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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Agora é a tua vez de ser mister cinéfilo

(Still) Still de "Film socialisme" do ponta-de-lança JLG

Assistiu de bancada à Copa A Angústia do Blogger Cinéfilo...? Pois então, entre agora em campo e faça a sua equipa ideal com os nossos jogadores de sonho!

Isto é: esta á a sua vez de seleccionar a sua equipa ideal entre os jogadores de sonho (= os que chegaram às meias finais) que mais brilharam na Copa A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty. Antes de votar, relembro-lhe a performance dos jogadores ao longo do torneio, dos oitavos-de-final para as meias finais e terminando - onde tudo termina, de facto... - na final.

FAÇA CLIQUE NO LINK E VOTE NO/NA MELHOR:






Caros adeptos, está nas vossas mãos serem misters (não deste género, mas deste género) de uma equipa de grandes autores cinematográficos. Peço-vos apenas duas coisas: primeiro, que procurem não repetir jogadores nas vossas equipas (Eric Rohmer, por exemplo, aparece em duas posições diferentes nas sondagens); segundo, que tenham em mente os atributos de cada jogador, devidamente dissecados por cada blogger participante, durante a primeira edição da nossa Copa.

As sondagens decorrem até dia 18 de Março (ATENÇÃO: Deadline Adiado para dia 25 de Março). Seja (ir)responsável e vote!

*- Por favor, vote duas vezes nesta sondagem.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XV): resultados da sondagem

"Requiem for a Dream" (2000) de Darren Aronofsky (sim, sim, Sísifo e tal... ai ai, tão simbólicozinho que ele é...)

Eu sei, eu sei, senhor Paulo Portas, as sondagens "valem o que valem" e quase sempre estão erradas. Pode ser que sim, senhor Paulo Portas. Mas, neste momento, posso-lhe dizer, com algum grau de certeza, que dos 35 votantes da nossa sondagem sobre o cinema no segundo canal a maioria considera insuficiente (15 votos, ou seja, 42%) a actual programação de cinema da RTP2. 12 (34%) acham a mesma muito insuficiente. Assim sendo, 76% dos votantes considera negativa a oferta de cinema naquele canal.

Por outro lado, 5 leitores (14%) consideraram suficiente os 2 filmes por semana, ao passo que 2 (5%) consideram mesmo boa esta mesma programação. Apelei a todos eles que se pronunciassem neste espaço sobre as suas razões, mas nenhum deles expôs os seus argumentos - e eu, tenho de confessar, permaneço muito curioso...

Apenas um votante disse que o assunto lhe era indiferente. Não deve ser português.

Até finais deste mês tenciono escrever o texto da petição e pô-la à vossa consideração. Penso que urge uma programação de cinema pensada, formativa e entusiasmante na televisão pública e não penso mas tenho a certeza que cabe a nós, espectadores assíduos de cinema, reivindicá-la.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"O" diálogo ao espelho (de si para si)

a. Extracto de "Raging Bull" (1980) de Martin Scorsese



b. Extracto de "25th Hour" (2002) de Spike Lee

c. Extracto de "Pulp Fiction" (1994) de Quentin Tarantino (ver clip clicando na imagem)

Qual a sua escolha?


(Outros momentos aqui - vote!)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XIV): o respeitinho é muito lindo

Neste país de treinadores de bancada, dos bitaites, do "politicamente correcto", do "a minha vida não é isto", dos boys e do bota abaixo (...)

Ainda a propósito disto, fora as coisinhas - muito poucas - menos actuais, ouçamos bem todos juntos de mãos dadas:



O resto aqui.

(Não, não é para rir.)

Programação de cinema na RTP2 (XIII)


Neste país de treinadores de bancada, dos bitaites, do "politicamente correcto", do "a minha vida não é isto", dos boys e do bota abaixo, é interessante ver como nenhum dos ilustres votantes das opções "suficiente" ou "boa" da sondagem colocada à direita (ainda activa e à espera de mais votos) expressou os seus argumentos em qualquer um dos posts que já dediquei ao assunto "cinema na RTP2". (E, já me interrogo, se calhar se expressassem não sairia coisa muito melhor do que isto...)

