segunda-feira, 12 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
Programação de cinema na RTP2 (VI)

A cada sábado que passa, fica evidente a falta de uma política sólida de programação em matéria de cinema no segundo canal. Por este exemplo, demonstra-se que umas vezes os filmes como que respondem a assuntos da "actualidade"; outras vezes, aparecem totalmente desligados desta. O problema é que não há ninguém nem nada que os articule ou desarticule com a agenda mediática.
Se se quiserem juntar ao grupo, basta enviarem um mail com nome, idade, mail e mais o que quiserem para peticaortp2@hotmail.com. O nosso objectivo é criarmos uma espécie de mailing list para lançar a petição num futuro próximo.
Uma América (ainda) a sonhar com as suas fantasias de criança: a infância de Joey podia ser a de Bronco
(Já agora, a magnum opus de Eastwood é esta -- só talvez "As Pontes de Madison County" lhe faça frente em termos de alma e coração, a matéria-prima de que é feito o melhor Eastwood.)
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Programação de cinema na RTP2 (V)
Gravo filmes desde "A Casa Encantada". Devia ter 13 anos quando gravei a obra-prima de Hitchcock (e Dali?) e, depois de o ver três ou quatro vezes, comecei a gravar incessantemente até hoje. O fim do "5 Noites, 5 Filmes" marcou o princípio da minha insatisfação face à forma como a RTP2 estava a ser gerida - e, assim, uma história de amor transformou-se numa história de ódio e vingança... contra aqueles que tiraram do ar aquele que era para mim o espaço mais significativo da televisão portuguesa. Mas não sou partidário do neo-nazismo forçado de um Bickle ou do justicialismo bronsoniano ou dirty harriano (apesar de todos eles serem cool como o caraças). Por isso, a minha via terá de ser a mais democrática que encontro: uma petição pública.
Até agoro, conto com Miguel Domingues do blogue In a Lonely Place e Carlos Natálio do blogue ordet como parceiros peticionários. Se se quiserem juntar, ponham um comentário num destes posts ou enviem mail. Entretanto, peço a todos que respondam à pergunta que coloco já aqui na coluna à direita: "Como classifica a actual programação de cinema na RTP2?".
Programação de cinema na RTP2 (IV): um tête-à-tête com Wemans
Diz-me o senhor Wemans: "Mas, ó caro Luís, você que tem a mania que é bom, devia perceber que as razões para a redução do número de filmes na grelha da RTP2 se deve ao facto da maioria do público cinéfilo hoje em dia - sobretudo, jovem - consumir filmes pela Internet, à la carte". Ao que eu respondo: "Certo, isso é uma realidade, mas o caríssimo senhor Wemans também sabe que os meninos e meninas só vão descobrir coisas como Kitano, Tati, Godard, os checos, os tailandeses, os romenos, os filipinos e, levando ao limite o exotismo, os portugueses se alguém lhes der a ver esse cinema. Senão, como explica o sucesso consolidado que é a Cinemateca e o clamor instalado para que se abram filiais da mesma em vários pontos do país? Há fome de cinema, o cinema está acessível na Internet e em DVD, mas falta mostrar o caminho. Esse caminho chama-se, a meu ver, "serviço público". E é dever da RTP2 desbravá-lo e guiar-nos na viagem".
Face a esta resposta, o senhor Wemans riposta rapidamente com um "Epa, mas tu pensas que se retomássemos uma programação intensiva de cinema as pessoas iam ver? Elas têm imensas alternativas hoje em dia, com os canais temáticos de cinema do Cabo. Nós não conseguiremos fazer frente a tal concorrência". "Concorrência?", isto sou eu, "Mas já passou os olhos por esses canais? São listagens caóticos e aleatórias de filmes acabadinhos de sair das salas, muitos deles, de qualidade duvidosa e que interessam pouco a este "público alvo", termo que seguramente aprecia e que aplico aqui para cair nas suas boas graças...Claro que, aqui e ali, passam filmes raros ou interessantes, mas aparecem descontextualizados, sem o enquadramento que, por exemplo, a Inês de Medeiros e os seus convidados faziam em "Filme da Minha Vida" ou das extraoardinárias apresentações de Bénard da Costa".
"Luís", diz Wemans - mas ele sabe quem eu sou, eu, um mero mortal? -, "O que diz faz algum sentido, mas é totalmente irrealista, sobretudo, nesta conjuntura internacional de crise. Tudo isso sai caríssimo". "Sai?", returco eu, "Mas não está a sair muito mais caro um talk show em directo todas as noites? Ou um magazine cultural que padece do paradoxo do Ornitorrinco (é um programa de entrevistas? É um magazine cultural? É temático? É generalista?)? Ouvi dizer que bom dinheiro tem sido investido nestes "conteúdos", outra palavra que decerto apreciará, o que é muito pouco visível no resultado final, inclusivamente em termos de "share" - ui, outra. Também não se pode dizer que seja uma política financeiramente equilibrada investir em documentários/filmes que depois não promove, ou promove mal, ou/e não divulga no seu canal".
