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terça-feira, 5 de abril de 2011

Debate Cinema na RTP2 cancelado

A notícia da morte de um aluno em plena aula levou à suspensão de todas as actividades na faculdade, pelo que será impossível realizar o debate.

Não queremos, contudo, deixar de o fazer e, se possível, agora sim, com a presença do Dr. Jorge Wemans e/ou da Dra. Paula Moura Pinheiro.

Ficamos a aguardar a prometida disponibilidade de calendário da Direcção RTP2 para remarcarmos este nosso debate.

Pedimos a vossa compreensão.

domingo, 20 de março de 2011

Teatro na RTP2 vai ao "Provedor"

O último "Voz do Cidadão" levou Paquete de Oliveira às instalações da RTP2 para falar com Wemans sobre a ausência de uma programação de teatro no segundo canal. Como sempre, paralelamente, o programa passa algumas entrevistas a pessoas ligadas à área, salvo o crítico João Lopes. O resultado é, quanto a mim, sintoma de uma decadência dupla: a, já conhecida, da RTP2 e, a já sentida mas não tão evidenciada, do actual provedor da RTP, que há anos tem feito pouco ou nada para dar voz e tornar consequentes as reclamações dos espectadores-contribuintes dos dois canais públicos nacionais.

Ora, sem querer condicionar a opinião de quem quer que seja - por favor, não deixe de ver a dita emissão aqui -, apenas digo o seguinte: a principal razão, que eu chamaria de "desculpa", de Wemans para não haver teatro passa pela concepção, que ele diz ser sua, de que o teatro é para ser visto no teatro e não no pequeno ecrã. Paquete de Oliveira ouve isto como se o argumento fosse não só suficiente, adulto e consistente como, vá lá, minimamente legal.

A verdade é esta, pura e simples: a RTP2 está obrigada por lei a divulgar a cultura portuguesa, cinema, teatro e música. As artes de palco não podem ser excluídas por qualquer concepção pessoal de um director que por lá passe, por mais "amarrado" ao lugar este possa estar ou por mais "embrutecido" ele seja. Fora a questão da legalidade, que arrumaria a discussão desde já, acresce o ridículo deste argumento. Se não se passa teatro porque o teatro é no teatro, se não se passa cinema porque o cinema é no cinema, se não se passa concertos de música porque estes são para ser vistos in loco, então o que deverá passar mesmo um canal que está vinculado a uma missão de divulgação cultural?

Um dos encenadores entrevistados responde, muito directamente, a algumas destas questões, que eu considero falsas e medíocres: comecei a interessar-me pelo teatro porque quis ver as peças e os actores que via na TV ao vivo. Pedro Costa há dias, em entrevista à Criterion, sublinhava a importância que as sessões de cinema (de Lubitsch, de Straub...) na TV tiveram para a sua formação enquanto cinéfilo. Ao mesmo tempo, o senhor Wemans envolve a RTP2, e parte muito importante do serviço público de televisão, numa retórica vazia de um purismo retrógrado: não passamos teatro, mas passamos umas notíciazecas e reportagens SOBRE teatro no Câmara Clara - este programa "arruma" tudo, né verdade? -, defende-se.

Isto é atirar areia para os olhos dos telespectadores-constribuintes que lhe pagam o ordenado há quase 5 anos. Isto é inqualificável, e também é inqualificável a passividade de Paquete de Oliveira, entrevistador que nem Wemans conseguiria inventar para si de tão macio e politicamente correcto; desviando a conversa para a programação infantil, sem razão lógica, quando a conversa começava a cheirar muito mal.

Numa palavra, digo apenas que este episódio do "Voz do Cidadão" é a prova última do elitismo abstruso desse canal dito de serviço público: em vez de se empenhar na missão de derrubar as barreiras geográficas e económicas no acesso à cultura, em vez de promover a cultura para "puxar públicos" para as salas, Wemans é o rosto de uma retórica purista tão oca quanto hipócrita.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XL): acção, finalmente

DOIS MIL SETECENTOS E SETENTA E CINCO

Acção. Foi isso que sempre esperei, nesta fase, da Assembleia da República, dos nossos representantes nas mais altas esferas do poder: acção. Não vejo utilidade num órgão representativo que não representa nada sem ser interesses pequenos dos aparelhismos partidários ou preconceitos "estabelecidos" - e, por vezes, como é o caso, ilegais.

