sexta-feira, 12 de julho de 2013

No dia 1 de Agosto, vá para fora cá dentro


Anote isto: no dia 1 de Agosto, a distribuidora Lanterna de Pedra Filmes prepara-se para lançar nas salas portuguesas aquela que será, eventualmente (afinal, não vi todos os filmes que estrearam até agora), a primeira obra-prima de 2013: "The Innkeepers". Foram precisos dois anos de espera, mas cá está um acontecimento duplamente assinalável: estreia em Portugal o melhor filme de Ti West até agora e, pela primeira vez e muito simplesmente, um filme de um dos realizadores mais prodigiosos da actualidade. A minha análise ao filme data de Março de 2012, mas o meu entusiasmo em relação a este título está intacto, na realidade, revigora-se agora que sei que também o leitor poderá aderir a esta estada (na suspensão) do horror.

After Earth (2013) de M. Night Shyamalan


Há duas maneiras de ver "After Earth". Posso dizer que é um blockbuster multimilionário que serve de veículo ao pai e filho Smith (Will e Jaden, respectivamente). Posso também dizer que é uma louca tentativa de reduzir um blockbuster pipoqueiro a uma história caseira sobre a relação entre um pai e um filho, por sinal, interpretados pelo pai e pelo filho Smith. Não me parece, de modo algum, que esta visão alternativa do que é "After Earth" traia minimamente o risco associado a este projecto, risco esse que me parece evidente. É aqui que queria chegar quando falei das maneiras de "sair" deste filme, o "aftermath" do depois deste regresso à Terra... Na realidade, também podemos dizer que este é um filme "desmiolado" de aventuras e mais ou menos espampanantes efeitos especiais, mas o que resta no fim é o projecto de contar uma fábula moderna (ou primitiva?) sobre as dores do crescimento e o domínio do medo.

Ao contrário de boa parte dos blockbusters contemporâneos, mesmo alguns bem fabricados por um Spielberg, um Cameron ou (muito mais limitado) um JJ Abrams, aqui a dimensão íntima das personagens não é o "valor acrescentado" ao espectáculo sónico e visual, mas antes, bem pelo contrário, a matéria essencial que é trabalhada incessantemente, do primeiro ao último minuto, quase até ao paroxismo. Isto como se "After Earth" fosse um filme de ficção científica onde a acção é gerada por uma engenharia sentimental muito antes de ser induzida por uma bateria de efeitos CGI. O continente é aqui, nitidamente, o aparato tecnológico; o conteúdo são, por sua vez, as relações humanas. Ao aparato tecnológico é dado o papel que, por natureza (e usar a palavra natureza não é acidental), lhe é destinado: o de medium, tanto de ligação/aproximação como de corte/distanciação. 


Este é um dos pontos mais notáveis - e arriscados, de novo sublinho - deste filme: um problema de comunicação entre pai e filho, não excessivamente melodramatizado, que alimenta todo um monumental empreendimento hollywoodesco, de grande ou muito grande escala (afinal, o filme custou 130 milhões de dólares). Essa "falta" de comunicação é reparada por um processo dialéctico entre campo e contra-campo que, de novo para surpresa do espectador moderno, se potencia única e exclusivamente na mais antiga plataforma do cinema: a mise en scène, isto é, a posição relativa da personagem no seu meio e na relação com essa outra personagem, ubíqua, omnisciente e inevitável, chamada câmara de filmar.

Entre a câmara e a personagem normalmente vemos hologramas, gráficos, uma parede translúcida de informação que torna possível uma ligação transfísica entre um pai paralisado nas duas pernas e um filho que corre veloz, superando o seu medo de nunca vir a ser um Ranger, isto é, de nunca vir a merecer o amor e o orgulho do seu pai. Essa membrana de informação permite ao pai assistir (a)o filho, colocando o primeiro na pele do primeiro espectador de "After Earth" e o segundo na pele de primeiro realizador de "After Earth". O pai vê, assiste, orienta e orienta-se (a certa altura, deixa mesmo de poder contactar com o filho, ficando assim entregue à sua condição passiva, já não só física como virtual). O filho regista a sua aventura, qual travelogue frenético, rodado na primeira pessoa, sobre esse planeta estranho chamado... Terra. 

