quinta-feira, 16 de junho de 2011

Concurso de beleza Verão 2011: Prémio Pingo Doce - TMN - Super Bock para Senhor Simpatia

Como não premiar a simpatia de um realizador que aparece, numa das suas raras fotos, com um sorriso de criança, orelha a orelha... como quem é detido num momento de saudável brincadeira. Falamos de Terrence Malick, vencedor por unanimidade do prémio Senhor Simpatia Pingo Doce - TMN - Super Bock. Como seria de esperar, Malick não marcou presença na cerimónia de entrega do dito troféu, tendo, contudo, enviado um mail com as seguintes palavras, que muito agradecemos: "Fiquei surpreso com o prémio... pelo menos, até saber quem eram os nomeados, todos eles, muito provavelmente, uns cabrões egomaníacos de primeira. De qualquer modo, apesar de não gostar de concursos, fico grato, especialmente grato por este troféu".

As reacções dos restantes nomeados foram de grande desportivismo, destacando-se a de Eisenstein, realizador já granjeado com o Prémio Melhor Penteado 2011. "Já telefonei ao Malick a dar-lhe os parabéns. É um prémio justo, porque Malick não é daqueles que te convidam para tomar café e depois não pagam; na realidade, Malick é daqueles que nem te chegam a convidar para tomar café, porque, simplesmente, nunca ninguém o viu... salvo nessa foto maravilhosa".

No concurso paralelo, para a Figura do Mês de Agosto da nossa newsletter, Rossellini ganha vantagem muito significativa sobre concorrentes mais directos, como Carpenter e, muito distante, Tarkovski. O "Senhor Melhor Penteado 2011", Glauber Rocha e Dovzhenko são os menos votados. Continuem a exercer o voto!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Programados para matar, programados para matar sem piedade

"Small Soldiers" (1998) de Joe Dante

"Inglourious Basterds" (2009) de Quentin Tarantino

Concurso de beleza Verão 2011: Prémio Feira Nova - Rádio Comercial - Loreal para Melhor Penteado


Foi anunciado na passada noite o grande vencedor do Prémio Feira Nova - Rádio Comercial - Loreal para "Melhor Penteado Verão 2011". Sem surpresas, Eisenstein foi o laureado com o tão cobiçado troféu. Relembramos que, nas casas de apostas, Eisenstein detinha larga vantagem sobre a concorrência.

Tarkovski, apontado por muitos como o "segundo favorito", revelou-se desiludido com a decisão do júri, tendo lançado algumas críticas aos critérios por ele adoptados: ‎"Sempre o tive como um adversário de excelência, mas devo dizer que sempre achei que era uma vantagem ter um bigode, que muito me exige para o manter penteado. Agora, o Eisa nem bigode tem, o que a meu ver devia ter sido registado pelo júri". Declarações de Andrei Tarkovski ao CINEdrio, à saída da gala de ontem à noite, que marcou o início do megaconcurso Feira Nova - Rádio Comercial - Loreal para a beldade masculina Verão 2011.

Relembramos que, no concurso paralelo, Eisenstein e Tarkovski encontram-se bem longe do pelotão da frente, liderado por Rossellini, até ver, com 6 votos, seguido de John Carpenter com 5. Continuem a votar.

Recorte de falas (VI): Out for Justice

"Out for Justice" (1991), "filme do caneco" que reúne dois especialistas dos revenge flicks: John Flynn (realizador de filmes de culto como "The Outfit" e "Rolling Thunder") e Steven Seagal (o homem que sai das suas lutas ultra-sanguinolentos tal como entrou, bem penteado, sem uma mancha de sangue nas suas impecáveis camisas de seda ou, muito menos, um arranhão que seja no rosto). A certa altura, o polícia Gino Felino, a personagem de Seagal, em busca do bad guy tresloucado Richie Madano, vai ao bordel da irmã deste, Patti, para saber do paradeiro desse psycho killer cocainomano que matou o seu melhor amigo e colega, Bobby. A certa altura, decerto já suspeitando que as intenções por trás do assassínio eram mais do foro "íntimo" do que "profissional", Gino procura saber "quem é quem" para reconstituir a eventual ligação de Richie a Bobby. A mamalhuda referida no diálogo será a primeira pista para entender a razão do brutal homicídio.

