sábado, 7 de agosto de 2010

Nova trilha (XIII): O'Donnell e Springsteen

Cathy O'Donnell (e, atrás, Farley Granger) em "They Live by Night" (1949) de Nick Ray


Nova trilha (XII): Gardner e (The Velvet Underground &) Nico

Ava Gardner em "The Killers" (1946) de Robert Siodmak



(Definição de femme fatale no film noir: é ir ao dicionário? Não, é ver a chocantemente bela Ava Gardner em "The Killers".)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O céu na terra

James Benning, "13 Lakes" (2004)


(...) a água, cheia de luz e reflexos, torna-se um céu na terra, mas mais solene.

Henry David Thoreau, in Walden ou a vida nos bosques (1854), Antígona, p. 104

Nova trilha (XI): Rowlands e Joy Division

Gena Rowlands (e Peter Falk) em "A Woman Under the Influence" (1974) de John Cassavetes


[Ok. Duas coisas: a minha actriz favorita de sempre - para sempre... - e sou muita chato, mas... ainda a propósito das ausências (caramba!).]

Nova trilha (X): E.T. e Kaiser Chiefs

E.T. em "E.T." (1982) de Steven Spielberg



(Banda um pouco enjoativa, que me parece esgotada depois deste álbum, mas, enfim, o "E.T." tinha de aparecer aqui. É uma espécie de pedido de desculpas da minha parte ao senhor Spielberg, por ter andado a usar o seu nome levianamente, nomeadamente, aqui e aqui.)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nova trilha (IX): Gill e The National

Thea Gill em "Homecoming" (2005) de Joe Dante

Nova trilha (VIII): Hicks e Radiohead

Kristen Hicks em "Elephant" (2003) de Gus Van Sant



(Álbum anacrónico e quase primário dos Radiohead? Sem dúvida, mas tenho carinho por ele. Por quê? Porque é anacrónico e quase primário.)

Passagens em 3ª mão (I): "Os Subterrâneos"

O outro dia estava a ler "Os Subterrâneos" de Jack Kerouac, edição da Relógio D'Água que requisitei na Biblioteca Municipal. Como acontece em quase todos os livros que requisito, este vinha com sublinhados - alguns trazem pequenos apontamentos, muitas vezes, a lápis, mal apagados (tipo palimpsesto). Intriga-me a vida de cada um destes livros e o facto de cada um deles ter marcado nas suas páginas indícios do percurso percorrido - seja pelo desgaste provocado pelo uso, seja pelos tais sublinhados (a lápis e também, mais negligentemente, a caneta), seja pelas dobras em determinadas páginas, seja pela sua capa massacrada, etc.

Claro que é proíbido escrevinhar o que quer que seja, a lápis ou não, em livros da biblioteca (já agora: nunca o fiz), mas está visto que um impulso mais forte leva alguns leitores a destacar furtivamente o que lêem, uma frase, uma palavra, que por sua vez os terá marcado a ponto de estes a fazerem sobressair na mancha de texto original - e a não apagarem o sublinhado quando devolvem a obra. Em tempos de livros digitais e leituras on-line, é, quanto a mim, importante retornar à dimensão mais orgânica da leitura; aquela que faz do livro objecto de viagens várias partilhadas por pessoas que (provavelmente) nunca se cruzaram na vida ou, no limite, só se cruzaram através da leitura das palavras de um escritor.

Abro nova rubrica neste espaço (Passagens em 3ª mão, em possível diálogo com a rubrica Passagens - estas garantidamente em 2ª mão -) dedicada às frases, completas ou não, marcadas pelos leitores que me precedem em livros requisitados em bibliotecas públicas. Lanço o mesmo desafio a todos os que têm por hábito requisitar livros. E também não deixo de pedir aos autores destas frases "órfãs", ou seus respigadores, que as reivindiquem - uma vez que estas lhes pertencem, nem que seja, pelo menos, em segunda mão.

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o estúpido nervosismo neurótico da personalidade fálica (sublinhado a lápis)

Jack Kerouac, Os Subterrâneos (1958), pp. 29, Relógio D'Água, Requisitado na Biblioteca Municipal de Lisboa, Cota 82-31/KER

Frase dita na primeira pessoa pelo próprio Kerouac, num dos seus momentos de clarividência anti-máscula e, logo, auto-destrutiva. Acho curioso que o leitor deixe sublinhada esta frase, quase como um gesto de censura (ou de desespero/aviso) ao leitor masculino que aí venha (com a sua personalidade fálica tradicionalmente neurótica). Pressinto, mas não quero parecer "machista", que este leitor é uma leitora. Estarei correcto? (Algum dia saberei?)

A morte vive... fora/dentro (?) do ecrã

"Det Sjunde inseglet"/"O Sétimo Selo" (1957) de Ingmar Bergman

"Last Action Hero" (1993) de John McTiernan

(E repito-me... e repito-me...)

