Paula Bobone em "Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço": "Não sei nada. Não sei nada."
Paula Bobone em "Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço": "Não sei nada. Não sei nada."
9. "Foi uma traição a mim mesmo: durante anos elogiei Lars von Trier, pelo arrojo das suas experiências Dogma, pela profundidade e mordacidade que incutia em cada história, nunca tinha visto nada como "Ondas de Paixão" ou "Idiotas". Dei 4s e 5s a grande parte da sua obra até... ficar fora de moda. Foi a Palma para "Dancer in the Dark" que me fez ceder à pressão de grupo. Não podia continuar a gostar dele, não podia continuar a aceitar a sua "moral", mesmo se a tivesse aceite e posto nos píncaros em tempos idos. Comecei, furiosamente, com as bolas pretas e as estrelinhas solitárias, tipo esmola para pobre. Vomitei o discurso chapa 2 do "a arrogânica, o cinismo, o aquilo e aqueloutro" de Trier em "Dogville", escusando-me a ver nele uma das mais complexas e audazes parábolas sobre a América "Polícia do Mundo" de W. Bush e amigos [por falar em cinismo...]. Subi na vida, comprei uma casa nova, casei-me e fui promovido a editor-chefe. Arrependo-me? Claro que não." (Excerto de "Diário de um Crítico de Cinema" de autor desconhecido, pp. 120)
8. Vira-se a avó para a neta: então, minha filha, estás a ver uma fita? Sim, avó... Como se chama? Chama-se "Notebook"... Ah... Olhá Gena Rowlands, como ela está velha... Sim avó... Ela era casada com um homem muito garboso, costumava recortar fotografias dele quando tinha a tua idade. Cassavetes era o seu nome. Ah, esse é o tipo que realiza este filme. Ai é? Pensava que ele tinha morrido... Não, avó... A neta pega na caixa do DVD de "Notebook" à procura do nome do realizador e conclui: exacto, N-i-c-k C-a-s-s-a-v-e-t-e-s está bem vivo.

6. Há um Shrek, gordo, verde e fala-barato, que faz as delícias dos netinhos do Cavaco Silva e há um Shreck, cadavérico, a preto e branco e mudo, capaz de lhes sugar o sangue até à última gota.
4. Impressionem o vosso papá sabichão. Digam que adoram Paul Thomas Anderson ("Magnolia") em vez de Paul W.S. Anderson ("Resident Evil").
3. Regra de ouro em qualquer evento social: não falar de DeCoteau (trash) mas de Cocteau (alta cultura).