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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O filme do ano (XIX): o aftermath bloggista e facebookista

"The Ward" é um filme que está a dividir e a dividir do modo mais inusitado: não é um caso típico de "carpenterianos empedernidos" versus "carpenterianos há muito desencantados" versus "uns troglóditas quaisquer que não percebem um corno disto...". De entre os primeiros e os segundos há um pouco de tudo. De qualquer maneira, aqui no CINEdrio, somos orgulhosamente parciais em relação ao mestre. Passo a destacar os excertos bloggistas e um facebookista que me apetece publicitar.

Os detratores do novo Carpenter estão loucos. Que filme tão grande, que actriz tão portentosa, que mise-en-scène tão cirurgicamente subtil. Podia ser o primeiro filme de terror do mundo de tão apurado que é.

Este é do Carlos Pereira, blogger do Stranger Than Paradise, mas em comentário no Facebook.

Mas aqui radica a inscrição de Carpenter no paradigma do cinema clássico americano: se virmos as filmografias de Hawks ou Walsh, vemos que as obras-primas são bem mais espaçadas do que pensamos e que havia filmes que apenas existiam e com toda a normalidade estavam ali para ser vistos. The Ward não pede mais do que a oportunidade de ser The Ward. Não o desmereçam.

Este é da crítica do Miguel Domingues, do blogue In a Lonely Place.

Dez anos depois, John Carpenter, esse Mestre incontestável do Terror, com uma das filmografias mais interessantes no género, está de regresso, fazendo mais uma vez a sua homenagem à famosa série-B.

Este é do casal Lima do blogue A Memória do Cinema.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

The Ward (2011) de John Carpenter (II)


Vêmo-la, pela primeira vez, com roupa de dormir a percorrer os bosques selvagens onde, numa clareira, está a casa que vai arder pela sua mão. Não é exactamente um "ninho de vampiros", saído de "Vampires", mas, digamos, uma habitação de "má memória" para Kristen (que será reavivada no tal "tempo incógnito", referido na parte I da análise). Ela é detida pela polícia e conduzida (de novo?) para a prisão, uma prisão psiquiátrica, isto é, "o buraco da sua própria psique". Amber Heard dá corpo à nova heroína desta fábula de horror, próxima de um "Alice no País que é a sua Mente", uma mente distorcida por drogas e experiências médicas duvidosas antes talvez mesmo do que pela tal "má memória" que motiva o sacrifício da casa.

Esta Alice não vê coelhos mágicos com relógios de bolso ou coisas parecidas; ela vê, "por reflexo", um grupo de sumas beldades que compõem o lote de doentes mentais de "o hospício", qual "prisão de mulheres" à Corman ou Edgar G. Ulmer. O paraíso para o olhar devorador masculino? Sim, mas aqui os homens são assexuados, puramente inactivos - veja-se esse anti-estereótipo quase paródico que é o enfermeiro de serviço, que rejeita qualquer envolvimento sexual com as pacientes! As mulheres, por outro lado, fazem as coisas girar, a 360 graus, como numa roleta russa mental em que a pergunta "who's going next?" é acompanhada por outra: "by whom?"

Enfim, chamemos-lhe Kristen, chamemos-lhe Alice, Amber Heard é a protagonista. E mostra-se à altura daquele que é o maior desafio da sua carreira: não só entra no lote das grandes personagens femininas carpenterianas como, de novo na lógica do 1 + 1 = 1, faz a síntese perfeita entre os dois modelos de actrizes à Carpenter. Heard tem a sensualidade de uma Natasha Henstridge ("Ghosts of Mars") ou Lauren Hutton ("Someone's Watching Me"), mas, ao mesmo tempo, apresenta os traços bem definidos e "másculos" de uma Jamie Lee Curtis ("Halloween" e "The Fog"). De resto, indo ainda mais além do que as aparências prometem, Heard é a action woman dimensionada à medida do seu realizador.

Ela converte tudo em acção; nada a faz parar, nem o horror que vem do seu passado, nem o horror que vem dos enfermeiros, com os seus "tratamentos de choque", nem mesmo o horror que vem do passado, manchado de sangue, do hospício. Sempre disposta a lutar, ela "acciona" cada pedaço de filme, de tal modo que o ecrã resiste mal à sua ausência - como se vê na última cena, "The Ward" fica rapidamente com saudades dos "reflexos rápidos" de Amber Heard, verdadeira potência carpenteriana no feminino. Esperemos que esta empresa continue. Até lá, vai sendo celebrada, pelo menos, aqui para os lados do CINEdrio, com uma obra-prima chamada "The Ward".

