as suas imagens... Esta estação, com este discurso assassino do cinema, profundamente anti-pedagógico e insultuoso, nomeadamente, para o espectador, revela o paradoxo em que está caída: um canal de cinema que quer oferecer "produtos", americanos ou americanizados, que já toda a gente conhece e que quer veicular informação papagueada do YouTube e outros sites da Internet gaba-se da originalidade da sua política de aposta no que é nacional, no que "é nosso". Na parvoíce e na chico-espertice, originalidade não lhe falta.

(Na sequência desta asquerosa peça jornalística, decidi suspender por tempo indeterminado a recomendação de filmes do canal Hollywood na Newsletter do CINEdrio, bem como retirei o meu like da página facebook do canal. O canal Hollywood é uma estação privada de televisão, tem o direito de dar os pontapés que quiser em todos aqueles que trabalham séria e dignamente no, sobre e com o cinema, mas, felizmente, eu também tenho cá em casa um televisor e um computador que são propriedade privada... Enquanto espectador e utilizador da Internet farei o que estiver ao meu alcance para dignificar a pedagogia audiovisual, que tanta falta faz neste país.)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Cinema na RTP2: hora da "desocupação"

Os "vampirismos" de Polanski e Sharon Tate em "The Fearless Vampire Killers" (1967)

Esta semana voltamos a ter cinema todos os dias na RTP2, em ciclo dedicado aos vampiros, que começa com o engraçado "Por Favor Não Me Mordas o Pescoço" de Roman Polanski (hoje, às 23: 39). Os mais ingénuos terão presumido que estaríamos na presença de uma mudança efectiva na programação da RTP2 ou que, aproveitando a passagem para o novo ano, o senhor Wemans e a senhora Paula Moura Pinheiro, que destruíram por completo o canal que lideram - e que "vampirizaram" -, tinham dado o braço a torcer e investido, finalmente, numa política cultural com tronco e membros para a "sua" (ainda "sua") RTP2.

Mas não: consultamos a programação e verificamos, sem espanto - no nosso caso, que já sabemos o que a casa gasta -, que o espaço que o cinema tinha vindo a preencher todos os dias da semana, desde o início da quadra natalícia, vai ser devidamente ocupado por coisas como a nova temporada da "Anatomia de Grey".

Pergunto à actual direcção, que por vezes se diz "amarrada" ao Contrato de Concessão de Serviço Público, com base em que imperativo volta a optar por desprezar olimpicamente as suas obrigações para com o Estado. Ou, se preferirem: com que armas defende esta "desocupação" do cinema, à força de soap americanas tearjerkers, no quadro do conceito de serviço público?

Desafio o senhor Wemans e a senhora Paula Moura Pinheiro a darem uma resposta a estas perguntas simples. (Mas estarei louco? Não saberei já eu, melhor do que ninguém, que a RTP2 se está a borrifar para o seu público?)

sábado, 7 de janeiro de 2012

TCN Blog Awards: o aftermath


Agora que já foram atribuídos os prémios, queria agradecer de novo ao Miguel Reis do CinemaNotebook pela nomeação - não premiada - do CINEdrio na categoria de melhor artigo, um texto crítico que faz o balanço de uma iniciativa que mereceu de mim e dos meus colegas de petição muita dedicação e "amor à arte". (Recordo que a petição já tinha sido nomeada o ano passado para o prémio de melhor iniciativa, sinal do impacto muito positivo que esta teve - e continuará a ter - nalguma blogosfera.)

De resto, acho que toda a blogosfera nacional, mais ou menos subterrânea, mais ou menos profissional ou mainstream, só tem a ganhar com este género de iniciativas. Por isso faço o apelo para que continuem com esta ou ainda melhor qualidade - e, se possível, tomando mais riscos.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Sobre o espírito RTP, o maestro...


... António Vitorino d'Almeida, em entrevista ao Correio da Manhã (publicada no seu "guia televisivo" desta semana), disse:

Qual a sua opinião sobre a privatização de um dos canais da RTP?
Estou-me marimbando! A RTP é péssima, não presta, minimamente, serviço público. Não me afecta nada que seja gerida por um gajo qualquer. Afectava-me se houvesse um verdadeiro serviço público. Que eu saiba, era a RTP e não a RTP2 - a menos que me tenham aldrabado - que devia fazê-lo...tanto o canal um como o dois.

