Mostrar mensagens com a etiqueta RTP2. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta RTP2. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O serviço público de televisão e o "problema" dos conteúdos

Só mesmo desligada, a televisão parece devolver o nosso (exigente) reflexo - a personagem de Jane Wyman em "All that Heaven Allows" (1955) decerto já o sabia.

Anda aí a circular a ideia de que se pode definir o conceito de serviço público de televisão sem se falar de conteúdos e grelhas de programas. Quem tem reagido com esta ideia à constituição do grupo de trabalho chefiado por João Duque, e que integra, entre outros, Eduardo Cintra Torres e Manuel Villaverde Cabral (dois subscritores da nossa petição), arrisca-se seriamente a cair num vazio de argumentos. O Governo tem obviamente de analisar conteúdos específicos se quer aprimorar (ainda mais) o conceito de serviço público.

Aliás, vou até mais longe, dificilmente se consegue falar de televisão sem falar de conteúdos, opções editoriais e mesmo das pessoas que as tomam... Por tudo isto, seria importante "desmascarar" todos aqueles que (epidérmica e demagogicamente) reagem a tudo o que são propostas para acertar o rumo dos canais do Estado e aproximá-los de uma ideia mais concreta de "interesse público" como se estas resultassem automaticamente numa ingerência ilegal, inconstitucional, das forças políticas no direito sagrado à liberdade de imprensa. É preciso, na realidade, tratar de conteúdos, se alguém quer, de facto, uma televisão pública responsável perante a lei e o Contrato que tem com o Estado.

Recomendo que se leia o Contrato que a RTP tem com o Estado para se perceber, de uma vez por todas, primeiro, que o Estado sempre tratou de conteúdos, sempre, por assim dizer, "ingeriu" no modo como as grelhas de programas se constituem e que, segundo, a actual definição de serviço público é já suficientemente exaustiva para que hoje pudéssemos ter uma televisão de muito melhor qualidade - que não oferecesse, pelo menos, tanta contestação por parte da sociedade civil informada. O problema, repito, está na regulação, que deve começar logo na nomeação de quem vai para a frente dos ditos canais. Lamento que, face às evidências, ainda se perca tempo com argumentos corporativistas ou partidariamente viciados.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

As introduções de José Vieira Mendes: o grau zero da contextualização cinéfila

A questão do cinema e do serviço público de televisão é complexa, não devido às obrigações quantitativas e qualitativas previstas no Contrato de Concessão de Serviço Público, mas pelo facto de, verdadeiramente, "o problema" ser de muito difícil resolução por quem tem "programado como tem programado" os espaços de cinema nos canais públicos. Quero dizer com isto o seguinte: mesmo que Jorge Wemans ou alguém que partilhe com este uma visão muito estreita do que é e representa o cinema para o público da RTP2, digo, mesmo que alguém DESTA RTP2, ligada umbilicalmente a ESTA direcção, se proponha dar o tal "passo em frente" na sua programação de cinema, provavelmente, dará apenas meio passo.

No debate Cinema na RTP2 foi assumido pelo director da estação, bem como pelo ex-Provedor do Telespectador, que este canal está claramente deficitário no campo da sua programação de cinema. E que o problema, mais do que quantitativo, é qualitativo. Alguns elementos do público que quiseram participar no debate não deixaram de fazer a sugestão mais óbvia: que, pelo menos, a sessão dupla dos sábados seja pensada por alguém da área, que depois fará uma pequena introdução filmada - ela ou um convidado... - aos filmes que se seguem. A ideia pareceu ter sido bem recebido por todos os presentes. Naquele momento estávamos todos de acordo. Contudo, é preciso sublinhar que esta solução "mínima" poderá ser menos do que isso se o formato dessa apresentação for, à partida, ele mesmo, "equívoco", isto é, pouco compaginável com as exigências de qualidade, intelectual e pedagógica, que efectivamente SERVEM o interesse público. Por isso é que, mesmo que o senhor Jorge Wemans queira dar, finalmente, o tal passo em frente, cairá no risco de só dar meio passo.