Com a deputada Catarina Martins do Bloco de Esquerda, tivemos um diálogo virado para soluções concretas. E foi com promessas muito nítidas de acção que abandonámos a casa da Democracia, a casa que nos representa, isto é, que deve representar todos aqueles que se batem pelo interesse público e cumprimento da Lei. No mínimo.

Resultaram, então, duas propostas concretas para pressionar a actual direcção da RTP2 a ouvir as reclamações de cerca de 3000 telespectadores (ou potenciais seus telespectadores): por um lado, requerer à actual direcção de programas informações sobre o cumprimento do número 13, alínea D da cláusula 10.ª do Contrato de Concessão de Serviço Público e, por outro lado, pedir à ERC as auditorias que terá realizado - como a lei a obriga - à programação e gestão da RTP2.

Até lá, procuraremos reunir as 4001 assinaturas, para levarmos esta causa da sociedade civil a debate Plenário. Garantido está, esclareceu-nos a deputada, o debate em Comissão, visto que já temos bem mais de 1000 assinantes.

Continuem a fazer crescer este movimento e fiquem atentos a mais novidades, para breve. Até lá, importa sublinhar o comentário que Pedro Costa faz a "Diary of a Country Priest", no site da editora Criterion Collection:

I first saw it on TV, one Easter Sunday. I was nine or ten, sick in bed. It made my convalescence so much sweeter (just like the old Lubitsch touch). I also remember Chronique d’Anna Magdalena Bach by Huillet and Straub being aired on a Christmas Day! If you’re this lucky, you’re hooked for life (imagine watching these films on TV nowadays).

(o sublinhado a bold é meu)

Para bom entendedor...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XXXVIII): o resultado de hoje é que "não há resultado"

DOIS MIL SETECENTOS E DEZ


Fomos à Assembleia e bem recebidos pela deputada Inês de Medeiros, pessoa afável e admirável - para mim, sempre foi... - que, mais no início do que agora, parece estar relativamente envolvida nesta nossa causa (recordo que é uma das nossas assinantes).

Contudo, o resultado foi zero. Ou melhor, um zero que resultou nisto: uma palmadinha nas costas em quem reuniu 2710 assinaturas, de cidadãos exemplares, que, para além de assinarem, participaram com ideias e indignação, todas elas compiladas no documento que debatemos hoje (e que publico aqui, abaixo).

Uma palmadinha nas costas em pessoas como José Mattoso (o historiador), Rui Cádima (o teórico da TV), João Mário Grilo (o teórico do cinema) ou o saudoso Carlos Pinto Coelho (o homem do jornalismo cultural), entre outros grandes nomes, é, a meu ver, no mínimo, lamentável. Mas, pelos vistos, defender o interesse público é mau, quando pode "parecer mal". Por quê? Porque sim e porque não convém, que é chato.

Claro que tudo seria diferente para melhor, imaginem!, se tivessemos pedido a cabeça do senhor Wemans - uma espécie de linchamento na praça pública... - ou se tivéssemos 4000 assinaturas para a petição ir a Plenário - sendo que estas 2710 são mais do que suficientes para activar o ponto 2 da cláusula 35ª do Contrato de Concessão de Serviço Público (CCSP) - ou se esperássemos de braços cruzados até 2012, ano em que o CCSP será revisto, alegadamente, tendo em conta as nossas reivindicações - mas, já agora, qual é o mal do actual Contrato que a RTP2 desprezou e continua a desprezar olimpicamente e nas barbas do Estado?

Tudo seria diferente se não existíssemos, mas nada é particularmente diferente agora, só que, existindo, exasperamos a esgrimir argumentos em torno do óbvio. Como diz Jorge Campos sobre a nossa petição, "o óbvio dispensa comentário". Neste país, caro Professor, não, mesmo N-Ã-O. (Só neste blogue já lá vão 38 posts e tudo continua na mesma para os lados do segundo canal...)


Dossier Petição Cinema na RTP2 -

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XXXVI): a palavra "regular"

DOIS MIL QUINHENTOS E OITENTA E NOVE


A RTP2 aguentou duas semanas seguidas com cinema, todos os dias da semana, acrescendo à sua tradicional sessão dupla dois ciclos dedicados ao cinema europeu, um à nova geração de cineastas italianos (como Sorrentino, Luchetti e Di Gregorio) e outro ao cinema espanhol (com muito Almodóvar, talvez numa perspectiva algo redutora sobre os últimos anos, mais produtivos, do cinema espanhol). Defendi que esta opção de programação não teve nada a ver com a nossa iniciativa de reivindicar mais e melhor cinema na RTP2; defendi isso, mas comecei a duvidar quando vi a programação desta semana: uma semana dedicada ao western, nomeadamente, com o excelente "Johnny Guitar" a abrir e dois Peckinpahs.

