Com os dez mais identificados, parto para os prémios CINEdrio deste ano.
Melhor filme: "O Cavalo de Turim". Já disse quase tudo aqui, por isso, apenas me resta sublinhar melhor esse lugar que é seu e só seu por direito próprio: o de obra-prima do ano. Aqui está um monumento ímpar erigido com recurso à mais depurada das linguagens fílmicas e que leva ao limite as potencialidades estéticas do plano e da duração cinematográficos.
Melhor realização: Béla Tarr. Despediu-se do cinema com "O Cavalo de Turim", o seu filme maior (talvez superior a "Tango de Satan") que, em sala, devolveu ao cinema a sua dimensão de "coisa experienciada" mais do que de "coisa percepcionada". Foi, na minha opinião, a grande resposta à espectacularização oca que Hollywood tem promovido com ferramentas tantas vezes inconsequentes, como o 3D. Na sala escura, nessa "caverna platónica", Tarr usou como ferramenta a própria linguagem do cinema, o seu ADN mais "primitivo", mais "primeiro". O resultado é para receber com espanto.
Melhor plano: O que abre "O Cavalo de Turim". Sobre ele, escrevi: "Não se trata (...) apenas do plano de uma carroça, porque, para isso, Tarr teria optado por filmar o conjunto (homem mais cavalo). O que o realizador húngaro faz é mostrar um cavalo e um homem, o que só é possível, precisamente, através do gesto do plano contínuo que alterna entre os dois, o cavalo mais o homem e o cavalo (= carroça). Aqui reside, em toda a sua pungência plástica, a gravitas cosmológica da câmara de Tarr: ela gravita em torno dos corpos, como astros em torno do sol, indiferente, enfim, ao peso cultural e humano das coisas, aproximando-se portanto de uma ideia ontológica significativa: o plano deve ser mesmo plano, como a realidade que nos aparece à frente, o que não quer dizer que destituída de profundidade e da tal... gravitas - esta emana, naturalmente, das pessoas como dos animais como das coisas... a câmara deve apenas planar no tempo e no espaço para captar esta Verdade."
Melhor actor: Denis Lavant ("Holy Motors") em ex aequo com Jack Black ("Bernie"). O primeiro foi o grande "personificador" do ano, uma espécie de corpo re-ligioso que opera sobre o real um pouco fazem os media: "enchendo" os vazios, os espaços deixados vagos, os papéis que urge representar. O stuntman do real ou o metteur en scène burlescamente primordial, Lavant é o rosto dos rostos ou os rostos do rosto de "Holy Motors" e de 2012. Tudo, claro, pela "beleza do gesto". Já Jack Black desmonta a hipocrisia da lei, da moral (e) da comunidade onde vive através do seu carácter, que é oferecido a todos numa transparência ou candura (quase) absoluta. Será que um anjo pode ser um "bom anjo da morte"?
Melhor actriz: Rooney Mara ("The Girl With the Dragon Tattoo"). Descobri o seu talento em bruto em 2012 - e se bruto continuar, mais vezes merecerá a nomeação. Mara tem a roughness e a punkness no sangue... Não sei se primeiro veio o ovo ou a galinha, mas estou convencido que, neste caso, o papel e a actriz encaixam na perfeição.
A revelação: Markus Schleinzer. Primeira obra como realizador e sai o filme mais perturbante de 2012: "Michael". Mas, atenção: ao contrário do seu "tutor", Michael Haneke, Markus não inquina os jogos que faz com o espectador. Na realidade, "Michael" é um filme que quase abdica de qualquer jogo, estabelecendo-se desde o início como um filme "sem assunto": a pedofilia aparece inserida numa rotina "normalizada", cabendo em primeiro lugar ao espectador a tarefa de se lembrar a si mesmo que essa "normalidade" é uma impossibilidade humana ou uma "anormalidade"... Muito difícil de ver, mas feito com grande habilidade.
A desilusão: Jeff Nichols ("Take Shelter"). Não que tenha caído com estrondo depois do excelente "Shotgun Stories", mas confesso que esperava muito mais. A segunda obra, da confirmação ou do desastre, pode ser o instante decisivo na carreira de um realizador talentoso. Neste caso, não houve nem confirmação nem desastre. Talvez "Take Shelter" seja mais o filme que faça a ponte com o que aí vem, no sentido em que "adia" o que normalmente é provocado pela segunda obra. Vamos aguardar por "Mud", que já teve a sua estreia mundial - muito discreta, por sinal - no último Festival de Cannes.