Exemplo desse "meio passo" que, se calhar, nem "em frente" nos (co-)move, é o espaço que a RTPMemória organiza todas as semanas - penso - e que é apresentado pelo director da revista PREMIERE, José Vieira Mendes. Aqui está um caso que parece encaixar-se em todas as nossas exigências: alguém do cinema que apresenta um grande clássico, faz dessa apresentação oportunidade para se falar sobre cinema com um convidado em estúdio, servindo o apresentador/entrevistador de anfitrião na descoberta das preciosidades mais ou menos escondidas da História do cinema.

Tudo bem? Sim, mas só em teoria. O problema vem, então, com a qualidade não só da apresentação, como da entrevista. Qualquer coisa tão confrangedora que dificilmente se consegue reproduzir neste espaço. O apresentador empresta um sorriso de plástico e um conjunto de perguntas "com rasteira", frequentemente eivadas de insinuações pequeninas, seja contra o cinema português, seja contra o cinema dito "alternativo", que, naturalmente, levam o convidado a responder com a mesma moeda. Inanidades atrás de inanidades, portanto. E, como digo, José Vieira Mendes baixa qualquer conversa a uma espécie de grau zero do pensamento cinematográfico, insistindo nas questões de indústria, bem como falando do número de prémios que os filmes conquistaram ou de outro tipo de futilidades debilmente debitadas num português paupérrimo. (Numa das introduções pergunta ao convidado, um programador que gosta tanto de cinema como política e outras coisas, como consegue este harmonizar uma oferta mainstream com a oferta de blockbusters...).

Com efeito, quase tudo o que este senhor diz surge como absolutamente lateral ao filme que irá ser mostrado e que, pelo seu valor estético e histórico, pedia uma publicitação, pelo menos, digna da parte do canal que o exibe. Neste sentido, João Lopes faz muito mais do que RTPMemória e RTP2 juntas sempre que fala de um DVD de um clássico da Sétima Arte que saiu nessa semana - aqui sim, há um pensamento que se transmite, um convite informado e "informante" ao espectador para mergulhar mais fundo na história das imagens...

Por outro lado, ou como consequência lógica de tudo isto, os convidados estão ali como que caídos de pára-quedas. Nas "introduções" que tenho assistido, é evidente que a personalidade escolhida está ali mais para uns minutinhos de auto-promoção e tiradas cúmplices com "as ideias" do apresentador do que, verdadeiramente, para contextualizar o filme que se vai mostrar a seguir ao espectador. Resulta disto que, nalguns casos, pela própria, correspondente aliás, pobreza do discurso de alguns convidados, o filme fica praticamente por apresentar - ele parece estorvar aliás o fio de raciocínio, raciocínio baseado em trivialidades ou verdadeiras tolices demagógicas, que envolve estas conversas de café absurdamente deslocadas do seu objecto.

É também notório que não são os convidados a escolher os filmes, mas o apresentador que "impinge" os filmes a convidados que, por partilharem as suas "visões" do cinema, vão à televisão pública trocar umas impressões vãs sobre o que se vai mostrar, mas, acima de tudo, sobre o "estado do cinema" no nosso país - na vez de Pedro Mexia, que parece "fazer carreira a falar mal do cinema português", fica claro que, se pudesse escolher, este apresentava "The Searchers" no lugar de "How Green Was My Valley", obra que lhe saiu na rifa semanal, sorteada por José Vieira Mendes.

No fim, o apresentador, com um sorriso de plástico, despede-se do convidado e do espectador, "lendo" no teleponto um texto miseravelmente escrito, que mata de vez com a possibilidade de a RTP fazer do cinema, finalmente, espaço de reflexão cuidada sobre as imagens e o seu lugar na história contemporânea.

