sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Lista cinéfila, um 'exercício benéfico' de Serge Daney

Deleitando-me com as notas soltas que Serge Daney deixou ao mundo antes de partir precocemente em 1992, dei de caras com uma pequena lista (deixada muito incompleta) que exercita uma classificação sui generis de filmes, quase em modo íntimo, autobiográfico ou confessional. A arte de fazer listas, como sabemos, é uma mania do bom cinéfilo, por isso, dada a originalidade desta, quis partilhar com os leitores, como "refresco de Verão", as seguintes três páginas de "L'exercice a été profitable, Monsieur", obra que poderão encomendar aqui ou (mais barato, para nós, portugueses) aqui, sendo que o stock deste livro editado em 1993 é, hoje, compreensivelmente limitado.




(Por favor, clique nas imagens para ler melhor)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O CINEdrio na Polónia: the aftermath


Encerro a cobertura ao festival New Horizons ou, mais especificamente, conto em que consistiu o evento Sunday in the Country neste artigo publicado ontem no site À pala de Walsh.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

L'inconnu du lac (2013) de Alain Guiraudie


"L'inconnu du lac" é, mais até que o já analisado "Floating Skyscrapers", uma história sobre a homossexualidade como sinónimo não de amor, mas de puro ímpeto sexual. A acção situa-nos numa praia de nudistas perto de uma floresta, onde, entre a vegetação densa, homens de todas as idades se encontram para praticar sexo "sem compromisso". Como acontece com o filme polaco, o que há de mais interessante aqui não é a relação homossexual entre o jovem protagonista e o misterioso homem de bigode, mas antes a relação de amizade (ou será mais que isso?) que se estabelece entre esse jovem e um senhor, de corpo inchado, que todos os dias vai à praia não para ter sexo, mas simplesmente para passar o tempo - e "reflectir", como avança. Ele é (um) estranho, como diz a certa altura o homem misterioso. E é-o porque, precisamente, não age de acordo com os rituais daquela sociedade: para além de não sair da praia, raras vezes tira a t-shirt e nunca vai à água. Se outros verão nele uma "ameaça", o rapaz encontrará nele uma espécie de confidente, um confidente também casual mas que lhe dá afabilidade e uma espécie de "palavra fraterna" em vez de sexo ou oportunidades de voyeurismo ob-sceno.

Ao invés de investir mais nesta relação "fronteiriça", entre o mar e a floresta, Guiraudie prefere insistir em cenas de sexo que alternam entre um lirísmo piroso, com corpos filmados em contra-luz, como que recortados num céu de fim de tarde, e uma bruteza pornográfica "in your face", como o grande plano do pénis a ejacular. Das cenas passadas na floresta, a meu ver, apenas numa, de facto, o realizador francês consegue algo mais que apenas a mera ilustração soft porn deste romance gay "de catálogo".

O casal do filme conversa nu, cercado pela vegetação densa, numa cena de intimidade e não de sexo exibicionista… quer dizer, isso julgávamos nós até ao momento em que no diálogo em clássico campo/contra-campo irrompe, em off, uma terceira personagem. Um dos elementos do casal interrompe a conversa "íntima", "privada", para pedir ao voyeur que pare de espreitar. Aí Guiraudie quebra o momento, faz implodir o seu intimismo, qualquer possibilidade de privacidade, e mostra-nos o homem que se masturba "em cima" daquela cena. Em certo sentido, quando o casal afasta o terceiro elemento, ele está a dirigir-se a um fora de campo que permanentemente os vê e os expõe. Esse fora de campo pertence, por inteiro, ao espectador, esse voyeur pervertido que come com o olhar as "imagens dos outros".

Fora a demagogia do sexo, o auto-comprazimento pela provocação "queer" - por que será que a formação da identidade homossexual parece requerer constantemente o recurso a um básico efeito choque? -, este filme oferece-nos uma reflexão interessante sobre quão relativas podem ser as regras em comunidade, ao ponto do espectador se sentir "posto em causa" por essa súbita condenação "moral" daquilo que, no início, era a principal fonte da libido: o poder ejaculador do olhar. Não haja dúvidas de que "L'inconnu du lac" só supera a mediocridade quando se vira para nós, espectadores, e nos implica não pelo sexo mas precisamente pela sua ausência, pela confusão entre o que pertence ao domínio da privacidade e aquilo que pode ser "objectificado" pelo olhar alheio, em público. Pergunta: seria possível realizar esta história sem as cenas de sexo explícito?

