quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

The Thing From Another World (1951) de Christian Nyby


O "The Thing" de Nyby, produzido por Hawks, é diferente do "The Thing" de Carpenter nalguns aspectos curiosos. Neste sci-fi de terror o "alien", espécie de vegetal sobredesenvolvido que vem perturbar os trabalhos de um grupo de exploradores norte-americanos, é usado como permanente "antecipação" do perigo. Isto é, o medo é gerado, sobretudo, na ausência da sua imagem. No fabuloso remake de Carpenter, o "alien" é frontalmente encarado pela câmara e só se torna verdadeiramente perigoso quando se instala no organismo dos protagonistas, virando-os uns contra os outros - situação clássica em Carpenter, como nalguns Hawks (exemplo de "Red River"). A imagem do inimigo vai-se confundindo progressivamente com a imagem do homem, mesmo do melhor dos homens.

Este jogo perverso está invertido no original: o "bicho" vai-se distinguindo cada vez mais da "forma" e, acima de tudo, do "conteúdo" humanos. Claro que a curiosidade e tensão que desperta vão lançar alguma discórdia entre os membros da comunidade humana, mas aqui o "bicho" é só um assunto, isto é, não se substitui materialmente aos protagonistas; não faz com que o próprio espectador se perca na acção, sem referências de "bem e mal". A perversidade de Carpenter é, obviamente, mais moderna, mas não nos iludamos: o clássico de Nyby-Hawks mantém uma frescura notável, tendo suscitado em mim outra ordem de evocações. Pensei mais em Shyamalan, e no seu "Signs", quando vi o "bicho", pela primeira vez, de corpo inteiro, já havia passado mais de meia hora de filme.

Apenas o vemos de relance, numa porta que se abre (as portas que se abrem... muito carpenterianas...), isto é, a primeira imagem do "bicho" é um flash de horror, como que mediado pela fronteira da porta, como o extraterrestre no filme de Shyamalan é-nos dado a ver, pela primeira vez, de corpo inteiro, num breaking news televisivo. Partilhamos, na qualidade de espectadores da televisão e da porta que se abre, duas janelas "virtuais" abertas pelo cinema - sobremediação... quem a controla? -, digo, somos levados a partilhar a exclamação muda de horror que abala o espírito das personagens. E o espírito é colectivo, e poderá ser medium, numa obra de terror desta natureza.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cavaco intervalou para se descavacar (II)

Finalmente Cavaco dispensa descodificação. Responde directa e objectivamente às acusações dos seus adversários a Belém, com uma particularidade: fá-lo com incisão e claramente. Dá nome aos bois (aos boys?): de facto, Alegre tem revelado uma estratégia "desesperada" (a palavra é de Cavaco) baseada numa atitude reactiva, quase primária, a cada intervenção ou não-intervenção de Cavaco Silva.

Se Cavaco critica os Açores por reivindicarem um "regime de excepção" no caso dos cortes salariais, vem Alegre defender (corporativamente, olhó "senhor da independência de espírito"!) o seu camarada de partido, Carlos César. (E terá ficado embaraçado quando viu que estava sozinho nesta contenda...) Já antes Alegre tinha adoptado a mesma estratégia. Cavaco devia chamar os partidos, para gerar consensos?

Pois, quando Cavaco os convoca, aparece Alegre, projectando as cordas vocais, em tom declamatório, a criticar que foi tarde demais, que ele tinha sido mais rápido. Alegre desafiou Cavaco a quebrar "o tabu" da recandidatura - acabem com isto, sempre que há Cavaco, lá vem a oposição de esquerda com a história do tabu...