Já sem esperança, lanço de novo o desafio: aos que não concordam com o que tenho dito até aqui, pergunto-vos por que consideram "suficiente" ou "boa" a programação de cinema da RTP2. E deixo outro desafio: olhando para a sessão dupla desta semana, "Tess" de Polanski (que passou há pouco tempo no mesmo canal) e "Deus Sabe Quanto Amei" de Vincente Minnelli, queria saber junto de tão sapientes votantes e leitores qual a lógica (fora a da batata) deste double bill.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XII): uma medalha vermelha pela (falta de) coragem


Obrigado RTP2 por teres passado "The Red Badge of Courage". Sei reconhecer o mérito desta escolha e valorizar, de novo em termos puramente cinematográficos, o double bill recente dedicado ao grande John Huston. É um dos meus realizadores favoritos (como está patente no cabeçalho deste blogue) e os dois filmes mostrados não são, longe disso, as escolhas mais óbvias dentro da filmografia do realizador. Agora, não vejam no que digo qualquer acto de contrição.

As críticas que tenho dirigido à RTP2 não se prendem com a qualidade dos filmes que esta mostra em sessão dupla aos sábados, mas, repito, com a forma como esta (não) os enquadra e liga entre si. Muito bem, para mim, que conheço razoavelmente bem a obra de Huston, não me é estranho o (aparente) eclectismo de este ter na sua filmografia um filme de guerra tão brilhante como "The Red Badge of Courage" (1951) e depois, nos anos 70, fazer um arrojado filme político, de título "The MacKintosh Man".

O problema é que, para o espectador-médio, Huston é só um nome no genérico, que lhe dirá pouco antes e não dirá muito mais depois desta sessão. Por outro lado, pergunto-me se não seria pertinente enquadrar histórica e esteticamente o período que separa um filme de 51 cujo tema é, stricto sensu, a guerra civil norte-americana de um thriller político - muito em consonância com o espírito do chamado cinema liberal norte-americano dos anos 70 - realizado vinte anos mais tarde, não nos Estados Unidos mas na Grã-Bretanha e Malta - ai, o "exotismo" dos pós-clássicos!

Eu, que vejo tanto cinema na televisão como comprado e sacado - e compro muito -, agradeço estes excelentes momentos de cinema, atomizados e saídos a conta-gotas, que a RTP2 lá nos vai proporcionando. Contudo, agora que "5 para a Meia-Noite" merece dose dupla quase todos os dias da semana, eu pergunto: não acham que podia haver uma melhor programação de cinema no canal 2? Melhor: não teremos nós, o seu público, o seu meio de subsistência, direito a mais do que esta prática de enxotar filmes para o sábado, como quem atira lixo para debaixo do tapete? Vou ser franco: eu sinto que ando a comer migalhas num prato que poderia estar farto de boa comida e manter, sem dificuldade, uma boa apresentação.

Obrigado RTP2 pelos Hustons, mas eu quero mais Hustons e quero que nos ajudem - a mim, que já conheço algumas obras-primas do realizador, e ao espectador que não conhece nenhumas - a apreciá-los em toda a profundidade.


Peço a todos para votarem na sondagem colocada na coluna à direita. Também gostava de ouvir/ler as vossas opiniões sobre este assunto, sobretudo daqueles que não concordam comigo e acham que a programação de cinema da RTP2 é muito boa, boa ou suficiente.

Se concordarem, podem-se envolver previamente na iniciativa enviando as vossas informações pessoais para peticaortp2@hotmail.com.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Os trailers mais geniais (= filmes mais geniais?)


a. Trailer de "Le mépris" (1963) de Jean-Luc Godard


b. (O já
aqui citado) trailer de "Femme Fatale" (2002) de Brian De Palma


c. Trailer de "Dogville" (2003) de Lars von Trier

Qual a sua escolha?