Plynace wiezowce (2013) de Tomasz Wasilewski


História de um triângulo amoroso que tem no centro a definição ou indefinição da inclinação sexual do seu protagonista. Entre ele e a sua namorada tal como entre ele e um rapaz por que se apaixonou está a mãe, com quem tem uma relação tão estreita que durante alguns minutos o espectador pensará naquele homem e naquela mulher como um casal que vive na mesma casa. Sem dúvida que este elemento é o mais interessante de todo o filme, mas rapidamente ele é colocado em segundo (ou até terceiro) plano por causa desse já bastante cansativo retrato do homossexual reprimido que quer sair do armário, mas...

Com uma intriga esquemática, que parece saída de uma telenovela (por sinal, este realizador trabalha, a tempo inteiro, para a televisão polaca), "Floating Skyscrapers" é um "queer movie" onde o sexo e as relações pessoais parecem pertencer a uma retórica pré-formatada (cada vez mais gasta, por estes dias de euforia gay tornada "género fílmico") que, por si só, não justifica a realização deste filme.

Noche (2013) de Leonardo Brzezicki


Na senda de Lisandro Alonso e Carlos Reygadas, Leonardo Brzezicki encontra na Natureza espaço de meditação (e experimentação) sobre as estruturas da linguagem fílmica. Todavia, se Lisandro trabalha a linearidade, o percurso no espaço (o todo), a solidão do homem (o ponto), se Reygadas gosta das elipses especulativas, da distorção de imagens arrancadas do coração da Natureza, Leonardo vai-se aproximar deste último - não tanto do seu compatriota, portanto - para produzir um ensaio sobre o som no cinema, como uma espécie de potência adormecida que vive na sombra da e que assombra a floresta.

Decalcando a papel vegetal os travellings levitantes de Tarkovski, explorando a dimensão mítica da paisagem natural próxima de Reygadas e Apichatpong, mas também convocando os demónios (as catástrofes!) da Natureza e da natureza humana, como faz um Lars von Trier em "Antichrist" ou "Melancholia", "Noche" procura dar um passo em frente através da montagem e do design de som. Da montagem, consegue-o notavelmente em sobreimpressões impressionantes que tornam indistinguível, à primeira vista, o ponto de união/separação entre imagens. Do som, o grande protagonista neste filme, não produz resultados mais interessantes que um Apichatpong.

Ao mesmo tempo, encontro aqui alguns dos problemas que detecto, por exemplo, em "Post Tenebras Lux": o lado elíptico "com água no bico", o transcendentalismo/universalismo enigmático e auto-referencial, a indiferença pelas personagens e o gosto (ideológico) pela exaltação naturalista dos corpos, da violência e do sexo (= o mundo originário...). Eis uma primeira obra que é mais um sintoma gasto do cinema contemporâneo do que uma (pretendida) actualização desta metafísica do e pelo primitivo.

Centro Histórico (2012) de Aki Kaurismaki, Pedro Costa, Victor Erice e Manoel de Oliveira


Os filmes colectivos são sempre projectos arriscados e na maior parte das vezes o todo é inferior à soma das partes. Em parte, esse é o caso deste "Centro Histórico", uma produção Guimarães 2012 que junta "à mesma mesa" Aki Kaurismaki, Pedro Costa, Victor Erice e Manoel de Oliveira. Nenhuma das curtas que realizam consegue mais do que constituir uma pequena e doce vírgula nas suas carreiras. O filme de Erice, o único inequivocamente documental, é aquele que, em mim, sobressai pela sua força emocional. Depois de umas não particularmente bem encenadas "cabeças falantes", o filme toca o sublime numa sequência inteira onde a música de um acordeão banha, com uma inesperada pungência, uma fotografia muito antiga dos trabalhadores da Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela. A galeria de rostos devastados por uma vida de miséria e sacrifício é percorrida pela câmara de Erice e o acordeão de um homem ligado, pelos laços de sangue, à história centenária dessa fábrica que chegou a ser uma das maiores do ramo têxtil em todo o mundo. Sobre essa "imagem da foto", anima-se um verdadeiramente pungente sentimento de morte, tristeza, desolação...