Foi uma boa surpresa para este início de ano, mas o meu entusiasmo rapidamente diminuiu quando consultei não só a sessão dupla do próximo sábado - das mais esquizofrénicas dos últimos tempos, com a proposta incompreensível "All the President's Men" de Pakula seguido de "Election" de Johnnie To - mas acima de tudo quando verifiquei que, na semana que vem, a RTP2 volta a descartar o cinema de segunda a sexta. Toda esta "indecisão programática", que dificilmente fideliza quem quer que seja, fez-me lembrar da importância da palavra REGULAR no título da nossa petição.

Reformulamos a exigência: que se "horizontalize" um conteúdo/fim fundamental que é o cinema e a formação cinéfila!

Assine, se não assinou. Ajude-nos a crescer, se já assinou.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Janelas para se pensar o cinema na televisão pública

Na televisão portuguesa, a alternativa ao espaço razoável de João Lopes na SIC Notícias é o programa de Mário Augusto "Janela Indiscreta" na RTP. Mário Augusto esteve na SIC Notícias até há pouco tempo, tendo passado entretanto, sabe-se lá com que custos, para a televisão pública. Faz hoje magazines "enlatáveis" que alimentam RTPN, RTP1 e RTP2 em horários impróprios (respectivamente, 2h30, 2h00 e 13h45). O que é que mudou em relação àquilo que Mário Augusto fazia na SIC? Bem, mudou muito pouco, mas o que mudou mostra quão inacreditável foi esta contratação: mais promoção e divulgação do cinema português.

Lá impuseram as "quotas do serviço público" ao homem dos junkets e das festas loucas de Hollywood. Não tenho nada em particular contra o "jornalismo" - vêem-se as aspas? Mas vêem-se mesmo? Não será melhor pôr a bold? Ó mãe, vê lá, está mesmo bem? Ok, continuando... - praticado por Mário Augusto, homem simpático que já tive o prazer de conhecer, mas a RTP não conseguia fazer melhor? Teve de roubar da concorrência alguém para fazer, contra-natura, a promoção do malquisto cinema nacional, misturado com a pipocada-mor do boxoffice?

A título de exemplo, veja-se os créditos de abertura de "Janela Indiscreta", com frases célebres da Sétima Arte como "O meu nome é Bond, James Bond" e... "Até que a voz me doa" ("Amália"). Isto revela não só a ausência de uma programação (pensada) de cultura na televisão pública como, muito especificamente, a condução editorial do resto do programa: euforia incontida quando é para falar da última comédia de Nora Ephron interrompida a espaços com os malditos dos filmes portugueses... enfiados a martelo. É tudo tão artificial quanto pôr um Mário Jorge Torres a entrevistar Hugh Grant num junket sobre a sua última produção "Ouviste falar dos Morgan?".

Não está a RTP equipada para conceber, de raiz, uma coisa que não tem, que não há, de facto, na televisão nacional: uma programação cultural com espaços, vá, com UM espaço que produza reflexão/informação relevante sobre a actualidade cinematográfica, que promova a descoberta dos clássicos e não se limite a "vender blockbusters" como quem vende um creme para as rugas? Caramba, não consegue a RTP arranjar, até mais barato, uma pessoa minimamente telegénica para falar ou/e pôr gente a falar empenhada e seriamente sobre Cinema?

domingo, 26 de dezembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXV): "o problema" pode bem começar aí...

DOIS MIL QUINHENTOS E VINTE

As críticas de Pedro Borges, da MIDAS Filmes, ao estado da RTP2 são devidamente contextualizados pelo panorama actual dos modos de ver cinema em Portugal. Este artigo de Vasco Câmara só vem dar conta de uma urgência: o gosto de ir ao cinema está-se a dissipar. Não por falta de interesse - visto que ele é manifesto pela afluência das pessoas aos festivais, até aos mais "alternativos" - mas pela ausência de uma "cultura de sala", que tem impedido as pessoas de integrarem as idas ao cinema nas suas rotinas de fim de semana.