(Outros momentos aqui - vote!)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A mais tresloucada perseguição



a. Extracto de "Cops" (1922) de Eddie Cline & Buster Keaton

b. Extracto de "Girl Shy" (1924) de Fred C. Newmeyer & Sam Taylor (ver daqui até aqui)

c. Extracto de "Toy Story" (1995) de John Lasseter

Qual a sua escolha?

(Outros momentos aqui - vote!)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Programação de cinema na RTP2 (XI): tempo de tirar a venda

"Olhos da Ásia" (1996) de João Mário Grilo

Vamos a factos.

1. A RTP2 passa dois filmes ao sábado quando, há coisa de 5 anos, estava a passar um filme todos os dias.

2. Nesse espaço, muitas vezes, verifica-se uma repetição das escolhas, dentro da própria rubrica ou em relação à RTP1.

3. Nem sempre é evidente a escolha desses dois filmes, faltando ao público-médio (é para ele, antes de mais, que se destina a TV pública) instrumentos para que seja levado a ver e/ou a saber descodificar o que vê - relembro as introduções de Bénard da Costa ou dos entrevistados de Inês de Medeiros em "Filme da Minha Vida".

4. Há, efectivamente, uma programação de cinema na RTP2? Há, se não entendermos programação como um macrotexto ou um "discurso" que atenda às necessidades e sensibilidades do público e que seja sólido, coerente e inteligível na sua formulação para a maioria.

5. A falta de oferta de cinema na RTP2 espelha a falta generalizada de cinema no resto dos canais, cabo ou não, pagos ou gratuitos. E curto é o leque de filmes que todos estes canais passam, tal como curta acaba por ser a própria oferta dos vídeo clubes, onde o predomínio de cinema norte-americano é desproporcionado em relação a outros interessantes cinemas do mundo (como o português). Face a isto, o segundo canal tem perdido uma boa oportunidade para se afirmar como uma "alternativa", dever a que está vinculado pelo disposto no Artigo 54.º da Lei da Televisão.

Concordam que se podia fazer mais neste domínio numa estação que, a bem ver, é financiada por todos nós? Se sim, como diz o outro, é tempo de mais acção e menos conversa - ou melhor, é tempo de transformar a conversa em acção! Para tal, sugeria começar por se juntar a nós via peticaortp2@hotmail.com.

(Sublinho que não está aqui em causa o concordar ou não com cada uma das opiniões que expressei. A ideia até é haver uma saudável troca de ideias entre os membros que se queiram juntar ao grupo-base, que só depois de formado com um número mínimo de pessoas - que cubram mais ou menos o espaço nacional - irá debater entre si as versões do texto da petição.)

domingo, 18 de julho de 2010

Let's end this motherfucking shit/ O final apocalíptico par excellence


a. Extracto de "Videodrome" (1983) de David Cronenberg


b. Extracto de "Fight Club" (1999) de David Fincher


c. Extracto de "Escape From L.A." (1996) de John Carpenter


Qual a sua escolha?

sábado, 17 de julho de 2010

O beijo mais cinemático


a. Extracto de "Body Double" (1984) de Brian De Palma



b. Extracto de "Pickpocket" (1959) de Robert Bresson


c. Extracto de "Punch-Drunk Love" (2002) de Paul Thomas Anderson

Qual a sua escolha?

Programação de cinema na RTP2 (X)


Quem me conhece, sabe que há muito tempo que me indigno com a programação da RTP2, sobretudo, tendo em conta a quase total falta de originalidade da sua programação, o desleixo que revela na escolha e alinhamento dos seus programas e, muitas vezes, tendo por referência a declarada falta de qualidade dessa oferta. Foi em 2006 que mandei um mail ao Provedor do Telespectador a expor a minha insatisfação face à quase ausência de cinema na grelha programática da televisão pública, sobretudo, da RTP2. Esse mail deu origem a uma pequena entrevista que depois foi transmitida no programa "A Voz do Cidadão". A resposta institucional de Wemans foi um vácuo absoluto e Paquete de Oliveira remeteu-se a uma posição politicamente correcta (aquela que faz com que seja "anti-patriótico" olhar para o copo meio vazio em vez de meio cheio).