O filme de Pedro Costa ("Sweet Exorcist") volta a ter no centro a personagem de Ventura, adensando os vários fantasmas que o habitam, sobretudo, a Revolução de Abril e a mulher querida que nunca mais vê ao seu lado, vinda de Cabo Verde. Tudo indica que esta curta serviu de esboço para a próxima longa-metragem de Pedro Costa. Ainda assim, o termo "esboço" é traiçoeiro dado o rigor de cada plano, a estranha conceptualização (talvez demasiado "artificiosa" para um filme de Pedro Costa) do diálogo alucinado entre Ventura e a estátua viva de um militar de Abril. Longe da obra-prima "O nosso Homem", este é um exorcismo que talvez ganhe um novo sentido com a anunciada nova longa de Pedro Costa. Outro sentido, contudo, pode-se já desvendar na relação deste filme com o de Manoel de Oliveira. Se antes tínhamos o militar revolucionário, agora temos a estátua de D. Afonso Henriques, animada com uma mui fina ironia pela câmara de Oliveira.

O primeiro conquistador, aponta Oliveira, é agora conquistado/capturado todos os dias pelos magotes de turistas que compulsivamente o fotografam. O "guia" que dizia "eis isto", virará "comentador" do que se está a passar, afirmando, num desabafo jocoso, "eis disto!". Deixo para o fim o menos conseguido destes filmes: o apenas amenamente divertido e enternecedor, quando quasi-tatiesco, filme de Aki Kaurismaki. Menos conseguido, talvez, mas de modo algum um mau filme. Aliás, nenhum dos quatro filmes parecem querer ir para lá do "filme-teste" (Erice e Costa) ou da piada inteligente (Oliveira). Kaurismaki conta uma estória, encena o seu burlesco deadpan colorido, um gesto que diríamos ser automático não tivesse este como cenário a nossa cidade berço.

domingo, 28 de julho de 2013

O Som ao Redor (2012) de Kleber Mendonça Filho


O jogo coral é intenso aqui: uma acção reverbera noutra como os sons, diegéticos e extra-diegéticos, se vão, em sentido quase literal, "edificando". Esta ideia de construção está desde logo plasmada no movimento da câmara, no encadeamento da montagem, nos vários detalhes das pequenas narrativas que despreocupadamente se vão desenrolando, sem procurarem explorar a ansiedade do espectador - apesar de uma certa tensão latente, ao contrário de um Iñarritu, não há aqui nenhum trauma ou evento trágico que liga todas as personagens entre si, nem tão-pouco o filme assentará a sua estrutura naquele que poderá ser considerado o seu principal ou único twist dramático.

Posto isto, temos aqui um cineasta que pensa audio/visualmente o espaço que serve de palco rotativo ao encadeamento das histórias; não só ao registo da vida de um bairro (= ecossistema) suburbano no Recife mas, antes de mais, à construção de imagens e sons que funcionam, elas mesmas, numa vizinhança imperfeita, sempre "em construção".  É também obviamente um retrato social de classes com a mordacidade e um sentido de humor - e terror! - muito próprios, mas decididamente não é aí ou só aí que "O Som ao Redor" se revela um refrescante naco de cinema. Kleber Mendonça Filho trabalha as personagens ao mesmo tempo que à volta e dentro delas (nessas extraordinárias curtas-metragens que são os seus sonhos!) cria uma atmosfera de sentidos (sons, movimentos, cores) no lugar de colar os cacos todos através de uma espalhafatosa "grande narrativa" que justifique e melodramatize tudo o que é dado a ver (à la Iñarritu).

O uso da elipse perto do fim - em torno do desenlace do romance que abre o filme - é um exemplo de como a ânsia de mostrar e ao mesmo tempo justificar ou explorar a realidade sentimental destas personagens pode ser dominada e, com isso e pela surpresa, nos "provocar" mais - e mais coisas. Esta brilhante primeira longa de ficção de Kleber Mendonça Filho pede para ser vista e revista várias vezes. É que o prazer da descoberta deste ou daquele detalhe parece não se ficar apenas pelo primeiro visionamento. Até quando temos nós, portugueses, de esperar pela sua estreia comercial?

What is This Film Called Love? (2012) de Mark Cousins


"What is This Film Called Love?" é um ensaio visual de Mark Cousins no formato de cine-diário sobre três dias de "tédio" na cidade do México por que o realizador teve de passar durante a divulgação internacional de um dos seus filmes. Esse tédio terá provocado um desejo de fazer alguma coisa e tendo Mark Cousins uma paixão incontida, orgulhosa até!, pela história do cinema não é de espantar que desse desejo resulte um objecto fílmico talvez difícil de classificar, entre o ensaio pessoal e o documentário pedagógico.

