...até que a luz volte.

"El sol del membrillo" (1992) de Victor Erice
"Banshun"/"Late Spring" (1949) de Yasujiro Ozu
"Yama no oto"/"Sound of the Mountain" (1954) de Mikio Naruse
É o filme mais fracassado do realizador espanhol, melodrama confuso que negligencia, como nunca antes aconteceu com Almodóvar, parte das suas personagens, usando-as como pretextos para forjar momentos conceptualmente fortes - a cena em que Penélope se "dobra" a si mesma ou a cena à la "Persona" em que Mateo procura tocar, e guardar para sempre, a imagem do último beijo que deu à mulher da sua vida.
Mendes não é um realizador que nos tenha impressionado muito até aqui. Vemos este "Revolutionary Road" tardiamente, porque o virtuosismo formal de Sam Mendes e as suas histórias mais ou menos satíricas, no limite da caricatura, nos têm parecido artificiais, manipuladoras e calculadas. A surpresa chega agora. "Revolutionary Road", baseado na obra homónima de Richard Yates, é um dos melodramas mais negros sobre a terrível transfiguração do american dream num american nightmare; é uma actualização do velho, mas ainda hoje acutilante, Douglas Sirk (à cabeça, "All That Heaven Allows") ou uma prequela necessariamente brutal do contemporâneo John Cassavetes (à cabeça, "A Woman Under the Influence").
Tarantino volta a fazer das suas, mas, desta vez, dimensionando como nunca antes as suas desbragadas celebrações do fim do cinema. Todos sabemos que este foi o filme que mais tempo habitou a mente irrequieta de Tarantino e isso ressente-se na forma lapidar como o argumento, a linguagem das palavras, estrutura a realização e a montagem, a linguagem das imagens. Com efeito, em cada cena parece haver uma luta pelo protagonismo entre a palavra e a imagem (puras); sentimos que o que se diz luta autonomamente com o que se mostra. Por isso, o diálogo pode-se fazer com uma troca alucinante, quase exaustiva, mais ou menos útil, de lines ou um sucessão alucinante, quase exaustiva, mais ou menos útil, de imagens.
Ousamos resumir esta história, feita de silêncios dialogantes e jogos visuais de simetria/assimetria, da seguinte forma: a arte e a ciência, ou a cultura em geral, contratam um assassino profissional, espécie de samurai urbano chique, só que um negro majestoso, de expressão compenetrante (Isaach De Bankolé), para matar um poderoso homem engravatado - um político autocrático? Um Dick Cheney revisitado por Bill Murray? - protegido por mil seguranças no seu bunker inexpugnável. A sinopse que acabamos de escrever parece nebulosa pela razão simples de que é totalmente inexacta: "The Limits of Control" não é um thriller ou pelo menos é muito mais que um exercício de género de Jim Jarmusch.
James Gray mantém-se fiel a um passado, não tão longínquo quanto isso, em que Hollywood (ainda) reclamava as suas raízes clássicas. "Two Lovers" é, por isso, um filme fora do seu tempo. O chavão "à frente do seu tempo" ganha aqui uma nova feição, porque o que Gray reivindica, para muitos, de forma conservadora, para muitos, de forma cínica, são as fórmulas antigas, já vistas e usadas. Gray é um retocador por excelência ou alguém que cola, com a minúcia de um artífice, cada peça microscópica de um jarro que muitos dizem estar inexoravelmente quebrado. Ele acredita na perfeição através da repetição ou de uma depurada rememoração e, por isso, é assumidamente um cineasta-cinéfilo. Melhor: Gray é alguém que trabalha o cinema com os utensílios que este lhe deu e, não negamos, é comovente, hoje, assistir-se a um objecto tão bem carpinteirado, tão pensado e tão franco, como "Two Lovers".
"Stalker" (1979) de Andrei Tarkovsky
"Antichrist" (2009) de Lars von Trier
The slowing down and the stilling process opens up new areas of fascination, especially with the human figure. Certain privileged moments can become fetischized moments for endless and obsessive repetition, while looks or gestures can suddenly acquire a further dimension of fascination once freed from their subordination to narrative.
Laura Mulvey, «Stillness in the Moving Image: Ways of Visualizing Time and Its Passing», in Cinematic
The pause and rewind buttons along with online viewing have made analysts of us all to some extent.
David Company, Photography and Cinema
O Festival de Cannes já começou e, por isso, fechamos as urnas da nossa sondagem sobre a mais acertada Palma de Ouro dos últimos 8 anos. Apesar de alguma divisão inicial e um certo tête-à-tête final entre o filme de Van Sant e o de Polanski, a maioria acabou por premiar de novo a obra-prima "Elephant", que obteve mais dois votos que "O Pianista" (35% contra 27%). "A Turma", a Palma do ano passado, ainda beneficia do hype que gerou na crítica e no público. O seu brilhantismo permanece bem fresco na mente de, pelo menos, três dos votantes (12%). O mesmo parece acontecer com a pungente obra de Cristian Mungiu, que também recebe três votos (12%).