Não partilha o argumento de que um canal de serviço público é insuficiente?
Não pode piorar mais! Podemos sempre dizer que poriam lá outra 'Casa dos Segredos', mas o que é que a RTP lá tem? Coisas parecidas... segredos mais escondidos, mas o espírito é o mesmo.

É caso para dizer: "Bravo, maestro!"

(E também é caso para se fazer a pergunta: já conversou com a sua filhota?)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A tabuada e o espírito: RTP2, Sheet TV



Apetece-me falar da aparição televisiva do autor da série de livros "O Reino" e "O Bairro" por dois motivos.

Primeiro, porque a intervenção pública de Gonçalo M. Tavares é uma verdadeira intervenção pública. E proponho, desde já, que se faça uma limpeza completa da palavra intervenção e que se lhe vistam roupas novas e lavadas. É que, felizmente para nós, humanidade, pessoas pensantes e agentes deste mundo, não é só a Troika e os deputados da nossa Assembleia que fazem intervenções. Ainda há massa cinzenta e ideias que fervilham na cabeça dos que resistem ao regime totalitário, intelectualmente terrorista, imposto dia-a-dia pelos nossos media e classe política.

Segundo, porque no debate Cinema na RTP2 o cineasta João Mário Grilo silenciou a zombaria grosseira do senhor Jorge Wemans. O director da RTP2 iniciou a sua muito antecipada "intervenção" descredibilizando, desde logo, o título da nossa causa, referindo-se especificamente, e com uma certa soberba, à palavra "regular" como um lapso semântico da nossa parte. João Mário Grilo contra-atacou magistralmente separando as águas entre aquilo que deve ser entendido como "coisa regular" (uma realidade estatística, uma coisa que se repete quantitativamente) e uma "regularidade" (algo que, repetindo-se, gera uma certa "identidade", um hábito, uma cultura, o que quiserem chamar...). Wemans falava "de cor" da sua tabuada, Grilo elaborava sobre os assuntos do espírito.

Concordo com esta visão e reconheço que ela também presidiu à formulação do título da petição. Mas quando falámos numa "programação regular" também falámos de uma "coisa regular". É que, como não tive oportunidade de dizer, a RTP2 não é tão constante quanto leva a crer na sua programação de cinema. Por vezes, nomeadamente, em épocas festivas, a RTP2 volta a passar filmes diariamente. Esta semana, por exemplo, o canal de Wemans celebra o cinema de Burton; depois, passa 5 filmes de Almodóvar, mas... e depois? Depois, se quiser manter a coerência da sua política de programação ao longo destes anos, Wemans voltará a dar-nos cinema como quem dá pão a pombos, na sua Sessão Dupla de sábado. Talvez se distraia e nos dê mais uns filmitos ou uns documentáriozitos aqui e ali, "salpicados pela semana", antes da crucificação (da Páscoa).

Estamos, aqui, a falar do espírito, ou ausência dele, da tabuada atabalhoada de um tecnocrata chamado Wemans, homem que intervém no seu canal um pouco como a Troika intervém no país: com balancetes, balanços, déficits... folhas e mais folhas de estatística e uns quantos powerpoint a debitar "perspectivas de negócio". Mas, lamentavelmente, com pouco ou nenhum discurso que transforme a rude opacidade da Folha de Cálculo (sheet). O corolário de tudo isto é ainda termos, hoje, uma televisão pública cativa do fascínio de uns quantos senhores pela "ciência" estupenda da audimetria, loucos amantes de exercícios muito criativos e imaginativos de quantificação da sua programação pouco imaginativa e pouco criativa.

