quarta-feira, 21 de julho de 2010

A mais tresloucada perseguição



a. Extracto de "Cops" (1922) de Eddie Cline & Buster Keaton

b. Extracto de "Girl Shy" (1924) de Fred C. Newmeyer & Sam Taylor (ver daqui até aqui)

c. Extracto de "Toy Story" (1995) de John Lasseter

Qual a sua escolha?

(Outros momentos aqui - vote!)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Lições de mise en scène (profundidade de campo)

"Best Years of Our Lives" (1946) de William Wyler

"Fantastic Mr. Fox" (2009) de Wes Anderson

Safdie vs. Cassavetes (VI): sobremesas


Irmãos Safdie estão para


como Cassavetes está para



(Obrigado à Sara Campino por me ter transmitido os seus vastos conhecimentos em matéria de sobremesas alcoolizadas.)

Safdie vs. Cassavetes (V): livros


Irmãos Safdie estão para


como Cassavetes está para

Go Get Some Rosemary (2010) de Ben & Josh Safdie


Lembrei-me da Nova Iorque de Woody Allen e dos ciclones domésticos que minavam o seu cinema, logo à cabeça, o da lagosta insubordinada de "Annie Hall". Lembrei-me de Baumbach e interroguei-me como seria o realizador de "The Squid and the Whale" se filmasse como o realizador de "Husbands". Lembrei-me da vibração das ruas de Cassavetes, do grão das suas imagens, da agitação da sua câmara ante os actores - ou será antes a agitação dos actores ante a câmara? Lembrei-me do burlesco de Seymour Cassel em "Minnie and Moskowitz", mas antes lembrei-me, em versão sadia, do Cassavetes-pai de "Love Streams" - bem a propósito este título - a oferecer uma bebida ao seu filho pequeno e a deixá-lo trancado no quarto de hotel enquanto este ia para a borga. Lembrei-me do encontro de intelectuais beat de "Pull My Daisy" e do filho de Robert Frank, que estava para ali perdido entre poetas, músicos e um padre; a flutuar mais ou menos despercebido ao sabor das correntes e contra-correntes provocadas pelas palavras off de Kerouac. Lembrei-me daquele plano, também cheio do grão característico do Novo Cinema Americano - que documenta com a mesma facilidade com que ironiza -, da bandeira americana a dançar ao vento e a acabar por tapar por completo o rosto do padre orador. Lembrei-me de The Kinks, Simon and Garfunkel, Magnetic Fiels, Belle & Sebastien, Kings of Convenience, Sufjan Stevens... mas deles não ouvi uma nota. Lembrei-me de como o senhor Hulot respirava vida por todos os poros e como isso contagiava tudo o que tocava, incluindo os seus pobres sobrinhos, cativos de uma vida doméstica cinzenta, sem amor. Lembrei-me das crianças endiabradas de Morris Engel e Ruth Orkin, e das partidas infantis que os seus adultos pregavam uns aos outros. Lembrei-me de como é duro crescer ou de quão não-magnífica - já diz a música dos The National... - é a vida mal deixamos de ser crianças. Lembrei-me de tudo isto e lembrei-me da minha infância. O bastante para considerar os irmãos Safdie, depois do genial "The Pleasure of Being Robbed", a coisa mais interessante que anda por aí.

Safdie vs. Cassavetes (IV): comunicação


Irmãos Safdie estão para


como Cassavetes está para

Programação de cinema na RTP2 (XI): tempo de tirar a venda

"Olhos da Ásia" (1996) de João Mário Grilo

Vamos a factos.

1. A RTP2 passa dois filmes ao sábado quando, há coisa de 5 anos, estava a passar um filme todos os dias.

2. Nesse espaço, muitas vezes, verifica-se uma repetição das escolhas, dentro da própria rubrica ou em relação à RTP1.

3. Nem sempre é evidente a escolha desses dois filmes, faltando ao público-médio (é para ele, antes de mais, que se destina a TV pública) instrumentos para que seja levado a ver e/ou a saber descodificar o que vê - relembro as introduções de Bénard da Costa ou dos entrevistados de Inês de Medeiros em "Filme da Minha Vida".

4. Há, efectivamente, uma programação de cinema na RTP2? Há, se não entendermos programação como um macrotexto ou um "discurso" que atenda às necessidades e sensibilidades do público e que seja sólido, coerente e inteligível na sua formulação para a maioria.

5. A falta de oferta de cinema na RTP2 espelha a falta generalizada de cinema no resto dos canais, cabo ou não, pagos ou gratuitos. E curto é o leque de filmes que todos estes canais passam, tal como curta acaba por ser a própria oferta dos vídeo clubes, onde o predomínio de cinema norte-americano é desproporcionado em relação a outros interessantes cinemas do mundo (como o português). Face a isto, o segundo canal tem perdido uma boa oportunidade para se afirmar como uma "alternativa", dever a que está vinculado pelo disposto no Artigo 54.º da Lei da Televisão.

Concordam que se podia fazer mais neste domínio numa estação que, a bem ver, é financiada por todos nós? Se sim, como diz o outro, é tempo de mais acção e menos conversa - ou melhor, é tempo de transformar a conversa em acção! Para tal, sugeria começar por se juntar a nós via peticaortp2@hotmail.com.

