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domingo, 26 de dezembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXV): "o problema" pode bem começar aí...

DOIS MIL QUINHENTOS E VINTE

As críticas de Pedro Borges, da MIDAS Filmes, ao estado da RTP2 são devidamente contextualizados pelo panorama actual dos modos de ver cinema em Portugal. Este artigo de Vasco Câmara só vem dar conta de uma urgência: o gosto de ir ao cinema está-se a dissipar. Não por falta de interesse - visto que ele é manifesto pela afluência das pessoas aos festivais, até aos mais "alternativos" - mas pela ausência de uma "cultura de sala", que tem impedido as pessoas de integrarem as idas ao cinema nas suas rotinas de fim de semana.

Pedro Borges chega mesmo a criticar a multiplicação dos festivais de cinema e, na minha opinião, com bastante pertinência: "O público dos festivais só vai a festivais, não vai ver os filmes no resto do ano. Houve uma altura em que as pessoas diziam que não esqueciam o ano em que viram no King o 'Chungking Express' [Wong Kar-wai] ou 'A Bela Impertinente' [Rivette]. Os filmes marcavam a vida das pessoas. Isso hoje não acontece. O cinema tem que existir 365 dias por ano e não existe. O Estado tem de descobrir, nas cidades fora de Lisboa, parceiros que queiram mostrar cinema 365 dias por ano".

Olho à minha volta e sinto, mesmo entre o público mais cinefilamente filiado ou pretensamente cinéfilo, um desinteresse crescente pelo que as salas oferecem, muitas vezes, tantas vezes, aliás, em virtude de idas ao DocLisboa ou IndieLisboa. Mas é um "ir ao cinema" como quem se atira de cabeça para o vazio; não há, a meu ver, uma verdadeira excitação em "seguir" o evoluir de um universo ou de um conjunto de obras - ou mesmo de uma indústria! Espera-se, sim, que tudo isto lhes surja em pacotes retrospectivos pela mão dos festivais da moda ou, pontualmente, pela mão de esta ou daquela editora de DVDs - mas, para uma oferta interessada, só temos a excelente MIDAS. A (fome de) descoberta é mínima e a capacidade crítica ressente-se.

Depois, ainda mais acertadamente, Pedro Borges acrescenta: ..."E outra coisa: durante anos havia um canal de televisão de serviço público que mostrava estes filmes. Quando se mostra regularmente esse cinema, está-se a criar público. O facto de a RTP 2 ter deixado de passar cinema é um descalabro para a distribuição. Era possível esse cinema existir com visibilidade porque as televisões estabeleciam parcerias com os distribuidores independentes. Nos outros países apareceram canais especializados em cinema. Em Portugal os canais privados são piores do que a TV pública".

Fiz um sublinhado a bold no que julgo ser fundamental entender, de uma vez por todas: se há alguma coisa que distingue uma (boa) programação cultural das demais é que esta tem a capacidade de CRIAR público. Em Novembro, numa entrevista concedida ao jornal Público, pela mão de Jorge Mourinha (nosso subscritor), Thierry Garrel, programador de cinema documental do canal ARTE durante 16 anos, presidente do júri no último DocLisboa, sublinha algo parecido: "Se aprendi alguma coisa na televisão, é que, quando se aposta no público, oferecendo-lhe obras novas, supostamente complexas, mas que falam essa tal língua universal, o público está lá sempre. Sempre. Não está lá instantaneamente; a televisão comercial quer sempre medir instantaneamente a presença dos espectadores em frente ao écrã, e isso não é possível. Mas precisamente através de uma programação podemos construir um público".

E depois acrescenta: "Apesar dos novos meios de comunicação e tecnologias nascidas da revolução digital - um mundo que é uma selva e que ainda não tem economia - acho que a televisão programada ainda vai viver muitos anos. Há 30 anos anunciava-se o fim da televisão com a video-cassette, há 25 anos era o cabo que a ia matar, de cinco em cinco anos aparece uma novidade tecnológico-civilizacional que me parece francamente empolada..."