Pedro Borges chega mesmo a criticar a multiplicação dos festivais de cinema e, na minha opinião, com bastante pertinência: "O público dos festivais só vai a festivais, não vai ver os filmes no resto do ano. Houve uma altura em que as pessoas diziam que não esqueciam o ano em que viram no King o 'Chungking Express' [Wong Kar-wai] ou 'A Bela Impertinente' [Rivette]. Os filmes marcavam a vida das pessoas. Isso hoje não acontece. O cinema tem que existir 365 dias por ano e não existe. O Estado tem de descobrir, nas cidades fora de Lisboa, parceiros que queiram mostrar cinema 365 dias por ano".

Olho à minha volta e sinto, mesmo entre o público mais cinefilamente filiado ou pretensamente cinéfilo, um desinteresse crescente pelo que as salas oferecem, muitas vezes, tantas vezes, aliás, em virtude de idas ao DocLisboa ou IndieLisboa. Mas é um "ir ao cinema" como quem se atira de cabeça para o vazio; não há, a meu ver, uma verdadeira excitação em "seguir" o evoluir de um universo ou de um conjunto de obras - ou mesmo de uma indústria! Espera-se, sim, que tudo isto lhes surja em pacotes retrospectivos pela mão dos festivais da moda ou, pontualmente, pela mão de esta ou daquela editora de DVDs - mas, para uma oferta interessada, só temos a excelente MIDAS. A (fome de) descoberta é mínima e a capacidade crítica ressente-se.

Depois, ainda mais acertadamente, Pedro Borges acrescenta: ..."E outra coisa: durante anos havia um canal de televisão de serviço público que mostrava estes filmes. Quando se mostra regularmente esse cinema, está-se a criar público. O facto de a RTP 2 ter deixado de passar cinema é um descalabro para a distribuição. Era possível esse cinema existir com visibilidade porque as televisões estabeleciam parcerias com os distribuidores independentes. Nos outros países apareceram canais especializados em cinema. Em Portugal os canais privados são piores do que a TV pública".

Fiz um sublinhado a bold no que julgo ser fundamental entender, de uma vez por todas: se há alguma coisa que distingue uma (boa) programação cultural das demais é que esta tem a capacidade de CRIAR público. Em Novembro, numa entrevista concedida ao jornal Público, pela mão de Jorge Mourinha (nosso subscritor), Thierry Garrel, programador de cinema documental do canal ARTE durante 16 anos, presidente do júri no último DocLisboa, sublinha algo parecido: "Se aprendi alguma coisa na televisão, é que, quando se aposta no público, oferecendo-lhe obras novas, supostamente complexas, mas que falam essa tal língua universal, o público está lá sempre. Sempre. Não está lá instantaneamente; a televisão comercial quer sempre medir instantaneamente a presença dos espectadores em frente ao écrã, e isso não é possível. Mas precisamente através de uma programação podemos construir um público".

E depois acrescenta: "Apesar dos novos meios de comunicação e tecnologias nascidas da revolução digital - um mundo que é uma selva e que ainda não tem economia - acho que a televisão programada ainda vai viver muitos anos. Há 30 anos anunciava-se o fim da televisão com a video-cassette, há 25 anos era o cabo que a ia matar, de cinco em cinco anos aparece uma novidade tecnológico-civilizacional que me parece francamente empolada..."

Há uma filiação que é feita, que se reproduz com o passe a palavra, que se passa com os VHS - de irmãos mais velhos para mais novos, de pais para filhos... - e que, em última análise, nos fica na memória, por envolver objectos que vieram iluminar um pedaço da nossa vida. O "problema RTP2" pode bem ser o princípio de um problema maior, que os festivais maquilham mal: a falta de uma cultura de sala, crítica, activa e "programante" (no sentido de levar as pessoas a saberem programar os seus visionamentos), em Portugal.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXIV): como dizem os jogadores de futebol...

DOIS MIL QUINHENTOS E CINCO


Pois é, quando iniciámos esta petição tive uma conversa com o meu compagnon de route Miguel Domingues e lembro-me bem de nos termos rido perante a possibilidade de virmos a ter sequer 1000 assinaturas. Dissemos que um número como 2000 ou 2500 seria algo de incontornável para a direcção da RTP2, mas, falo por mim, nunca acreditei que chegássemos lá - e tão rapidamente, em menos de 4 meses!

Muito tem acontecido dentro e à volta da petição. Mais assinaturas significativas - como a de Jorge Campos -, mas acima de tudo temos merecido alguma atenção mediática, nomeadamente, na coluna diária de Jorge Mourinha, a quem agradecemos.