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

The Ward (2011) de John Carpenter (I)

Várias coisas devem ser ditas sobre "The Ward" para que dele não resulte mais um equívoco de que o seu realizador, John Carpenter, é totalmente alheio; para que, enfim, este não volte a fechar-se na sua toca em LA a ver mais jogos dos Lakers do que filmes de Hawks; para que, de novo, depois da incompreensão que rodeou os seus dois últimos filmes, não nos precipitemos em "catalogações vãs" - dirijo-me aqui aos seguidores de um cinema que não só é de fácil fidelização como se tem mantido fiel, muitas vezes contra o mundo, aos seus princípios estéticos e temáticos. Proponho, assim, que entremos em "The Ward", primeira longa de Carpenter em 10 anos, para mais uma sessão terapêutica de desintoxicação do cinema actual, aquele que nos grita "mensagens feitas", que, por vezes, apenas se consegue agarrar à citação, pondo a pata permanentemente no jardim do vizinho sem que a este tenha pedido autorização.

"The Ward" é um filme que sabe onde está e para o que veio. Não vive de truques sem ser do grande truque de que todo o cinema é feito: manipulação de expectativas através de uma "modelação" estética feita a partir do eixo tempo-espaço. Ora, Carpenter parte para "The Ward" para fazer um filme de terror e, para ele, leva as suas armas - armas que se gastaram com o passar dos tempos, fruto das tais "invasões abusivas" em território alheio? Algumas, talvez, mas, como disse, entramos neste filme cientes do seu poder soberano dentro dos princípios que enformam hoje o género do terror - creio, aliás, que um "Halloween" é hoje tão "filme de terror" ou "slasher movie" quanto "Nosferatu" será um "vampire flick" ou, heresia!, qualquer coisa equiparável a um dos filmes da saga "Twilight". Mas, retomando o nosso fio de raciocínio, digo o seguinte: Carpenter faz "The Ward" seguindo, ponto a ponto, as coordenadas temáticas e estilísticas do seu cinema, mais até, do "cinema" que fez nos anos 70/80 bem como do "cinema" que nos trouxe com os seus dois últimos filmes. Afinal, 1 + 1 é igual a 1.

A coerência de "The Ward" também reside num casamento bem celebrado entre o Carpenter de "Halloween" e o Carpenter de "Ghosts of Mars", e com o Carpenter que lhes está de permeio, sobretudo, o de "In the Mouth of Madness" e "Prince of Darkness". Com efeito, este "Carpenter revisto por Carpenter" mostra, na realidade, (como o fim do filme que aqui tratamos), que estamos na presença de um universo uno, que, desse modo - uno -, tem sobrevivido à passagem do tempo. As inquietações e as "modelações" formais que o caracterizam pouco ou nada mudaram; na realidade, estas apenas têm sofrido ligeiras "correcções plásticas", feitas casuisticamente seguindo as variações que se operam de cenário para cenário, de história para história, de personagem para personagem. Penso que "The Ward" ajuda-nos a consolidar a ideia de que definitivamente Carpenter integra aquele grupo excepcional de cineastas (como Hawks ou Hitchcock) que, tendo criado um universo autoral uno, mas diverso, se renova - e renova todo o cinema - a cada filme que realiza - os filmes mudam pouco, mas o mundo, esse, muda ainda menos. É desta ideia que também vem a filiação sempre-política de Carpenter.

"The Ward"

"Ghosts of Mars"

E, perguntar-me-ão todos aqueles que atribuíram a "The Ward" o estatuto de "filme menor" ou primeira obra "despersonalizada" de Carpenter, o que faz de "The Ward" um filme genuinamente carpenteriano? A minha resposta é a seguinte: TUDO. Comecemos pelo "dispositivo" narrativo: história espacialmente concentrada num local isolado - um hospício - mas que se estica, temporalmente, na cabeça das suas personagens, em visões induzidas pela sua perturbação psíquica e, provavelmente, por todas as drogas e choques eléctricos que lhes são administrados como "terapia" - mas o que é "causa" e "efeito" aqui?