Há uma filiação que é feita, que se reproduz com o passe a palavra, que se passa com os VHS - de irmãos mais velhos para mais novos, de pais para filhos... - e que, em última análise, nos fica na memória, por envolver objectos que vieram iluminar um pedaço da nossa vida. O "problema RTP2" pode bem ser o princípio de um problema maior, que os festivais maquilham mal: a falta de uma cultura de sala, crítica, activa e "programante" (no sentido de levar as pessoas a saberem programar os seus visionamentos), em Portugal.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXIV): como dizem os jogadores de futebol...

DOIS MIL QUINHENTOS E CINCO


Pois é, quando iniciámos esta petição tive uma conversa com o meu compagnon de route Miguel Domingues e lembro-me bem de nos termos rido perante a possibilidade de virmos a ter sequer 1000 assinaturas. Dissemos que um número como 2000 ou 2500 seria algo de incontornável para a direcção da RTP2, mas, falo por mim, nunca acreditei que chegássemos lá - e tão rapidamente, em menos de 4 meses!

Muito tem acontecido dentro e à volta da petição. Mais assinaturas significativas - como a de Jorge Campos -, mas acima de tudo temos merecido alguma atenção mediática, nomeadamente, na coluna diária de Jorge Mourinha, a quem agradecemos.

A notícia da morte de Carlos Pinto Coelho marca, para mim, o momento mais doloroso desta iniciativa, porque, estou certo, se havia exemplo vivo da (resistência à) política castradora do segundo canal este era Carlos Pinto Coelho, alguém que, noutro contexto, ou melhor, no contexto certo, teria continuado a sua carreira enquanto brilhante comunicador e divulgador da língua e cultura portuguesas que era e sempre foi, abnegadamente. Por ele, queremos mais do que nunca tornar consequentes todos estes maravilhosos apoios.

Estamos todos, 2505 pessoas, no mesmo barco, a remar no mesmo sentido, ao sabor da mesma maré (desafiando os mesmos tubarões...). E, como já tive oportunidade de dizer, ainda vem aí um importante II Acto. Continue a seguir-nos, a assinar e a dar a assinar. Até lá, como dizem os jogadores de futebol, "estamos todos de parabéns".


E, tantas assinaturas depois, continuamos a dizer: senhores e senhoras da RTP2, "You're definitely in denial".

sábado, 27 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXIII): na TSF de viva voz

DOIS MIL TREZENTOS E TRINTA

(clique na imagem)

Para quem percebe destas coisas do jornalismo, não é preciso eu dizer que uma estação como a TSF tem de citar Jorge Wemans no JN, porque este ignorou as suas chamadas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXII): equívocos

DOIS MIL DUZENTOS E VINTE SEIS

Dois equívocos que tenho encontrado: 1. "não assino esta petição porque também falta teatro, música, literatura na RTP2"; 2. Uma fatia de pessoas parece considerar esta petição como coisa "pouco importante" (o cineasta António-Pedro Vasconcelos é uma delas).

Bem, quanto ao ponto 1, repito que as petições, como métodos democráticos que são, não podem ser EXCLUDENTES - a nossa não é excepção.

Quanto ao ponto 2, pergunto: num tempo em que estamos todos a apertar o cinto, não é importante denunciar aquilo que pode ser uma gestão irresponsável, danosa mesmo, de uma empresa 100% pública?

Como já disse, e repito, não podemos andar a brincar às televisões privadas no coração do serviço público. Não podemos.

Assine.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXI): que RTP2?

DOIS MIL CENTO E CINQUENTA E DOIS

Jorge Wemans, director de programas da RTP2 destaca que a estação pública "é a única a emitir todas as semanas um filme às 22.30horas (mais nenhum canal emite cinema em prime-time)". "Emite em média 17 filmes portugueses por ano, além de dar atenção às cinematografias europeias - em média mais de 40 por ano", aponta, sustentando que a emissão cinematográfica na Dois se faz "dentro da contigência dos filmes disponíveis e das condições orçamentais".