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terça-feira, 25 de dezembro de 2012
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Os melhores de 2012
Confesso que na elaboração deste Top senti de imediato a frustração de não poder incluir "Killer Joe", passado que está mais um ano sobre a sua primeira exibição em Portugal (no Lisbon and Estoril Film Festival não deste ano mas do anterior). A exibição do "escandaloso" filme de Friedkin continua a sofrer sucessivos adiamentos, o que só demonstra a incapacidade das distribuidoras para acompanharem em ousadia o percurso dos cineastas mais corajosos do momento. O próprio Friedkin assumiu este ano na Cinemateca Francesa que este filme era "tudo ou nada" para ele; que estava consciente de que "Killer Joe" poderia acabar de vez (vitimar, por assim dizer) a sua carreira no cinema. Os empresários do mercado de distribuição parece que não quiseram dar essa hipótese ao autor de "Bug", o que é, de facto, uma pena. Pena maior talvez foi não ter visto no circuito comercial duas obras-primas que passaram em contexto de festival: "The Innkeepers" de Ti West e "Everybody in Our Family" de Radu Jude. Se qualquer um destes três filmes tivesse estreado, o meu Top seria muito diferente (para melhor).
Posto isto, também quero deixar uma nota sobre a descabida estreia "direct-to-DVD" (ou "direct-to-TV") de "Pa negre" de Agustí Villaronga. Face à quantidade de porcaria que passou pelas nossas salas, pergunto-me como não foi possível ter havido espaço para mostrar aquele que terá sido o filme espanhol do ano, o regresso de um cineasta que já assombrara o público nacional (em sala, por sinal) com "El mar". (Adenda do dia 27 de Dezembro: depois de visto "Guerra Civil" de Pedro Caldas, estreado também na RTP2, perguntava não às distribuidoras, mas à Sociedade Portuguesa de Autores, como pode ser possível que "barre" a distribuição comercial de um filme com esta pujança e com esta pungência?!)
Outro registo menos bom, que não sei se será da responsabilidade das distribuidoras, é a qualidade baixa deste ano cinematográfico. Coincidiu (ou então adveio disso) que foi dos anos em que vi mais filmes estreados em sala (mais de 70), dos quais recomendaria com algum entusiasmo cerca de 30, mas dos quais apenas 13 ou 14 consideraria obras de relevo, que merecerão a nossa atenção em futuras (re)descobertas ou já marcaram em definitivo a vida cinéfila. O mais marcante foi "O Cavalo de Turim", a obra-prima de 2012 que não deu hipóteses nenhumas à concorrência. Todavia, tenho de alertar que não consegui ver os últimos de Oliveira, Akerman, Ceylan e Chabrol. (Desconfio que, pelo menos, o filme do centenário realizador português teria muitas possibilidades de integrar este elenco de excepção.)
Posto isto, também quero deixar uma nota sobre a descabida estreia "direct-to-DVD" (ou "direct-to-TV") de "Pa negre" de Agustí Villaronga. Face à quantidade de porcaria que passou pelas nossas salas, pergunto-me como não foi possível ter havido espaço para mostrar aquele que terá sido o filme espanhol do ano, o regresso de um cineasta que já assombrara o público nacional (em sala, por sinal) com "El mar". (Adenda do dia 27 de Dezembro: depois de visto "Guerra Civil" de Pedro Caldas, estreado também na RTP2, perguntava não às distribuidoras, mas à Sociedade Portuguesa de Autores, como pode ser possível que "barre" a distribuição comercial de um filme com esta pujança e com esta pungência?!)
Outro registo menos bom, que não sei se será da responsabilidade das distribuidoras, é a qualidade baixa deste ano cinematográfico. Coincidiu (ou então adveio disso) que foi dos anos em que vi mais filmes estreados em sala (mais de 70), dos quais recomendaria com algum entusiasmo cerca de 30, mas dos quais apenas 13 ou 14 consideraria obras de relevo, que merecerão a nossa atenção em futuras (re)descobertas ou já marcaram em definitivo a vida cinéfila. O mais marcante foi "O Cavalo de Turim", a obra-prima de 2012 que não deu hipóteses nenhumas à concorrência. Todavia, tenho de alertar que não consegui ver os últimos de Oliveira, Akerman, Ceylan e Chabrol. (Desconfio que, pelo menos, o filme do centenário realizador português teria muitas possibilidades de integrar este elenco de excepção.)
1. "A torinói ló" de Béla Tarr
2. "4:44 Last Day on Earth" de Abel Ferrara
3. "Cosmopolis" de David Cronenberg
4. "Tabu" de Miguel Gomes
5. "The Girl With the Dragon Tattoo" de David Fincher
6. "Moonrise Kingdom" de Wes Anderson
7. "Kiseki" de Hirokazu Kore-eda
8. "The Hunter" de Rafi Pitts
9. "Michael" de Markus Schleinzer
10. "Hors Satan" de Bruno Dumont / "Holy Motors" de Leos Carax
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Os rostos de 2012
Figura do ano (internacional)
Despediu-se do cinema com uma obra-prima sem par, um daqueles filmes que se arrisca a lançar todo o resto de 2012 para o buraco negro do esquecimento. "O Cavalo de Turim", que graças à MIDAS Filmes pôde ser apreciado em sala (o único sítio possível para o ver) pelos portugueses, não é só o maior filme deste ano, é também um dos maiores filmes de todos os tempos. Aqui no CINEdrio dediquei-lhe 9 pontos de análise, o décimo está guardado para um artigo que sairá em breve na revista CineCachoeira da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. A figura internacional de 2012 premeia, assim, a despedida genial de um grande realizador de cinema.