A viagem mapeada (pelo pai) é efectivada pelo corpo-câmara (do filho), num jogo simbiótico entre campo e contra-campo. A comunicação entre os dois é uma comunicação com um ausente e todo o filme será uma construção de algo "na ausência de". Citar Oudart e a figura psicanalítica da "sutura" não seria despropositado se pensarmos que todo este filme sobre a comunicação entre pai e filho, que não existia "antes" e, atenção, não fica claro que exista "depois"..., é todo ele fabricado por uma distância: aquela que todos os media, começando nas telecomunicação e acabando no cinema, produzem nas relações sócio-afectivas entre humanos. Ao espectador cabe "reparar" a falha e, numa montagem alternada absolutamente clássica/griffithiana, saber entrelaçar os fios desta história, tão simultaneamente básica (imediata) como complexa (mediata). 


A ideia de que a criança precisa de sair da redoma é, num primeiro nível, o típico obstáculo shyamaliano que o protagonista, perseguido por um evento traumático, tem de superar para despertar em si o dom que lhe está ou deve estar reservado. Mel Gibson em "Signs" precisa de superar o trauma da morte da mulher para poder reactivar a sua fé em Deus (o seu dom), tal como Paul Giamatti  em "Lady in the Water" precisa de "tirar do peito" a dor imensa que sente pela morte da sua família para (re)activar a crença no mundo e na vida (o seu dom é essa crença, essa capacidade de "acreditar"). O que se passa em "After Earth" é quase uma reconfiguração abstracta desta ideia de dom, porque o nosso herói precisa de ultrapassar o trauma da morte da irmã, reconquistando a confiança, o amor e o orgulho do seu pai, para, enfim, ver em si despertada a capacidade de... desaparecer (ghosting). 

Este desejo, melhor dizendo, esta "ambição" de desaparecer que move o filho significa, num primeiro nível, tornar-se invisível aos olhos dos monstros alienígenas, Ursa, que o seu pai combate galhardamente. Num segundo nível - há níveis aqui, de facto, quase como um videojogo estilístico e... moral - , ele eventualmente deseja tornar-se invísivel (um "fantasma") para se reencontrar com a irmã (e parte do desejo se cumprirá numa sequência pejada de duplos sentidos semânticos) e, também ou acima de tudo, para se aproximar do pai. Como o filho "deixa escapar" a certa altura, o pai é um "cobarde" porque nunca "esteve lá". O pai foi, é e poderá continuar a ser - o happy ending não é definitivo nisto - também ele um ghost, não só invisível às criaturas mas, acima de tudo, intangível (= um ecrã) para a sua família. Ver e tocar: o pai assiste à vida, o filho implica-se, embrenha-se, envolve-se, toca e deixa-se tocar por ela. O verdadeiro aventureiro - o verdadeiro "herói", apetece dizer - é o filho, não por ter conseguido "desaparecer" no fim e matar o monstro, mas por ter estado onde o pai nunca esteve: junto de quem ama.

O Ricardo Vieira Lisboa é bastante perspicaz a isolar um momento no filme, que me parece resumir quase tudo o que escrevi até agora. Num dos flashbacks - como "Signs" ou "The Last Airbender", "After Earth" é, para além de um montagem alternada "no presente", um encadeado de remissões ao passado - o pai festeja os anos da filha através de uma ligação online, à distância, enquanto viaja para mais um local de combate. No ecrã do seu Ipad pós-terráqueo, gadget curiosamente de forma e textura orgânicas - como é, aliás, todo o décor futurista do interior das naves -, a personagem de Will Smith assiste, qual espectador passivo, ao típico ritual em torno do bolo de anos. Quando mulher e filha o convencem a soprar as velas, o incrédulo e atrapalhado pai sopra para o ecrã. E, milagre!, as velas apagam-se. Milagre? Nem tanto: do fora de campo, nas costas da câmara, sai o filho como que apanhando em falso o pai ausente, que, talvez por segundos, acreditara ter milagrosamente "activado" a sua participação no quadro familiar. Aqui temos, num curto episódio, uma exploração altamente imaginativa do fora de campo e do campo/contra-campo, dois velhos recursos fílmicos usados como símbolos da ausência insanável de um homem entre aqueles que ama e entre aqueles que o amam.