Eu não sei como qualificar estas palavras do senhor Wemans. Só me ocorre dizer aquilo que acho que deve ser dito: absolutamente lamentáveis. Para além de fazer o auto-elogio absurdo de passar, em média, 17 filmes portugueses por ano - TANTOS! Não é? -, refere ainda que "dá atenção às cinematografias europeias", porque - lá vêm os números outra vez, qual empresário televiseiro - mostra, em média, 40 destes filmes por ano. Primeiro, este sistema de quotização, espécie de celebração acéfala da tecnocracia televisiva, é sintoma claríssimo da forma indigna como o cinema é tratado - é só mais um "conteúdo televisivo", não é verdade?

A retórica dos números funciona sempre bem, mas atendamos ao seguinte: senhor Wemans, 17 filmes portugueses por ano? Que filmes? senhor Wemans, 40 filmes europeus por ano? Que filmes? E, depois de me responder, pergunto-lhe logo a seguir: "E, senhor Wemans, de que forma os mostrou?". (Até foram buscar o Mário Augusto à "concorrência"... que, por sinal, lhe deve estar a sair muito barato... tendo em conta as "condições orçamentais"...)

Contrato de Concessão de Serviço Público - CCSP

Cláusula 10.ª
Segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional

(...)

13. Tendo em conta o disposto nos números 1, 2 e 5 e nas alíneas b), d), c), g), h) e i) do n.º 2 da Cláusula 7.ª, o segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional deve incluir, no mínimo:

(...)

c) Espaços regulares de divulgação de obras cinematográficas de longa-metragem do moderno cinema português, o que inclui produções dos vinte anos anteriores à transmissão;
d) Espaços regulares dedicados à cinefilia, com uma forte componente pedagógica, que contextualizem as obras difundidas na história do cinema;
e) Espaços regulares dedicados ao cinema europeu e a cinematografias menos representadas no circuito comercial de exibição;
f) Espaços regulares dedicados a curtas-metragens e ao cinema de animação
;


Ah, foi em "prime-time", num sábado à noite... Vejam só: "nenhuma estação passa em prime-time cinema". Pois claro, mas isso não evita que a RTP2, à luz do seu passado riquíssimo e à luz das exigências da LEI, seja hoje um canal descaracterizado, que é público, mas tem estratégia de um privado... de cabo. Não podemos andar a brincar às televisões privadas no coração do serviço público. Não podemos.

CCSP

Cláusula 6.ª
Objectivos do serviço público

Para além da sua vinculação aos fins da actividade de televisão a que se refere o artigo 9.º da Lei da Televisão, a Concessionária tem como objectivos específicos:

(...)

b) Promover, com a sua programação, o acesso ao conhecimento e a aquisição de saberes, assim como o fortalecimento do sentido crítico do público;
c) Combater a uniformização da oferta televisiva, através de programação efectivamente diversificada, alternativa, criativa e não determinada por objectivos comerciais;


Questões orçamentais, senhor Wemans? Não posso acreditar que invoque tal razão neste caso: é caro passar uns Tarkovskys e fazer uns "Filme da Minha Vida" versão século XXI? Não é gratuito, mas não consta que sejam gratuitos os talk shows nocturnos que produz, o único formato de talk show que conheço que tem uma equipa diferente por cada dia da semana - nem nos EUA isto acontece!

E, já agora, onde encaixa "5 para a Meia-Noite" e as séries todas que passa, duplicadas com vários outros canais do cabo, nas obrigações do canal? Passam 17 filmes portugueses, em média, por ano? E quantas séries americanas, das que também passam em Foxs e outros canais especializados, passa por ano? Não sei, mas 17 filmes portugueses, 40 europeus ou, que seja, os 98 que a Sessão Dupla passa por ano (segundo o JN) ao pé de mais de 300 "5 para a Meia-Noite" e muitos mais episódios de séries americanas estafadamente divulgadas e conhecidas do grande público por ano é, quanto a mim, mais do que suficiente para expor - se é preciso expor... - o absurdo desta argumentação, de novo, auto-vimitizante e pequenina.

domingo, 7 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXX): triple X ou post sobre a aprendizagem do amor

MIL OITOCENTOS E SETENTA E QUATRO

Já se escreveu muito no nosso blogue e página no Facebook sobre a evolução desta iniciativa, os seus ganhos diários em matéria de apoio popular - que agradecemos - e também as pequenas reflexões, nossas e dos nossos subscritores, que temos promovido.

