sexta-feira, 18 de Abril de 2014

IndieLisboa 2014 no À pala de Walsh


A presença do À pala de Walsh no próximo IndieLisboa, que começa já na próxima semana, dia 24 de Abril, merece um post à parte por várias razões. A primeira prende-se com o prémio de distribuição TVCine que, pela primeira vez no festival, será entregue por bloggers de cinema: eu, o Francisco Valente e o Pedro Fernandes. A companhia é muito boa, mas a razão para esta convocatória ainda é melhor, já que a criação deste prémio significa um passo de gigante da blogosfera no sentido do seu reconhecimento como crítica de cinema adulta. O passo seguinte será criar um prémio geral de imprensa onde críticos do papel e do online se combinem indistintamente no júri. De qualquer maneira, queria congratular o IndieLisboa por esta iniciativa e partilhar com o resto da blogosfera esta nossa vitória. Hoje sou eu, o Francisco e o Pedro, mas no próximo ano serão outros bloggers.

A outra razão para este contentamento tem a ver com os moldes em que iremos cobrir esta edição do festival. Teremos uma cobertura escrita a várias mãos e produziremos ainda uma especialíssima cobertura fotográfica da autoria de Mariana Castro, que o leitor poderá acompanhar diariamente no Facebook do À pala de Walsh. Outros dois walshianos, Ricardo Vieira Lisboa (da organização do festival) e Carlos Natálio, irão apresentar algumas sessões in loco. Muitos motivos para seguirem o próximo Indie à pala de Walsh.

domingo, 6 de Abril de 2014

Ligação directa à pala de Walsh (XIX)



Março foi um mês em que voltei ao velho assunto do cinema na RTP2. Primeiro, falei com João Garção Borges sobre o fim do seu "Onda Curta" - leia a entrevista aqui. Segundo, escrevi a minha crónica Civic TV sobre o novo Contrato de Concessão da RTP e a passagem de "Feral" na ausência desse programa histórico da televisão pública - leia-a aqui. Terceiro, os mesmos assuntos foram conversados com a actriz Joana de Verona e o meu colega walshiano João Lameira nas quintas Conversas à Pala - veja-as aqui ou clicando já aqui no vídeo acima.

Entrevistei ainda o responsável pelos Encontros Cinematográficos do Fundão, Carlos Fernandes. Nas rubricas habituais, colaborei com o meu sol, um "raio verde", para a hiper-solarenga Sopa de Planos. Os meus dois Estados da Arte procuraram produzir um novo olhar sobre as repetições de lances da bola e uma nova perspectiva sobre o embate José Rodrigues dos Santos versus José Sócrates.

Fora dos meus contributos, queria destacar, em primeiro lugar, o texto de Carlos Natálio sobre o muito interessante cineasta japonês Kiyoshi Kurosawa e, em segundo lugar, uma estreia de luxo: do outro lado do Atlântico, escreve-nos agora, numa crónica chamada Constelações Fílmicas, o crítico Luiz Soares Júnior. O seu primeiro objecto de reflexão foi o excelente "Lilith".

Este mês serei eu o editor. Teremos em Abril uma preciosa cobertura ao ciclo Mario Bava, que acontecerá no âmbito do próximo Festival do Cinema Italiano (iremos dar bilhetes na nossa página do Facebook), e daremos azo a uma maneira muito particular de celebrar o 25 de Abril.

domingo, 23 de Março de 2014

sábado, 8 de Março de 2014

Ligação directa à pala de Walsh (XVIII)


Foi um mês polarizado pelo encontro nocturno entre os quatro walshianos em torno da "fogueira das vaidades" dos Óscares (rebaptizados por nós, na imagem, "Óscardozos"), onde pizza e selfies deram mais que falar do que filmes e cinema. Desse encontro resultaram dois podcastas que publicámos aqui.