sábado, 9 de julho de 2011

Petição Cinema na RTP2: balanço final

Meus caros, lamento, mas acho que esta espada nem o Rei Artur conseguia arrancar

O balanço desta iniciativa por um serviço público de qualidade que respeite o espectador e que faça de uma programação cultural oportunidade que não se pode esbanjar de fornecer as ferramentas críticas e conceptuais para que o português médio se possa "defender" do que vê, das imagens que o bombardeiam, a toda a hora, no seu dia-dia, digo, o balanço deste movimento cívico, surgido ESPONTANEAMENTE, sem recados ou objectivos que não sejam mais do que aquilo que está no texto da petição - mais cinema! mehor cinema! mais cultura! -, que SABE separar as águas entre o que é a televisão pública - seguramente não uma finalidade em si mesma - e o serviço público - este sim, um "fim" significativo que nos moveu -, digo, o balanço desta parceria entre bloggers de cinema - nem propriamente os mais "populares", sem nome mediático ou redes de contactos mediáticas... -, digo, o balanço deste debate entre o verdadeiro público da RTP2 e a administração plantada há quase 5 anos num lugar que, por todas as razões, exigia rotatividade e abertura, digo, o balanço destes vários meses de reflexão, escrita, filmada, trocada em mensagens, fomentada em encontros informais, etc... sempre em torno da problemática, complexa, admitimo-lo, do serviço público, digo, o balanço deste verdadeiro teste à democracia, nomeadamente, à forma como DE FACTO os agentes políticos e as entidades reguladoras estão disponíveis a ouvir quem DEVIAM representar, a dita "sociedade civil", muito elogiada sobretudo quando não "incomoda", que em todos os lados ouvimos dizer que está "morta" neste país... Digo, o balanço disto tudo é, quanto a mim, negativo.

Estão surpreendidos? Acredito que sim, porque, afinal, reunimos quase 3000 assinaturas; por outras palavras, 5 perfeitos desconhecidos*, zés-ninguém, que escrevem uns posts aqui e ali, conseguiram convocar praticamente todos os sectores da sociedade portuguesa para a resolução de um problema tão específico - será? - como o cinema na televisão pública, melhor, a forma como o cinema NÃO é programado - isto é, é DESprogramado - na RTP2... mesmo depois disto, por que venho agora dizer que o balanço é negativo? Porque, ingenuamente ou não, achámos a certa altura que a nossa causa não só era intrinsecamente justa, como também era praticamente unânime, tendo ganho ressonâncias na sociedade portuguesa como não nos tinha, em qualquer momento, passado pela cabeça. Lembro-me que no primeiro encontro que tive com o Miguel Domingues, no meu espírito, não iríamos conseguir mais do que 200 assinaturas ou coisa parecida. Foi uma feliz surpresa ver como a petição cresceu. Mas desenganem-se aqueles que pensam que cresceu POR ACASO. Todos nós, sobretudo eu, o Miguel Domingues, o Ricardo Lisboa, o João Palhares e o Carlos Natálio trabalhámos imenso para manter minimamente viva a chama ao longo destes meses; muitas vezes numa insistência que, à partida, nos transcendia por completo, abordámos o problema de todos os ângulos, quisemos fazer desta reunião única, e, para sempre!, irrepetível, uma grande oportunidade para tornar imediatamente consequente uma causa nascida, feita a pensar e pela sociedade civil. Quisemos iniciar a discussão da utilidade ou não da televisão pública num campo apartidário, mas não num campo apolítico - bem pelo contrário, nunca deixámos, sem medos, de intervir directamente, convocando todos os agentes com poder e confrontando-os com as suas responsabilidades, coisa que muitos se demitiram de assumir. É aqui que entra a desilusão.

O meio do cinema, altamente tribalizado, comportou-se de forma pequena, muito pouco à altura dos pergaminhos que tanto diz ter e mostrou-se pouco determinado em defender o direito à cultura, isto é, o acesso de todos ao cinema, princípio que só deveria oferecer da sua parte a mais inequívoca e incansável das defesas. Nenhuma organização, instituição privada ou pública nos ajudou ou quis colaborar de forma expressa e substancial nesta causa. A forma como a Associação Portuguesa de Realizadores ignorou por completo esta iniciativa é sintomática de como as gentes do cinema estão muito pouco disponíveis para apoiar iniciativas cívicas desta natureza. Também registamos com desagrado o pouco eco e apoios que obtivemos junto da Cinemateca Portuguesa, de quem acabámos por não merecer uma única assinatura. Seria interessante saber o que pensam estas instituições públicas da forma como a RTP2 tem tratado aquilo que deveriam defender incondicionalmente: o Cinema, precisamente. Numa altura em que a Cinemateca Portuguesa passa por dificuldades, cortes na programação e coisas afins, seria, a nosso ver, mais do que interessante reposicionar-se a RTP2 como um agente cultural, democrático, que promova o acesso do público ao cinema. As instituições devem-se preocupar com os seus problemas, mas nunca o podem fazer abdicando completamente de combater pelo que lhes é estrutural; e o princípio da democratização do cinema na televisão pública pode constituir um relançamento de uma certa "consciência cinéfila" nacional, que leve mais pessoas para a rua, defendendo o serviço público de televisão, a cinemateca e os cineclubes deste país.

