"Sunset Boulevard" (1950) de Billy Wilder
Parece que é desta que John Carpenter vai voltar às longas-metragens. Muito se especulou sobre qual a longa-metragem que se iria seguir a "Ghosts of Mars", filme que realizou há mais de 7 anos. Falou-se de uma sequela (de "The Thing", "Big Trouble in Little China" e até de "Escape From L.A."), de um western moderno chamado "The Prince" e, mais recentemente, de um thriller de horror intitulado "L.A. Gothic" . Depois de muito esperarmos - e de uma integral justíssima na Cinemateca de Lisboa (que ainda não acabou) -, temos finalmente notícias mais concretas sobre o seu próximo filme: "Riot".As respostas às duas perguntas deverão ser registadas no pequeno inquérito que apresentamos na coluna à direita deste blogue. A sondagem terminará dentro de um mês, no dia 1 de Janeiro. Entretanto, procuraremos fazer com que todas as novas informações que se publiquem sobre "Riot" tenham eco aqui, no CINEdrio.

Wes Anderson é o autor de um dos universos mais originais do cinema norte-americano da actualidade. (Até aqui ainda não há elogio.) O cineasta de "Rushmore" (1998) conseguiu criar um "cinema da imagem" que se alicerça na construção meticulosa de um décor fantasioso, que nos remete quase sempre para uma memória mágica, inocente e melancólica de uma infância não vivida. Os adultos de Wes Anderson agem por impulso e imprevisivelmente... como crianças.
Não compreendo muito bem o estatuto que "Bonjour Tristesse" (1958) ganhou dentro de uma filmografia tão singular como a de Otto Preminger. Nele encontramos muito pouco daquilo que poderá caracterizar o melhor do seu cinema, nomeadamente, os longos takes, a câmara subtil que enquadra cenas inteiras, a montagem descarnada e, no substrato de tudo isto, histórias sobre jogos de espelhos e exercícios de moral no limiar da perversão.
À boa maneira de Fuller, "Pickup on South Street" (1953) é um film noir feito com os tomates - e, vá lá, uns gramazitos de coração... Muitos, sobretudo os americanos, se incomodaram com o que viram na época: um thriller político que divide bem as águas entre os traidores da América (compatriotas ao serviço do inimigo soviético), os polícias que os procuram neutralizar e, entre os dois, um carteirista (pickpocket) pouco interessado tanto nuns como noutros.
A nova edição da Red Carpet já está aí. Temos um novo look, uma série de conteúdos ligados à actualidade cinematográfica, entre eles, uma crítica escrita por mim ao "Burn After Reading", e mais uns tantos artigos que nos trazem à memória filmes muito diferentes entre si, mas que marcaram, de uma maneira ou outra, o crescimento de uma certa cinefilia: "Noite Escura" de João Canijo (por Carlos Pereira, que também critica o magnífico "Mal Nascida"), "Fight Club" de David Fincher (por Nuno Gonçalves, numa rubrica nova chamada "Sob o Signo de...") e, para o tal cantinho do "Cinema Clássico", escrevemos uma análise a "Ace in the Hole" (1951) de Billy Wilder. Chama-se "A Identidade do Jornalismo" e podem encontrá-la nas páginas 64 e 65. Por fim, temos de destacar o artigo de Leo Pinela sobre o DocLisboa 2008. Para poderem ler tudo isto (e muito mais...), basta um clique sobre a imagem.
Um filme mudo sobre o vento. Uma experiência sensorial quase impossível, que convoca o cinema de terror, o western e o musical. O sueco Victor Sjöström partiu para os Estados Unidos e lá realizou um milagre cinematográfico: um filme sem som onde se ouve o vento, o ranger da madeira, o galopar do grande cavalo branco (Deus índio das grandes tempestades) e onde as imagens adquirem uma textura tal que julgamos senti-las com os dedos.
Em 1940, Preston Sturges contou-nos a "história americana" de "The Great McGinty". E quem foi ele? Um vadio recrutado pela máquina política para participar numa gigantesca fraude eleitoral. O esquema consistia em votar várias vezes, sob a identidade de um morto. McGinty foi tão bem sucedido que o catapultaram para dentro do sistema político. Pouco tempo depois, já era mayor.
Hoje a América vai a votos. E o mundo está de olho... O entusiasmo em torno destas eleições fez com que se batessem recordes no número de inscritos para votar e, pelas notícias que nos chegam, os eleitores de alguns estados já fazem longas filas perto das assembleias de voto. Nesta altura, duas preocupações centralizam as agendas política e mediática: apurar a verdadeira inclinação do eleitorado norte-americano - será que o chamado efeito da "espiral do silêncio" não inquinou muitas sondagens? - e garantir que todo o processo eleitoral decorra dentro da normalidade, sem casos de fraude ou arrebanhamento. Um novo software, que dizem ser infalível, está a ser testado precisamente para evitar que se repitam incidentes como o de Bush-Al Gore.
Laurent Cantet não precisava de “Entre les murs” para ser considerado um dos cineastas da actualidade mais atentos aos problemas pouco visíveis da nossa sociedade. Em filmes como "Resources humaines" (1999) e "L’Emploi du temps" (2001), Cantet revela um olhar apurado sobre o mundo do trabalho e as normas (sociais e políticas) que o regem. Por outro lado, há neles uma relação descomprometida entre realizador - e uma câmara discreta, não inquisitiva - e a realidade retratada: Cantet dá espaço ao espectador para fazer a sua apreciação crítica daquilo que é mostrado. Claro que dificilmente não estaremos ao lado dos seus "heróis-mártir" de carne e osso, até porque partilhamos muitas das suas dúvidas e angústias. Em certo sentido, são eles que nos "puxam" para o filme; que fazem de Cantet um cineasta e não um documentarista.
"Bobby" (2006) é um muito sentido (e humilde) tributo que Emilio Estevez faz a Robert Kennedy (1925-1968). Depois de ter vencido as primárias na California, o jovem senador de Nova Iorque fez um vigoroso discurso no Ambassador Hotel, transmitindo energia renovada a uma América desorientada e deprimida. Logo após proferir essas palavras, que encheram de esperança milhões de americanos, Bobby foi assassinado.
Durante a convenção democrata, que consagrou Barack Obama como o candidato democrata à Casa Branca, muito se falou sobre os três brancos supremacistas que tinham em mente matar o senador do Illinois. As autoridades procuraram desvalorizar esta tentativa falhada de reeditar aquele trágico dia de 1968. Entretanto, mais dois jovens, "confessos neonazis", foram detidos, antes de levarem a cabo uma série de planos de exterminação rácica, que culminaria com a morte de Obama. Nós já conhecemos o poder que a mera "sugestão" tem na terra do Tio Sam. Mas não há muito a fazer: reforçar a "bolha presidencial" e talvez, como os americanos dizem, rezar a Deus pela salvação daquele que já é um ícone geracional...