Detective Gino Felino NYPD: [while questioning Patti in the club] Who's this one over here?
Patti Madano: Which one?
Detective Gino Felino NYPD: The one with nipples you could dial a phone with.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O autor do mês de Agosto é da vossa responsabilidade

Quem querem como "herói do mês" da newsletter de Agosto? A pergunta é feita aqui ao lado, na barra esquerda, num pequeno inquérito que endereçamos a todos (OS PROBLEMAS TÉCNICOS COM A SONDAGEM JÁ FORAM SUPERADOS. POR FAVOR, SE JÁ VOTOU, VOTE DE NOVO... DESTA FEITA, SÓ O PODERÁ FAZER EM APENAS UM NOME. OBRIGADO A TODOS.).

As nossas sugestões são (evidentemente sem qualquer ordem):

Serguei Paradjanov

Aleksandr Dovzhenko


Serguei M. Eisenstein


Roberto Rossellini


Valerio Zurlini


Glauber Rocha


John Carpenter


Terrence Malick

Andrei Tarkovski

Vote! Vote neste concurso... de beleza.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Newsletter #4: Bresson

Depois de Tarr, Robert Bresson.

O homem que deu nova vida a um conceito caído em desuso, o de cinematógrafo, o homem que convidou os seus actores a comportarem-se como "modelos", a interpretarem menos para serem mais verdadeiros, o homem que enunciou um espaço háptico, de mãos que trocam mensagens visuais entre si, como quem conspira para fazer um filme, obras-de-toque e obras tocadas pelo Divino... "Pickpocket" ou "Un condamné à mort s'est échappé" ou "Au hasard Balthazar" ou... todas elas, sem excepção, irão merecer um levantamento cuidado quanto às melhores edições, aos melhores preços, no mercado internacional de DVDs/Blu-ray. Estaremos também "em cima" de tudo o que é obra significativa escrita por ou escrita sobre o grande mestre francês.

O que mais prometemos para a próxima newsletter? Pechinchas várias, filmes e livros acabados de sair ou "a sair", novo inquérito, nova loja do mês, novos destaques no pequeno ecrã... Fazemos questão de manter a regularidade e aumentar sempre a qualidade para ganharmos leitores - isto é feito para vós -, os que já subscreveram (mais de 70 até ver) e os que ainda não o fizeram, que para o fazer apenas têm de deixar nome e mail aqui.

(Pedimos a todos os subscritores que, caso não tenham recebido a última newsletter, verifiquem se esta não foi, por acidente, considerada SPAM pelas vossas caixas do correio. Vão ao vosso "lixo" e procurem por nós... que, em última instância, estaremos lá.)

sábado, 4 de junho de 2011

Rememoração da criança que nos originou (brinquedos)

Lee Unkrich, "Toy Story 3" (2010)

Se como diz um poeta moderno, há para cada um de nós uma imagem que nos faz esquecer tudo o resto, para quantos não surgirá ela de uma velha caixa de brinquedos?

Walter Benjamin, "O Brinquedo e o Jogo" (1928), in Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política, Relógio D'Água, 1992, p. 176

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Newsletter #3: Tarr

A próxima newsletter terá como figura de proa o realizador húngaro Béla Tarr, figura incontornável do cinema internacional, grande mestre dos planos-sequência sem fim, dos travellings enleantes, do preto-e-branco brumoso... Van Sant dedicou-lhe um filme ("Gerry") e fez outro com ele em espírito ("Elephant"), mas o reconhecimento que lhe é dado cá em Portugal é quase nulo: mereceu apenas uma edição em DVD do seu penúltimo filme, "O Homem de Londres", e pouco mais. Contudo, a sua obra, apesar de não muito extensa, é um tour de force sem par, que merece ser toda ela resgatada antes da estreia (esperemos!) nacional do já muito elogiado "O Cavalo de Turim", a sua última longa-metragem - segundo o próprio Tarr, mesmo a sua ÚLTIMA longa-metragem.