Muita gente, de modo cobarde e pouco nobre tendo em conta, para mais, o estado actual do país, não apoiou esta iniciativa com medo de represálias, de cortes nos subsídios por parte da televisão pública e coisas do género. Lamento dizê-lo, mas o cinema português, que está bem servido em matéria de cineastas, está PESSIMAMENTE servido em matéria de cidadania. O comportamento de muita gente com responsabilidades na área é sinal de que Wemans é só a ponta do icebergue de um problema maior que começa com algo que a nós, grupo-peticionário, sempre causou espanto: o facto de durante cinco anos, fora umas trocas boçais de insultos na praça pública e umas conspirações cobardes, quem se diz DEFENSOR DO CINEMA não ter feito nada de visível para contestar a programação do segundo canal, que coerentemente tem arrastado a cultura para a lama - e, como pergunta muito bem o cineasta João Mário Grilo, quem vai agora querer "ir para as ruas" defendê-la contra uma qualquer medida de privatização de parte ou de toda a televisão pública?

E os agentes políticos? Agradecemos a vontade de mudança, ACTUANTE, da bancada do bloco de esquerda, na pessoa da deputada Catarina Martins, mas lamentamos a apatia do PS ou o modo como assobiou para o lado, em vésperas de subir ao poder um partido que - dirá o PS - defende o fim da televisão pública e do serviço público. Ao contrário da deputada Inês de Medeiros, considero que entidades como a AR e a ERC, antes de serem intransigentes na defesa da televisão pública, devem ser intransigentes na defesa do serviço público. Tanto a AR, pela mão da deputada Inês de Medeiros, como a ERC, que não respondeu aos nossos mails, telefonemas e carta, perderam uma enorme oportunidade para mostrarem que o combate que dizem encabeçar pela televisão pública não é fruto apenas de uma circunstância mediática/partidária.

Se a ERC não regula o cumprimento das obrigações de serviço público, se é ingénua na leitura das estatísticas abusivamente manipuladas que a RTP2 apresenta nas auditorias anuais ao canal, se, por outro lado, face a tudo isto, a AR nos diz que é demagógico e "ilegal" qualquer tipo de pressão sobre o segundo canal, porque isso constitui uma intromissão nas decisões editoriais da direcção - o que leva a um vazio de regulação inevitável, visto que, deste modo, a RTP2 poderá continuar a desenvolver impune e orgulhosamente a sua "programação para as audiências", que não se sabe bem que interesses serve... nem se quer imaginar que interesses tem servido... se face a tudo isto, ninguém age ou muda alguma coisa, como podem esperar que os espectadores, a sociedade civil, os contribuintes de onde vem o orçamento da televisão pública, venham defender os seus interesses? Quem nos representa? Nesta matéria, chegámos à conclusão que pouca gente. O bom-senso e independência não imperam nem no meio político nem no meio televisivo nem mesmo entre as "elites" do cinema. O balanço é negativo porque pensamos que, com todos eles, hoje teríamos uma programação de cinema DIGNA no segundo canal.