The 13th Warrior (1999) de John McTiernan


"The 13th Warrior" é um filme falhado, aliás, como praticamente todos os filmes de McTiernan dos últimos 10 anos. Mas nele há pormenores que me fazem recordar o seu característico pragmatismo no que toca a contar histórias mais ou menos heróicas de acção, passadas hoje ou no tempo dos Vikings (que vão voltar a estar na moda em breve - McTiernan parece estar sempre atrás das modas... -) ou no tempo do cinema (vide o magnífico "Last Action Hero", provavelmente a sua obra-prima).

Gostava de ver preservada a ambiguidade quanto à "natureza" do inimigo, na antecipação do que acabaria por fazer Shyamalan em "The Village", guardando até ao fim a resolução de um dos mistérios. Contudo, é interessante a forma como voltamos a experimentar a atmosfera de "Predator", mas, desta feita, em 922 a.C., ou como nos deparamos com alguns truques audiovisuais que conhecemos de outras obras do realizador: exemplo da forma como McTiernan traduz a língua dos vikings para inglês, desembarançando-se (descaradamente, apetece dizer) do problema de comunicação que aflige o protagonista Antonio Banderas (o árabe) - e o próprio espectador...

Num close-up brutal sobre os lábios do orador a câmara como que lança o feitiço e torna compreensível o incompreensível. McTiernan faz o mesmo, e muito mais elegantemente, em "The Hunt for Red October", em que os oficiais do submarino começam por falar russo, mas quando a câmara se aproxima dos lábios de um deles o russo transforma-se (miraculosamente!) em inglês. Ágil, pragmático - sobre isto, recomendo esta leitura - e, enfim, bela imagem metafórica sobre "o grande poder do cinema": tornar verosímil o absolutamente inverosímil.

(Tudo isto fez-me lembrar uma citação num livro de Edgar Morin, que reflectia lapidarmente o espanto de muita gente no dealbar do cinema: como podemos nós acreditar que num cenário como uma mina seja audível uma orquestra inteira a tocar dramaticamente, se ela não está nem pode estar lá fisicamente?)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Luz, sombra e sombra

"Nosferatu, eine Symphonie des Grauens" (1922) de Friedrich W. Murnau

"Ne change rien" (2009) de Pedro Costa

Programação de cinema na RTP2 (XIV): o respeitinho é muito lindo

Neste país de treinadores de bancada, dos bitaites, do "politicamente correcto", do "a minha vida não é isto", dos boys e do bota abaixo (...)

Ainda a propósito disto, fora as coisinhas - muito poucas - menos actuais, ouçamos bem todos juntos de mãos dadas:



O resto aqui.

(Não, não é para rir.)

5 para a Meia-Noite: solilóquios de perfeitos anormais


É fixe ser-se estúpido, fazer-se piadas próprias de um miúdo de cinco anos e a seguir rir desengonçadamente. Parecer idiota é uma moda que está para ficar, o que é visível em muito do humorismo que se pratica todas as noites na RTP2.

Fernando Alvim, homem adulto com mentalidade de adolescente "American Pie", é o rei deste género de comediante narcísico imbecil e imbecilizante - do género de "comer gelados com a testa". Os programas do "5 para a Meia-Noite" que vi revelam um "talk show" com pouca "talk", isto é, muito mais centrado nas reflexões/piadas inanes e onanistas do apresentador do que no convidado. Várias vezes o único que se ri e se está, de facto, a divertir é aquele.

Pena que a estação pública, supostamente dedicada à promoção e divulgação da cultura, lhe dedique tempo de antena. Uma vez por dia? Qual quê! Duas vezes: primeiro em directo e depois em repetido. Muito rasca.

It is not random in itself

Ben & Josh Safdie, "Go Get Some Rosemary"* (2010)

Shadows rejects an overall framing of character or event, explaining Cassavetes' lack of popularity with critics who formulate interpretation and categories. (...) Shadows shows that identity and events are 'found' rather than predetermined and laid out in a neat pattern that we can interpret. (...) Shadows presents a portrayal of life as random, it is not random in itself.

Jack Sargeant, Naked Lens (1997), A Soft Skull ScreenPrint Book, p. 64

[Permitam-me que vos relembre da sequência em que Lenny vai passar uma noite a casa da namorada e esta aparece a falar de uma amiga à qual esta pediu desculpas, passando uma música. Desta amiga ficámos sem saber mais nada, como quem apanha uma conversa na rua a meio. Depois, ficamos a saber que o vizinho grita muito - e isso preocupa Lenny. Aquele surge numa sequência que fica como uma das várias pontas deixadas (propositadamente) soltas de "Go Get Some Rosemary".]

Nova trilha (VII): Ponyo e The Velvet Underground

Ponyo (à esquerda) em "Gake no ue no Ponyo" (2008) de Hayao Miyazaki



(Dedico esta à Ana Maria.)

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