Por que surge agora a ideia de uma petição? Por duas razões.

A primeira prende-se com o global decréscimo de conteúdos de cinema na televisão portuguesa, incluindo a TV por Cabo, em benefício de um batalhão de séries com um número infindável de temporadas que se repetem sobre si mesmas em vários canais temáticos (os canais Fox e semelhantes). Encontramos cada vez menos espaços dedicados ao visionamento de filmes e nenhuns reservados à análise aprofundada dos mesmos.

A RTPMemória, que tinha cinema clássico durante toda a semana e algum cinema português, reduziu ao mínimo o número de filmes, limitando-se hoje a passar muito pontualmente obras já exibidas nesse canal, na RTP1 ou na RTP2. Na RTP1, filmes com Dolph Lundgren são destacados como "obras-primas da Sétima Arte", ocupando os melhores horários da grelha em detrimento do cinema não-americano, praticamente inexistente. Face a este vazio - recordo também que tanto canais como o AXN e o MOV reduziram drasticamente o número de filmes na sua grelha - exigia-se à RTP2 que oferecesse, mais do que nunca, uma alternativa.

A minha paciência atingiu um ponto de saturação quando constatei que o talk show "5 para a Meia-Noite" ia continuar, na sua milésima temporada, a preencher as noites da RTP2 - e agora, imaginem só, temos este degradante programa em dose dupla (com uma repetição) madrugada dentro!

A segunda razão prende-se com o facto de ter regressado recentemente a uma das minhas actividades favoritas: a gravação de filmes. Isto graças à box MEO que possuo há pouco tempo. Olho para as várias dezenas de filmes que gravei nas últimas semanas e vejo que a esmagadora maioria deles vieram dos canais Hollywood e TCM, sendo que na RTP2 como na RTP1 e RTPMemória gravei cerca de 5 filmes. Comparando com os tempos do "5 Noites, 5 Filmes" e "Filme da Minha Vida" esta situação parece-me inaceitável: quer dizer, multiplicam-se os canais, mas os conteúdos não se diversificaram, pelo contrário!

Exponho estas razões no seguimento dos vários posts que tenho publicado aqui, mas não só, em defesa de uma (melhor) programação de cinema na RTP2. Se se quiser juntar à causa, antes do lançamento da petição on-line, por favor, mande as suas informações pessoais para peticaortp2@hotmail.com. Estamos a construir uma mailing list com todos os contactos daquela que será a espinha dorsal desta iniciativa.


A dança mais cool na história do cinema (lamento Godard e Tarantino, lamento...)


a. Extracto de "Picnic" (1955) de Joshua Logan



b. Extracto de "Bande à part" (1964) de Jean-Luc Godard



c. Extracto de "Pulp Fiction" (1994) de Quentin Tarantino


Qual a sua escolha?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Programação de cinema na RTP2 (IX): uma carta de Laughton

De novo, Laughton em "Witness for the Prosecution" (1957) de Billy Wilder

Perguntei ao nosso excelso jurista Charles Laughton como é que a lei portuguesa define a figura da petição pública. A resposta veio em carta lacrada escrita à mão pelo insigne advogado - Laughton é MESMO um fulano do século passado. Tento traduzir aqui a sua resposta:

Caro Luís,

Folgo em saber que tenciona avançar com esta nobre causa. Ainda hoje me pasmo com o facto de haver no mundo uma estação de serviço público que não passa um filme em que eu entro, ou a obra-prima que realizei*, num período superior a 365 dias. Inaceitável!

Bem, quanto ao seu pedido, transcrevo de seguida o disposto no artigo Artigo 2.º, número 1, da Lei n.º 43/90: "Entende-se por petição, em geral, a apresentação de um pedido ou de uma proposta, a um órgão de soberania ou a qualquer autoridade pública, no sentido de que tome, adopte ou proponha determinadas medidas". No seu caso, as medidas reivindicadas são claras: mais conteúdos de cinema na grelha programática do segundo canal. Poderá ou não especificar que tipo ou de que forma esses conteúdos deverão ser tratados, à luz daquilo que a lei define como serviço público.