Acontece algo assim: um pequeno e muito frágil objecto que explora a intimidade deste cineasta perdido no México através de uma fantasiada (vídeo-)correspondência com Serguei Eisenstein. Repisando o solo que Eisenstein percorreu, aquando da preparação da sua obra-prima inacabada, "Que viva México!", Cousins encontra o pretexto ideal para sair do quarto e enfrentar o tédio. Há um problema aqui: ele não chega verdadeiramente a enfrentá-lo. Todo o filme é uma distracção de algo, uma espécie de transferência simples de uma certo estado espírito para esse grande repositório amalgamente chamado cinema.

Com uma banalíssima câmara digital, com uma foto de Eisenstein na mão, com um dispositivo básico que faz de uma correspondência delirante, além-túmulo, um motivo para conhecer a gigantesca capital mexicana, Cousins "improvisa" um filme desnecessário, que acaba por documentar menos o homem e mais a forma como este foge de si mesmo, da sua solidão numa cidade imensa que lhe escapa - e é preciso dizer que "a forma da fuga" nunca chega a convencer. Um home video sofisticado para amigos e família ou, no limite, um sofrível extra de DVD, o visionamento de "What is This Film Called Love?" só se justifica dentro do contexto específico de uma retrospectiva da obra de Cousins.

Camille Claudel, 1915 (2013) de Bruno Dumont


Os anos do asilo de Camille Claudel ou como a desesperança/esperança se alimenta da fé em Deus. O novo filme do cineasta francês Bruno Dumont - que mereceu uma retrospectiva na edição anterior do festival New Horizons - problematiza um assunto já não tão novo e fresco na sua filmografia. É interessante como este filme frustra as expectativas do género biopic, ao se centrar em não mais do que uma fase da vida da célebre escultora francesa que (quase certo) estaria reduzida a dois ou três planos num tradicional filme biográfico.

Temos aqui uma mise en scène levada ao mínimo - talvez o efeito mais espampanante seja o rosto de Binoche - que sustenta um igualmente reduzido número de situações dramáticas, sendo que de novo uma personagem num filme de Dumont se confessa de frente para a paisagem, para um ícone religioso, ou no limite para nós espectadores, o último ecrã para o qual se projectam estes rostos acossados pela dúvida, pela culpa, pela dor e pelo medo. Decerto nada de muito novo na economia dumontiana, que aqui parece estagnar e não conseguir ir além (ou aquém) do mistério magnificamente exorcizado em "Hors satan".

sábado, 27 de julho de 2013

Stemple Pass (2012) de James Benning


James Benning faz de "Stemple Pass" uma espécie de síntese perfeita do seu cinema, depurando (ainda mais) a sua proposta estética e política. Quatro planos, as quatro estações do ano, quatro planos sobre a mesma paisagem e na paisagem sobre a mesma cabana, cada um com trinta minutos. Em narração over, ouvimos os diários e as confissões de Ted Kaczynski, mais conhecido como "the unabomber". Nos anos 70, este homem doutorado em matemática pela Universidade do Michigan auto-excluiu-se da sociedade, afastou-se dos ruídos da civilização tecnológica, numa espécie de reedição ultra-radical de Walden. Daqui resultou um manifesto e uma acção terrorista (necessariamente terrorista, dirá o filósofo) através de encomendas armadilhadas enviadas (por correio) a professores, cientistas e políticos. A serenidade e respiração da paisagem natural são interrompidas pelos relatos crus, por vezes brutais e primitivos, por vezes perigosamente elaborados desta voz sem corpo cuja presença se faz simbolizar pela cabana que James Benning construiu à imagem da habitação original.

Depois de ouvirmos uma peroração sobre a ditadura tecnológica em que o homem moderno vive, cada som à distância de um helicóptero como que "golpeia" a imagem com um sentido de ironia e de gravidade que até agora estavam apenas implícitos nos filmes de Benning, como "13 Lakes" ou "RR". O "comentário à técnica" mistura-se aqui com um desesperante sentido de morte e um choque constantemente insinuado na paisagem audio-visual entre o primitivo e o moderno. É o grande "horror movie" de Benning depois de "Landscape Suicide", uma versão sublimada desta sua (outra) obra-prima. Uma contemplação sobre a natureza (do homem), a Natureza (que ele defende) e a sociedade (que ele ataca, em "legítima defesa"). Belo e perturbante, "Stemple Pass" é, sem dúvida alguma, um dos filmes mais notáveis que vi este ano.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A Story of Children and Film (2013) de Mark Cousins


A ideia de Mark Cousins em "A Story of Children and Film" parece ter sido ganhar alguma distância sobre o formato da série "The Story of Film: An Odyssey", procurando "desarticular" o que estava devidamente "arrumado" ao serviço de uma revisão crítica da história do cinema ou de uma nova pedagogia histórica das imagens fílmicas de todo o mundo. Se antes o tom pessoal se cingia quase por completo à intensidade da narração, caindo por vezes numa dimensão sentimental ou poética, agora Cousins estrutura um filme inteiro com base numa imagem íntima e espontânea capturada, sem preparação, de um quadro familiar corriqueiro.