"After Earth" não se fica por aqui nos seus jogos mais ou menos subtis (por vezes, básicos, por vezes, desinspirados, por vezes, ágeis, por vezes, tocantes) com o vector espaço-tempo, um vector altamente mediatizado ou, pelo menos, sempre mais mediato que imediato (salvo talvez no abraço final). O "after" do título é todo um outro programa que torna esta fábula íntima sobre a paternidade e o crescimento, sobre o medo que os envolve, num dos poucos filmes futuristas genuinamente primitivos da história do cinema - algo próximo só encontro em "Planet of the Apes" e, genialmente, em "Ghosts of Mars". O "futuro" que aqui se põe em cena é um "futuro" que nos leva mais para trás do que para a frente: quanto mais a viagem se aprofunda, mais aquela terra nos parece com... a nossa Terra (afinal, os macacos e os tigres não são metamorfoseados em criaturas tenebrosas, como acontece em "Lady in the Water"; são apenas macacos e tigres!). 

A ideia primitiva de mapa funde-se, a certa altura, com um "remake" do traço da pintura rupestre (o mesmo traço que abre "Lady in the Water", por sinal...), como se, de repente, estes dois espécimes humanos "do futuro" mais não estivessem que a recomeçar a História numa Terra renascida das cinzas da incúria e dos abusos humanos cometidos no passado. Este overlapping transhistórico entre o passado e o futuro (o pai chega a afirmar que ter medo é "ter receio do futuro") será a primeira reconciliação, a primeira ligação significativa antes do abraço final "não mediado", convergência táctil "patética", entre pai e filho. "After Earth" não fala de super-heróis (aliás, o heroísmo é aqui terrivelmente terreno), não se verga ao CGI e aos enredos de apenas "supostas" densidades psicológicas de um Nolan. O que importa em "After Earth" é o traçar um arco sentimental, que, pondo em diálogo passado e presente, permita ao espectador - este filme é dele, como já ficou claro! - construir a narrativa dessa ponte desfeita que liga um pai ausente a um filho "emotivo". História universal, quer dizer, intemporal e, porque ainda estamos "after earth", definitivamente interritorial.  

(Convido o Ricardo Vieira Lisboa a publicar - aqui ou no seu blogue - o seu mosaico de imagens, engenharia "sentimental" que põe, lado a lado, "Bigger Than Life" de Nicholas Ray e este "After Earth". Iluminar-nos-ia bons e ousados caminhos, se o fizesse.)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Newsletter #23: Fassbinder


O enfant terrible-mor do novo cinema alemão será o herói de Julho da Newsletter do CINEdrio. Circulando permanentemente entre uma visão nostálgica do cinema (devedora, acima de tudo, de um Douglas Sirk) e uma atitude de insurreição contra a instituição cinematográfica (o cinema, essa "puta sagrada"), Rainer Werner Fassbinder é provavelmente o cineasta estetica e politicamente mais complexo (e, por vezes, complicado) da história do cinema moderno. A ele dedicaremos linhas que tentam expor a contradição que enforma a sua arte, sem negarmos, portanto, que nela residirá boa parte da energia convulsa que alimentou a alma deste ser hiperactivo, que produziu, realizou e, a espaços, chegou a protagonizar ao todo mais de quatro dezenas de filmes, telefilmes e mini-séries, tal como escreveu e encenou outras tantas peças de teatro. E morreu jovem, com apenas 37 anos.

