quarta-feira, 25 de maio de 2011

Newsletter #3: Tarr

A próxima newsletter terá como figura de proa o realizador húngaro Béla Tarr, figura incontornável do cinema internacional, grande mestre dos planos-sequência sem fim, dos travellings enleantes, do preto-e-branco brumoso... Van Sant dedicou-lhe um filme ("Gerry") e fez outro com ele em espírito ("Elephant"), mas o reconhecimento que lhe é dado cá em Portugal é quase nulo: mereceu apenas uma edição em DVD do seu penúltimo filme, "O Homem de Londres", e pouco mais. Contudo, a sua obra, apesar de não muito extensa, é um tour de force sem par, que merece ser toda ela resgatada antes da estreia (esperemos!) nacional do já muito elogiado "O Cavalo de Turim", a sua última longa-metragem - segundo o próprio Tarr, mesmo a sua ÚLTIMA longa-metragem.

Para além do autor do mês, teremos as - ia escrever "habituais"... - rubricas de cinema na TV, o texto sobre nova livraria, o pequeno inquérito a uma pessoa da área do cinema ou fotografia e, last but definitely not the least, todas as pechinchas, futuros e novos lançamentos em DVD/Blu-ray e livros, muitos livros sobre tudo o que toque o assunto do Visual.

PS: Aos que, subscrevendo, não receberam a newsletter deste mês, por favor, procurem-na na vossa caixa de lixo, visto que, nalguns casos, a newsletter tem sido considerada spam pelas caixas de correio. Obrigado.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A origem do mundo (onde Estavas antes de tudo?)

"Window Water Baby Moving" (1962) de Stan Brakhage

"The Tree of Life" (2011) de Terrence Malick

The Tree of Life (2011) de Terrence Malick


Para pôr a salivar os mais expectantes, deixo aqui comentário muito rápido ao novo monumento fílmico que se erigiu das profundezas da terra e que, numa arquitectura impossível, se fez esticar até atingir o Céu, todo um outro edifício - a casa Dele, diz a Mãe -, casa invisível tornada visível pela orgânica de Malick... "The Tree of Life" ou como quem toca as raias do absoluto que há na vida (o nascer e o morrer) com as pontas dos dedos.

Eis tudo aquilo que gosto em Malick: obra de sensações, solta de qualquer amarra narrativa, profundo na forma como constrói as suas personagens-mundo, cujas vidas - em flashes de uma beleza indescritível - são projectadas para os acidentes do Cosmos com uma brusquidão e uma leveza enleantes. É um luto, uma liturgia da alma que se faz casar no fim com o princípio do Universo - ou seja, uma Mãe liberta o seu filho, dá-lo como sacrifício e, ao mesmo tempo, o MILAGRE DO CINEMA, nasce o Universo da luz e do fogo infernal. Nunca houve nada assim no cinema.

"The Tree of Life" é a verdadeira "Obra-do-toque", uma impossibilidade na história do cinema "oficial" americano, digo, é como se a Mekas ("As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty") e a Brakhage (as suas pinturas sobre película e "Window Water Baby Moving") fossem dados meios de grande produção, como se a Tarkovski fosse dada a possibilidade de refazer num filme, ao mesmo tempo, "Nostalgia" e "Solaris", como se os contra-picados - "pedra-de-toque formal" aqui - de Orson Welles fossem esculturas de Tempo e Memória, pesadas e leves ao mesmo tempo..., como se Kubrick ("2001") amasse a vida e a Natureza como amam Tarkovski, Mekas e, precisamente, Malick. É isto e, talvez, mais. Mas preciso de rever, porque é, acima de tudo, uma TRIP de uma beleza assoberbante.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XLIV): sobre a resposta da RTP ao requerimento da AR

Enquanto analisamos as auditorias RTP que a ERC enviou à Senhora Deputada Catarina Martins e que finalmente nos chegaram às mãos - recordo que tínhamos enviado uma carta à ERC logo no início desta cruzada, a qual até hoje não foi respondida -, venho aqui publicar a minha reacção (segundo documento) à resposta que a Administração da RTP2 deu a outro requerimento da Senhora Deputada (primeiro documento), no qual esta pedia informações relativamente ao cumprimento de algumas alíneas do n.º 13 da Cláusula 10ª do Contrato de Concessão de Serviço Público.