Para as Conversas à Pala convidámos José Fonseca e Costa e dessas conversas resultaram também dois vídeos que podem ver e ouvir aqui. No Estado da Arte, o Ricardo Vieira Lisboa cruzou, pela primeira vez na rubrica, cinema com cinema e desta redundância resultou um dos mais imprevistos casamentos que se poderiam imaginar - mas que já se anunciara aqui. O Razzie Shyamalan e Nicholas Ray. Pela minha parte, decidi sabotar as notícias ainda mais do que estas já se sabotam a si mesmas, na sua missão de fazer jornalismo sério.

Na minha crónica Civic TV, aproveitei a passagem de "The Thomas Crown Affair" no ciclo universitário que organizei e no canal Hollywood para antecipar os festejos de celebração da libertação de John McTiernan da prisão. A habitual Sopa de Planos foi feita, desta vez, debaixo de água.

Mais recentemente, publiquei a entrevista que fiz a Billy Woodberry. Por fim, queria destacar o texto que o Francisco Valente escreveu em homenagem à memória do grande Alain Resnais. Podem-no ler aqui.

Este mês, sob os comandos do Carlos Natálio, posso desde já antecipar a publicação de uma entrevista altamente relevante sobre o fim do histórico programa da RTP2, "Onda Curta". O entrevistado será o seu criador: João Garção Borges. Fique atento.

sábado, 22 de Fevereiro de 2014

The Sacrament com novo poster e já com trailer


Apesar de provocar experimentações interessantes sobre a linguagem do medium cinematográfico, o found footage é um género fechado sobre si mesmo, que parece promover mais repetição inconsequente do que avanços substantivos da sua própria gramática. Quando se anuncia mais um destes títulos filmados com câmara nervosa, explorando a aleatoriedade (simulada) das imagens e promovendo a indagação voyeur, de reality show, da matéria que tem à frente, não ficamos propriamente em pulgas. Apesar do meu guilty pleasure por filmes deste género, tenho de assumir a predominância de objectos inúteis neste domínio.

Posto isto, repetindo algo que já escrevi aqui, de momento "The Sacrament" activa-me algumas resistências. Pelo que vejo do seu trailer, este é um tímido found footage film ao pé de outro projecto com a mão de Ti West, "V/H/S". Não sei o que é pior: assumir o género ou escondê-lo como coisa embaraçosa, mas… narrativamente necessária. Para se infiltrar no core de uma seita religiosa, West torna as suas personagens repórteres de televisão. Há uma confusão aparente entre "o directo" do horror e ir directo ao horror. Como sabemos, até pelo que a televisão nos mostra, ou melhor, até pela forma como a televisão nos mostra diariamente o horror, o "directo" não é condição sine qua non de maior contacto com uma determinada verdade. Tenho receio, pelo que vejo do trailer de "The Sacrament", que West tenha caído neste raciocínio básico e algo preguiçoso de associar "reportagem", found footage e verdade como traduções imediatas e necessárias entre si.

Olhando para "The House of the Devil" e "The Innkeepers", fica claro que a filiação de West é clássica e assim deve permanecer. Esta é a principal fonte de desconfiança que me provoca o trailer de "The Sacrament". Fora isso, vemos, a subirem à superfície, todos os elementos - os melhores elementos - do seu cinema: esta ideia de invadir um espaço ou uma comunidade tomada por actividades ocultas, senão mesmo paranormais, cola perfeitamente com as obras anteriores do realizador. O destaque dado ao "mestre" desta congregação ou seita poderá aproximar West de uma espécie de versão horrífica, ou ainda mais horrífica, de "There Will Be Blood" e "The Master", dois filmes de Paul Th. Anderson onde a religião funciona como sistema vicioso  não de revelação mas de aniquilação dos espíritos. Esperemos que, por esta via, West prove ser "mestre do seu mundo" e não traia a minha crença no brilhantismo que lhe é inato.