Desde o início, mesmo não esperando metade da adesão que tivemos, como já referi, sempre tive um único objectivo e mais nenhum: ligar a televisão e ter cinema, um pouco como já tivemos noutros tempos com programas como "5 Noites, 5 Filmes" ou "Filme da Minha Vida" ou, recuando mais, o "Cine-Clube"... A verdade é que, hoje, tendo já entregue as 2962 assinaturas na Assembleia, tendo escrito mais de uma centena de posts, realizado vídeos, podcasts e um debate que tornámos público, nada mudou no segundo canal. Este sábado, em sessão dupla, a esmola que Wemans ainda vai dando ao "público" da RTP2, passam os filmes "Excalibur" de John Boorman, seguido de "A Promessa" de Chen Kaige. O que os liga, o que é que os põe em diálogo? A lenda do rei Arthur encontra ressonâncias na história lendária da China das concubinas? É isso? São as espadas e os cavalos? É Boorman e Kaige? Mas, ó chatos de uma figa, o que é que isso interessa? O povo é ignorante, quer continuar a ser ignorante; enfim, quer é ligar a TV e ver imagens em movimento, acção, acção e poucas palavras, como se diz no filme do outro! A televisão não serve para ser pensada nem para fazer pensar, não é? Está visto que sim. Frank Capra, que sempre se interessou pelas "causas grandes" dos pequenos "sem nome", teria ficado envergonhado com um desenlace destes.

* - Falo, para além de mim, do Miguel Domingues, Ricardo Lisboa, João Palhares e Carlos Natálio. A título pessoal devo dizer que o mais gratificante de tudo foi ter tido a oportunidade de privar com os meus colegas da petição e de perceber que há pessoas de grande valor, que pensam o cinema e que o defendem acima de qualquer interesse.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Debate Cinema na RTP2 4/4

Eis a quarta, e última, parte do debate Cinema na RTP2. A conclusão é assinalada pelas reacções do painel à intervenção de Jorge Wemans.

Debate Cinema na RTP2 3/4

Para todos aqueles que têm seguido esta causa, só temos a dizer que esta parte é imperdível, na medida em que nos dá, finalmente, a oportunidade de ouvir os (contra-)argumentos da principal figura do segundo canal, o dr. Jorge Wemans. Tentámos cortar o mínimo que conseguimos, para assim preservar na plenitude o direito do mesmo ao contraditório. Como diz o outro, "absolutamente a não perder".

sábado, 2 de julho de 2011

Os critérios da programação de cinema na RTP2

Para ficar para a posteridade o que o senhor Jorge Wemans considerou ser uma "boa programação de cinema", é preciso escrever sobre a conversa que tivemos com ele no final do debate.

Depois de defender, com algum custo, que programava para um "público" e não a pensar numa "audiência", Jorge Wemans explicou-nos por que não contextualiza as obras que passava na sessão dupla, que, revelou-nos, é ele próprio que programa. Disse-nos, então, que se passar uma introdução feita por um cineasta ou alguém entendido na área, isso fará o público mudar de canal imediatamente. Wemans tinha falado na importância de se constituir um público, mas a principal razão para não passar o cinema "como deveria passar" - porque ninguém, no seu estado normal podia defender que o cinema não precisa de ser explicado, ou que PERDE em ser explicado... - parecia, agora, prender-se com uma questão de "audiência". Dissemos-lhe isso, o que foi imediatamente reprovado pelo director do segundo canal. Contudo, quanto mais falávamos, mais ficava claro que, de facto, Wemans, mesmo depois de 3 horas de debate, estava determinado em não fazer nada.

Na sua óptica, que, pelos vistos, se sobrepõe às responsabilidades legais do segundo canal, as pessoas não querem "contextualizações"; na realidade, preferem ver filmes na total escuridão. O director da estação acrescentou ainda que os critérios demasiados óbvios não são bem-vindos e que não se devem "engavetar" filmes. Concordámos que não se devem "engavetar" filmes, mas dissemos que não considerávamos correcta uma sessão dupla tão pouco clara nos seus pressupostos como a que juntou "Caramelo" e "Rainha Margot" ou "Laço Branco" e "Persépolis" (esta sessão dupla foi "justificada" por Wemans pelo facto dos dois falarem de uma "comunidade"...).

Por outro lado, em razão da sua súbita postura "pós-moderna" de rejeição de programações demasiado óbvias, perguntámos-lhe como explicava então as programações semanais, muito esporádicas, de cinema na RTP2, que, quase sempre, juntam filmes segundo um género específico (exemplo, o "western", o "filme de ficção científica") ou por serem de um realizador ou actor notável... Nesta altura não consegui descortinar qualquer coisa próxima de uma resposta.