Quanto ao destinatário da petição, sugiro que pondere os seguintes: Ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão, figura que tutela a televisão pública nacional; a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e/ou Ministério da Cultura.

Quanto aos requisitos para a subscrição, lê-se no Artigo 6.ª, número 3: "Os peticionários devem indicar o nome completo e o número do bilhete de identidade ou, não sendo portador deste, qualquer outro documento de identificação válido". Lembre-se também que, quanto à forma, o Artigo 9.º estipula, nomeadamente no número 3, que "O direito de petição pode ser exercido por via postal ou através de telégrafo, telefax, correio electrónico e outros meios de telecomunicação". Não se esqueça: é mister que o objecto da petição seja o mais claro e concreto possível sob pena de indeferimento (Artigo 9.º , número 5 e Artigo 12.º da mesma lei).

Mais alguma questão, tem a minha morada - olhe, estive a pensar e se calhar queria que me pagasse os honorários com uma dessas maquinetas modernas que mandam cartas pela corrente.

Seu,

Sir Charles Laughton


*- O autor refere-se a "The Night of the Hunter" (1955), film noir com Robert Mitchum que, apesar de maldito no seu tempo, é hoje considerado uma dos filmes mais plasticamente assombrosos na história do cinema - muito graças à realização de Laughton, a única na sua carreira, e da fotografia "miraculosa" do grande Stanley Cortez. Recentemente, os Cahiers du Cinéma premiaram-no com a medalha de prata numa lista dedicada aos 100 filmes mais belos do mundo.

Programação de cinema na RTP2 (VIII): reunir tropas, já!

"Contra os canhões, marchar, marchar!" ou qualquer coisa parecida em "Barry Lyndon" (1975) de Stanley Kubrick

Alguns têm-me acusado, e se calhar com alguma razão, de criticar em demasia o trabalho que a RTP2 tem feito em matéria de cinema. Digo "se calhar com alguma razão", porque a RTP2 não deixou completamente de passar cinema e mesmo algum cinema que foge à oferta das outras estações. A sessão dupla de cinema romeno há pouco tempo é disso exemplo.

A questão é que passar aqui e ali um bom double bill é fazer muito muito pouco, primeiro lugar, tendo em conta o contributo que a RTP2 deu no passado para a formação de uma sensibilidade cinéfila ou puramente áudio-visual e, em segundo lugar, tendo por referência aquilo que poderia ser e, sem motivo aparente, não é. Já citei, ou melhor, o Sir Laughton já citou, os artigos que, no fundo, definem aqueles que são os deveres de uma estação concessionária do serviço público. É comparar o que está na lei com aquilo que o canal de Wemans nos oferece (sobretudo, e perdoem-me a perseguição, às "5 para a meia-noite").

Peço a todos para votarem na sondagem aqui à direita. Será um indicador precioso saber a opinião dos frequentadores deste blogue ou/e da blogosfera em geral. Peço também que continuem a debater o estado da RTP2 à luz de todos os posts que escrevi aqui e dos muitos outros que os meus compagnons de route têm escrito nos seus espaços.

Se quiserem pertencer ao grupo redactor, basta enviarem as vossas informações pessoais para peticaortp2@hotmail.com. Estamos a trabalhar na criação de uma espécie de mailing list, com os dados mais relevantes de cada um dos elementos para ter uma visão panorâmica de quem está verdeiramente connosco neste começo de "batalha". Daí pedirmos para além do nome, idade e mail de contacto, o local de onde nos escrevem - acreditamos que só seremos consequentes se cobrirmos, dentro dos possíveis, o espaço nacional.

Até agora, enviaram-nos os seus dados:

Carlos Ferreira
Carlos Natálio
Cláudia Silvestre
João Palhares
Miguel Domingues
Ricardo Lisboa

Vamos a isto ou quê?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Programação de cinema na RTP2 (VII): Laughton dixit

Eu já escolhi o nosso advogado: Sir Charles Laughton, na imagem, em "Witness for the Prosecution" (1957) de Billy Wilder.

