sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Carmen Jones (1954) de Otto Preminger

"Carmen Jones" (1954) é uma das grandes subversões de Otto Preminger: uma actualização da famosa ópera de Georges Bizet que inclui apenas actores afro-americanos no elenco. O filme tem o nome da sua protagonista, portentosamente interpretada por Dorothy Dandridge.

Poderoso, e precoce, símbolo da emancipação feminina, Carmen é a Diane de "Angel Face" e a Linda Darnell de "Fallen Angel" (nunca a de "Centennial Summer"); é uma femme fatale temperamental que odeia compromissos e que vê no ideal dominante de família um inaceitável regime prisional. Joe (Harry Belafonte), o miliar que se apaixona por ela, demora a perceber que Carmen não é mesmo uma mulher como as outras: gosta de passear solta, sem freios, pelas ruas de Chicago e não gosta de dançar sempre com o mesmo homem ou de viver eternamente no mesmo sítio.

Carmen não é só a mulher que dá nome, e protagoniza, este robusto musical de Otto Preminger; ela é, de facto, o filme. Ver "Carmen Jones" é passar pela experiência de ser Carmen. A câmara de Preminger é perfeita para tal; sempre em movimento, quase "aquática" (palavra roubada a Godard), passa de décor em décor com uma suavidade e "sentido de liberdade" notáveis. Não se acanha perante as sumptuosas pernas de Dandridge, os seus olhares provocadores e os seus modos, para a época, no limiar da lascívia.

A entrada em cena de Carmen diz tudo: a partir daí, o espectador como o pobre Joe já não poderão ficar indiferentes à sua presença. Imediatamente, embarcamos numa grande aventura amorosa construída em arco: traição, amor e morte. A música, sempre trágica, atravessa a narrativa como uma flecha.

Monumental o plano que enquadra o presidiário Joe, de tronco nu, a cantar o amor por Carmen; engenhosa a forma como duas, três personagens trocam "diálogos cantados" sem sair do mesmo plano e extraordinariamente sensual a imagem de Carmen a provocar o "foragido" Joe com as suas pernas. A mulher manda aqui: os homens rastejam por ela e sonham com o exclusivo do seu amor. Com efeito, um sonho que pode levar à loucura e depois à morte.

Ler mais aqui: IMDB.

2 comentários:

Filipe Machado disse...

Bom noite,

Envio esta mensagem com o intuito de dar a conhecer o meu recém-criado blog sobre cinema (http://additionalcamera@blogspot.com). Sou um amador por estas andanças, mas se lhe interessar o conteúdo do meu sítio, gostaria de receber o seu apoio para divulgá-lo, nomeadamente através da colocação de um link no blog que administra. Colocarei também o seu endereço na minha rubrica “Additional Cameras”.

O meu muito obrigado pela sua atenção!

Sem outro assunto de momento, desejo-lhe as maiores felicidades para o futuro!

Filipe Machado


P.S. – Participe na sondagem "Melhor James Bond com Sean Connery" até ao dia 31 de Janeiro 2009, em http://additionalcamera@blogspot.com.

wasted blues disse...

Já vi muitos filmes de Preminger, mas nunca consegui ver este :(

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