Ouçamos Gonçalo M. Tavares e ouçamos especialmente bem o que envolve o sentido das palavras que citamos em epígrafe.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Petição Cinema na RTP2 na Comissão para a Ética...: impressões

Já está. Fomos ouvidos na Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação. Expus, em linhas gerais, as principais impressões que retivemos desta experiência que já dura há mais de um ano. O texto que publico abaixo, preparado por mim e pelo Ricardo Lisboa, foi lido, em pedaços, à medida que os deputados iam entrando e resume, no fundo, o sentido geral da nossa intervenção neste encontro na Casa da Democracia.

Se me perguntassem qual a sensação que perdurou, após as intervenções dos deputados, nomeadamente, das Senhoras Deputadas Nilza Sena Santos e Inês de Medeiros, responder-vos-ia em duas partes.

Primeiro dir-vos-ia que ficou claro que estamos todos de acordo (aliás, tanto Nilza Sena, do PSD, como Inês de Medeiros, do PS, subscreveram a nossa petição, o que só demonstra o óbvio de tudo isto). A RTP2 não cumpre as suas obrigações no que a uma programação cultural (de cinema) de "serviço público" diz respeito.

Por outro lado, registamos com algum desalento um pouco aquilo que já tínhamos sentido após a audição parlamentar com o Partido Socialista, realizada por iniciativa da Deputada Inês de Medeiros: apesar de concordarem connosco, os nossos deputados não parecem dispostos (ou dizem-se impotentes) a ultrapassar algumas ideias, a nosso ver, falaciosas em torno dos limites que se impõem à liberdade editorial/programática na televisão pública. Porque, a nosso ver, para haver programação de qualidade, a RTP2 tem de operar mudanças, algumas delas, como se tem visto, face à resistência (teimosia...) demonstrada, muito difíceis (vai-se lá saber por quê...) de tomar pela actual direcção (que não mudou uma vírgula na sua programação desde que esta causa começou, isto é, 3000 assinaturas, três sessões parlamentares, um requerimento parlamentar da Deputada Catarina Martins, vários artigos, podcasts e uma conferência depois).

Todavia, para que a RTP2 opere essas mudanças, a força da sociedade civil não é suficiente. Digo-vos rápido e depressa isto: a RTP2 não quer ouvir o seu público. Para isso pensávamos que havia, pelo menos, a ERC - que basicamente não existiu ao longo de todo este processo - e, em última instância, a Assembleia da República (AR). Aí, confesso, pensei que íamos ganhar outro tipo de embalo, mas isso parece não estar a acontecer. A AR responde com obstáculos e muitos paninhos quentes face a um caso flagrante (estamos todos de acordo aqui) de incumprimento do Contrato de Concessão de Serviço Público e ao alheamento da estação pública RTP2 e ERC em relação aos cidadãos-contribuintes que exigem uma programação de cinema de qualidade.

Qualidade. O que é isso? Um conceito excessivamente subjectivo que torna inviável qualquer tipo de intervenção por parte da Assembleia, porque significa "ingerência" nas decisões programáticas da direcção do canal. Para nós, qualidade é um conceito que está na Lei da Televisão e no Contrato de Concessão, que é objectivável como tal: está escrito que a RTP2 tem de prezar os seus conteúdos, porque só assim se tem uma televisão pública respeitadora do seu público; mais ainda, "formadora" de um público. Ora, há perto de 3000 pessoas que afirmam que essa qualidade efectivamente não existe. Cá está, a nosso ver, algo tão subjectivo e tão objectivo quanto o ser proibido passar-se "filmes de teor pornográfico" nos canais de sinal aberto; tão subjectivo e tão objectivo quanto o não se poder fazer propaganda de extrema direita através de quaisquer meios do Estado - e não só -; tão subjectivo e objectivo como a ausência da publicidade comercial na RTP2. Tão subjectivo e objectivo quanto a Lei, qualquer Lei, o é, apetece dizer, inevitavelmente.