Desde já, queria agradecer ao Knoxville pela nomeação do blogue da petição para os Blog Awards. Agradecemos a nomeação e, acima de tudo, as palavras que nos dirige, que só nos dão força para continuar. Mas, face a elas, tenho um statement a fazer: só considerarei esta iniciativa um sucesso se esta trouxer alguma consequência visível na programação de cinema na RTP2. Uma consequência que se quer, naturalmente, para melhor - para pior também é difícil, não é verdade?

É que a RTP2 tem-se especializado numa espécie de exposição enfadada do cinema, quase como se fosse uma injecção que a "gentalha" cinéfila tem de levar ao sábado... num sítio que eu cá sei. É indigna a forma como a Sétima Arte é tratada no segundo canal e espanta-me que tanta comunicação social tenha feito pouco ou nada para denunciar este claro atropelo ao conceito de serviço público, aos valores da promoção e divulgação culturais. Como nos disse João Milagre em entrevista, parafraseando Nietzsche, "é preciso aprender a amar". Acho que um canal como a RTP2 pode (voltar a) ter como função ensinar as pessoas a "aprender a amar", coisa que tem sido totalmente descurada pelo actual director de programas.

O seu discurso atabalhoado e pesporrente, numa conferência que se realizou (curiosamente) na minha faculdade, FCSH-UNL, e na presença de Inês de Medeiros (ver vídeos abaixo), é denunciador de um fechamento de ideias, de uma espécie de auto-desculpabilização/vitimização que paralisa. Um vazio caótico que tem imperado no segundo canal há cerca de 5 anos, sem contestação de relevo por parte da comunicação social e, diga-se, da própria sociedade civil.

Inês de Medeiros, como também é evidente num dos vídeos, parece remar no sentido dessa aprendizagem, pela televisão, de modos de ver o mundo diferentes daqueles que a programação "para as massas" oferece. A RTP2 tem remado no sentido de uma aproximação pouco imaginativa ao modelo das demais televisões generalistas, numa tentativa de ser Panda durante o dia, FOX no prime time e SIC Radical mais à noite - e no meio lá enfiam os programas religiosos e da sociedade civil. Isto faz algum sentido, face ao que é hoje a televisão?

Não precisamos de um canal público, com dever de promover A DIFERENÇA, a duplicar programações de estações privadas com fins lucrativos. Isto é, quanto a mim, ultrajante. Por isso, volto a dirigir-me a quem me lê: se não assinou, assine, pois esta é uma questão que toca a todos, um princípio de uma batalha pelo saneamento (no sentido que Jon Stewart já deu ao termo nos EUA ou no sentido que o nosso dicionário lhe dá, porquanto sanear é "tornar apto para a cultura") da nossa televisão, no fundo, do nosso país. E, com certeza, sem diabolizações...

Já agora: estes vídeos NÃO foram realizados pelo Kiarostami. Claramente NÃO.

sábado, 16 de outubro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXIX): uma mão cheia de nada

MIL SETECENTOS E CINQUENTA E TRÊS

Estamos a chegar, com mais força, aos media. A Agência LUSA já nos noticiou, o que provocou a tradicional avalanche de notícias nos órgãos de comunicação social que são, no fundo, transcrições quase ipsis verbis da dita fonte.

Mais significativa foi a publicação que a Rua de Baixo fez de uma entrevista* que dei a um dos seus jornalistas, a quem agradeço a oportunidade de expor, de forma mais directa, sem filtros, os nossos argumentos.

Não sou, naturalmente, a pessoa mais indicada para destacar alguma parte da entrevista, mas há um conjunto de palavras que disse, naquele dia, com um sentimento de urgência que, hoje, não mudou. Muito pelo contrário.

Porque eu também tenho noção de que não basta ter pessoas conhecidas, muitas pessoas conhecidas. Neste momento nós precisamos é de muita gente a assinar, precisamos do público, precisamos de, no fundo, ter a sociedade civil mobilizada para isto e achamos... que é a esse público que o programador deve responder.


*- Onde se lê "José" deve-se ler "João" Mário Grilo. A gralha é-nos alheia.

Quero dizer outra coisa aqui, para que fique também registado.