Pois bem, o tabu foi quebrado, mas até lá Alegre não perdeu uma chance para acusar o Presidente da República de já estar em campanha eleitoral, e de se servir do seu lugar para granjear mais apoios. Cavaco tem razão quando fala em desespero da parte de Alegre. Neste ponto, vá lá, o senhor Silva falou português e deixou o cavaquês em casa(, a cuidar dos netinhos.)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

No cavaquistão falai cavaquês (I)

José Pacheco Pereira está para Manuela Ferreira Leite como eu espero vir a estar para Cavaco Silva no que falta até ao grande dia, em que este deverá ver renovado o mandato enquanto Presidente da República.

O que proponho - na sequência do que faço há muito entre amigos - é descodificar as suas sábias palavras aparentemente auto-evidentes ou la palicianas, mas, na verdade, seus ignorantes!, cheias de sentidos duplos e milhares de intenções contraditórias e complementares - é isso que certos politólogos, bichos estranhos..., e yes men do PSD e arredores nos querem fazer crer.... aahhhh, eis a seiva que nos alimenta os dias: a libido decorticandi do subtexto cavaquista.

Pego num título de uma notícia para lhe descortinar, nesta semiótica arriscada do cavaquês, a substância ou, como se diz na terra da minha mãe, a sustância.

Cavaco espera que promessas feitas às vítimas do mau tempo sejam cumpridas.

Descavacando... sugiro fazer o contrario sensu: Cavaco espera que promessas feitas às vítimas do mau tempo não sejam cumpridas.

Voilá.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

...e saíram. Saíram de lá apenas como fantasmas dos seus gestos

"Un condamné à mort s'est échappé" (1956) de Robert Bresson

"Escape From Alcatraz" (1979) de Don Siegel

(Estou ciente que tenho, pelo menos, uma falha grave a colmatar, mas neste momento sinto coragem para me aventurar na seguinte afirmação: aqui estão os dois melhores espécimes do prison genre movie.)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Wikileaks

A polémica Wikileaks é de uma hipocrisia atroz. Sugiro uma mudança de perspectiva para a desmontarmos: se um qualquer senhor jornalista recebesse até a mais irrelevante informação que o senhor Assange recebeu, não a publicava? Vamos lá, digam sinceramente: resistiam noticiar que corre entre diplomatas americanos a ideia de que Zapatero é isto ou aqueloutro ou que a China se inclina para uma ideia de reunificação da Coreia?

Eu pergunto isto, depois de ouvir um jornalista chamado Miguel Sousa Tavares classificar as práticas do senhor Assange de "terroristas". Eu diria, em jeito de lamento, que é um acto "normal" do jornalismo que hoje se pratica; um jornalismo de secretaria - o Tintin já era, agora o que o jornalista faz é ficar na redacção o dia todo à espera que a notícia lhe venha por mail ou telefone... é um secretário -, que se deixa instrumentalizar pela exclusividade e explosividade dos furos noticiosos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O meu star-system

O outro dia falava sobre os meus critérios de gravação/aluguer de filmes na Box/vídeoclube. Tenho dois: primeiro, filmes de realizadores que aprecio, de realizadores "históricos" e de realizadores cujo trabalho conheço mal; segundo, filmes com actores que me enchem, quase sempre, ou sempre mesmo, as medidas.

Nesta última categoria incluo os seguintes nomes: Denzel Washington, Robert De Niro, Al Pacino, Gene Hackman, Gena Rowlands, John Cassavetes, Lee Marvin, Robert Mitchum, Sidney Poitier, Paul Newman, George C. Scott, Humphrey Bogart e Lauren Bacall. Gostava de ver (mais) nomes não-americanos nesta lista - e mais mulheres - mas há pouco espaço para eles na nossa televisão e nos nossos vídeoclubes. Uma pena, porque acho que há público para outros cinemas, para outras caras...

domingo, 28 de novembro de 2010

A selvajaria intelectual continua e continua


Salvo um ou outro comentador do futebol, como Luís Freitas Lobo ou o treinador Carlos Carvalhal, a maioria dos opinion makers do futebol é, no mínimo, execrável. Mesmo não fazendo mais nada na vida - e provavelmente só conseguindo mesmo descodificar o óbvio num jogo de futebol -, certos comentadores exibem, sem que ninguém faça caso, uma clamorosa ignorância em relação não só ao passado longínquo como, o que é mais indesculpável, aos factos recentes do futebol nacional. Ouço na TVI algo como isto: "neste jogo o Benfica não está a acertar com os cantos".