Um certo olhar de cão triste e débil (quase punk)

"Journal d'un curé de campagne" (1951) de Robert Bresson

"Edward Scissorhands" (1990) de Tim Burton

segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

Ligação directa à pala de Walsh (XVII)



Foi, fundamentalmente, um mês de alta criatividade. A rubrica Estado da Arte nasceu, com o intuito de pôr a dançar os movimentos das imagens (da TV, do Cinema, da Internet, etc.). Pus aqui em destaque dois dos meus pares favoritos, mas pode ir visitando as nossas criações - minhas e do Ricardo Vieira Lisboa - a partir daqui. A minha colaboração ao longo do mês resumiu-se ainda à habitual crónica Civic TV, cujo tema foi o cinema de Blake Edwards. Entrei nas terceiras Conversas à Pala, na presença do meu colega Carlos Natálio e do convidado Vasco Baptista Marques. O objecto da conversa foi o ano cinematográfico que passou e o que se projecta para o novo ano.

Escrevi com a Sabrina D. Marques um texto de homenagem a Miklós Jancsó. Em mês de importantes desaparecimentos - onde se contou ainda o do documentarista brasileiro Eduardo Coutinho, paz à sua alma -, deixei ainda umas palavras sobre uma das personagens mais marcantes de Philip Seymour Hoffman. O texto conta com participações de cada um dos membros do grupo fundador do À pala de Walsh.

A Sopa de Planos do mês teve como tema "sombras". Fui levado pela minha memória recente e escolhi "Elvis", o pouco visto biopic de John Carpenter. As minhas palavras podem ser lidas aqui.

Para o que resta de Fevereiro, mês editado por João Lameira, reservo a expectativa de conseguir publicar a entrevista que fiz ao excelente cineasta norte-americano Billy Woodberry, durante o programa de Harvard na Gulbenkian. Deixo ainda o convite a todos os leitores do CINEdrio: apareçam, dia 14 de Fevereiro (sexta-feira), às 19h30, livraria da Cinemateca (Babel), nas quartas Conversas à Pala, com João Lameira, Ricardo Vieira Lisboa e o convidado especialíssimo José Fonseca e Costa. O principal pretexto para este encontro é o lançamento recente no nosso mercado DVD de três dos filmes mais celebrados do veterano cineasta português: "Kilas, o Mau da Fita", "Sem Sombra de Pecado" e "Balada da Praia dos Cães". Imperdível.

domingo, 9 de Fevereiro de 2014

O eterno toque no leito da morte

Foto de Sentimental Journey, Winter Journey (1971-1991) de Nobuyoshi Araki

"Le passé" (2013) de Asghar Farhadi

sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014

domingo, 19 de Janeiro de 2014

Duche cortante

"Psycho" (1960) de Alfred Hitchcock

"Days of Wine and Roses" (1962) de Blake Edwards

[Não é o único paralelismo inusitado que podemos encontrar entre estes dois títulos. Por exemplo, é interessante como a obsessão de Kirsten (Lee Remick) por chocolates no filme de Edwards é usada como pista para o alcoolismo que desenvolverá na companhia de Joe Clay, seu marido (Jack Lemmon). Também Norman Bates joga nervosa e insistentemente bombons para a boca, dando a ler - se não a Marion Crane, pelo menos ao espectador - a sua inclinação obsessiva, viciante ou viciosa. A imagem que se segue ao "duche cortante" de Kirsten é a de Joe com um colete de forças, enlouquecido pelo alcoolismo. Uma imagem de alienação que não é estranha à situação final de Norman Bates no clássico de Hitchcock, um filme quase nos antípodas deste pungente melodrama de pulsão realista - e, contudo, tangente a este nalguns pontos.] 

quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014

Ligação directa à pala de Walsh (XVI)


Para lá do que já destaquei em matéria de entrevistas na última ligação à pala de Walsh, venho retransmitir-vos os conteúdos que mais trabalho me deram neste último mês de 2013. O primeiro, curiosamente, não me inclui (na imagem), mas ocupou-me durante um ou dois dias no processo de montagem. As segundas Conversas à Pala, moderadas pelo João Lameira e pelo Carlos Natálio, contam com uma interessante entrevista à cineasta Salomé Lamas, a propósito do seu "Terra de Ninguém".

