"Stalker" (1979) de Andrei Tarkovsky
"Antichrist" (2009) de Lars von Trier
"Stalker" (1979) de Andrei Tarkovsky
"Antichrist" (2009) de Lars von Trier
The slowing down and the stilling process opens up new areas of fascination, especially with the human figure. Certain privileged moments can become fetischized moments for endless and obsessive repetition, while looks or gestures can suddenly acquire a further dimension of fascination once freed from their subordination to narrative.
Laura Mulvey, «Stillness in the Moving Image: Ways of Visualizing Time and Its Passing», in Cinematic
The pause and rewind buttons along with online viewing have made analysts of us all to some extent.
David Company, Photography and Cinema
O Festival de Cannes já começou e, por isso, fechamos as urnas da nossa sondagem sobre a mais acertada Palma de Ouro dos últimos 8 anos. Apesar de alguma divisão inicial e um certo tête-à-tête final entre o filme de Van Sant e o de Polanski, a maioria acabou por premiar de novo a obra-prima "Elephant", que obteve mais dois votos que "O Pianista" (35% contra 27%). "A Turma", a Palma do ano passado, ainda beneficia do hype que gerou na crítica e no público. O seu brilhantismo permanece bem fresco na mente de, pelo menos, três dos votantes (12%). O mesmo parece acontecer com a pungente obra de Cristian Mungiu, que também recebe três votos (12%).

O senhor Ken Loach fez um grande filme, um dos retratos mais crus, anti-moralistas da realidade social britânica, leia-se, europeia, mas nenhuma distribuidora se dignou a distribui-lo nas salas nacionais. "It's a Free World..." é mais um caso inexplicável de direct-to-DVD cinema aqui no nosso país. Não há obra mais pertinente que esta: um pedaço vivo da realidade da imigração ilegal, da questão do desemprego, da desintegração das famílias, todo o círculo vicioso que aflige as sociedades modernas está aqui contido e filmado sem juízos ou um pingo de sentimentalismo, sem leituras abusivas, retórica política ou super-heróis salvíficos ou sacrificiais. A protagonista aqui é como um protagonista de um filme de Laurent Cantet, que com "Entre les murs" se transformou num insólito sucesso de bilheteiras - estejam atentas, senhoras distribuidoras, que o realismo de forte cariz sociológico nunca chamou tanta gente às salas.
Pensamos que a rectificação merece novo post: anunciámos aqui que Francis Ford Coppola e Werner Herzog não iriam a Cannes, o que não foi totalmente rigoroso. O filme "Tetro", de Coppola, abrirá a competição na Quinzena dos Realizadores, mas, de facto, não estará na corrida pela Palma de Ouro. Esta subalternização de um realizador já laureado com a Palma não parece incomodar o implicado.
Pois é, afinal, Francis Ford Coppola e Werner Herzog não vão concorrer pela Palma de Ouro. Se ao primeiro ainda foi dada a oportunidade de mostrar a sua última obra, "Tetro", na Quinzena dos Realizadores, já o segundo viu o seu remake de "Bad Lieutenant" ser completamente ignorado pelo Comité de Selecção - por que este último não vem, então, ao IndieLisboa? Acaba de sair a lista com o alinhamento da 62ª edição do Festival de Cannes. Em relação às previsões da Variety, confirmaram-se quase todas, ainda assim importa vermos algumas nuances importantes.
Enquanto os filmes de terror continuarem a encarar o mal como produto de uma série de circunstâncias socialmente identificáveis, dificilmente nos aproximaremos da sua essência. Essa força terrível que vive dentro de todos nós e que, por vezes, é puxada à superfície, sob a forma de um pesadelo ou de uma qualquer manifestação física ou verbal de violência, nem sempre se pauta por relações simples de causalidade. Pois o cinema de terror norte-americano, treslendo em toda a linha as suas bases, tem perdido muito do seu e, sobretudo, do nosso tempo a tentar racionalizar as causas do mal nas nossas sociedades. E, por isso, Columbine superou o cinema. E, por isso, o 11 de Setembro superou o cinema. Também por isso continuamos sem respostas para a pergunta que todos os filmes de terror nos colocam: porquê isto?
Os nomes que irão competir na próxima edição do Festival de Cannes só serão conhecidos no dia 23 de Abril, mas a Variety já avança com uma lista de prognósticos. E, podemos dizê-lo sem reservas, será uma das edições de Cannes com maior concentração de grandes nomes do cinema internacional. Desde logo, contará com cinco realizadores que têm no currículo uma Palma de Ouro: Jane Campion ("Bright Star"), Ken Loach ("Looking for Eric"), Francis Ford Coppola ("Tetro"), Lars von Trier ("Antichrist") e Quentin Tarantino ("Inglorious Basterds").
Por muito que se possa discordar desta ou daquela escolha, não há dúvida que o Festival de Cannes continua a ser "o" grande evento dedicado à Sétima Arte. Com a decadência do Festival de Berlim e mais recentemente do Festival de Veneza, a edição deste ano de Cannes tem tudo para reforçar a sua posição dominadora na formação das principais tendências de futuro na arte cinematográfica e voltar a notabilizar-se como palco privilegiado para a descoberta ou redescoberta dos grandes auteurs do cinema mundial.
Estranhamos que um filme repudiado por tanta gente nos dê tão variados motivos de reflexão. Em primeiro lugar, "El cant dels ocells" é um filme sobre um tempo que não é o nosso, ou seja, uma tentativa quase documental de convocar no espaço do cinema uma forma de vivência do e no tempo, cada vez mais profanada pelo ritmo voraz das sociedades modernas. Recapturar o tempo não é fácil e obriga o olhar de hoje a um certo esforço de conversão (no sentido religioso e não religioso do termo): na cabeça de Serra parece habitar a ideia de que filmar uma história com mais de dois mil anos não deve ser igual a filmar uma história com mil, cem ou dez anos; a cadência dos planos pode conter em si a possibilidade de trazer às pessoas de hoje a experiência, o mais embrutecida possível, do Tempo dos seus antepassados.
53 mui solícitos leitores do nosso CINEdrio votaram nesta pequena sondagem. O vencedor é o próximo filme de Michael Mann, "Public Enemies". Ao todo recebeu 38% do total dos votos. Portanto, Mann bate Tarantino e o seu "Inglorious Basterds" (não há equívocos: "Basterds" com "e" e não com "a"), que reuniu cerca de 25% das preferências. Sobre este último já podemos confirmar que irá, de facto, participar na competição da próxima edição do festival de Cannes, marcado para 13 a 24 de Maio.
