"A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors" (1987) de Chuck Russell
Diz-me o senhor
Wemans: "Mas, ó caro Luís, você que tem a mania que é bom, devia perceber que as razões para a redução do número de filmes na grelha da RTP2 se deve ao facto da maioria do público cinéfilo hoje em dia - sobretudo, jovem - consumir filmes pela Internet, à la
carte". Ao que eu respondo: "Certo, isso é uma realidade, mas o caríssimo senhor
Wemans também sabe que os meninos e meninas só vão descobrir coisas como
Kitano,
Tati, Godard, os checos, os tailandeses, os romenos, os filipinos e, levando ao limite o exotismo, os portugueses se alguém lhes der a ver esse cinema. Senão, como explica o sucesso consolidado que é a Cinemateca e o clamor instalado para que se abram filiais da mesma em vários pontos do país? Há fome de cinema, o cinema está acessível na Internet e em
DVD, mas falta mostrar o caminho. Esse caminho chama-se, a meu ver, "serviço público". E é dever da RTP2 desbravá-lo e guiar-nos na viagem".
Face a esta resposta, o senhor
Wemans riposta rapidamente com um "
Epa, mas tu pensas que se retomássemos uma programação intensiva de cinema as pessoas iam ver? Elas têm imensas alternativas hoje em dia, com os canais temáticos de cinema do Cabo. Nós não conseguiremos fazer frente a tal
concorrência". "
Concorrência?", isto sou eu, "Mas já passou os olhos por esses canais? São listagens
caóticos e aleatórias de filmes
acabadinhos de sair das salas, muitos deles, de qualidade duvidosa e que interessam pouco a este "público alvo", termo que seguramente aprecia e que aplico aqui para cair nas suas boas graças...Claro que, aqui e ali, passam filmes raros ou interessantes, mas aparecem
descontextualizados, sem o enquadramento que, por exemplo, a Inês de Medeiros e os seus convidados faziam em "Filme da Minha Vida" ou das
extraoardinárias apresentações de
Bénard da Costa".
"Luís", diz
Wemans - mas ele sabe quem eu sou, eu, um mero mortal? -, "O que diz faz algum sentido, mas é totalmente irrealista, sobretudo, nesta conjuntura
internacional de crise. Tudo isso sai caríssimo". "Sai?",
returco eu, "Mas não está a sair muito mais caro um
talk show em directo todas as noites? Ou um magazine cultural que padece do paradoxo do
Ornitorrinco (é um programa de entrevistas? É um magazine cultural? É temático? É generalista?)? Ouvi dizer que bom dinheiro tem sido investido nestes "conteúdos", outra palavra que decerto apreciará, o que é muito pouco visível no resultado final, inclusivamente em termos de "
share" - ui, outra. Também não se pode dizer que seja uma política financeiramente equilibrada investir em
documentários/filmes que depois não promove, ou promove mal, ou/e não divulga no seu canal".
"Luís", de novo
Wemans - mas que confianças são estas? Ele conhece-me de algum lado para me tratar pelo primeiro nome? -, "Tudo bem. Nós temo-nos desleixado um pouco, mas olha fica descansado que eu irei reflectir sobre esta conversa. Terei em conta as queixas que me transmitiste".
"Obrigado", respondo.
Afinal o
Wemans até é um gajo porreiro.