Para além de Fassbinder, o subscritor da Newsletter receberá boas novas do mercado home cinema, tais como uma muito aplaudida edição de filmes da fase Bergman de Rossellini, duas das obra-primas maiores de Sirk em Blu-ray (qualquer uma delas não teria sido indiferente a um Fassbinder...), uma caixa com (quase) todo o Mike Leigh a preço de promoção, os mais recentes pré-lançamentos de obras de Satyajit Ray (parece uma loucura nestes dois últimos meses!), a descoberta do cinema experimental de Curtis Harrington, Cottafavi a preço de saldo, uma edição de luxo de "Heaven's Gate" de Cimino, etc.

Quanto a livros, posso levantar o véu dos nomes que seguramente farão parte deste número da Newsletter: Jacques Rancière, J. Hoberman, Hollis Frampton, Noel Carroll, Alain Badiou, Hugo Munsterberg, etc.

Ao nosso inquérito, respondeu-nos Eduardo Cintra Torres, crítico e estudioso do fenómeno televisivo que publicou recentemente o livro A Multidão e a Televisão.



Ligação directa à pala de Walsh (XI)


O "pluralismo estético" esteve na ordem do dia. Na sua feição mais vulgar, talvez, com o filme falado "Masters of the Universe" - dos momentos mais divertidos de toda este, prestes a ser celebrado, primeiro ano de vida do site. Igualmente plural, no sentido "esquisito do termo", tentei eu próprio ser na minha análise à raridade "Qui êtes-vous, Polly Maggoo?" de William Klein.

Voltámo-nos a embrigar com "pluralismo estético" nas Actualidades do mês de Junho, mais uma crónica noticiosa feita com recurso ao cin... perdão, à realidade. Também foi em Junho que publicámos a primeira parte da entrevista mediaticamente incondicionada, realizada por mim e pela Sabrina Marques, a Eduardo Geada. Foi uma longa conversa feita em profundidade ao Geada cineasta, ao Geada professor e, sobretudo, ao Geada crítico e teórico. (A parte II está quase aí a sair.)

A minha crónica Civic TV foi dedicada à análise do filme de terror "The Changeling", que passou recentemente - e continua a passar, parece-me - no canal Syfy. Aproveitei a oportunidade - a que o tema do terror me deu - para começar por abordar a notícia da aparente suspensão do "5 Noites, 5 Filmes" na programação da RTP2. Em poucos meses, passou à história a rubrica que, cito, "já fazia parte da história do canal". De facto, sem memória, não há história, tal como "sem cinema, não há RTP2". Espero que os actuais programadores percebam rapidamente isto.

Colaborei ainda para a habitual Sopa de Planos. Desta feita, sob o tema "split screen", a minha escolha recaiu sobre um dos meus universos cinematográficos de eleição - e que tão bem faz raccord com uma das estreias mais quentes desta semana.

Fora os meus contributos, quero destacar a chegada de um novo colaborador: Francisco Noronha, do blogue Bósforo. O seu primeiro texto, redigido à pala de Walsh, recupera uma das obras-primas menos lembradas de Fassbinder: "Martha". Um bem-haja à sua vinda!

Quero ainda deixar uma palavra de grande apreço ao trabalho que o José Bértolo desenvolveu ao longo do ano no seu espaço Simulacros. A sua última crónica fecha, com chave de ouro, um esforço crítico e arqueológico de questionamento do lado mais íntimo e secreto das imagens. Esperemos que seja apenas um "até já".