Em nossa defesa, do alto do seu génio "interpretativo" e dos seus muitos quilos, Sir Laughton invoca:

Constituição da República Portuguesa (CRP), Artigo 38.º (Liberdade de imprensa e meios de comunicação social):

5. O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão.

CRP, Artigo 73.º (Educação, cultura e ciência):

3. O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural, em colaboração com os órgãos de comunicação social, as associções e fundações de fins culturais, as colectividades de cultura e recreio, as associações de defesa do património cultural, as organizações de moradores e outros agentes culturais.

CRP, Artigo 78.º (Fruição e criação cultural):

2. Incumbe ao Estado, em colaboração com todos os agentes culturais: (...)

b) Apoiar as iniciativas que estimulem a criação individual e colectiva, nas suas múltiplas formas e expressões, e uma maior circulação das obras e dos bens culturais de qualidade;

Lei da Televisão (LT), Artigo 51.º (Obrigações específicas da concessionária do serviço público de televisão):

1 - A concessionária do serviço público de televisão deve, de acordo com os princípios enunciados no artigo anterior, apresentar uma programação que promova a formação cultural e cívida dos telespectadores, garantindo o acesso de todos à informação, à educação e ao entretenimento de qualidade.

2 - À concessionária incumbe, designadamente:

a) Fornecer uma programação variada e abrangente, que promova a diversidade cultural e tenha em conta os interesses das minorias;
b) Promover o acesso do público às manifestações culturais portuguesas e garantir a sua cobertura informativa adequada; (...)
h) Apoiar a produção nacional de obras cinematográficas e áudio-visuais, no respeito pelos compromissos internacionais que vinculam o Estado Português, e a co-produção com outros países, em especial europeus e da comunidade de língua portuguesa;

LT, Artigo 52.º (Concessão de serviço público de televisão):

3 - A concessão do serviço público inclui necessariamente:
a) Um serviço de programas generalista distribuído em simultâneo em todo o território nacional, incluindo as Regiões Autónomas, com o objectivo de satisfazer as necessidades formativas, informativas, culturais e recreativas do grande público;

LT, Artigo 54.º (Sergundo serviço de programas generalista de âmbito nacional):

1 - O segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional compreende uma programação de forte componente cultural e formativa, devendo valorizar a educação, a ciência, a investigação, as artes, a inovação, a acção social, a divulgação de causas humanitárias, o desporto amador e o desporto escolar, as confissões religiosas, a produção independente de obras criativas, o cinema português, o ambiente, a defesa do consumidor e o experimentalismo áudio-visual;
2 - O segundo serviço de programas generalista de âmbito nacional deve assegurar uma programação de grande qualidade, coerente e distinta dos demais serviços de programas televisivos de serviço público, nele participando entidades públicas ou privadas com acção relevante em áreas referidas no número anterior.

Laughton dixit.

Têm surgido pequenos equívocos relativamente a esta petidção por uma (melhor) programação de cinema na RTP2. A primeira prende-se com o pedido que faço aqui na coluna direita. Peço os dados de identificação e contacto a quem se quiser juntar ao grupo que irá redigir, arranjar apoios e divulgar a petição, que será elaborada e posta a circular na Internet, em princípio (dependendo da adesão), até ao próximo mês de Setembro.

A segunda questão prende-se com o contra-argumento que mais tem sido invocado pelos nossos seguidores: o facto de estes verem pouca televisão ou pouco cinema na televisão. Penso que há aqui um vício de raciocínio. Na minha opinão, actualmente, nós, isto é, todos os interessados por cinema, vemos poucos filmes na TV, devido precisamente à fraca qualidade das grelhas dos principais canais neste domínio. Reflictam e lembrem-se: se estiverem connosco nesta causa, enviem essa indicação para o mail peticaortp2@hotmail.com.