A dúvida marca, desde logo, o filme, isto é, num território bem demarcado - o tal hospício - nasce um novo território - puramente mental - onde a divisória "natural" entre "ilusão" e "realidade" se esbate até ao ponto em que se torna indistinta. "Ghosts of Mars", como demonstrei numa análise que fiz recentemente para o ciclo de cinema Década dos Zeros, vive precisamente desta "perturbação alucinatória", que é uma perturbação temporal e espacial. Claro que o eixo temporal não é trabalhado com o mesmo grau de complexidade que "Ghosts of Mars", mas, de qualquer modo, em "The Ward" também detectamos uma urdidura feita de flashes que, ora nos remetem para um passado bem identificado (a casa em chamas), ora para um tempo incógnito (a rapariga amarrada na cave e o vulto que se aproxima...).

Por outro lado, estes dois "tempos" subsistem num tempo "presente" que é um passado - já que estamos em 1966, como Carpenter não deixa de sublinhar pela indumentária, pelos utensílios dos médicos, os seus métodos "datados" e, claro, pela música e programas de TV que surgem como que a "comentar", com ironia, o que se vai passando. Em "Ghosts of Mars" também estávamos num futuro mais ou menos incerto, que se mostrava pouco relevante para a construção, digamos, espacial ou material do filme, já que, como fiz notar nessa análise, este é um filme que se podia facilmente equiparar a um western clássico de Hawks. "The Ward" é tanto um "filme de época" como "Ghosts of Mars", com a diferença que este último é um "filme de época" no futuro, e o primeiro é um "filme de época" no passado - solução claramente menos inventiva, que, à luz da anterior obra-prima de Carpenter, penaliza "The Ward".

Contudo, ao mesmo tempo, como já deixei implícito, "The Ward" vai-se tecendo entre um espaço puramente mental - expansivo e inconstante - e um espaço material - concentrado, cerrado e labiríntico. É, nesse sentido, uma releitura do filme de cerco mais extrema que "Ghosts...", já que este último, ainda assim, se dispersa fisicamente mais que "The Ward", onde a psicose é a única coisa que liga as suas partes disjuntas - progressivamente, o espaço mental revela-se tão labiríntico quanto o espaço concreto, e este último vai-se abrindo ao plano de fuga, "expansivo" mas também algo "intermitente", das personagens.

"The Ward"

"In the Mouth of Madness"

Estamos no intervalo entre "In the Mouth of Madness" e "Prince of Darkness" - a mente a puxar para a prisão da psique humana e o espaço a gritar por um "plano de fuga". O que provoca, naturalmente, estas duas dimensões são as fantasmagorias, que também reconhecemos nesses filmes do realizador de "Halloween". Aliás, as fantasmagorias, que durante quase todo o filme parecem "pertencer" ao espaço concreto, vão-se configurando como "realidades mentais" da(s) personagem/personagens. A ameaça gera-se no interior do homem. Nada mudou aqui, se formos ver ou rever boa parte da obra de Carpenter.

"The Ward"

"Halloween"

"The Ward" é tanto um filme de fantasmagorias como o era "Ghosts...", ou seja, tem pouco ou nada a ver com, precisamente, "filmes de fantasmagorias"; estruturam-se, antes, em construções espacio-temporais alucinogénicas que transportam o espectador entre realidades até à abstracção pura das imagens - potência que só o cinema possui, e que só Carpenter insiste em explorar... ou talvez apenas acompanhado, presentemente, por realizadores como Bryan Bertino ("The Strangers") ou Shyamalan ("The Village"). Formalmente, Carpenter mantém-se firme numa arquitectura visual que se revela tão intricanda quanto mais intensos são os ataques psicóticos das personagens, ou quanto mais regulares são as injecções de drogas misteriosas e os potentes choques eléctricos administrados pelos enfermeiros.

As imagens de portas entreabertas, leitmotifs visuais nossos conhecidos em "Ghosts of Mars", convertem-se em passagens assustadoras que se abrem a um inconsciente transbordante, ao passo que a visibilidade/invisibilidade da ameaça supranatural vai pairando sobre a textura das imagens como as sobreimpressões (dissolves que se arrastam mais do que o normal...ou efeitos-fantasma sobre o corpo dorido depois de uma "noite pesada") dos dois tempos que a assombram desde o primeiro instante - passado identificado e tempo incógnito.