Mas, afinal, o que é "teor pornográfico"? Afinal, o que é "extrema direita"? Afinal, o que é "publicidade comercial"? Cá para mim, é tão subjectivo quanto "uma programação de cinema de qualidade"; é talvez "menos subjectivo" - eufemismo para "arbitrário", para os lados da Assembleia - do que aquilo que parte substancial, e por sinal, bastante informada da sociedade civil reclama como uma programação de cinema de qualidade, do que parte substancial da sociedade civil defende ser um atentado ao contrato que uma empresa pública assinou com o Estado. Mas "corrigir" o incumpridor é ingerir no seu espaço de liberdade? Bem, "ingerir" é o que cabe ao Estado fazer quando este é directamente lesado por alguém, no caso, alguém que dele depende por inteiro.

Ingerir no espaço de liberdade do incumpridor não é um atentado ao Estado de Direito. Pelo contrário: é uma intervenção necessária à manutenção do Estado de Direito. Para o caso, é uma intervenção necessária à restauração da transparência da instituição pública, do Estado, que é a RTP2. Mas todas estas ideias, que à partida não ofereceriam grande discussão, parecem estar a "bloquear" politicamente qualquer acção mais visível por parte da Assembleia sobre esta causa que temos, de facto, como "civilizacional".

De qualquer modo, esperamos ainda que a Comissão para a Ética... procure ter um papel actuante até ao final deste processo. É isso, enfim, que todos nós esperamos dos nossos representantes: soluções e não obstáculos. Vamos ter fé...

Audição Parlamentar: Petição Cinema na RTP2 na Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

CINEdrio nomeado para Melhor Artigo nos prémios TCN Blog Awards 2011


O artigo "Petição Cinema na RTP2: Balanço Final", escrito por mim, neste espaço, no dia 9 de Julho, foi nomeado para melhor artigo da blogosfera cinéfila 2011 pelo júri dos prémios TCN, atribuídos anualmente a partir do blogue Cinema Notebook, do Miguel Reis - a quem agradeço obviamente a atenção. Esta nomeação não diz respeito apenas ao blogue CINEdrio; na realidade, premeia uma causa que tem amanhã um dia importante e que, contrariando muitos vaticínios, não terá uma morte fácil.

Peço que votem neste artigo (escolhendo o seu título na sondagem postada no dito blogue, por exemplo, a partir de aqui), isto se acreditam na causa "Cinema na RTP2" e se defendem - como nós - um serviço público como manda a Lei: de qualidade, isto é, pensado para a formação de um público e não para a sua deformação em "audiência".

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Petição Cinema na RTP2 na Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação

Still de "Mr. Smith Goes to Washington" (1939) de Frank Capra

Dia 17 de Novembro (quinta), às 14h, eu, Luís Mendonça, e o meu colega Ricardo Lisboa vamos à Assembleia da República para sermos ouvidos numa audição Parlamentar no âmbito da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação. Fazemo-lo em nome dos 2962 cidadãos que subscreveram a nossa petição.

Alguma inquietação que achem que devemos transmitir, têm este espaço para transmiti-la.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Uma petição para se ver a força desmedida do futebol no nosso país (a minha experiência Morgan Spurlock)

(Clique na imagem para ampliar)

Não é caso para me acusarem de cinismo, a sério, mas criei uma petição, uma petição em que não depositei praticamente qualquer esforço de promoção, fi-la em poucos minutos e praticamente só promovi junto de contactos pessoais. O tema desta petição está a milhas da petição pelo regresso do cinema à RTP2. Acredito no que escrevi e acredito que haja mais pessoas a defenderem o mesmo, mas transformei essa convicção numa petição para testar, precisamente, em que medida certos assuntos ganham uma projecção mediática maior do que outros.

De um lado, então, como é conhecido de quem lê este blogue, estive à frente da petição do cinema, do outro lado, agora revelo, fui redactor - sou redactor - da petição que apela junto da Federação Portuguesa de Futebol à reconciliação entre o seleccionador nacional Paulo Bento e o jogador Ricardo Carvalho. A primeira mereceu da minha parte, e da parte dos meus colegas-redactores, muita dedicação e só chegou aos jornais quando já caminhava para as 2000 assinaturas. Esta petição sobre o tema futebol demorou poucas semanas a chegar aos jornais (hoje, numa peça do DN), sendo que não fiz praticamente nada por isso, e contando apenas com umas ridículas 29 assinaturas - agora está com 31.