Cousins filma os sobrinhos a brincar - antes vagueará e perder-se-á em especulações abstractas e poéticas pelos quadros de Van Gogh - e a partir dessa imagem típica constrói uma tapeçaria de imagens do cinema onde o protagonista dos protagonistas é a criança, na sua rebeldia, na sua doçura, na sua capacidade inata para criar ("todas as crianças são artistas", assim cita Cousins Pablo Picasso na sessão Q&A). De novo procurando fugir à visão ocidentalista (e "racista", como chega a formular na sua "The Story of Film") da história do cinema, Cousins reúne uma série de obras relativamente obscuras, da Dinamarca, Albânia, Irão, para lá das referências mais previsíveis, como "E.T.".

Nesta viagem - figura importante nesta obra recente deste cine-ensaísta nascido na Irlanda, promotor mundial do cinema através do medium filme e de um festival itinerário que organiza com Tilda Swinton - Cousins mais do que dar a conhecer os filmes na história ou a história dos filmes privilegia aqui o processo da sua rememoração cinéfila, uma espécie de associação livre (de novo, sentimental ou poética) que nem sempre se mostrará solidamente fundada em algo para lá de meras impressões pessoais, por vezes quase tiradas a ferros. "A Story of Children and Film" vale pela proposta arqueológica benjaminiana, de reunir num mesmo "timeline" filmes com uma certa afinidade temática: a criança e a sua situação. Útil pela "filmografia" anexa, fracassado no seu (ambicioso, ainda assim) projecto de fundir o filme pessoal, diarístico, com o documentário pedagógico.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O CINEdrio na Polónia


Até segunda-feira, o CINEdrio, quer dizer, eu estarei em Wroclaw, Polónia, cobrindo o festival T-Mobile New Horizons - International Film Festival, uma espécie de versão "ampliada" do Indie Lisboa.  Darei conta aqui do que conseguir ver em pequenos fragmentos que tentarei reunir e remoldar, em apenas um artigo, nesse outro fórum chamado À pala de Walsh. Não será uma cobertura exaustiva do que nele se mostrará, até porque já o apanho a meio e irei acompanhá-lo à distância, através de um "evento dentro do evento" chamado Sunday in the Country, para o qual fui primordialmente convidado. Explicarei melhor em que é que consiste/consistiu esta viagem no tal artigo escrito para a Pala.

Mais do que uma cobertura jornalística deste gigantesco festival de cinema, irei chamar a este espaço algumas impressões mais ou menos fugazes sobre os filmes que conseguir ver.

Quero agradecer à organização do festival e, sobretudo, ao Instituto Camões em Varsóvia o convite e a forma profissional como trataram de tudo.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Já está disponível a versão pública da Newsletter #23!

(Para consultar a versão pública da Newsletter #23, clique na imagem.)

Desta edição da Newsletter do CINEdrio, dedicada a Rainer Werner Fassbinder, tornamos públicos os nossos destaques a filmes de Henry Selick (com Tim Burton) e Curtis Harrington (uma cortesia da editora norte-american Flicker Alley). O Ricardo Vieira Lisboa escolhe os filmes que vale a pena ver no pequeno ecrã. Nos livros, re-publicitamos a monografia que Jacques Rancière dedicou ao cinema de Béla Tarr (cortesia da editora espanhola Shangrila) e revisitamos a história do cinema primitivo num livro de Laurent Mannoni. Também partilhamos com todos as respostas que nos deu Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão e Professor na Universidade Católica Portuguesa. 



A cada realizador, o seu chicote amestrador

Federico Fellini, "Otto e mezzo" (1963) 

Não sou um carrasco de atores. Como devem saber, há duas grandes escolas de amestrar leões: a francesa e a alemã. Na primeira, a francesa, os animais são mantidos rigorosamente em lugares precisos. Na outra, a alemã, os animais parecem sempre estar brigando com o domador. Esperava-se antes que a primeira escola fosse a alemã e a segunda a francesa, mas é precisamente o contrário. Há também duas grandes escolas de diretores: aquela em que o diretor domina o ator e o aterroriza para fazer sua parte, e a outra, à qual pertenço.

Entrevista a Orson Welles in André Bazin, Orson Welles, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1998, p. 176

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