sábado, 5 de abril de 2008

There Will Be Blood (2007) de Paul Thomas Anderson

Meus senhores, não me peçam para ser racional, moderado, frio, preciso ou completamente imparcial a analisar este filme. Para mim, "Magnolia" é o maior filme dos anos 90 e tenho PT Anderson como o maior realizador da sua geração.

O que vi em "There Will Be Blood" é a superação, como raras vezes aconteceu, das expectativas monumentais que criei à volta de um filme. Trata-se de um daqueles filmes que já não se fazem sobre as raízes de toda uma civilização; sobre as camadas densas e imperscrutáveis que enformam as frustrações, sonhos, todas as virtudes e defeitos de um povo (com objectivos que lembram, a espaços, a trilogia sobre a construção dos Estados Unidos de Sergio Leone e esse autêntico ensaio sobre a ganância e avareza humanas que é "The Treasure of Sierra Madre", de John Huston).

O último filme de PT Anderson é isto, mas também é muito mais: é uma projecção da História na história de hoje; é uma reflexão crítica sobre os valores que fizeram erguer a nossa civilização. E, de uma maneira superlativa, por tão estrondosamente cinematográfica, "There Will Be Blood" diz-nos que essa civilização resultou do esforço criador, solitário e errático, de poucos homens, entre eles, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis numa interpretação que ficará na história), que funciona como a figura-síntese perfeita do seu, ou do nosso, tempo.

O sangue do título são as feridas, as lágrimas e o petróleo, mas também o ódio e o amor esmagadores desse pai, que tem tanto de pecador como de crístico ou tanto de devoto (na relação com o "filho" e no seu negócio) como de herege (a "vingança final" ).

Meus senhores, este filme grita-nos: é tempo de mudar o cinema e reposicioná-lo na sua escala original; na grande escala humana de um “Citizen Kane”!

Ler mais aqui: IMDB e DVDbeaver.

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