É impressionante como qualquer migalha que diga respeito ao futebol, até mesmo, na sua feição mais "soap", ganha uma ressonância mediática várias vezes superior a uma iniciativa que agrega a sociedade civil em grande número e que diz respeito à nossa formação cultural! Deixo todas as restantes reflexões do vosso lado, mas, por favor, não me acusem de cinismo.

António-Pedro Vasconcelos, a RTP e o serviço público de televisão

Na entrevista que António-Pedro Vasconcelos (APV) deu no recém-criado programa do canal Q "Inferno", apresentado por Pedro Vieira (irmão Lúcia)*, ficam mais ou menos claras, pelo menos, parte das razões que levaram o cineasta a sair do programa "Trio D'Ataque" para se dedicar "à luta em defesa da RTP e do serviço público de televisão", que o comentador desportivo e cineasta em part-time diz, em tom apocalíptico, estar em risco de acabar. (Eu, pela minha parte, como já escrevi aqui, acho que sim: de facto, a RTP está em risco de acabar, mas, senhor APV, não vê televisão?, o serviço público de televisão acabou há muito tempo!)

Registo, desta entrevista, duas coisas.

Primeiro. APV diz que grassa a apatia no meio intelectual em torno desta situação de emergência nacional que é a manutenção do serviço público - tal como está? Manutenção do statu quo? Manutenção DESTE serviço público? APV parece estar na luta errada, na hora errada... É que o problema da RTP, como João Mário Grilo expôs de forma lapidar no debate Cinema na RTP2**, está na RTP e foi criado pela RTP. Foi quem lá esteve - e quem ainda lá está, bem instalado... - que resolveu virar as costas ao seu público e abraçar um conceito de audiência vindo da mais reaccionária das televisões comerciais e que em nada se coaduna com o modelo de serviço público, tal como está vertido no Contrato com o Estado e na Lei da Televisão - e, até, defendo eu, na própria Constituição.

APV é que acordou tarde para esta luta, como aliás, acordam tarde todos aqueles que, depois de terem virado a cara a esse escorraçamento de públicos perpetrado por sucessivas direcções da RTP, agora se auto-proclamam "defensores da pátria" à custa da vitimização da "RTP e do seu serviço - que só na sua cabeça é - de interesse público". Não me espanta esta atitude, tendo em conta que APV, como o próprio refere, fez parte do sistema durante 20 anos. O problema do serviço público, problema que é "do país", é precisamente este: criticar algo, ao mesmo tempo que se enxota a água do capote, se lava as mãos como pilatos, se assobia para o lado quanto às responsabilidades pessoais no actual estado das coisas. E APV esteve lá dentro durante duas décadas e, enquanto lá esteve, pouco ou nada produziu de significativo na crítica aos sucessivos atropelos ao serviço público incentivados por inúmeras direcções...

Segundo. Registo ainda aquele momento em que APV, interrogado por Pedro Vieira sobre se "Fátima Campos Ferreira não seria possível nos privados", afirma qualquer coisa como "não, impossível, o modelo de serviço público não é replicável nos privados". Quando se prepara para fazer a defesa do actual dito serviço público de televisão o que ocorre a APV invocar são todos os programas culturais - programas para públicos minoritários sobre livros ou ópera, como diz APV - que os privados não estarão dispostos a aguentar em nome do interesse público. De facto,como poderão sobreviver no selvagem mercado dos privados todos os programas sobre cinema, ópera, literatura que existem hoje na RTP? Impossível, até porque, como todos sabemos, na RTP abunda uma programação cultural de enorme qualidade.

*- Quase ao mesmo tempo (e actualizando este post - neste dia, 16 de Outubro 2011 -), APV foi ao talk show de bonecos animados do Wemans, "Noite do Óscar", repetir praticamente palavra a palavra as mesmas ideias...

** - Recordo que APV, em entrevista a um jornal, se disse "indiferente" a iniciativas do género da Petição pelo regresso da exibição regular de cinema à RTP. As suas palavras foram respondidas por um post espirituoso do Miguel Domingues.

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