Debate Cinema na RTP2 2/4

Esta segunda parte do debate é marcada, essencialmente, pela exposição do Professor Rui Cádima sobre o contexto legal e financeiro da televisão pública europeia, a apresentação do articulado que diz respeito às obrigações da RTP2 relativamente ao cinema e por desassombradas palavras do ex-Provedor do Telespectador, José Paquete de Oliveira. Vale a pena ver.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Debate Cinema na RTP2 1/4

Eis a primeira das quatro partes relativas ao debate Cinema na RTP2, que vamos publicando até 5 de Julho, dia em que fechamos a nossa petição. Esta primeira parte é marcada, essencialmente, por intervenções do moderador (eu mesmo), do meu colega peticionário, Ricardo Lisboa, o autor do blogue Breath Away, e pelas primeiras palavras proferidas pelo cineasta João Mário Grilo. A não perder.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Debate Cinema na RTP2: teaser

Não será propriamente um "blockbuster de Verão", mas é com particular regozijo que venho convidar todos os leitores do CINEdrio a entreverem neste TEASER alguns dos melhores momentos das quatro partes, que sairão em breve..., do Debate Cinema na RTP2, realizado no dia 12 de Maio 2011 e que reuniu à mesma mesa o director da estação Jorge Wemans, o ex-Provedor do Telespectador José Paquete de Oliveira, o cineasta João Mário Grilo, o Professor Francisco Rui Cádima e dois membros do grupo-redactor da Petição pelo Regresso da Exibição Regular de Cinema à RTP2, Ricardo Lisboa e eu próprio enquanto moderador.

Tema do debate? O actual estado da programação cultural da RTP2 no quadro do macroconceito de serviço público.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XLIV): sobre a resposta da RTP ao requerimento da AR

Enquanto analisamos as auditorias RTP que a ERC enviou à Senhora Deputada Catarina Martins e que finalmente nos chegaram às mãos - recordo que tínhamos enviado uma carta à ERC logo no início desta cruzada, a qual até hoje não foi respondida -, venho aqui publicar a minha reacção (segundo documento) à resposta que a Administração da RTP2 deu a outro requerimento da Senhora Deputada (primeiro documento), no qual esta pedia informações relativamente ao cumprimento de algumas alíneas do n.º 13 da Cláusula 10ª do Contrato de Concessão de Serviço Público.

Resposta da Administração RTP a Requerimento AR



Sobre a Resposta da RTP ao Requerimento AR



(Entreguei esta resposta, em mãos, ao director da RTP2, Jorge Wemans, na passada quinta-feira, aquando do debate Cinema na RTP2, que iremos publicar em vídeo o mais brevemente que nos seja possível.)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XLIII): 1%

DOIS MIL NOVECENTOS E QUARENTA

Em 2008, a RTP2 emitiu “161 programas dentro do género filme/telefilme, o que representou 1,8% do total de programas emitidos”; em 2009, a quantidade de cinema exibida foi ainda mais baixa, num total de “196 programas, representando 1% do total de programação”.

Esta é parte da informação que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) enviou em resposta ao requerimento da Senhora Deputada Catarina Martins.

O debate é já na próxima quinta.

sábado, 16 de abril de 2011

Debate Cinema na RTP2 (re)agendado para 12 de Maio

Depois do cancelamento do debate do dia 5 de Abril, devido à suspensão de todas as actividades na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas na sequência da trágica morte de um estudante em plena aula, venho reendereçar a todos o convite para virem assistir e participar no debate Cinema na RTP2, desta feita, agendado para o dia 12 de Maio (quinta), às 18h em ponto, e com a presença confirmada de Jorge Wemans, director da estação.

Programação de cinema na RTP2 (XLII): podcast #2 comigo, Carlos Natálio e Ricardo Lisboa

DOIS MIL NOVECENTOS E DEZ

terça-feira, 5 de abril de 2011

Debate Cinema na RTP2 cancelado

A notícia da morte de um aluno em plena aula levou à suspensão de todas as actividades na faculdade, pelo que será impossível realizar o debate.