Entretanto, recomendo vivamente os riquíssimos posts que o Ricardo Lisboa tem escrito no Breath Away (I e II), o post que o Carlos Natálio deixou no seu ordet e o tomo II da reflexão de Miguel Domingues sobre o assunto. O debate também está muito interessante e activo no CZARADOX.

sábado, 10 de julho de 2010

Programação de cinema na RTP2 (VI)


Actualmente, a RTP2 exibe dois filmes ao sábado. Fora a sobrevivente "Onda Curta", não há mais nenhum espaço dedicado à Sétima Arte. Não estaríamos a queixar-nos se este tivesse a qualidade, ou próximo da qualidade, de rubricas semelhantes do passado, mas de base diária. O problema é que, objectivamente, o cinema da RTP2 é ou uma despensa da RTP1 ou uma playlist desarticulada de bom cinema. Hoje, por exemplo, passam "Zabriskie Point" (1970) de Antonioni e "Woodstock" (1970) de Michael Wadleigh. Dois filmes interessantes - o de Antonioni é magnífico - mas que surgem juntos sem qualquer tipo de contextualização. A razão para este casamento só pode ser o facto de serem filmes contemporâneos um do outro e de serem, de algum modo, emblemáticos da cultura hippie.

Tudo bem. Não digo que não se faça um ciclo dedicado à cultura hippie, mas de onde caiu isto? Porquê fazê-lo hoje, agora? Não faria sentido uma introdução a ligar os filmes à época histórica retratada, um testemunho ou mesmo uma análise (de cariz sociológico, histórico ou mesmo cinematográfico)? Para mim, isto seria ter-se o mínimo de cuidado numa estação que se diz de serviço público. Mas não, não há nada. Por outro lado, para quê passar "Woodstock" outra vez? É que este documentário com mais de três horas passou há pouco tempo a propósito da celebração dos quarenta anos do mítico festival de música - aqui, percebia-se a pertinência da exibição, mas nem por isso houve um esforço da RTP2 de a relacionar com a actualidade.

A cada sábado que passa, fica evidente a falta de uma política sólida de programação em matéria de cinema no segundo canal. Por este exemplo, demonstra-se que umas vezes os filmes como que respondem a assuntos da "actualidade"; outras vezes, aparecem totalmente desligados desta. O problema é que não há ninguém nem nada que os articule ou desarticule com a agenda mediática.

Entretanto, juntaram-se ao grupo peticionário dois valiosos membros: o João Paulo Costa do CinePt e o Ricardo do Breath Away. O Miguel Domingues do In a Lonely Place está também a reunir tropas no seu blogue. É dar uma espreitadela aqui. Convido-vos também para o excelente debate que se desenrola aqui.

Se se quiserem juntar ao grupo, basta enviarem um mail com nome, idade, mail e mais o que quiserem para peticaortp2@hotmail.com. O nosso objectivo é criarmos uma espécie de mailing list para lançar a petição num futuro próximo.

Ficamos à espera de alargar este grupo. Já sabem, se concordarem com esta causa, não hesitem, juntem-se a nós - o único compromisso será promover e assinar a petição.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Programação de cinema na RTP2 (V)

"Taxi Driver" (1976) de Martin Scorsese

Gravo filmes desde "A Casa Encantada". Devia ter 13 anos quando gravei a obra-prima de Hitchcock (e Dali?) e, depois de o ver três ou quatro vezes, comecei a gravar incessantemente até hoje. O fim do "5 Noites, 5 Filmes" marcou o princípio da minha insatisfação face à forma como a RTP2 estava a ser gerida - e, assim, uma história de amor transformou-se numa história de ódio e vingança... contra aqueles que tiraram do ar aquele que era para mim o espaço mais significativo da televisão portuguesa. Mas não sou partidário do neo-nazismo forçado de um Bickle ou do justicialismo bronsoniano ou dirty harriano (apesar de todos eles serem cool como o caraças). Por isso, a minha via terá de ser a mais democrática que encontro: uma petição pública.

Até agoro, conto com Miguel Domingues do blogue In a Lonely Place e Carlos Natálio do blogue ordet como parceiros peticionários. Se se quiserem juntar, ponham um comentário num destes posts ou enviem mail. Entretanto, peço a todos que respondam à pergunta que coloco já aqui na coluna à direita: "Como classifica a actual programação de cinema na RTP2?".