Para além do autor do mês, teremos as - ia escrever "habituais"... - rubricas de cinema na TV, o texto sobre nova livraria, o pequeno inquérito a uma pessoa da área do cinema ou fotografia e, last but definitely not the least, todas as pechinchas, futuros e novos lançamentos em DVD/Blu-ray e livros, muitos livros sobre tudo o que toque o assunto do Visual.

PS: Aos que, subscrevendo, não receberam a newsletter deste mês, por favor, procurem-na na vossa caixa de lixo, visto que, nalguns casos, a newsletter tem sido considerada spam pelas caixas de correio. Obrigado.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A origem do mundo (onde Estavas antes de tudo?)

"Window Water Baby Moving" (1962) de Stan Brakhage

"The Tree of Life" (2011) de Terrence Malick

The Tree of Life (2011) de Terrence Malick


Para pôr a salivar os mais expectantes, deixo aqui comentário muito rápido ao novo monumento fílmico que se erigiu das profundezas da terra e que, numa arquitectura impossível, se fez esticar até atingir o Céu, todo um outro edifício - a casa Dele, diz a Mãe -, casa invisível tornada visível pela orgânica de Malick... "The Tree of Life" ou como quem toca as raias do absoluto que há na vida (o nascer e o morrer) com as pontas dos dedos.

Eis tudo aquilo que gosto em Malick: obra de sensações, solta de qualquer amarra narrativa, profundo na forma como constrói as suas personagens-mundo, cujas vidas - em flashes de uma beleza indescritível - são projectadas para os acidentes do Cosmos com uma brusquidão e uma leveza enleantes. É um luto, uma liturgia da alma que se faz casar no fim com o princípio do Universo - ou seja, uma Mãe liberta o seu filho, dá-lo como sacrifício e, ao mesmo tempo, o MILAGRE DO CINEMA, nasce o Universo da luz e do fogo infernal. Nunca houve nada assim no cinema.

"The Tree of Life" é a verdadeira "Obra-do-toque", uma impossibilidade na história do cinema "oficial" americano, digo, é como se a Mekas ("As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty") e a Brakhage (as suas pinturas sobre película e "Window Water Baby Moving") fossem dados meios de grande produção, como se a Tarkovski fosse dada a possibilidade de refazer num filme, ao mesmo tempo, "Nostalgia" e "Solaris", como se os contra-picados - "pedra-de-toque formal" aqui - de Orson Welles fossem esculturas de Tempo e Memória, pesadas e leves ao mesmo tempo..., como se Kubrick ("2001") amasse a vida e a Natureza como amam Tarkovski, Mekas e, precisamente, Malick. É isto e, talvez, mais. Mas preciso de rever, porque é, acima de tudo, uma TRIP de uma beleza assoberbante.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XLIV): sobre a resposta da RTP ao requerimento da AR

Enquanto analisamos as auditorias RTP que a ERC enviou à Senhora Deputada Catarina Martins e que finalmente nos chegaram às mãos - recordo que tínhamos enviado uma carta à ERC logo no início desta cruzada, a qual até hoje não foi respondida -, venho aqui publicar a minha reacção (segundo documento) à resposta que a Administração da RTP2 deu a outro requerimento da Senhora Deputada (primeiro documento), no qual esta pedia informações relativamente ao cumprimento de algumas alíneas do n.º 13 da Cláusula 10ª do Contrato de Concessão de Serviço Público.