Mas, ó senhor comentador, você, que não deve fazer mais nada na vida que ver jogos de futebol - coisa complexa, como todos sabemos... -, não viu o jogo do Benfica contra o Hapoel de Tel Aviv? Não viu quantos cantos o Benfica desperdiçou? Não viu a permeabilidade da equipa a marcar e a sofrer cantos? Cantos e livres, meu caro comentador, são o calcanhar de Aquiles do Benfica deste ano. David Luiz e Roberto - sobre o qual pende, hoje, a mais humilhante condescendência jornalística - que o digam.

Enfim, ocupam-se horas diárias a discutir algo que só merecia, quanto muito, uns minutitos de conversa, para depois termos de levar com a opinião ou mau jornalismo destes ditos especialistas da bola que raiam a ignorância fascizante ou um histerismo sabujo de bradar os céus (vide tudo o que o senhor Nuno Luz faz).
Pronto, já me queixei. Agora vou ver o Rui Santos comentar a jornada antes do "Tempo Extra", espaço onde Rui Santos - a gralha aqui é a televisão que temos - comenta durante mais de uma hora, precisamente, a jornada que acabou há minutos... Uma televisão com Alzheimer.

sábado, 27 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXIII): na TSF de viva voz

DOIS MIL TREZENTOS E TRINTA

(clique na imagem)

Para quem percebe destas coisas do jornalismo, não é preciso eu dizer que uma estação como a TSF tem de citar Jorge Wemans no JN, porque este ignorou as suas chamadas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O declínio da aura

Abbas Kiarostami, "Copie conforme" (2010)

Este declínio [da aura] prende-se com duas circunstâncias, ambas correlativas à importância crescente das massas na vida actual. com efeito, encontramos actualmente nas massas duas tendências igualmente fortes: por um lado exigem que as coisas se lhes tornem espacial e humanamente "mais próximas", por outro tendem a colher as reproduções, depreciando aquilo que é único.

Walter Benjamin, "A Obra de Arte na Era da sua Reprodução Técnica" (1936), Parte III

(Sim, sou suficientemente pouco "original" para citar este texto. A razão é boa: o excelente último filme de Kiarostami, que está nas salas a partir de hoje.)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXII): equívocos

DOIS MIL DUZENTOS E VINTE SEIS

Dois equívocos que tenho encontrado: 1. "não assino esta petição porque também falta teatro, música, literatura na RTP2"; 2. Uma fatia de pessoas parece considerar esta petição como coisa "pouco importante" (o cineasta António-Pedro Vasconcelos é uma delas).

Bem, quanto ao ponto 1, repito que as petições, como métodos democráticos que são, não podem ser EXCLUDENTES - a nossa não é excepção.

Quanto ao ponto 2, pergunto: num tempo em que estamos todos a apertar o cinto, não é importante denunciar aquilo que pode ser uma gestão irresponsável, danosa mesmo, de uma empresa 100% pública?

Como já disse, e repito, não podemos andar a brincar às televisões privadas no coração do serviço público. Não podemos.

Assine.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Vive Dreyer vive!

"The Village" (2004) de M. Night Shyamalan

"Stellet licht"/"Luz Silenciosa" (2007) de Carlos Reygadas

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XXXI): que RTP2?

DOIS MIL CENTO E CINQUENTA E DOIS

Jorge Wemans, director de programas da RTP2 destaca que a estação pública "é a única a emitir todas as semanas um filme às 22.30horas (mais nenhum canal emite cinema em prime-time)". "Emite em média 17 filmes portugueses por ano, além de dar atenção às cinematografias europeias - em média mais de 40 por ano", aponta, sustentando que a emissão cinematográfica na Dois se faz "dentro da contigência dos filmes disponíveis e das condições orçamentais".