Com o mês de Julho a andar sobre rodas, recomendo que vão acompanhando aqui a cobertura de João Araújo ao Curtas Vila do Conde '13.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Terrorismo burlesco (= terrorismo não-simbólico)

"Le testament du Docteur Cordelier" (1959) de Jean Renoir

"Tokyo!: Merde" (2008) de Leos Carax

(E se calhar o Mr. Merde é isso: um Mr. Hyde/Opale já sem Dr. Jekyll/Cordelier, isto é, o primeiro Dr. Jekyll/Cordelier pós-moderno.)

sábado, 6 de julho de 2013

After Earth depois da próxima quinta-feira


O muito antecipado, aqui, novo filme de Shyamalan estreia na próxima semana ("de mãos dadas" com o último De Palma!). Será nessa altura que tenatarei deixar aqui umas linhas sobre a justiça ou injustiça que envolve a sua recepção crítica e popular ou, no limite, popularmente crítica nos Estados Unidos. Até artigos a sugerir uma mudança de rumo, virada para a produção independente "de autor", foram escrevinhados, disfarçando mal o embaraço que este filme constituiu e constitui para a grande fábrica Hollywood. Espero para ver.

domingo, 30 de junho de 2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Já está disponível a versão pública da Newsletter #22!

(Para consultar a versão pública da Newsletter #22, clique na imagem.)

Uma edição especialmente rica, que sofreu ainda assim contratempos que nos foram alheios (atrasos nos CTT que prejudicaram a sua realização atempadamente), o número 22 da Newsletter do CINEdrio, dedicado ao cineasta norte-americano Don Siegel, foi possível graças, entre outros apoios, às editoras Lusomundo e Columbia University Press. Da colaboração resultaram os destaques feitos ao magnífico "O Gebo e a Sombra" e a "The Cinema of Béla Tarr: The Circle Closes" de András Bálint Kovács. Excepcionalmente, abrimos nesta amostra acesso ao arquivo onde estão, na íntegra, as 21 Newsletters anteriores.

Quero agradecer ainda ao Francisco Valente, não só por ter respondido ao nosso inquérito, mas por ter respondido como respondeu, isto é, indo muito além da mera citação de títulos "a adquirir", envolvendo, enfim, o leitor na descoberta das obras recomendadas. E eu, enquanto leitor, fiquei muito curioso com algumas das suas sugestões.



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Recorte de falas (XXIX): The Lineup

Em "The Lineup" (1958), Julian explica ao noviço no mundo da mafia e do tráfico de droga quem é o homem mais conhecido por "The Dancer", assassino a soldo que anda de porta em porta a "recolher" droga escondida na bagagem de gente anónima, a proverbialmente denominada "innocent people". Não há nenhum soft side - nota de humanidade ou, dizendo de outro modo, "possibilidade de redenção" - por trás da ira incandescente de Eli Wallach, o actor que dá corpo mas sobretudo que dá olhos - e como faíscam ferozmente aqui! - a este brutal cobrador de vidas. O sue hábito é matar, a sua energia diabólica vem do ódio que sente por quem se lhe atravessa à frente, seja este inocente ou culpado, bom ou mau, amigo ou inimigo. "The Big H". Num comentário áudio delicioso, o escritor James Ellroy diz que esse teria sido, para si, o melhor título alternativo possível a dar a este "hell of a movie" de Don Siegel.

Julian: Dancer is an addict, an addict with a real big habit.
Sandy McLain: 'H' like in heroin, uh?
Julian: 'H' like in hate.

domingo, 9 de junho de 2013

sábado, 8 de junho de 2013

Ligação directa à pala de Walsh (X)


O dossier Walsh é, obviamente, o prato forte do mês passado à pala do dito. De qualquer modo, a actividade "normal" do site não parou. Prova disso, mesmo que associado ao nosso dossier, é o filme falado do mês: a obra-prima "Gentleman Jim" de... sim, Raoul Walsh. Apesar de ser uma conversa descontraída e espontânea, trata-se, quanto a mim, de um dos pedaços mais valiosos - e, por isso, integrantes - desta colecção de reflexões walshianas.