A notícia da morte de Carlos Pinto Coelho marca, para mim, o momento mais doloroso desta iniciativa, porque, estou certo, se havia exemplo vivo da (resistência à) política castradora do segundo canal este era Carlos Pinto Coelho, alguém que, noutro contexto, ou melhor, no contexto certo, teria continuado a sua carreira enquanto brilhante comunicador e divulgador da língua e cultura portuguesas que era e sempre foi, abnegadamente. Por ele, queremos mais do que nunca tornar consequentes todos estes maravilhosos apoios.

Estamos todos, 2505 pessoas, no mesmo barco, a remar no mesmo sentido, ao sabor da mesma maré (desafiando os mesmos tubarões...). E, como já tive oportunidade de dizer, ainda vem aí um importante II Acto. Continue a seguir-nos, a assinar e a dar a assinar. Até lá, como dizem os jogadores de futebol, "estamos todos de parabéns".


E, tantas assinaturas depois, continuamos a dizer: senhores e senhoras da RTP2, "You're definitely in denial".

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O meu star-system

O outro dia falava sobre os meus critérios de gravação/aluguer de filmes na Box/vídeoclube. Tenho dois: primeiro, filmes de realizadores que aprecio, de realizadores "históricos" e de realizadores cujo trabalho conheço mal; segundo, filmes com actores que me enchem, quase sempre, ou sempre mesmo, as medidas.

Nesta última categoria incluo os seguintes nomes: Denzel Washington, Robert De Niro, Al Pacino, Gene Hackman, Gena Rowlands, John Cassavetes, Lee Marvin, Robert Mitchum, Sidney Poitier, Paul Newman, George C. Scott, Humphrey Bogart e Lauren Bacall. Gostava de ver (mais) nomes não-americanos nesta lista - e mais mulheres - mas há pouco espaço para eles na nossa televisão e nos nossos vídeoclubes. Uma pena, porque acho que há público para outros cinemas, para outras caras...

domingo, 28 de novembro de 2010

A selvajaria intelectual continua e continua


Salvo um ou outro comentador do futebol, como Luís Freitas Lobo ou o treinador Carlos Carvalhal, a maioria dos opinion makers do futebol é, no mínimo, execrável. Mesmo não fazendo mais nada na vida - e provavelmente só conseguindo mesmo descodificar o óbvio num jogo de futebol -, certos comentadores exibem, sem que ninguém faça caso, uma clamorosa ignorância em relação não só ao passado longínquo como, o que é mais indesculpável, aos factos recentes do futebol nacional. Ouço na TVI algo como isto: "neste jogo o Benfica não está a acertar com os cantos".

Mas, ó senhor comentador, você, que não deve fazer mais nada na vida que ver jogos de futebol - coisa complexa, como todos sabemos... -, não viu o jogo do Benfica contra o Hapoel de Tel Aviv? Não viu quantos cantos o Benfica desperdiçou? Não viu a permeabilidade da equipa a marcar e a sofrer cantos? Cantos e livres, meu caro comentador, são o calcanhar de Aquiles do Benfica deste ano. David Luiz e Roberto - sobre o qual pende, hoje, a mais humilhante condescendência jornalística - que o digam.

Enfim, ocupam-se horas diárias a discutir algo que só merecia, quanto muito, uns minutitos de conversa, para depois termos de levar com a opinião ou mau jornalismo destes ditos especialistas da bola que raiam a ignorância fascizante ou um histerismo sabujo de bradar os céus (vide tudo o que o senhor Nuno Luz faz).
Pronto, já me queixei. Agora vou ver o Rui Santos comentar a jornada antes do "Tempo Extra", espaço onde Rui Santos - a gralha aqui é a televisão que temos - comenta durante mais de uma hora, precisamente, a jornada que acabou há minutos... Uma televisão com Alzheimer.

sábado, 27 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXIII): na TSF de viva voz

DOIS MIL TREZENTOS E TRINTA

(clique na imagem)

Para quem percebe destas coisas do jornalismo, não é preciso eu dizer que uma estação como a TSF tem de citar Jorge Wemans no JN, porque este ignorou as suas chamadas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXII): equívocos

DOIS MIL DUZENTOS E VINTE SEIS

Dois equívocos que tenho encontrado: 1. "não assino esta petição porque também falta teatro, música, literatura na RTP2"; 2. Uma fatia de pessoas parece considerar esta petição como coisa "pouco importante" (o cineasta António-Pedro Vasconcelos é uma delas).