"Luís", de novo Wemans - mas que confianças são estas? Ele conhece-me de algum lado para me tratar pelo primeiro nome? -, "Tudo bem. Nós temo-nos desleixado um pouco, mas olha fica descansado que eu irei reflectir sobre esta conversa. Terei em conta as queixas que me transmitiste".
"Obrigado", respondo.
Afinal o Wemans até é um gajo porreiro.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Programação de cinema na RTP2 (III)

L. Mankiewicz
Eisenstein
Ford
Truffaut
Tarkovsky
TatiAgora, se preferem ver, ao invés, a fronha do Nilton ou do Alvim, isso já é problema vosso...
Até ver, parceiros peticionários: Miguel Domingues do blogue In a Lonely Place e Carlos Natálio do blogue ordet. Juntai-vos e multiplicai-nos! (Como? É deixar comentário ou enviar mail.)
Programação de cinema na RTP2 (II)
Pior que não haver claramente uma programação de cinema no canal público estatal, supostamente, dedicado à cultura, é o facto de o pouco cinema que existe ser enxotado para as noites de sábado em dose dupla tantas vezes desconexa (porquê passar "Transe" e "Entre os Dedos" juntos? Porque são... portugueses?! Porquê repetir continuamente os mesmos filmes que ou já passaram no próprio canal ou passaram há pouco tempo na vizinha RTP1, que, já agora, consegue ter mais cinema que a RTP2 -- e, meus amigos, que cinema!).
A pobreza desta (não-)programação torna ainda mais embaraçoso este buraco programático: face às escolhas feitas, percebe-se que não há interesse, motivação e/ou conhecimentos dentro da RTP2 (já não há, digo!) para se introduzir nesta área alguma lógica formativa ou, não há que ter medo das palavras, uma certa política educativa empenhada no alargamento dos horizontes culturais dos portugueses. Que saudades das lições de cinema que Bénard da Costa dava antes de um Hitchcock. Foram as suas palavras transmitidas pela RTP2 que me fizeram ver e rever várias vezes "A Casa Encantada", o primeiro filme que gravei na minha vida. Bem-ditos VHS que ainda me permitem voltar atrás no tempo para relembrar como a televisão já celebrou o grande Cinema.
Entretanto, o Miguel Domingues do blogue In a Lonely Place já se juntou a nós na iniciativa de se lançar uma petição pública a reivindicar uma programação de cinema de qualidade na RTP2. Pedimos a quem concorde com ela que se junte a nós - para tal, é só preciso deixar uma mensagem nestes posts ou enviar-me um mail. Vamos a isso?
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Programação de cinema na RTP2 (I)
"Ohayô"/"Good Morning" (1959) de Yasujiro Ozu Não há. Não há e todos temos saudades dos tempos de "5 Noites, 5 Filmes" e "Filme da Minha Vida". Não havia uma cinemateca em cada esquina, mas havia cinema de grande qualidade programado por quem conhece. Foi um período de formação para mim que terminou desde que entrou para aquela estação o senhor Jorge Wemans ou sensivelmente desde que decidiram acabar com o "Acontece". Se ninguém fizer nada e deixar que os serões de um canal com o passado da RTP2 (cada vez mais passado, diga-se) seja ocupado por um bando de ineptos a brincar aos talk shows então serei eu o primeiro a iniciar uma petição. Who's with me?
terça-feira, 6 de julho de 2010
Hoje, na RTP1... (I)
Viva o serviço público.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
O filme do ano (IV)
Carpenter, o compositor. Pois é, um verdadeiro auteur dá nisto: até na música deixa a sua assinatura. No caso do universo Carpenter, esta é um corpo próprio que se mexe seguindo as coordenadas não tanto da acção mas da forma como cada imagem é articulada com o todo (montagem): se a repetição é um elemento nuclear no cinema de Carpenter, então para o provar basta ouvirmos as bandas sonoras que marcam a sua filmografia: por norma, persistentes, circulares, bloqueadas num refrão estridente, mecânicas, viciosas como, enfim, viciantes. Nelas, está contida a essência do que se mostra, tantas vezes excessivo na sugestão mas omisso ao olho. Deixo aqui um greatest hits, a salivar pela banda sonora que aí vem: naturalmente, a de "The Ward", de novo, com a chancela John Carpenter (isto não fiando muito nesta fonte). Como exercício alternativo, sugiro que ouçam "Machine Gun" do último álbum dos Portishead e pensem no realizador de "Halloween".