(Sublinho que não está aqui em causa o concordar ou não com cada uma das opiniões que expressei. A ideia até é haver uma saudável troca de ideias entre os membros que se queiram juntar ao grupo-base, que só depois de formado com um número mínimo de pessoas - que cubram mais ou menos o espaço nacional - irá debater entre si as versões do texto da petição.)

Safdie vs. Cassavetes (III): copos

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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Safdie vs. Cassavetes (II): música

Irmãos Safdie estão para



como Cassavetes está para


Safdie vs. Cassavetes (I): lume

O discurso escrito, mas também a fotografia, o cinema, a reportagem, o desporto, os espectáculos, a publicidade, tudo isso é susceptível de servir de suporte à fala mítica. O mito não pode definir-se pelo seu objecto nem pela sua matéria, dado que toda e qualquer matéria pode arbitrariamente ser dotada de significação: a flecha que se entrega a fim de significar o desafio é também uma fala.

Roland Barthes, in "Mitologias"

Irmãos Safdie estão para


como Cassavetes está para

domingo, 18 de julho de 2010

Let's end this motherfucking shit/ O final apocalíptico par excellence


a. Extracto de "Videodrome" (1983) de David Cronenberg


b. Extracto de "Fight Club" (1999) de David Fincher


c. Extracto de "Escape From L.A." (1996) de John Carpenter


Qual a sua escolha?

sábado, 17 de julho de 2010

O beijo mais cinemático


a. Extracto de "Body Double" (1984) de Brian De Palma



b. Extracto de "Pickpocket" (1959) de Robert Bresson


c. Extracto de "Punch-Drunk Love" (2002) de Paul Thomas Anderson

Qual a sua escolha?

Still stolen stills

"Les quatre cents coups" (1959) de François Truffaut

"Blowup" (1966) de Michelangelo Antonioni

Programação de cinema na RTP2 (X)


Quem me conhece, sabe que há muito tempo que me indigno com a programação da RTP2, sobretudo, tendo em conta a quase total falta de originalidade da sua programação, o desleixo que revela na escolha e alinhamento dos seus programas e, muitas vezes, tendo por referência a declarada falta de qualidade dessa oferta. Foi em 2006 que mandei um mail ao Provedor do Telespectador a expor a minha insatisfação face à quase ausência de cinema na grelha programática da televisão pública, sobretudo, da RTP2. Esse mail deu origem a uma pequena entrevista que depois foi transmitida no programa "A Voz do Cidadão". A resposta institucional de Wemans foi um vácuo absoluto e Paquete de Oliveira remeteu-se a uma posição politicamente correcta (aquela que faz com que seja "anti-patriótico" olhar para o copo meio vazio em vez de meio cheio).

Por que surge agora a ideia de uma petição? Por duas razões.

A primeira prende-se com o global decréscimo de conteúdos de cinema na televisão portuguesa, incluindo a TV por Cabo, em benefício de um batalhão de séries com um número infindável de temporadas que se repetem sobre si mesmas em vários canais temáticos (os canais Fox e semelhantes). Encontramos cada vez menos espaços dedicados ao visionamento de filmes e nenhuns reservados à análise aprofundada dos mesmos.

A RTPMemória, que tinha cinema clássico durante toda a semana e algum cinema português, reduziu ao mínimo o número de filmes, limitando-se hoje a passar muito pontualmente obras já exibidas nesse canal, na RTP1 ou na RTP2. Na RTP1, filmes com Dolph Lundgren são destacados como "obras-primas da Sétima Arte", ocupando os melhores horários da grelha em detrimento do cinema não-americano, praticamente inexistente. Face a este vazio - recordo também que tanto canais como o AXN e o MOV reduziram drasticamente o número de filmes na sua grelha - exigia-se à RTP2 que oferecesse, mais do que nunca, uma alternativa.

A minha paciência atingiu um ponto de saturação quando constatei que o talk show "5 para a Meia-Noite" ia continuar, na sua milésima temporada, a preencher as noites da RTP2 - e agora, imaginem só, temos este degradante programa em dose dupla (com uma repetição) madrugada dentro!

A segunda razão prende-se com o facto de ter regressado recentemente a uma das minhas actividades favoritas: a gravação de filmes. Isto graças à box MEO que possuo há pouco tempo. Olho para as várias dezenas de filmes que gravei nas últimas semanas e vejo que a esmagadora maioria deles vieram dos canais Hollywood e TCM, sendo que na RTP2 como na RTP1 e RTPMemória gravei cerca de 5 filmes. Comparando com os tempos do "5 Noites, 5 Filmes" e "Filme da Minha Vida" esta situação parece-me inaceitável: quer dizer, multiplicam-se os canais, mas os conteúdos não se diversificaram, pelo contrário!

Exponho estas razões no seguimento dos vários posts que tenho publicado aqui, mas não só, em defesa de uma (melhor) programação de cinema na RTP2. Se se quiser juntar à causa, antes do lançamento da petição on-line, por favor, mande as suas informações pessoais para peticaortp2@hotmail.com. Estamos a construir uma mailing list com todos os contactos daquela que será a espinha dorsal desta iniciativa.


A dança mais cool na história do cinema (lamento Godard e Tarantino, lamento...)


a. Extracto de "Picnic" (1955) de Joshua Logan



b. Extracto de "Bande à part" (1964) de Jean-Luc Godard



c. Extracto de "Pulp Fiction" (1994) de Quentin Tarantino


Qual a sua escolha?

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