domingo, 15 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
"O" diálogo ao espelho (de si para si)
a. Extracto de "Raging Bull" (1980) de Martin Scorsese
b. Extracto de "25th Hour" (2002) de Spike Lee
c. Extracto de "Pulp Fiction" (1994) de Quentin Tarantino (ver clip clicando na imagem)Qual a sua escolha?
(Outros momentos aqui - vote!)
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Programação de cinema na RTP2 (XIV): a batateira pública

(...) deixo outro desafio: olhando para a sessão dupla desta semana, "Tess" de Polanski (que passou há pouco tempo no mesmo canal) e "Deus Sabe Quanto Amei" de Vincente Minnelli, queria saber junto de tão sapientes votantes e leitores qual a lógica (fora a da batata) deste double bill.
O desafio era, de facto, complicado. Mas no próximo sábado as coisas não melhoram: pela milésima vez, "Amarcord" e, antes, o recente "Almoço de 15 de Agosto". Um encontro (diria "forçado") entre dois filmes, simplesmente/simplisticamente motivado pelo facto de ambos serem... italianos?
Filmes que (não) vou ver em sala (I): introdução e Independencia
Entrar no King e ver cartazes de "Embargo" (novo filme de António Ferreira, que aguardo com grande expectativa) ao lado não de um, mas três cartazes de "Saraband" - inexplicavelmente, aparece este filme de Bergman ao pé das grandes ante-estreias que se avizinham - dá-nos a sensação de estarmos a entrar num cinema abandonado, por quem o gere e pelos espectadores. Mas vão repor a última obra-prima do mestre sueco? Ou é como os cartazes que podemos ver no corredor no andar de baixo, onde, ao fundo, está um desbotadíssimo cartaz de "O Caimão"? Não encontro imagem mais triste da decadência - abandono mesmo - a que chegou um cinema tão importante como o King, mas acima de tudo também é a imagem de um país cada vez mais consumido pelos multiplexes e o cinema pipoqueiro norte-americano.
A ATALANTA distribui nem um quarto do que distribuía quando eu ia regularmente ao King e os poucos filmes que distribui são (por norma) opções certinhas, sem o mínimo de arrojo - já agora, nesta vez, vi o péssimo "O Segredo dos Seus Olhos", um filme descabeladamente televiseiro (muito pouco) argentino que deve ter ganho o Óscar porque, de facto, a Academia americana está, neste momento, entregue a labregos que só entendem o cinema dentro da mais primária linguagem televisiva. De qualquer modo, o estado da distribuição em Portugal é calamitoso.
À decadência total da ATALANTA acresce a total falta de arrojo das demais distribuidoras: como é possível que "Fantastic Mr. Fox", um (brilhante, refrescante, genial) filme de animação com vozes de Clooney e Streep, tenha sido lançado directamente em DVD? Como é possível que não haja sinais de "Frozen River" no mercado português? Como é possível que os filipinos, tantos iranianos, romenos (menos, mas podia haver mais), tailandeses, taiwaneses, chineses, sul-coreanos, japoneses... estejam quase totalmente arredados das nossas salas? Sabem quanto tempo demorou "Whisky" a chegar às nossas salas?...
...Não, mais: 6 anos! Ok, vão-me dizer que não há público para este "tipo" de cinema. Ah não há? Já olharam bem para o caso de sucesso que é, neste momento, a Midas, tanto no campo da distribuição, como na edição de DVDs e ainda na produção de cinema? E já algum dos senhores da Lusomundo e companhia se interrogou por que carga de água tem-se assistido a um crescimento impressionante de tantos festivais de cinema que passam "coisas estranhas", como o Indie e o DocLisboa?
Da minha experiência nas salas comerciais, posso ainda dizer que há pouquíssimo tempo vi mais gente na sessão de "Shirin" que na de "Inception", o que é, quanto a mim, muito significativo. Enfim, fica o desabafo em jeito de intróito a nova rubrica: (trailers apetitosos de) filmes que (não) vou ver em sala.
Trailer de "Independencia" de Raya Martin (em exibição em França), extraído daqui.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Talk shows desportivos (I): o "Dia Seguinte" ou a selvajaria intelectual

Uma coisa é certa: a bola é redonda e no início há onze contra onze. Tudo pode acontecer, o futebol é assim mesmo.
Agora que o campeonato nacional de futebol já começou, voltam com ele os inenarráveis talk shows desportivos com os habituais comentadores (parciais e assumidamente facciosos) a representar cada um dos três grandes. O programa "O Dia Seguinte" é, de longe, o mais degradante produto televisivo dentro deste formato de abominável celebração fanática e fascizante do "desporto-rei" - por sinal, um rei absolutista... Há séculos que este programa mantém um formato quase inalterado e o mesmo painel - só há um ou dois anos o comentador do Benfica, Fernando Seara, mudou-se para a concorrente TVI 24.