O tecido temporal é fabricado como nos melhores filmes de Carpenter. Para além das várias pontes possíveis que se podem estabelecer com "Ghosts...", importa destacar a forma como o "fantasma" - que claramente habita aquele espaço... - vai aparecendo e desaparecendo, segundo o ritmo cardíaco da protagonista, que tenta fugir dos guardas. O corpo vaporoso e abstracto de Alice vai ganhando substância um pouco como o de Myers ao longo de "Halloween"; ou do bicharoco de "The Thing" ou, mais ainda, dos fantasmas em "Ghosts...". A sua metamorfose é alimentada pela luta humana, aliás, de homens contra homens - estamos aqui em Hawks, estamos aqui em Carpenter... de novo.

"The Ward"

O conflito "corporiza" o fantasma, que nos aparece inicialmente numa cena sensualmente embalada pelo excelente tema principal do filme: durante o banho de chuveiro das raparigas, corpos perfeitos são filmados em plano médio e com total "desprendimento", qual western softcore. (Um parêntesis: aquela iluminação de raios de luz entrecortados, logo a seguir à cena do duche, lembra, até ao mais esquecido, que não está a ver um filme de um realizador qualquer...) As sobreimpressões multiplicam-se até que surge, pela primeira vez, num jogo de flashes entre o visível e o visível, a figura de Alice. Ora, aqui estamos na primeira etapa de solidicação da ameaça "externa", que vai vivendo, vai-se "corporizando", à medida que se intensifica o conflito entre as raparigas em cativeiro e quem as mantém em cativeiro. Até que, no final - spoiler alert -, o fantasma ganha corpo de gente, sangra e é defenestrado devido à força do corpo de Kristen.

"Halloween"

Carpenter desenvolve como um "regime de crescimento" entre ameaças que, a meu ver, nunca foi tão aprimorado. Por outro lado, apesar de não ser tão genial como em "Halloween", também a dinâmica entre plano subjectivo versus plano objectivo é mantida, nomeadamente, nas investidas que a câmara vai fazendo pelos corredores, ora totalmente vazios, ora não totalmente vazios, do hospício. A certa altura, temos uma conjugação do melhor "de dois mundos": Kristen entra no armário da morgue, para se esconder dos guardas do hospício; por trás de si, uma mão aproxima-se do seu ombro, para lhe tocar... Mas, numa espécie de falso-raccord próximo daqueles que povoam brilhantemente "The Strangers" ou, recuando na história do cinema, também detectável em "Night of the Demon" de Tourneur, de repente a mão desaparece de campo - não sai, desaparece. Ora, aqui Kristen é ameaçada "de frente" e "pelas costas". O seu encurralmento é, contudo, mental, já que nunca chegamos a ver o corpo por inteiro ou indícios sequer dos que a ameaçam. A imagem da personagem de Amber Heard no armário replica, obviamente, a cena em que Jamie Lee Curtis tem o mesmo gesto para escapar "ao campo de visão" de Myers, leia-se, ao "campo de visão da câmara".

De qualquer modo, a dualidade formal acompanha a dualidade estilhaçada da narrativa - que surge representada, no genérico, e, na recta final do filme, pelos fragmentos de vidro à "Spider". O vidro e o espelho, aliás, são os dois principais leitmotifs do filme, o que numa obra sobre a loucura poderá parecer um cliché "necessário", mas até aqui penso que Carpenter vai além da óbvia simbologia. Na última cena do filme - spoiler alert: mais um sad open ending de Carpenter - Carpenter faz uma releitura da antológica sequência final de "Prince of Darkness". O que vive no outro lado do espelho? Já tínhamos visto, numa das mortes do filme, que o reflexo chama "a morte", mas, mesmo mesmo no último instante, Carpenter prega a partida de ser o mais literal possível, como que dizendo-nos: "pois sim, está bem, mas a ameaça não vive propriamente no espelho, mas por trás dele. Por trás dele, onde ele é opaco. Experimente aí abrir o armário espelhado para tirar a pasta de dentes. Para branquear o sorriso. Experimente fazer isso... se for a tempo..."