Numa Democracia, uma petição não é um texto excludente, ou pelo menos, não DEVE ser um texto excludente. Isto é, por não ampliarmos esta causa a todos os domínios das artes - e sabe-se lá mais o quê... - não quer dizer que estejamos CONTRA o que quer que seja.

Na realidade, olhando para o SENTIDO do nosso texto, perceber-se-á facilmente que não estamos contentes com o grosso da programação cultural da RTP2 e RTP1 e que queremos que esta petição seja EXEMPLAR na luta por um serviço público de qualidade. Dentro da lógica da petição como um texto excludente, contra algo em vez de a favor de algo, ninguém assinaria petição alguma, pois nenhuma petição consegue abarcar TODO o universo de reivindicações que cada cidadão português tem legitimidade de fazer.

Digo isto a todos aqueles que, contactados por nós, com responsabilidade social na área da cultura, se recusam a assinar alegando, algumas vezes, que concordam com a nossa batalha, mas que por esta ou aquela nuance, por não pedirmos a cabeça deste ou daquele ou por não pedirmos reformas de fundo na ideia de serviço público, não assinam e se recusam a divulgar esta iniciativa.

São pessoas que acreditam, com certeza, que Portugal é um país que se constrói por lobbying interno, de costas voltas para a Sociedade e os seus mais desinteressados representantes. Posição triste e, peço desculpa, pequenina.



Uma mão cheia de nada...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXVIII): a "ditadura das audiências" é mesmo uma ditadura

"Vá, agora só quero ouvir as vozes dos senhores contribuintes: "GREED IS GOOD"! Não ouvi, não ouvi. "GREED IS GOOD"! O quê?!"GREED IS GOOD"! Ah, assim é que é. Uma salva de palmas para os senhores contribuintes, o melhor público do mundo! "

Sob pena de parecer arrogante, escrevo-o aqui: não há nada que me irrite mais que a tacanhez mental e de espírito. Quando os senhores da televisão, à falta de argumento melhor, se refugiam nos valores dos sacrossantos estudos de audiência normalmente é para defenderem o seguinte: nós só damos às pessoas aquilo que elas querem.

Primeiro, quem diz isso não faz a mínima ideia de como as audiências são medidas, um processo rudimentar com um grau de precisão bastante baixo - nem os audímetros mais modernos, portáteis e que registam qualquer duplicação, merecem tal estatuto de infalibilidade que os tecnocratas da televisão lhes dão. Não ponho em causa a competência de uma empresa como a Marktest ao dizer isto, ponho em causa sim o excessivo, quase dogmático, endeusamento desse indicador - deve ser um em vários... - a que muito boa gente, à falta de nutrição para pensar pela própria cabeça, se presta.

Segundo, pergunto o seguinte: quem vê isto, percebe que a longevidade de um programa pode ir muito para lá daquilo que os shares diários registam; que uma VHS de Hitchcock ou Bergman ou Tarkovsky... pode ser vista e revista várias vezes pelo mesmo espectador, pode ser dada a ver por este espectador a amigos ou familiares, pode, na realidade, passar de geração em geração. Mas, claro, no dia em que o filme gravado passou na televisão o senhor da televisão deitou as mãos à cabeça e jurou nunca mais passar "filmes esquisitos", pois estes têm um share muito diminuto.

Claro que não tenho de explicar, nem a um miúdo de 10 anos ou nem a um adulto com a idade mental de um miúdo de 10 anos, porque é que tudo isto é ainda mais ridículo numa televisão estatal contratualmente obrigada à divulgação e promoção da cultura.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXVII): "Petit à petit" lá vamos fazendo o nosso caminho

MIL QUINHENTOS E TREZE


A República faz 100 anos? Sim, ok, mas a nossa petição faz um mês. E, ó senhora República, tente bater isto: num mês, juntámos mais de 1500 assinaturas, entre as quais, e mais recentemente, de Rogério Samora, Daniel Sampaio, Catarina Portas, Tiago Guedes e Ivo Canelas. Bem, vou deixar a senhora República fora desta luta; dirijo-me sim aos Senhores que lhe vão ao bolso e ainda são capazes de criticar o seu belo peito: haja decência para, pelo menos, nos darem uma resposta.