Se há modelo, de facto, fascista de televisão é este: três adultos, "vendidos" como homens sérios - veja-se como gostam de puxar dos seus galões de juristas - defendem com argumentos de bradar os céus cada um dos seus clubes - como se fosse uma questão de vida ou de morte. As insinuações mais gravosas são feitas de forma genérica ("o sistema...", "eles") e intelectualmente infantil (cada comentador faz, por programa, a sua birra) sem que haja, da parte do "jornalista" moderador, qualquer tipo de pedido de esclarecimentos ou tentativa de elevar o debate dentro dos possíveis - no caso, muito, mas muito pelo contrário.
O contraditório é falsificado, porque todos eles dizem, todas as semanas, as mesmas coisas, repetem ad nauseam os mesmos disparates, lançam as mesmas insinuações criminosas (principal alvo: os árbitros, claro...) e entram nas mesmas discussões vazias em torno do "se não ganhamos, empatamos ou perdemos" e outras tiradas absolutamente néscias que tão ilustres juristas/políticos (por acaso, sobretudo, de direita) vomitam todas as segundas com a soberba de quem se julga muito inteligente e mordaz -- e, o que sinceramente me deixa de queixo caído, corajoso! Mordaz e corajoso, no mundo do futebol, é pensar-se pela própria cabeça e fazer-se comentário a milhas da "clubite aguda", que só instiga o ódio e o pensamento selvagem (o anti-benfiquismo, o anti-sportinguismo, o anti-portismo...).
Ouvir um destes senhores a chamar "corrupto", imputar actos de corrupção a dirigentes e árbitros é o pão nosso de cada dia. Mas pior são os raciocínios circulares em torno dos lances de arbitragem polémica: todos defendem a respectiva cor perante a "EVIDÊNCIA" das imagens, mas todos convergem numa coisa (esta é a birra que os une): os árbitros são parciais, não se sabe bem por quê, nem se sabe se DE FACTO são, mas são, porque erram "de propósito". Bem, então, se é assim tão EVIDENTE, porque é que tão ilustres senhores (e são juristas, minha Nossa Senhora do Caravaggio!) têm tantas dúvidas ou divergem tanto nos juízos que fazem a cada lance, mesmo através de mil repetições, em mil posições de câmara diferentes e em slow motion? Haja paciência! Parem com insultos à inteligência do espectador!
Pena que este modelo "arena" tenha contaminado o debate político, na Assembleia e/ou na Televisão. Cada vez há mais programas de debate político com representantes das forças políticas com acento parlamentar. A TV pública defende-se com o dever de pluralidade, mas que pluralidade há numa conversa onde ninguém está disposto a ouvir, onde todos têm o dever - e ai de... - de seguir a sua agenda partidária? Onde estão os valores da independência e da mínima decência moral e intelectual, senhores da televisão?
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
Inception (2010) de Christopher Nolan
Não vou perder muito tempo com grandes reflexões em torno de "Inception" - pelo menos, por agora. Antes de mais, escrevo motivado pela forma como, a meu ver, este filme de Nolan tem sido injustamente banalizado por alguma crítica nacional, que por estes dias tem respondido reactiva e preguiçosamente com nota contrária à recepção histérica de muita crítica norte-americana. Normalmente, como aconteceu com "The Dark Knight", as unanimidades no outro lado do Atlântico são mau presságio, mas a regra tem de ter as suas excepções - e a crítica, em geral, deverá estar aberta a abraçá-las.
Veja-se como "The Matrix" foi, no seu tempo, reduzido a "filme da moda" irrelevante por todos aqueles que queriam pertencer ao clube das cine-filiações exóticas e bem parecidas. Veja-se como quem criticou mais "Avatar" foi, precisamente, quem mais linhas gastou a reduzi-lo ao seu gimmick tecnológico, fazendo desta publicidade negativa - mas, caramba, má publicidade é boa publicidade - arma de arremesso contra todos aqueles que queriam olhar "para lá" da cortina tridimensional - e reflectir sobre o conteúdo, irónico e pessimista, logo, genuinamente Cameroniano, deste filme, que, está visto, até fez o favor de aniquilar as três dimensões.
Auto-conexão colectiva
"Inception" (2010)
"Avatar" (2009), etc.
"The Matrix" (1999)
Menciono estes filmes porque "Inception" engole-os tematicamente com a sofisticação formal que reconhecemos no melhor Nolan, que, de forma extremamente hábil, faz com esta sua última obra uma espécie de correcção de rumo depois de andar perdido por Gotham City.
Ok, falámos muito de outros filmes que não "Inception". Falemos então deste filme. Nolan, agora com os bolsos cheios de dinheiro, pôde voltar a estas temáticas, isto é, pôde voltar ao seu "universo", numa espécie de reafirmação autoral no coração da grande indústria, a mesma que se mostrou algo insensível quando lhe endereçou o convite para filmar o intragável "Batman Begins". Enfim, Nolan voltou a si mesmo e com vontade de fazer sínteses, ligando, armado com as mais talentosas estrelas americanas (adoro Page, Gordon-Levitt e acho Di Caprio um actor admirável - já para não falar dos Senhores Watanabe e Caine -) e os melhores efeitos especiais do mercado, o exercício formal de "Memento" ao assombramento interior, concreto, de "Insomnia".