(continua)

domingo, 4 de setembro de 2011

O filme do ano (XVIII): 3 estrelas

"(...) No novo filme, "The Ward" ("O Hospício"), a fasquia desce uns pontinhos (mas não muitos). (...) "O Hospício" é um daqueles filmes que 'custam a entrar', sobretudo para quem conhece bem o trabalho de quem o assina. (...) Horror e fantasmas em manicómios não é popriamente coisa que escasseie no cinema americano e o filme de Carpenter também não se importa de pregar mais um prego no caixão, socorrendo-se de estereótipos batidos. Fica-se por aí? Não. Kristen [a personagem principal] resgata-o da mediania pela interpretação de Amber Heard. (...) Kristen entra para a galeria de heroínas do cineasta onde estão Jamie Lee Curtis, Adrienne Barbeau ou Natasha Henstridge. Há muito que sabemos, graças a Carpenter, que a perda de tino, venha ela de um desgosto amoroso, do medo da morte ou de influência alienígena, é coisa que a cabeça inventa e potencia. O maior inimigo dos seus heróis estão neles próprios. Posto isto, "O Hospício", embora não possa ser colocado a par de obras-primas como "Halloween" ou das duas "fugas" (a de New York e a de Los Angeles), também não envergonha a ascendência".

A crítica, com o título "Com bicho de carpinteiro", é da autoria de Francisco Ferreira, e foi publicada no último Actual, a propósito da estreia nacional de "The Ward" no festival de cinema de terror de Lisboa MOTELx, no dia 7 de Setembro [corrige-se a informação mal dada].

(O crítico termina este texto com uma observação que considero muito acertada: "O MOTELx é um dos festivais portugueses mais interessantes, e talvez seja o mais claro de objectivos, o mais equilibrado entre meios e fins.")

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O filme do ano (XVII): carpinteiros da fé

Já o temos disponível, em Blu-ray e tudo, nos States, mas, por outro lado, o último Carpenter já tem "quarto" reservado no próximo MOTELx

OBRIGADO! É com este tipo de textos que vou alimentando a minha fé.

[Infelizmente, os fãs de Carpenter que tenho ouvido ou lido atentamente que não gostaram de "The Ward" são grandes apreciadores de "Ghosts of Mars", o que (repito-me) me deixa algo apreensivo...

E sim, Raimi é respeitável, mas pôr o seu nome na mesma frase que o nome de Carpenter é qualquer coisa que só se pode admitir para dizer que não se pode pôr o nome de Raimi numa frase onde esteja o nome de Carpenter. Period.]

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O filme do ano (XVI)


A fé tem vindo notoriamente a esmorecer? Talvez, mas não morreu completamente. "The Ward", filme que neste blogue tenho apelidado (antes do tempo...) de "o acontecimento do ano", tem recebido as reacções mais negativas mesmo junto dos fãs carpenterianos mais empedernidos.

A desilusão em torno deste filme tem baixado as expectativas de quem quer perseverar para o ver no grande ecrã, em condições certas para, então sim, emitir qualquer juízo. A verdade é que, neste momento, o hype morreu. O que o pode reacender? Provavelmente um contexto cinéfilo propício à adoração do cinema de terror, uma atmosfera que faz inveja a qualquer outro festival de cinema da capital. Falo, naturalmente, do incontornável MOTELx, festival de cinema de terror que invade o S. Jorge para arrefecer a espinha a qualquer Verão quente que se preze...

A próxima edição desta excelente montra do horror contará, então, com a estreia nacional de "The Ward" de John Carpenter. Será, certamente, o espaço mais adequado para gostarmos ou mesmo para "não gostarmos" (suposição que, neste momento, ainda me deprime...) do próximo filme do genial realizador. A eventual presença do insuportável Eli Roth (o realizador/actor homenageado este ano) não me deterá nesta prova dos nove que tem tanto de entusiasmante como, já, de angustiante.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O filme do ano (XIV): o trailer completo

Publiquei a parte, a única disponível na Internet na altura, pois agora publico o todo. Um "todo" cheio de imagens muito promissoras e uma ambiência claramente evocativa do Carpenter dos anos 70 ("Halloween" aparece como grande referência no trailer, o que me parece apropriado) com, porventura, uns toques de "In the Mouth of Madness". Enfim, talvez mais hitchcockiano (foras-de-campo) do que hawksiano, mas, ainda assim, o filme mais esperado de 2011.




segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O filme do ano (XIII): o trailer ou parte dele

Desde já, um grande obrigado ao meu camarada de petição João Palhares pela sua (wiki)leak do trailer, ou parte dele, de "o filme do ano", que andei a antecipar durante todo o ano de 2010 na expectativa de o ver nesse ano. Pronto, fica a ideia: 2010 fica marcado por ser o ano que antecede 2011, isto é, "o ano do regresso de Carpenter". Sem mais palavras, cá vão as primeiras imagens e sons que nos chegam de "The Ward".





segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O filme do ano (XII)

Não dá para ver, dá para ouvir. (E ainda não ficou claro se Carpenter assina ou não a banda sonora. Já se sabe que não se envolveu tanto no processo, como é hábito, mas não é líquido que não tenha tido uma participação muito activa na sua elaboração...)


Clássico Carpenter

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O filme do ano (XI)

Tagline: Only Sanity Can Keep You Alive

"John Carpenter's The Ward" teve a sua estreia internacional ontem à noite no festival de Toronto. Carpenter fez uma pequena introdução ao filme, à distância, através do grande ecrã - que, não podia deixar de ser, está já disponível no YouTube (ver vídeo abaixo). Entretanto, já houve reacções (até ver, positivas) de alguma imprensa e mais imagens do filme continuam a circular. Esperamos ansiosamente pelo primeiro teaser-trailer. Quanto a datas de estreia, é provável que "The Ward" só estreie nos Estados Unidos em 2011.


(Digamos que o agradecimento já está, nesta altura, subentendido...)

domingo, 12 de setembro de 2010

O filme do ano (X)


Eis a mais recente entrevista a John Carpenter. O entrevistador obriga Carpenter a repetir muitas das respostas que já havia dado à icon vs. icon. A sensação de déjà vu é quase inevitável, salvo sobretudo nas muito significativas primeiras respostas. Carpenter fala da vantagem de filmar num espaço "confinado" - ao seu estilo! - e nega que este projecto tenha o forte subtexto político que alguns dos melhores filmes de Carpenter nos presentearam.

Um trivia delicioso: o projecto "L.A. Ghotic" - vários vezes anunciado como o próximo de Carpenter - sofreu uma alteração no título, chamando-se neste momento "John Carpenter's Hollywood". "which I find funny. [Laughs.] We're working on the screenplay, developing it. It's coming right along, and I love working with the two writers I'm working with. It's fun."

(Obrigado de novo ao Tiago Costa pela dica.)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O filme do ano (IX)

Está confirmado que não será Carpenter a assinar a banda sonora de "The Ward". Nas palavras do próprio, retiradas da sua mais recente entrevista, "I decided when I came back what I will and won’t do. I won’t do the music anymore, I can’t do it. I am burned out on that. On my last film, before the one that is coming out now, ‘Ghosts of Mars,’ there is a behind-the-scenes deal. There are shots of me on the set that I looked at and those shots are after the music mix, after I had gone through it and I was a zombie."

A entrevista conta com outros momentos muito interessantes, que revelam um Carpenter mais amadurecido - a "velhice" é assunto recorrente - e (ainda mais) desiludido com Hollywood. Cito em baixo as que são, para mim, as passagens mais significativas (ilustradas pelas melhores fotos da rodagem de "The Ward", recentemente publicadas aqui).

What was the reason behind that hiatus?

Burned out! That’s it. I thought “I can’t take this anymore. I don’t want to do this anymore.” I kinda had a bug when my last movie tanked pretty big time. I thought to myself “Why am I doing this. I am killing myself with this.”

(...)

You have been so hands-on with all of your films. Is there a part of the film-making process that you prefer?

Being on set. I live for that.

(...)

Another project that you are attached to is ‘Fangland.’ Can you talk a little bit about that?

It is a novel that has been turned into a script and we are still trying to get a good screenplay out of it.

How did you first cross paths with that project?

Somebody at the office said “Would you like to do this?” I read it and I thought it had a very interesting idea. So, now we will just have to see if we can get it there.

Originally the script had been described as a modernized version of ‘Dracula.’ Right now, vampires are all the rage and you have tangled with the undead before. Maybe this is a little premature but, what is your vision for the film?