Não queremos, contudo, deixar de o fazer e, se possível, agora sim, com a presença do Dr. Jorge Wemans e/ou da Dra. Paula Moura Pinheiro.

Ficamos a aguardar a prometida disponibilidade de calendário da Direcção RTP2 para remarcarmos este nosso debate.

Pedimos a vossa compreensão.

domingo, 20 de março de 2011

Teatro na RTP2 vai ao "Provedor"

O último "Voz do Cidadão" levou Paquete de Oliveira às instalações da RTP2 para falar com Wemans sobre a ausência de uma programação de teatro no segundo canal. Como sempre, paralelamente, o programa passa algumas entrevistas a pessoas ligadas à área, salvo o crítico João Lopes. O resultado é, quanto a mim, sintoma de uma decadência dupla: a, já conhecida, da RTP2 e, a já sentida mas não tão evidenciada, do actual provedor da RTP, que há anos tem feito pouco ou nada para dar voz e tornar consequentes as reclamações dos espectadores-contribuintes dos dois canais públicos nacionais.

Ora, sem querer condicionar a opinião de quem quer que seja - por favor, não deixe de ver a dita emissão aqui -, apenas digo o seguinte: a principal razão, que eu chamaria de "desculpa", de Wemans para não haver teatro passa pela concepção, que ele diz ser sua, de que o teatro é para ser visto no teatro e não no pequeno ecrã. Paquete de Oliveira ouve isto como se o argumento fosse não só suficiente, adulto e consistente como, vá lá, minimamente legal.

A verdade é esta, pura e simples: a RTP2 está obrigada por lei a divulgar a cultura portuguesa, cinema, teatro e música. As artes de palco não podem ser excluídas por qualquer concepção pessoal de um director que por lá passe, por mais "amarrado" ao lugar este possa estar ou por mais "embrutecido" ele seja. Fora a questão da legalidade, que arrumaria a discussão desde já, acresce o ridículo deste argumento. Se não se passa teatro porque o teatro é no teatro, se não se passa cinema porque o cinema é no cinema, se não se passa concertos de música porque estes são para ser vistos in loco, então o que deverá passar mesmo um canal que está vinculado a uma missão de divulgação cultural?

Um dos encenadores entrevistados responde, muito directamente, a algumas destas questões, que eu considero falsas e medíocres: comecei a interessar-me pelo teatro porque quis ver as peças e os actores que via na TV ao vivo. Pedro Costa há dias, em entrevista à Criterion, sublinhava a importância que as sessões de cinema (de Lubitsch, de Straub...) na TV tiveram para a sua formação enquanto cinéfilo. Ao mesmo tempo, o senhor Wemans envolve a RTP2, e parte muito importante do serviço público de televisão, numa retórica vazia de um purismo retrógrado: não passamos teatro, mas passamos umas notíciazecas e reportagens SOBRE teatro no Câmara Clara - este programa "arruma" tudo, né verdade? -, defende-se.

Isto é atirar areia para os olhos dos telespectadores-constribuintes que lhe pagam o ordenado há quase 5 anos. Isto é inqualificável, e também é inqualificável a passividade de Paquete de Oliveira, entrevistador que nem Wemans conseguiria inventar para si de tão macio e politicamente correcto; desviando a conversa para a programação infantil, sem razão lógica, quando a conversa começava a cheirar muito mal.

Numa palavra, digo apenas que este episódio do "Voz do Cidadão" é a prova última do elitismo abstruso desse canal dito de serviço público: em vez de se empenhar na missão de derrubar as barreiras geográficas e económicas no acesso à cultura, em vez de promover a cultura para "puxar públicos" para as salas, Wemans é o rosto de uma retórica purista tão oca quanto hipócrita.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XL): acção, finalmente

DOIS MIL SETECENTOS E SETENTA E CINCO

Acção. Foi isso que sempre esperei, nesta fase, da Assembleia da República, dos nossos representantes nas mais altas esferas do poder: acção. Não vejo utilidade num órgão representativo que não representa nada sem ser interesses pequenos dos aparelhismos partidários ou preconceitos "estabelecidos" - e, por vezes, como é o caso, ilegais.