Outro contributo meu, mas desta vez mais visível, foi dado no debate de lançamento da caixa de DVDs "The Story of Film: An Odyssey" de Mark Cousins. O João Lameira aproveitou esse debate para escrever a sua última crónica "Em Série", deixando lá link para que os nossos leitores possam ouvir o debate que se desenrolou entre mim, ele e os convidados especiais João Mário Grilo e Maria João Madeira.

Na minha crónica "Civic TV", despedi-me do canal TCM, um desaparecimento que me enluta. Recordo que 2013 também foi o ano em que a RTP2 voltou a suspender o "5 Noites, 5 Filmes", deixando de passar cinema numa base minimamente regular.

O prato forte de Dezembro terá sido o post com os Tops do ano de todos os redactores do À pala de Walsh que quiseram responder ao nosso desafio de fazer um balanço do que de melhor passou pelas nossas salas.

Escrevi ainda uma crítica Em Sala a um excelente filme que poderá estar a passar ao lado da maioria dos portugueses: "O Som ao Redor" de Kleber Mendonça Filho. Menos excelente foi o Filme Falado do mês.

A fechar o ano, pus a minha colherada numa Sopa de Planos feita de paisagens e fechei, com o Ricardo Vieira Lisboa, a rubrica Actualidades, que termina assim um ano a reprojectar a agenda noticiosa através das imagens dadas do cinema.

Em Janeiro, mês editado pelo Ricardo Vieira Lisboa, teremos como destaque máximo as Conversas à Pala #3, onde eu, o Carlos Natálio e o nosso convidado Vasco Baptista Marques iremos falar do ano cinematográfico que passou. Apareçam!

Bom 2014 a todos e desejos de mais e melhores filmes!

terça-feira, 31 de Dezembro de 2013

Recorte de falas (XXXII): Switch

A comédia datada mas saudavelmente disparatada é de Blake Edwards. Chama-se "Switch" (1991) e conta-nos a história de Steve Brooks, um mulherengo chauvinista, sem consideração pelo sexo oposto, que acaba por fatalmente sofrer na pele a consequência dos seus actos pelas mãos de três das suas conquistas femininas, sendo que do purgatório Deus e o Diabo concordam com uma segunda chance na terra, uma oportunidade de redenção, mas agora no corpo de... uma mulher. Não é preciso revelar muito mais, porque a partir da premissa estapafúrdia Blake Edwards retoma os elementos típicos do seu habitat humorístico: comédia de sexos, ou "entre sexos", estrondosamente queer (relembro "Victor/Victoria") e, sobretudo, o prazer dionisíaco pela festarola.

Por vezes, parece que Edwards recorre a todas as diligências dramáticas para conduzir a acção ao maior número possível de festas, de alta-sociedade ou de baixa-sociedade. O gag encarrega-se de mandar abaixo toda e qualquer ritualização da vida social. É a costela tatiesca de Edwards, algo que faz do brilhante "The Party" um bom cartão de visita à sua obra. Posto isto, e pondo de parte - ou não - o party animalism de Edwards, recorto aqui uma pequena cena em que Margo Brofman, uma das vítimas do charme venenoso de Steve Brooks, é abordada por um eco-transeunte que a assedia com a sua eco-consciência. Tudo por causa de um sumptuoso casaco de peles que traz vestido. A resposta a esse assédio de rua é muito pouco… como dizer? Eco-lógica?

Fur Protestor: Do you know how many poor animals they had to kill to make that coat?
Margo Brofman: Know how many rich animals I had to fuck to get this coat?

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