"Inception" (2010)
"INLAND EMPIRE" (2006)
"Blue Velvet" (1986)
Nolan cola as peças do seu puzzle, que parecia esquecido - falo da sua obra, claro -, e eleva um dos edifícios narrativos e visuais mais arriscados que Hollywood construiu nos últimos anos. Eis uma elaboradíssima Arquitectura narrativa em torno de conceitos como os sonhos, as realidades paralelas, a memória e, finalmente, o próprio cinema - que é isso tudo ou quase.
Nolan faz, de facto, um "blockbuster de autor", mas a crítica não vê isso - porque, se calhar, já tinha o lápis, como a língua, bem afiado antes do visionamento. Arrisco-me a dizer que, "corrompido" por tantos dólares, Nolan vai mais longe que Lynch em "INLAND EMPIRE" na tradução espacio-temporal dos sonhos ou no questionamento (filosófico, não há que ter medo da palavra) das nossas realidades subjectiva e intersubjectiva.
Se Lynch se fica pela experiência sensorial, quase puramente plástica ou sugestiva - o mais freudiano "Alice no País das Maravilhas", qual Burton qual quê! -, Nolan torna-se "acessível" a uma intriga com pessoas lá dentro, concebendo uma obra em camadas que se vão amontoando na presença do espectador - em "INLAND EMPIRE", a certa altura, Lynch começa a brincar sozinho no quarto escuro com a sua casa de bonecas assombrada, enquanto nós, espectadores-voyeurs, assistimos a tudo isto perdidos, aprisionados, violados... entre-muros. É natural: somos expulsos de um território que deixou de ser nosso. Em "Inception" - porra, é um filme comercial -, estamos sempre em casa.
"Inception" (2010)
"eXistenZ" (1999)
Ao mesmo tempo, "Inception" é um exercício quase matemático, uma equação complexa que Nolan nos dará a desvendar muito depois das luzes da sala de cinema voltarem a acender - o mais lúdico T.P.C. É, também, um filme, ou melhor, é cinema. Digo: uma obra que, não se perdendo num excessivo auto-deslumbramento tecno-lógico ou ilógico, não cedendo à tentação de instrumentalizar a história de amor como um Deus ex machina esotérico, tão pífio quanto incongruente - o que acontece com o final desastrado de "The Matrix" -, vai surpreendentemente longe na concretização espacial da sua narrativa totalmente abstracta (ou mental). É que "Inception" tem cinema lá dentro, como nenhum filme de Nolan. É um "eXistenZ" sem o excesso viscoso, por vezes, auto-indulgente, de Cronenberg.
Arquitectura dos sonhos/a narrativa "matrioshka"
"Inception" (2010)
"Synecdoche, New York" (2008)
"Inception" é também um filme que Charlie Kaufman não escreveu, mas que podia tê-lo feito dentro da estrutura (i)lógica em estilo "matrioshka" de "Being John Malkovich" ou mais ainda de "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" ou do subvalorizado "Synecdoche, New York". Nas cenas do hotel ou entre divisões, lembra "The Matrix", mas, mais que tudo, a mise en scène de David Lynch, com semelhante cuidado na iluminação, na escolha de adereços e no posicionamento dos "corpos" no espaço.
"Inception" (2010)
"Shutter Island" (2010)
Enfim, face a tudo isto, pergunto, especialmente aos detractores, o seguinte: se a indústria é uma inevitabilidade, não será melhor que o dinheiro seja canalizado para filmes com ideias, que nos põem a pensar (nos seus Conceitos/Imagens), ao invés de ser usado para financiar filmes de acção vazios, com ruidosos efeitos especiais e uma história previsível e, tantas vezes, repetitiva, a servir de pretexto a autênticas "demonstrações de software"; mais Emmerichs e menos Nolans? Como fundamentam o ataque a "Inception" em face do que é, hoje, o mainstream norte-americano? Enfim, ficam as perguntas. Quanto a mim, foi o blockbuster mais divertido e inteligente que vi em muito muito tempo: acima de "V for Vendetta" e, inclusivamente, acima de "The Matrix".
sábado, 7 de agosto de 2010
Nova trilha (XII): Gardner e (The Velvet Underground &) Nico
(Definição de femme fatale no film noir: é ir ao dicionário? Não, é ver a chocantemente bela Ava Gardner em "The Killers".)
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Nova trilha (XI): Rowlands e Joy Division
[Ok. Duas coisas: a minha actriz favorita de sempre - para sempre... - e sou muita chato, mas... ainda a propósito das ausências (caramba!).]









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