Bem, quanto ao ponto 1, repito que as petições, como métodos democráticos que são, não podem ser EXCLUDENTES - a nossa não é excepção.

Quanto ao ponto 2, pergunto: num tempo em que estamos todos a apertar o cinto, não é importante denunciar aquilo que pode ser uma gestão irresponsável, danosa mesmo, de uma empresa 100% pública?

Como já disse, e repito, não podemos andar a brincar às televisões privadas no coração do serviço público. Não podemos.

Assine.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXI): que RTP2?

DOIS MIL CENTO E CINQUENTA E DOIS

Jorge Wemans, director de programas da RTP2 destaca que a estação pública "é a única a emitir todas as semanas um filme às 22.30horas (mais nenhum canal emite cinema em prime-time)". "Emite em média 17 filmes portugueses por ano, além de dar atenção às cinematografias europeias - em média mais de 40 por ano", aponta, sustentando que a emissão cinematográfica na Dois se faz "dentro da contigência dos filmes disponíveis e das condições orçamentais".

Eu não sei como qualificar estas palavras do senhor Wemans. Só me ocorre dizer aquilo que acho que deve ser dito: absolutamente lamentáveis. Para além de fazer o auto-elogio absurdo de passar, em média, 17 filmes portugueses por ano - TANTOS! Não é? -, refere ainda que "dá atenção às cinematografias europeias", porque - lá vêm os números outra vez, qual empresário televiseiro - mostra, em média, 40 destes filmes por ano. Primeiro, este sistema de quotização, espécie de celebração acéfala da tecnocracia televisiva, é sintoma claríssimo da forma indigna como o cinema é tratado - é só mais um "conteúdo televisivo", não é verdade?

A retórica dos números funciona sempre bem, mas atendamos ao seguinte: senhor Wemans, 17 filmes portugueses por ano? Que filmes? senhor Wemans, 40 filmes europeus por ano? Que filmes? E, depois de me responder, pergunto-lhe logo a seguir: "E, senhor Wemans, de que forma os mostrou?". (Até foram buscar o Mário Augusto à "concorrência"... que, por sinal, lhe deve estar a sair muito barato... tendo em conta as "condições orçamentais"...)

Contrato de Concessão de Serviço Público - CCSP

Cláusula 10.ª
Segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional

(...)

13. Tendo em conta o disposto nos números 1, 2 e 5 e nas alíneas b), d), c), g), h) e i) do n.º 2 da Cláusula 7.ª, o segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional deve incluir, no mínimo:

(...)

c) Espaços regulares de divulgação de obras cinematográficas de longa-metragem do moderno cinema português, o que inclui produções dos vinte anos anteriores à transmissão;
d) Espaços regulares dedicados à cinefilia, com uma forte componente pedagógica, que contextualizem as obras difundidas na história do cinema;
e) Espaços regulares dedicados ao cinema europeu e a cinematografias menos representadas no circuito comercial de exibição;
f) Espaços regulares dedicados a curtas-metragens e ao cinema de animação
;


Ah, foi em "prime-time", num sábado à noite... Vejam só: "nenhuma estação passa em prime-time cinema". Pois claro, mas isso não evita que a RTP2, à luz do seu passado riquíssimo e à luz das exigências da LEI, seja hoje um canal descaracterizado, que é público, mas tem estratégia de um privado... de cabo. Não podemos andar a brincar às televisões privadas no coração do serviço público. Não podemos.

CCSP

Cláusula 6.ª
Objectivos do serviço público

Para além da sua vinculação aos fins da actividade de televisão a que se refere o artigo 9.º da Lei da Televisão, a Concessionária tem como objectivos específicos:

(...)

b) Promover, com a sua programação, o acesso ao conhecimento e a aquisição de saberes, assim como o fortalecimento do sentido crítico do público;
c) Combater a uniformização da oferta televisiva, através de programação efectivamente diversificada, alternativa, criativa e não determinada por objectivos comerciais;


Questões orçamentais, senhor Wemans? Não posso acreditar que invoque tal razão neste caso: é caro passar uns Tarkovskys e fazer uns "Filme da Minha Vida" versão século XXI? Não é gratuito, mas não consta que sejam gratuitos os talk shows nocturnos que produz, o único formato de talk show que conheço que tem uma equipa diferente por cada dia da semana - nem nos EUA isto acontece!