Dos meus textos pessoais, destaco a análise, ainda fresca, a "M" de Joseph Losey, que me deu muito mais trabalho que o texto que redigi - e que os leitores do CINEdrio bem conhecem - a propósito do maravilhoso "Before Midnight". O filme de Linklater marca um ponto alto do ano cinematográfico, mais um boy meets girl (depois de Brisseau e Hong Sang-soo) que eleva a qualidade média - muito baixa - de 2013. Ainda mais fresca é a minha crónica Civic TV, sobre Brisseau e um "ousado" ciclo de cinema do Correio da Manhã TV.

Colaborei ainda nos proverbiais artigos colectivos do contra-campo: sopa de planos sobre "a visão de Deus" e as actualidades do mês de Maio.

Queria destacar ainda a estreia de um novo colaborador (e revisor de serviço): Pedro Jordão, do belíssimo blogue The Heart is a Lonely Hunter. A sua primeira "ligação acidental" está já online e é assombrosa.

O mês de Junho terá edição partilhada entre mim e o João Lameira. Agora regressados à nossa actividade "normal", não deixaremos de prometer diversidade nos filmes escolhidos e qualidade nos olhares que neles se activam.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Abram alas para o dossier 'Raoul Walsh, Herói Esquecido' (X)


E com "As fúrias de viver" de Sabrina D. Marques conclui-se o dossier "Raoul Walsh, Herói Esquecido". Termina, aliás, com uma reflexão sobre a juventude que representa (mais) um marco na evolução do pensamento walshiano que aqui se tentou compilar. Fechamos o "objecto" dossier, mas abrimo-lo agora a uma leitura finalmente completa, acabada. Pegando por onde pegar, encontrará o resultado de uma dedicação 100% amadora (no sentido etimológico, profundo, da palavra) ao cinema - digo cinema porque Walsh é sinónimo de imagens em movimento, é sinónimo, aliás, de movimento posto em imagens, coisa ainda mais poderosa! Movimente-se então na descoberta deste cineasta "absoluto" e "enciclopédico". Tudo está aqui, neste dossier, nesta empreitada que, a contra-corrente do país paralisado e paralisante, põe a acção em pensamento e o pensamento em acção.

sábado, 1 de junho de 2013

Newsletter #22: Siegel


Com uma longa carreira, que começa nos anos trinta e quarenta, trabalhando com nomes como Howard Hawks e sobretudo Raoul Walsh, Don Siegel absorveu destes a linearidade, a energia e a mesma economia dramatúrgica. Enquanto realizador, começou em séries B noirs, hoje relativamente obscuros (mas em progressiva "recuperação"), até que em 1956 realiza o seu grande "cult classic", "The Invasion of the Body Snatchers".

Nos anos que se seguem, dedica-se à televisão, colaborando para algumas séries de referência, como "The Twilight Zone", começando-se a especializar no decurso dos sixties no policial musculado ou no western urbano, nomeadamente ao lado daquele que viria a ser um dos seus pupilos mais bem sucedidos: Clint Eastwood. Siegel, mais até que Huston provavelmente, será a principal influência do Eastwood-realizador e é a ele, perto do ano da sua morte, que "o último dos clássicos" dedicará "Unforgiven". Por tudo isto, propomos um mês devotado ao seu cinema.

Para além disso, iremos destacar, no mercado home cinema, importantes lançamentos ou descobertas DVD e Blu-ray: de Manoel de Oliveira a Edward Ludwig, de Wellman a Brisseau, de Chabrol a Straub-Huillet, de Satyajit Ray a Bruce Lee, etc. e etc. Nos livros, posso antecipar destaques ou referências a Rancière, Chesterton, Douchet, Mourlet, Merleau-Ponty, Bresson, Biette, etc. e etc.

Publicaremos as respostas ao nosso inquérito de Francisco Valente, jornalista cultural do Público e livreiro da Babel Cinemateca.

Até já!

(Devido a atrasos nos CTT, a preparação e publicação Newsletter #22 sofreram um atraso inesperado. Apresentamos as nossas desculpas por isso.)



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