A primeira metade de "No Country for Old Men" faz-nos recuar à sequência irrespirável do enterro do marido atraiçoado de "Blood Simple" (1984), o primeiro filme dos irmãos Coen: narrativa vaga, repleta de interrogações e com poucas respostas, o que nos obriga a ficarmos retidos na cadência das imagens, todas elas magnificamente enquadradas (belo trabalho dos Coen e de Roger Deakins, o seu fiel director de fotografia), mas, acima de tudo, bastante bem articuladas entre si, através de uma montagem cinética, trabalhada ao milímetro, que se desenrola lentamente, embalada pela repetição calculada de certos sons intercalados por momentos inquietantes de silêncio.(É assinalável a coragem, mas acima de tudo o árduo trabalho dos Coen, ao terem evitado o uso de qualquer tema musical, mas nem por isso enjeitando a existência de uma banda sonora, já que a engenhosa manipulação de sons supostamente "naturais" resulta na potenciação de um ambiente realista de tensão.) Tudo isto pode não ser totalmente novo nos Coen (veja-se, ou melhor, ouça-se de novo a ventoinha ou o "estorricador de moscas" em "Blood Simple"), mas não nos cansamos de sublinhar que em "No Country for Old Men" a montagem funciona como um relógio suíço: mecanicamente perfeita.
Na segunda metade do filme (sensivelmente depois da primeira “confrontação” entre Javier Bardem e Josh Brolin), parece que os irmãos Coen se recostam nas páginas do romance homónimo de Cormac McCarthy e param de nos assoberbar com momentos espantosos de acção muda, directa e narrativamente descomprometida. Se antes ouvíamos apenas os passos das personagens, e as suas movimentações rumorejantes, dia e noite, no deserto e na cidade (que parece abandonada), surge na segunda parte uma dimensão discursiva, algo circular e exibicionista, que denota um certo desespero, a meu ver, precipitado, em dar profundidade literária às personagens – a “caça” dá lugar a uma intelectualização, pontualmente interessante, mas pouco original, da violência.
Para mais, notamos que a personagem de Javier Bardem muda ligeiramente: mantém-se robótica, fria, com os estereótipos de um vilão de um qualquer slasher movie, mas, na segunda parte, mais apostada em fazer valer a sua "doutrina do mal", tão simplista quanto o seu joguinho de sorte e azar - que tem um volte-face "divino" no fim, numa espécie de cedência tímida, mal disfarçada, à típica redenção hollywoodiana.
Mas não tenhamos dúvida de uma coisa: quem mantém a fasquia elevada até ao derradeiro minuto é Tommy Lee Jones (a melhor interpretação do filme) que é o rosto, marcado de dor, de uma América imisericordiosa, animal, mas também desencantada, resignada e fisicamente fatigada.
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Paul Dano na pele de Eli Sunday, em "There Will Be Blood" (2007), o pastor da Igreja da Terceira Revelação, que se faz passar por profeta para saciar a inextricável fome de poder. O pecado é tal que, no fim, nem Deus o socorre do calvário.
Ei-lo. Mike Huckabee, um antigo pastor evangélico que concorre à presidência norte-americana, na representação dos conservadores religiosos do partido, e que estoicamente insiste numa candidatura já perdida para John McCain. Oremos para que siga a palavra do Senhor (leia-se, dos media) e ceda ao inevitável pecado de uma vice-presidência (leia-se, da gula). 