E, já agora, onde encaixa "5 para a Meia-Noite" e as séries todas que passa, duplicadas com vários outros canais do cabo, nas obrigações do canal? Passam 17 filmes portugueses, em média, por ano? E quantas séries americanas, das que também passam em Foxs e outros canais especializados, passa por ano? Não sei, mas 17 filmes portugueses, 40 europeus ou, que seja, os 98 que a Sessão Dupla passa por ano (segundo o JN) ao pé de mais de 300 "5 para a Meia-Noite" e muitos mais episódios de séries americanas estafadamente divulgadas e conhecidas do grande público por ano é, quanto a mim, mais do que suficiente para expor - se é preciso expor... - o absurdo desta argumentação, de novo, auto-vimitizante e pequenina.

domingo, 7 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXX): triple X ou post sobre a aprendizagem do amor

MIL OITOCENTOS E SETENTA E QUATRO

Já se escreveu muito no nosso blogue e página no Facebook sobre a evolução desta iniciativa, os seus ganhos diários em matéria de apoio popular - que agradecemos - e também as pequenas reflexões, nossas e dos nossos subscritores, que temos promovido.

Desde já, queria agradecer ao Knoxville pela nomeação do blogue da petição para os Blog Awards. Agradecemos a nomeação e, acima de tudo, as palavras que nos dirige, que só nos dão força para continuar. Mas, face a elas, tenho um statement a fazer: só considerarei esta iniciativa um sucesso se esta trouxer alguma consequência visível na programação de cinema na RTP2. Uma consequência que se quer, naturalmente, para melhor - para pior também é difícil, não é verdade?

É que a RTP2 tem-se especializado numa espécie de exposição enfadada do cinema, quase como se fosse uma injecção que a "gentalha" cinéfila tem de levar ao sábado... num sítio que eu cá sei. É indigna a forma como a Sétima Arte é tratada no segundo canal e espanta-me que tanta comunicação social tenha feito pouco ou nada para denunciar este claro atropelo ao conceito de serviço público, aos valores da promoção e divulgação culturais. Como nos disse João Milagre em entrevista, parafraseando Nietzsche, "é preciso aprender a amar". Acho que um canal como a RTP2 pode (voltar a) ter como função ensinar as pessoas a "aprender a amar", coisa que tem sido totalmente descurada pelo actual director de programas.

O seu discurso atabalhoado e pesporrente, numa conferência que se realizou (curiosamente) na minha faculdade, FCSH-UNL, e na presença de Inês de Medeiros (ver vídeos abaixo), é denunciador de um fechamento de ideias, de uma espécie de auto-desculpabilização/vitimização que paralisa. Um vazio caótico que tem imperado no segundo canal há cerca de 5 anos, sem contestação de relevo por parte da comunicação social e, diga-se, da própria sociedade civil.

Inês de Medeiros, como também é evidente num dos vídeos, parece remar no sentido dessa aprendizagem, pela televisão, de modos de ver o mundo diferentes daqueles que a programação "para as massas" oferece. A RTP2 tem remado no sentido de uma aproximação pouco imaginativa ao modelo das demais televisões generalistas, numa tentativa de ser Panda durante o dia, FOX no prime time e SIC Radical mais à noite - e no meio lá enfiam os programas religiosos e da sociedade civil. Isto faz algum sentido, face ao que é hoje a televisão?

Não precisamos de um canal público, com dever de promover A DIFERENÇA, a duplicar programações de estações privadas com fins lucrativos. Isto é, quanto a mim, ultrajante. Por isso, volto a dirigir-me a quem me lê: se não assinou, assine, pois esta é uma questão que toca a todos, um princípio de uma batalha pelo saneamento (no sentido que Jon Stewart já deu ao termo nos EUA ou no sentido que o nosso dicionário lhe dá, porquanto sanear é "tornar apto para a cultura") da nossa televisão, no fundo, do nosso país. E, com certeza, sem diabolizações...

Já agora: estes vídeos NÃO foram realizados pelo Kiarostami. Claramente NÃO.

sábado, 16 de outubro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXIX): uma mão cheia de nada

MIL SETECENTOS E CINQUENTA E TRÊS

Estamos a chegar, com mais força, aos media. A Agência LUSA já nos noticiou, o que provocou a tradicional avalanche de notícias nos órgãos de comunicação social que são, no fundo, transcrições quase ipsis verbis da dita fonte.