Não nos cansamos de repetir as nossas argumentações, nos mais variados formatos, mais recentemente, em vídeo, e esperamos chegar, brevemente, ao diálogo com o Poder político e/ou os tais Senhores da RTP2. Precisamos, contudo, de obter maior REPRESENTATIVIDADE, o que quer dizer que precisamos da sua assinatura e, caso já tenha assinado, da sua ajuda para divulgar esta causa. Força!



"Petit à petit", lá vamos conquistando a Sociedade Civil nesta luta por uma programação de cinema digna na RTP2.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXVI)

MIL E QUATROCENTOS

Entre as 1186 e as 1400 assinaturas, muita coisa aconteceu. Mais grandes figuras da nossa sociedade assinaram a petição, entre elas, o Professor José Mattoso, Carlos Pinto Coelho, Jacinto Lucas Pires e Catarina Portas, e a nossa causa foi noticiada no jornal Público do passado domingo.

Temos, contudo, uma meta que nos põe em sentido: 2000 assinaturas até dia 11 de Outubro. É ambiciosa e difícil de cumprir face ao nosso anonimato e à pouca vontade que os órgãos de comunicação social estão a manifestar em tornar Publicada a Opinião Pública - para quem não sabe a diferença entre estes dois conceitos, voilá!

Sentido, ordem, reunir tropas, apontar canhões e FOGO: mais assinaturas, meus caros indecisos, amigos de indecisos, amigos de amigos de indecisos! Por quê? Porque... bem, se o nosso texto constante da petição não o satisfaz, é visitar o nosso blogue e ir à (novíssima) coluna do "argumentário".


Comandar as tropas em direcção ao nosso objectivo!, ordena o nosso Field Commander Cohen.

sábado, 25 de setembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXV): fighting for my lost cause

MIL CENTO E OITENTA E SEIS


Pois é, o número de subscritores cresce a olhos vistos - relembro que a petição começou há menos de 3 semanas. Os nosso subscritores Eduardo Cintra Torres e Jorge Mourinha já escreveram sobre esta iniciativa nas suas colunas do jornal Público, o que agradecemos profundamente.

No entanto, e apesar dos muitos esforços, ainda não fomos notícia fora das redes sociais, blogues e alguns sites da especialidade. Precisamos de mais divulgação para chegarmos a todos os que querem ver o dever de serviço público cumprido pelo segundo canal.

A deputada, actriz e realizadora - e, não esquecer, apresentadora de "Filme da Minha Vida", em tempos idos da RTP2 - Inês de Medeiros é uma das mais recentes assinantes da nossa causa e procuraremos com ela ou através dela fazer chegar as nossas reivindicações às autoridades competentes, leia-se, ao senhor Ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão e à direcção de programas da RTP2. A nossa causa tem uma grande vantagem: temos a cobertura TOTAL e COMPLETA do texto da lei - ora passem os olhos por aqui.


Uma causa perdida esta? Há quem nos diga que sim, que não vamos lá com petições - então vamos lá como? À chapada? - e que somos novos e ingénuos. Sim, somos uma causa perdida, seguramente, em sentido lato, mas não tão seguramente em sentido estrito.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXIV): mais de mil cidadãos já assinaram a nossa petição

MIL E UM


Ultrapassámos a meta dos 1000 assinantes. Manuel Villaverde Cabral, Raquel Freire, Paulo Trancoso e Anabela Teixeira são alguns dos nomes que subscreveram mais recentemente a nossa petição. A ele juntaram-se centenas nas últimas vinte e quatro horas. E ainda não fomos noticiados nos jornais - apesar dos nossos esforços... Fica a certeza que esta petição, uma das mais activas do site peticaopublica.com, está a mobilizar a sociedade civil.

Como festejar? Pondo a assinar quem ainda não assinou. Força!


Agora que chegámos ao "número mágico" dos 1000 assinantes, parece que, senhores da RTP2, "You're in denial".

domingo, 19 de setembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXIII): ready to start?

SETECENTOS

A petição conta já com 700 assinantes. Um bom número para uma causa verdadeiramente pública? É bom, mais pela qualidade de quem tem assinado - todos sem excepção - do que pela quantidade, face aos nossos objectivos.