Well, it is not about a vampire. We’re changing that. Vampire movies always work. They are always fun but they are a little over-saturated right now.

Another one is ‘L.A. Gothic’ …

Which has undergone a title change. I actually have a copy of the script which I am supposed to read this weekend and we will see where we go from there.

Horror is a lot different than it used to be. What are your thoughts on the current state of that genre?

Horror is always the same. It just changes with the culture and changes with the technology. The stories are always the same. There are just two basic stories in horror, two simple ones — evil is outside and evil is in here [pointing to his heart]. That is basically it. There are a lot of good horror movies being made right now, there have been a lot of good movies that have been made, and a lot more probably will be made.

3D and remakes are two subjects that I am sure you get asked about all the time. As a director/creator, do you think that these are signs that the Hollywood machine is running low on original ideas and do you think fans will eventually look to alternative mediums for their entertainment?

Hollywood already ran out of original ideas years ago, except for a very few films that come along that try something new. A lot of the stuff that they program is not new anymore. 3D is another way that the technology has evolved. Look at when the original ‘Toy Story’ came out. That was a huge step in storytelling. 3D has evolved in that same way. Personally, I don’t really know. I know one guy in Hollywood, Jeffery Katzenberg, says that soon every movie will be made in 3D. I don’t believe it. I went through the first 3D craze, I was there! I wore those glasses and I remember it! It died!

What are your thoughts on remakes, as a director who has directed a remake and had a few of his films remade?

It is the tradition of Hollywood. It has been done a lot. They remade ‘The Maltese Falcon’ four or five times. They remade ‘A Star Is Born’ … and they will be doing that again. Nowadays, for genre movies, it is so difficult to advertise for films, there is so much clutter, so many advertisements and so many people wanting your dollar that producers and studios try to cut through all of that with something that you will recognize. A title that maybe you heard of when you were young or your siblings watched it or you have heard of it but haven’t seen it, they cut through with it a new version. So, it can penetrate this almost impenetrable wall of attracting people and getting them into a theater. All of this stuff is about commerce. All about commerce. It is all about money. You see these sequels being made and people line up to see them. If no one went to see them, they wouldn’t be making them!

Are there any young directors out there that really make you stand up and take notice of their work?

Lots and lots. I like David Fincher’s work a lot. I think he is very talented. He is REALLY good!

(...)

What is the best piece of advice that someone has given you along the way in your career?

It was probably from my dad. He said “Opportunity will come, just be ready for it.”

What about the flip-side of that question? What advice would you give to someone just starting out in this new age of film making?

You have a lot of advantages that I didn’t have. You can actually go to film school without actually going, by buying movies on DVD and watching the special features and interviews with directors where you can see what they did behind-the-scenes. You can really see how it works. You have equipment and technology now that allows you to make a film, cut it yourself with computers and show it. All that is stopping you, at this point, is you. The two of you can go out and make a movie starting today if you want to.

(...)

Any other projects that your fans should be aware of?

I have a couple different things in development. I have a movie called ‘The Prince,’ which I am really happy about. It is not really a horror film, it is more of an action film. Hopefully, I will get that going. I am ambivalent about work. I will do it if it comes along. I don’t like to get up too early in the morning! [laughs] But I am getting close to the age where I can just say [with his arms outstretched and middle fingers in the air] “Fuck this! Goodbye!” and kick back! [laughs] Every time that the NBA starts its season, I get less and less interested. I am more interested in basketball! I am a basketball addict!

Do you have any last words for you fans before we let you go?

Simply, thanks for the memories.


(Obrigado ao Tiago Costa pela dica.)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O filme do ano (VIII)


Já temos mais algumas novidades sobre "John Carpenter's The Ward". Desde logo, o filme terá a sua estreia internacional na secção Midnight Madness do Festival de Toronto, que abre no dia 9 de Setembro. Na ficha do filme, vislumbramos uma foto oficial do mesmo e outro dado que não tínhamos ainda reparado: 86 minutos será a duração total do filme, o que fará dele, seguramente, uma das longas mais curtas do realizador.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O filme do ano (VII)


O alinhamento da competição do próximo Festival de Veneza já foi divulgado e não há, ao contrário dos boatos, Malick, não há Eastwood e não há, meus caros leitores, John Carpenter. Por isso, como diz CR9, vamos ter de guardar "o fogo" para outra altura.