Mais significativa foi a publicação que a Rua de Baixo fez de uma entrevista* que dei a um dos seus jornalistas, a quem agradeço a oportunidade de expor, de forma mais directa, sem filtros, os nossos argumentos.

Não sou, naturalmente, a pessoa mais indicada para destacar alguma parte da entrevista, mas há um conjunto de palavras que disse, naquele dia, com um sentimento de urgência que, hoje, não mudou. Muito pelo contrário.

Porque eu também tenho noção de que não basta ter pessoas conhecidas, muitas pessoas conhecidas. Neste momento nós precisamos é de muita gente a assinar, precisamos do público, precisamos de, no fundo, ter a sociedade civil mobilizada para isto e achamos... que é a esse público que o programador deve responder.


*- Onde se lê "José" deve-se ler "João" Mário Grilo. A gralha é-nos alheia.

Quero dizer outra coisa aqui, para que fique também registado.

Numa Democracia, uma petição não é um texto excludente, ou pelo menos, não DEVE ser um texto excludente. Isto é, por não ampliarmos esta causa a todos os domínios das artes - e sabe-se lá mais o quê... - não quer dizer que estejamos CONTRA o que quer que seja.

Na realidade, olhando para o SENTIDO do nosso texto, perceber-se-á facilmente que não estamos contentes com o grosso da programação cultural da RTP2 e RTP1 e que queremos que esta petição seja EXEMPLAR na luta por um serviço público de qualidade. Dentro da lógica da petição como um texto excludente, contra algo em vez de a favor de algo, ninguém assinaria petição alguma, pois nenhuma petição consegue abarcar TODO o universo de reivindicações que cada cidadão português tem legitimidade de fazer.

Digo isto a todos aqueles que, contactados por nós, com responsabilidade social na área da cultura, se recusam a assinar alegando, algumas vezes, que concordam com a nossa batalha, mas que por esta ou aquela nuance, por não pedirmos a cabeça deste ou daquele ou por não pedirmos reformas de fundo na ideia de serviço público, não assinam e se recusam a divulgar esta iniciativa.

São pessoas que acreditam, com certeza, que Portugal é um país que se constrói por lobbying interno, de costas voltas para a Sociedade e os seus mais desinteressados representantes. Posição triste e, peço desculpa, pequenina.



Uma mão cheia de nada...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXVIII): a "ditadura das audiências" é mesmo uma ditadura

"Vá, agora só quero ouvir as vozes dos senhores contribuintes: "GREED IS GOOD"! Não ouvi, não ouvi. "GREED IS GOOD"! O quê?!"GREED IS GOOD"! Ah, assim é que é. Uma salva de palmas para os senhores contribuintes, o melhor público do mundo! "

Sob pena de parecer arrogante, escrevo-o aqui: não há nada que me irrite mais que a tacanhez mental e de espírito. Quando os senhores da televisão, à falta de argumento melhor, se refugiam nos valores dos sacrossantos estudos de audiência normalmente é para defenderem o seguinte: nós só damos às pessoas aquilo que elas querem.

Primeiro, quem diz isso não faz a mínima ideia de como as audiências são medidas, um processo rudimentar com um grau de precisão bastante baixo - nem os audímetros mais modernos, portáteis e que registam qualquer duplicação, merecem tal estatuto de infalibilidade que os tecnocratas da televisão lhes dão. Não ponho em causa a competência de uma empresa como a Marktest ao dizer isto, ponho em causa sim o excessivo, quase dogmático, endeusamento desse indicador - deve ser um em vários... - a que muito boa gente, à falta de nutrição para pensar pela própria cabeça, se presta.

Segundo, pergunto o seguinte: quem vê isto, percebe que a longevidade de um programa pode ir muito para lá daquilo que os shares diários registam; que uma VHS de Hitchcock ou Bergman ou Tarkovsky... pode ser vista e revista várias vezes pelo mesmo espectador, pode ser dada a ver por este espectador a amigos ou familiares, pode, na realidade, passar de geração em geração. Mas, claro, no dia em que o filme gravado passou na televisão o senhor da televisão deitou as mãos à cabeça e jurou nunca mais passar "filmes esquisitos", pois estes têm um share muito diminuto.

Claro que não tenho de explicar, nem a um miúdo de 10 anos ou nem a um adulto com a idade mental de um miúdo de 10 anos, porque é que tudo isto é ainda mais ridículo numa televisão estatal contratualmente obrigada à divulgação e promoção da cultura.

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