Resposta da Administração RTP a Requerimento AR



Sobre a Resposta da RTP ao Requerimento AR



(Entreguei esta resposta, em mãos, ao director da RTP2, Jorge Wemans, na passada quinta-feira, aquando do debate Cinema na RTP2, que iremos publicar em vídeo o mais brevemente que nos seja possível.)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Programação de cinema na RTP2 (XLIII): 1%

DOIS MIL NOVECENTOS E QUARENTA

Em 2008, a RTP2 emitiu “161 programas dentro do género filme/telefilme, o que representou 1,8% do total de programas emitidos”; em 2009, a quantidade de cinema exibida foi ainda mais baixa, num total de “196 programas, representando 1% do total de programação”.

Esta é parte da informação que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) enviou em resposta ao requerimento da Senhora Deputada Catarina Martins.

O debate é já na próxima quinta.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Newsletter #2 tornada pública (como amostra)

Decidimos tornar pública a segunda edição da newsletter do CINEdrio. Esta ferramenta, única, pelo menos com esta qualidade, na Internet, poderá ser útil a muita gente que ainda não subscreveu esta publicação. Pechinchas, lançamentos recentes e futuros de filmes e livros, sugestões de filmes a passar na TV, textos sobre lojas a visitar, entrevistas curtas a entendidos na área, isto e mais pode ser encontrado em cada edição desta newsletter, organizada por mim e pelo Francesco Giarrusso.

Como amostra, poderão consultar o conteúdo da newsletter #2 neste link e, caso queiram receber as edições que aí vêm, não hesitem em deixar o vosso mail e nome aqui.

Tempo é (de)cadência

James Benning, "One Way Boogie Woogie/27 Years Later" (1977-2004)

Es curioso, al cine siempre se le presenta bajo una imagen positiva, juvenil, luminosa... Y a mí a veces me parece un invento de la decadencia, que se muestra especialmente sensible para captar todo aquello que se desvanece, incluso lo más fugitivo que existe: el tiempo.

Víctor Erice, em entrevista pulicada no folheto da edição em DVD de "El sol del membrillo" (1992)

John's Gone (2011) de Ben & Josh Safdie

O novo filme dos Safdie já foi mostrado em território nacional, mais especificamente, no recém-(re)aberto Teatro do Bairro, na secção Observatório Curtas do Indie Lisboa. De entre os filmes que vi até agora no festival, "John's Gone" é o que me enche mais as medidas; pequena pérola cinematográfica, não excessivamente polida, na realidade, com todas as imperfeições que caracterizam "o humano", série de "pequenos lampejos de vida" captados sem pingo de maneirismo.

Uma curta justamente de curtos momentos, através dos quais sentimos a vida das personagens a expandir-se para lá do que é mostrado, a deixar-se entrever pelo espectador em toda a sua complexidade (= rede de implicâncias), em toda a sua "mundanidade". Estes lampejos ou flashes de vida são mostrados por um dispositivo formal levemente tributário de uma estética (comovente, porque perdida ou descaracterizada) do home-vídeo ou com o grão e a espontaneidade nos gestos do cinema beat dos anos 50/60 - doce rememoração que os irmãos realizam saltitando entre pequenos ilhéus narrativos, visíveis ou latentes.

"John's Gone", corolário de "Go Get Some Rosemary"? Não. Curiosamente, os Safdie parecem não se deslumbrar com o seu primeiro, e magnífico, resultado em formato longo e recuam para a curta, mas não recuam nos seus princípios, nem na integridade do seu cinema, feito de pessoas frágeis e de fugidios episódios do quotidiano, janelas sentimentais para algo mais profundo: tudo o que está em cada episódio feito de "nada" é muito, algo que se constata ainda melhor no quadro de uma Arte cada vez mais cheia de tudo que é "nada".

(E prometo não falar aqui dos filmes de Tréfaut e João Nuno Pinto, que se estrearam com pompa e circunstância e desiludiram no seu estilo "desbocado" e demagógico. Safdie estão onde têm estado: nos antípodas disto tudo. Cinema autenticado pelas pessoas que tem lá dentro e não por uma qualquer agenda político-sociológica, composta de uns quantos recortes de jornal, e que vende "verdades chocantes" como quem vende batatas embrulhadas em papel dourado.)

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