Resposta da Administração RTP a Requerimento AR



Sobre a Resposta da RTP ao Requerimento AR



(Entreguei esta resposta, em mãos, ao director da RTP2, Jorge Wemans, na passada quinta-feira, aquando do debate Cinema na RTP2, que iremos publicar em vídeo o mais brevemente que nos seja possível.)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XLIII): 1%

DOIS MIL NOVECENTOS E QUARENTA

Em 2008, a RTP2 emitiu “161 programas dentro do género filme/telefilme, o que representou 1,8% do total de programas emitidos”; em 2009, a quantidade de cinema exibida foi ainda mais baixa, num total de “196 programas, representando 1% do total de programação”.

Esta é parte da informação que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) enviou em resposta ao requerimento da Senhora Deputada Catarina Martins.

O debate é já na próxima quinta.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Newsletter #2 tornada pública (como amostra)

Decidimos tornar pública a segunda edição da newsletter do CINEdrio. Esta ferramenta, única, pelo menos com esta qualidade, na Internet, poderá ser útil a muita gente que ainda não subscreveu esta publicação. Pechinchas, lançamentos recentes e futuros de filmes e livros, sugestões de filmes a passar na TV, textos sobre lojas a visitar, entrevistas curtas a entendidos na área, isto e mais pode ser encontrado em cada edição desta newsletter, organizada por mim e pelo Francesco Giarrusso.

Como amostra, poderão consultar o conteúdo da newsletter #2 neste link e, caso queiram receber as edições que aí vêm, não hesitem em deixar o vosso mail e nome aqui.

Tempo é (de)cadência

James Benning, "One Way Boogie Woogie/27 Years Later" (1977-2004)

Es curioso, al cine siempre se le presenta bajo una imagen positiva, juvenil, luminosa... Y a mí a veces me parece un invento de la decadencia, que se muestra especialmente sensible para captar todo aquello que se desvanece, incluso lo más fugitivo que existe: el tiempo.

Víctor Erice, em entrevista pulicada no folheto da edição em DVD de "El sol del membrillo" (1992)

John's Gone (2011) de Ben & Josh Safdie

O novo filme dos Safdie já foi mostrado em território nacional, mais especificamente, no recém-(re)aberto Teatro do Bairro, na secção Observatório Curtas do Indie Lisboa. De entre os filmes que vi até agora no festival, "John's Gone" é o que me enche mais as medidas; pequena pérola cinematográfica, não excessivamente polida, na realidade, com todas as imperfeições que caracterizam "o humano", série de "pequenos lampejos de vida" captados sem pingo de maneirismo.

Uma curta justamente de curtos momentos, através dos quais sentimos a vida das personagens a expandir-se para lá do que é mostrado, a deixar-se entrever pelo espectador em toda a sua complexidade (= rede de implicâncias), em toda a sua "mundanidade". Estes lampejos ou flashes de vida são mostrados por um dispositivo formal levemente tributário de uma estética (comovente, porque perdida ou descaracterizada) do home-vídeo ou com o grão e a espontaneidade nos gestos do cinema beat dos anos 50/60 - doce rememoração que os irmãos realizam saltitando entre pequenos ilhéus narrativos, visíveis ou latentes.

"John's Gone", corolário de "Go Get Some Rosemary"? Não. Curiosamente, os Safdie parecem não se deslumbrar com o seu primeiro, e magnífico, resultado em formato longo e recuam para a curta, mas não recuam nos seus princípios, nem na integridade do seu cinema, feito de pessoas frágeis e de fugidios episódios do quotidiano, janelas sentimentais para algo mais profundo: tudo o que está em cada episódio feito de "nada" é muito, algo que se constata ainda melhor no quadro de uma Arte cada vez mais cheia de tudo que é "nada".

(E prometo não falar aqui dos filmes de Tréfaut e João Nuno Pinto, que se estrearam com pompa e circunstância e desiludiram no seu estilo "desbocado" e demagógico. Safdie estão onde têm estado: nos antípodas disto tudo. Cinema autenticado pelas pessoas que tem lá dentro e não por uma qualquer agenda político-sociológica, composta de uns quantos recortes de jornal, e que vende "verdades chocantes" como quem vende batatas embrulhadas em papel dourado.)

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