Com a deputada Catarina Martins do Bloco de Esquerda, tivemos um diálogo virado para soluções concretas. E foi com promessas muito nítidas de acção que abandonámos a casa da Democracia, a casa que nos representa, isto é, que deve representar todos aqueles que se batem pelo interesse público e cumprimento da Lei. No mínimo.

Resultaram, então, duas propostas concretas para pressionar a actual direcção da RTP2 a ouvir as reclamações de cerca de 3000 telespectadores (ou potenciais seus telespectadores): por um lado, requerer à actual direcção de programas informações sobre o cumprimento do número 13, alínea D da cláusula 10.ª do Contrato de Concessão de Serviço Público e, por outro lado, pedir à ERC as auditorias que terá realizado - como a lei a obriga - à programação e gestão da RTP2.

Até lá, procuraremos reunir as 4001 assinaturas, para levarmos esta causa da sociedade civil a debate Plenário. Garantido está, esclareceu-nos a deputada, o debate em Comissão, visto que já temos bem mais de 1000 assinantes.

Continuem a fazer crescer este movimento e fiquem atentos a mais novidades, para breve. Até lá, importa sublinhar o comentário que Pedro Costa faz a "Diary of a Country Priest", no site da editora Criterion Collection:

I first saw it on TV, one Easter Sunday. I was nine or ten, sick in bed. It made my convalescence so much sweeter (just like the old Lubitsch touch). I also remember Chronique d’Anna Magdalena Bach by Huillet and Straub being aired on a Christmas Day! If you’re this lucky, you’re hooked for life (imagine watching these films on TV nowadays).

(o sublinhado a bold é meu)

Para bom entendedor...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XXXVIII): o resultado de hoje é que "não há resultado"

DOIS MIL SETECENTOS E DEZ


Fomos à Assembleia e bem recebidos pela deputada Inês de Medeiros, pessoa afável e admirável - para mim, sempre foi... - que, mais no início do que agora, parece estar relativamente envolvida nesta nossa causa (recordo que é uma das nossas assinantes).

Contudo, o resultado foi zero. Ou melhor, um zero que resultou nisto: uma palmadinha nas costas em quem reuniu 2710 assinaturas, de cidadãos exemplares, que, para além de assinarem, participaram com ideias e indignação, todas elas compiladas no documento que debatemos hoje (e que publico aqui, abaixo).

Uma palmadinha nas costas em pessoas como José Mattoso (o historiador), Rui Cádima (o teórico da TV), João Mário Grilo (o teórico do cinema) ou o saudoso Carlos Pinto Coelho (o homem do jornalismo cultural), entre outros grandes nomes, é, a meu ver, no mínimo, lamentável. Mas, pelos vistos, defender o interesse público é mau, quando pode "parecer mal". Por quê? Porque sim e porque não convém, que é chato.

Claro que tudo seria diferente para melhor, imaginem!, se tivessemos pedido a cabeça do senhor Wemans - uma espécie de linchamento na praça pública... - ou se tivéssemos 4000 assinaturas para a petição ir a Plenário - sendo que estas 2710 são mais do que suficientes para activar o ponto 2 da cláusula 35ª do Contrato de Concessão de Serviço Público (CCSP) - ou se esperássemos de braços cruzados até 2012, ano em que o CCSP será revisto, alegadamente, tendo em conta as nossas reivindicações - mas, já agora, qual é o mal do actual Contrato que a RTP2 desprezou e continua a desprezar olimpicamente e nas barbas do Estado?

Tudo seria diferente se não existíssemos, mas nada é particularmente diferente agora, só que, existindo, exasperamos a esgrimir argumentos em torno do óbvio. Como diz Jorge Campos sobre a nossa petição, "o óbvio dispensa comentário". Neste país, caro Professor, não, mesmo N-Ã-O. (Só neste blogue já lá vão 38 posts e tudo continua na mesma para os lados do segundo canal...)


Dossier Petição Cinema na RTP2 -

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...