Eu não sei como qualificar estas palavras do senhor Wemans. Só me ocorre dizer aquilo que acho que deve ser dito: absolutamente lamentáveis. Para além de fazer o auto-elogio absurdo de passar, em média, 17 filmes portugueses por ano - TANTOS! Não é? -, refere ainda que "dá atenção às cinematografias europeias", porque - lá vêm os números outra vez, qual empresário televiseiro - mostra, em média, 40 destes filmes por ano. Primeiro, este sistema de quotização, espécie de celebração acéfala da tecnocracia televisiva, é sintoma claríssimo da forma indigna como o cinema é tratado - é só mais um "conteúdo televisivo", não é verdade?

A retórica dos números funciona sempre bem, mas atendamos ao seguinte: senhor Wemans, 17 filmes portugueses por ano? Que filmes? senhor Wemans, 40 filmes europeus por ano? Que filmes? E, depois de me responder, pergunto-lhe logo a seguir: "E, senhor Wemans, de que forma os mostrou?". (Até foram buscar o Mário Augusto à "concorrência"... que, por sinal, lhe deve estar a sair muito barato... tendo em conta as "condições orçamentais"...)

Contrato de Concessão de Serviço Público - CCSP

Cláusula 10.ª
Segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional

(...)

13. Tendo em conta o disposto nos números 1, 2 e 5 e nas alíneas b), d), c), g), h) e i) do n.º 2 da Cláusula 7.ª, o segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional deve incluir, no mínimo:

(...)

c) Espaços regulares de divulgação de obras cinematográficas de longa-metragem do moderno cinema português, o que inclui produções dos vinte anos anteriores à transmissão;
d) Espaços regulares dedicados à cinefilia, com uma forte componente pedagógica, que contextualizem as obras difundidas na história do cinema;
e) Espaços regulares dedicados ao cinema europeu e a cinematografias menos representadas no circuito comercial de exibição;
f) Espaços regulares dedicados a curtas-metragens e ao cinema de animação
;


Ah, foi em "prime-time", num sábado à noite... Vejam só: "nenhuma estação passa em prime-time cinema". Pois claro, mas isso não evita que a RTP2, à luz do seu passado riquíssimo e à luz das exigências da LEI, seja hoje um canal descaracterizado, que é público, mas tem estratégia de um privado... de cabo. Não podemos andar a brincar às televisões privadas no coração do serviço público. Não podemos.

CCSP

Cláusula 6.ª
Objectivos do serviço público

Para além da sua vinculação aos fins da actividade de televisão a que se refere o artigo 9.º da Lei da Televisão, a Concessionária tem como objectivos específicos:

(...)

b) Promover, com a sua programação, o acesso ao conhecimento e a aquisição de saberes, assim como o fortalecimento do sentido crítico do público;
c) Combater a uniformização da oferta televisiva, através de programação efectivamente diversificada, alternativa, criativa e não determinada por objectivos comerciais;


Questões orçamentais, senhor Wemans? Não posso acreditar que invoque tal razão neste caso: é caro passar uns Tarkovskys e fazer uns "Filme da Minha Vida" versão século XXI? Não é gratuito, mas não consta que sejam gratuitos os talk shows nocturnos que produz, o único formato de talk show que conheço que tem uma equipa diferente por cada dia da semana - nem nos EUA isto acontece!