Confesso que quando vejo uma petição como a da Professora de Braga, a favor de Carlos Cruz, com 1082 assinaturas (claro que a maioria é pouco credível, mas ainda assim...), interrogo-me, primeiro, sobre a força que os media têm - recordo que esta já foi sobejamente noticiada, ao contrário da nossa - e, segundo, sobre a forma como a sociedade civil se deixa seduzir facilmente por causas (perdidas...) que não lhe dizem respeito.

Se concordarem, assinem.(E não se esqueçam de confirmar a vossa assinatura no endereço fornecido.) Se não concordarem, estaremos naturalmente disponíveis para esgrimir argumentos, neste espaço ou noutro qualquer.

Ready to start this fight?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXII): What is Not But Could Be If

QUINHENTOS E SESSENTA E DOIS


A nossa petição continua a merecer uma excelente adesão por parte da sociedade civil. Temos tido cerca de meia centena de assinaturas por dia desde o começo desta semana e alguns nomes muito relevantes do meio ou à volta vieram trazer outra visibilidade à nossa causa, que esperamos chegar aos mass media em breve. Gonçalo Waddington, José Nascimento, Cláudia Arsénio, Jorge Mourinha e Teresa Garcia são alguns dos "reforços" que vemos com especial satisfação.

Entretanto, minha boa gente, continuem a assinar! Ainda estamos muito longe dos nossos objectivos.



With all associated risk, what is not but could be if... a RTP2 tivesse uma programação de cinema de qualidade?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXI)

TREZENTOS E CINQUENTA E UM


Chegamos a este número em pouco mais de uma semana e estamos contentes com a adesão. Agora, continua a não ser minimamente suficiente face às nossas ambições de, DE FACTO, mudarmos o estado das coisas em matéria de programação de cinema no segundo canal.

Façam como a escritora Alice Vieira, a radialista Isilda Sanches, os Professores e cineastas Lauro António e João Mário Grilo ou o homem do som em Portugal Vasco Pimentel: assinem!



"Ó miúdo, desliga o televisor que não está a dar nada de jeito!"

sábado, 11 de setembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XX)

TREZENTOS E UM

Não, este não é um post sobre uma eventual sequela do famigerado filme de Zack Snyder. É, antes, o número de subscritores que já assinaram a nossa petição. Um obrigado enorme a todos pela rápida resposta a esta causa que (obrigatoriamente) nos toca a todos.

Agora é continuar a assinar, que ainda estamos longe do nosso objectivo - não nos podemos satisfazer com centenas, quando precisamos de milhares!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XVIII)

CENTO E QUARENTA E CINCO


A petição corre a bom ritmo, com a subscrição de amigos, amigos de amigos e de algumas personalidades de grande relevo na sociedade portuguesa, das quais destacamos: João Mário Grilo, Adriano Duarte Rodrigues, Arsélio de Almeida Martins e Fernando Cabral Martins. Hoje, recebemos a assinatura de Rui Cádima.

Agradecemos a rápida resposta que nos estão a dar. Falta é chegarmos a números significativos, para o universo RTP, para o universo nacional...

Atenção, sob pena de anulação, é fundamental que a assinatura esteja completa, com acentos* e que seja confirmada a partir do vosso endereço electrónico. Simples e rápido.

*- Como bem me lembra a Sara Campino, alguns subscritores encontram-se fora do país; logo, escrevem-nos em teclados sem acentos. Um obrigado a todos eles pelo esforço acrescido.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A petição já está operacional

CEM


Vamos assinar, minha gente!

A peticaopublica.com apresentou as suas desculpas pelo "erro" cometido. Nós agradecemos, ainda assim, o seu rápido reparo.

Actualização: não se esqueçam de assinar com nome COMPLETO e, muito importante, de fazer a confirmação da assinatura, clicando em link que vos será enviado para o mail concedido (que poderá ser "privado").

Petição com problema técnico

Um problema de ordem técnica está a impedir a entrada de mais assinaturas na nossa petição.

Ele já está a ser resolvido. Mal fique tudo de novo operacional, comunicar-vos-ei aqui e nos outros espaços da petição.

Peço desculpa pelo incómodo.

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