De qualquer maneira, encontramos alguns nomes sonantes em competição, onde destaco (por ordem de preferência) os últimos de Abdel Kechiche, Kelly Reichardt, Sofia Coppola e Vincent Gallo (ai ai ai, ele está de volta...).

Ficarei atento também ao trajecto dos últimos filmes do vietnamita Anh Hung Tran e do chileno Pablo Larraín. (Sim, não incluo "Black Swan" de Aranofsky, porque acho que "The Wrestler" foi a excepção numa carreira, até ver, medíocre.) Os portugueses João Nicolau e Manoel de Oliveira estarão em secções paralelas do festival.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O filme do ano (VI)


A menos de dois meses da estreia do último filme de Carpenter nos EUA - espero notícias de Veneza, para muito breve -, é tornado público o link para aquele que será o site oficial de "The Ward". Ainda em construção (na visita que acabo de fazer constato que acabam de alterar alguns ícones), podemos encontrar nele um punhado de vídeos de rodagem, uma sinopse completa, mas sobretudo um espaço para onde convergem as mais frescas notícias sobre este filme.

Em matéria de imagens, pouco tem saído cá para fora, salvo a algo duvidosa montagem que acima publico - nestas coisas, a especulação nunca fez mal a ninguém, por mais imprecisa que seja... A ansiedade está em cima por estes lados.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O filme do ano (V)


Algumas notícias apontam "The Ward" como provável filme de abertura do próximo Festival de Veneza, que acontece entre os dias 1 e 11 de Setembro. A minha pergunta é: por que não incluir o filme de Carpenter na competição, para que finalmente um festival de cinema lhe faça a devida homenagem? Memorável seria vê-lo com o ouro, seja em Veneza, Berlim ou Cannes. Memorável e mais do que merecido. E acho que, apesar da sua pose punk who gives a damn, Carpenter iria apreciar grandemente a coroação.

(Um obrigado ao meu amigo Francesco pela dica.)

Ups... (actualizado hoje, dia 23 de Julho)

domingo, 4 de julho de 2010

O filme do ano (IV)



Carpenter, o compositor. Pois é, um verdadeiro auteur dá nisto: até na música deixa a sua assinatura. No caso do universo Carpenter, esta é um corpo próprio que se mexe seguindo as coordenadas não tanto da acção mas da forma como cada imagem é articulada com o todo (montagem): se a repetição é um elemento nuclear no cinema de Carpenter, então para o provar basta ouvirmos as bandas sonoras que marcam a sua filmografia: por norma, persistentes, circulares, bloqueadas num refrão estridente, mecânicas, viciosas como, enfim, viciantes. Nelas, está contida a essência do que se mostra, tantas vezes excessivo na sugestão mas omisso ao olho. Deixo aqui um greatest hits, a salivar pela banda sonora que aí vem: naturalmente, a de "The Ward", de novo, com a chancela John Carpenter (isto não fiando muito nesta fonte). Como exercício alternativo, sugiro que ouçam "Machine Gun" do último álbum dos Portishead e pensem no realizador de "Halloween".

O filme do ano (III)


Em comentário áudio a "Ghosts of Mars", Carpenter diz que Natasha Henstridge não foi a sua primeira escolha. Courtney Love terá abandonado o barco e, por questões de conveniência, a escolha final recaiu na protagonista de "Species". Confessa-se muito satisfeito com o trabalho da actriz, ressalvando que habitualmente não gosta de trabalhar com mulheres femininas. Lembramo-nos de Jamie Lee Curtis, a sua "musa", e percebemos as suas palavras. O gosto por loiraças espampanantes parece ter ficado da experiência (para muitos, totalmente fracassada) de "Ghosts of Mars". Mas há uma diferença: desta vez, Amber Heard terá sido primeira escolha.

sábado, 3 de julho de 2010

O filme do ano (II)



Regressando a estas imagens, feitas durante a rodagem de uma cena do filme de Carpenter e colocadas na Net há já algum tempo, e colando com aquilo que Carpenter disse de positivo sobre a saga "Saw" na já aqui citada entrevista que deu ao Canal+, expresso aqui o meu primeiro receio em relação a "The Ward": terá Carpenter sucumbido às modas e se tornado num torture pornographer?

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