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Cannes 2009: a Palma que falta dar e as outras (V - fim de votação)

O Festival de Cannes já começou e, por isso, fechamos as urnas da nossa sondagem sobre a mais acertada Palma de Ouro dos últimos 8 anos. Apesar de alguma divisão inicial e um certo tête-à-tête final entre o filme de Van Sant e o de Polanski, a maioria acabou por premiar de novo a obra-prima "Elephant", que obteve mais dois votos que "O Pianista" (35% contra 27%). "A Turma", a Palma do ano passado, ainda beneficia do hype que gerou na crítica e no público. O seu brilhantismo permanece bem fresco na mente de, pelo menos, três dos votantes (12%). O mesmo parece acontecer com a pungente obra de Cristian Mungiu, que também recebe três votos (12%).



Nanni
Moretti e o drama familiar "O Quarto do Filho" recebem dois votos, deixando para os últimos lugares "Brisa de Mudança" de Ken Loach, "A Criança" dos irmãos Dardenne e, com zero votos, "Farenheit 9/11". Curiosamente ou não, é nestes filmes que encontramos alguma ponte com a actualidade: Ken Loach está de novo na competição pela Palma com "Looking for Eric", protagonizado pelo jogador de futebol Eric Cantona, e Tarantino ("Inglorious Basterds"), que presidiu ao júri que atribuiu a Palma a Michael Moore por "Farenheit 9/11", é o único americano na competição oficial.

Não tendo mais nada a acrescentar, resta-nos agradecer aos 26 visitantes do CINEdrio que votaram nesta pequena sondagem.

domingo, 26 de abril de 2009

Cannes 2009: a Palma que falta dar e as outras (IV)

Pensamos que a rectificação merece novo post: anunciámos aqui que Francis Ford Coppola e Werner Herzog não iriam a Cannes, o que não foi totalmente rigoroso. O filme "Tetro", de Coppola, abrirá a competição na Quinzena dos Realizadores, mas, de facto, não estará na corrida pela Palma de Ouro. Esta subalternização de um realizador já laureado com a Palma não parece incomodar o implicado.

No site dos Cahiers du Cinéma, Francis Ford Coppola afirma-se mais do que contente com esta opção, revelando, um pouco como já fizera na entrevista que deu ao Expresso, a vontade de ter novamente 18 anos (sonho possível apenas para o protagonista de "Youth Without Youth"...): "I am extremely pleased to bring TETRO to Director’s Fortnight. This film embodies my original passions as a filmmaker, and is a reflection of my goals and ideals when I first began. It is so difficult to work in a personal way in the cinema today, between the business constraints and commercial realities, that you must let your work be a cry for independence, which is why it is so appropriate that TETRO is premiered in the Director’s Fortnight, where young filmmakers go".

Quanto a "Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans", presumimos que não terá caído minimamente nas graças do júri de selecção e, por isso, nem a Quinzena lhe valeu. Nobuhiro Suwa, realizador nipónico que já foi herói independente do IndieLisboa, teve sorte diferente: "Yuki & Nina", filme também assinado pelo francês Hippolyte Girardot, estará na Quinzena dos Realizadores.

Nesta secção ainda podemos encontrar, para além dos portugueses Pedro Costa ("Ne Change Rien") e João Nicolau ("História de Amor e Saúde"), as novas obras de Alain Guiradieu ("Le Roi de l’évasion"), cineasta francês que estreou entre nós o surpreendente "Pas de repos pour les braves", e o veterano cineasta da Nouvelle Vague Luc Moullet ("La Terre de la folie"). Mas a grande extravagância desta secção é, sem dúvida, um filme norte-americano: "I Love You Phillip Morris" , primeira realização da dupla que escreveu "Bad Santa", Glenn Ficarra e John Requa, com uns muito gays Jim Carrey, Rodrigo Santoro e Ewan McGregor nos principais papéis.

(continua)

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