E, já agora, onde encaixa "5 para a Meia-Noite" e as séries todas que passa, duplicadas com vários outros canais do cabo, nas obrigações do canal? Passam 17 filmes portugueses, em média, por ano? E quantas séries americanas, das que também passam em Foxs e outros canais especializados, passa por ano? Não sei, mas 17 filmes portugueses, 40 europeus ou, que seja, os 98 que a Sessão Dupla passa por ano (segundo o JN) ao pé de mais de 300 "5 para a Meia-Noite" e muitos mais episódios de séries americanas estafadamente divulgadas e conhecidas do grande público por ano é, quanto a mim, mais do que suficiente para expor - se é preciso expor... - o absurdo desta argumentação, de novo, auto-vimitizante e pequenina.

sábado, 13 de novembro de 2010

Nova trilha (XXV): Streep e Ferré

Meryl Streep (e Clint Eastwood) em "The Bridges of Madison County" (1995) de Clint Eastwood


A versão de Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti - com um ending diferente - é magnífica e pode ser ouvida aqui.

Ruhr (2009) de James Benning


Nós estamos de tal modo "envenenados" com narrativas - dos jornais, dos filmes, da publicidade...- que me pergunto se um filme como "Ruhr" é o último degrau do cinema ficcional antes mesmo que o primeiro degrau do documentário. Olho para o plano da pequena rua na cidade alemã. Sou obrigado a olhar, a olhar mesmo, face à duração do plano. Cada pequeno objecto - um carro, uma pessoa, uma folha de uma árvore - que se mexe é um verdadeiro acontecimento, leva-nos a ver nele uma espécie de patético dramático do real, que ainda não tinha sido levado a ver noutros filmes.

A estase do plano fixo - fotográfico - é arrepiado por movimentos pontuais do objecto filmado. Quando tal acontece, parece que descobrimos pela primeira vez o cinema. Uma espécie de retorno primitivo à experiência da Sétima Arte: quando o cinema ainda era classificado como "fotografia em movimento". Num plano, Benning faz-nos viajar no tempo muito além do quadro apresentado. No fora de campo está, enfim, o Cinema quando a Fotografia entra em cena ou a Fotografia quando o contrário acontece. Isto parece-me, de facto, extraoardinário.

Por outro lado, Benning é um verdadeiro artista avant-garde. Os seus filmes questionam os limites do medium como poucos. A sua insistência num modelo formal rígido, que pouco ou nada mudou desde os anos 70, é uma postura eminentemente política, uma espécie de militância contra os "ritmos" das imagens do mainstream. E, de facto, Benning é um cineasta político tanto quanto é um cineasta "que filma paisagens perdidas" como "realidades de outra dimensão" ou "ângulos mortos da mente" (na acepção de Kracauer). Actualmente, voltando à nossa existência sobrecarregada de narrativas, pergunto quantos de nós perdemos alguns minutos a contemplar a rua a partir da nossa janela? Eu pergunto quem se atreveria, hoje, a procurar uma narrativa NÃO mediada; a parar, observar e encontrar no que vemos e tocamos uma forma de comunicação? A mediocracia é interrogada por Benning, quando este nos põe a pensar e nos leva, a mim levou, a concluir: eu só ACEITARIA ver a minha rua, a partir da janela do meu quarto, se alguém ma filmasse por mim daquele sítio; se alguém ma mediasse. "Olá, o meu nome é Luís Mendonça e sou mediadependente. Olááá Luís."

Os efeitos da mediação tecnológica são, assim, QUESTIONADOS por estas experiências avant-gardes. Curioso também que o avant-garde esteja hoje virado para a conservação do tempo, a diminuição ao mínimo desse ruído mediático e mediatizado, quando, nos primórdios do cinema, junto dos cineastas experimentais do surrealismo por exemplo ou depois junto dos cineastas beat (tão importantes para a estética do vídeoclipe dos anos 80), o que era motivo de desafio era precisamente romper com a barreira do tempo; o tempo era prisão. O tempo é, hoje, libertação - e um luxo. O espaço, por sua vez, parece surgir, finalmente como sujeito/assunto, na sequência dessa libertação.

E, com tudo isto, quero também dizer que estou a pensar escrever um filme baseado no plano de Ruhr que destaco acima. Se tiver dinheiro, um tio rico ou um produtor à mão, entre em contacto comigo. Tenha a bondade de auxiliar...

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