Figura do ano (nacional)
Miguel Gomes
É inevitavelmente o grande nome do cinema português da actualidade. Nesta época de balanços e tops o que é difícil é não encontrar "Tabu" entre os melhores. Os Cahiers du cinéma (8.º lugar) iniciaram a onda que tem sido cavalgada por várias publicações, desde a britânica Sight & Sound (2.º lugar) até, mais recentemente, aos americanos da Film Comment (11.º lugar). Os ingleses são, de facto, os maiores entusiastas, tendo o London Film Critic's Circle nomeado "Tabu" para o prémio de melhor filme estrangeiro do ano, ao lado de títulos como "Amour" e "Holy Motors". Também é na Grã-Bretanha que este filme será lançado em Blu-ray, no dia 14 de Janeiro, pela mão da New Wave Films. Penso que ainda não ouvimos tudo acerca deste que é mais um grande filme de Miguel Gomes, que se junta assim aos seus outros excelentes filmes: "Aquele Querido Mês de Agosto" (para mim, o melhor) e "A Cara Que Mereces" (já para não falar de algumas óptimas curtas-metragens que realizou antes desta sua subvalorizada primeira longa).
Muito cá de casa: balanço caseiro do ano de 2012
Tradições são tradições. Passado que está pouco mais que um ano sobre o balanço caseiro de 2011, é tempo de rebobinar 2012 e tentar deixar aqui uma amostra do que melhor vi no "pequeno ecrã". Tento replicar o critério utilizado nos últimos dois anos, pelo que não estranhem se numa ou noutra escolha não haja, na realidade, uma correspondente edição em DVD ou Blu-ray pronta a ser adquirida. Volto a sublinhar: o mercado, sobretudo agora com o reboot da alta-definição, é muito expedito a reeditar títulos famosos, mas, pelo contrário, arrisca pouco no lançamento de obras que precisam de ser vistas pela primeira vez. Colecciono e divulgo filmes, mas nem sempre o mercado é suficiente para responder à minha curiosidade em relação às obras que ainda não mereceram a atenção devida.
Jordan Belson
O que me trouxe à obra do cineasta experimental norte-americano Jordan Belson foi um texto de Gene Youngblood, «The Cosmic Cinema of Jordan Belson», publicado na revista Film Culture na Primavera de 1970. O que me atraiu mais foi a associação feita entre a trip cósmica de "2001" e as experiências audiovisuais de Belson. De facto, vendo por exemplo "Allures" e "Samadhi", entendi a comparação, mas descobri mais: um cinema puramente sensorial que consegue lidar com formas abstractas e uma impressionante palete de cores sem se tornar minimamente "pictórico". É, de facto, um mergulho no cosmos, uma experiência no limite do Absoluto. Retroactivamente, pensar em "The Tree of Life" de Malick parece-me inevitável ante a monumentalidade destas imagens miraculosas.
Peter B. Hutton
Peter B. Hutton terá sido "a descoberta" de 2012. A sua trilogia de Nova Iorque e o seu retrato de Budapeste produziram em mim um sentimento de assombramento despertado em cada plano, em cada fade out repentino (e há verdadeiramente um "Hutton's touch" nestes "blackouts" súbitos, como no grão do seu preto-e-branco matérico) ou em cada traço novo produzido a partir do (des)velamento de uma paisagem "comum". É o triunfo de um verdadeiro "olhar de cineasta" sobre o mundo.
Hotel Monterey
O segundo filme de Chantal Akerman, realizado quando tinha apenas 22 anos, provocou em mim um trauma do qual ainda não me recompus - e entretanto revi-o em sala, redescobrindo logo aí outro filme... É um filme feito com uma câmara que se movimenta - não certamente por si mesma - num cenário tão banal e universal como é um hotel de Nova Iorque, mas aí vamos percebendo que habitam fantasmas antes de habitarem pessoas. Quer dizer, os fantasmas aparecem-nos através da sua câmara, através do seu olhar - porque é ele, e não a câmara, que é específico e singular - sobre aqueles lugares... É um exercício sobre o tempo e o espaço com uma densidade estética e atmosférica terrivelmente hipnotizadora. A sua edição pela mão da Eclipse, numa caixa com outros títulos magníficos, é obrigatória para qualquer cinéfilo.
Jalsaghar
Este "Salão de Música" de Satyajit Ray é um daqueles filmes que não existem, na realidade, não existe porque invoca imediatamente um lugar. É um lugar habitado apenas pela memória, uma memória traduzida pela música, mais concretamente pela reverberação de sons do passado que ainda encantam - e assombram - cada um dos recantos do grande salão caído no esquecimento. Experiência estética que faz de um clássico arco narrativo pretexto para a exibição das sonoridades mais ou menos secretas da música indiana, dada aqui a ouvir como música do mundo (não há exotismos, porquanto tudo isto nos toca). Um mundo cabe aqui no salão mágico, tal como o candeeiro de cristais cabe, reflectido, num copo de vinho. Terá sido o último Criterion que comprei em formato DVD, numa cópia impecável. Contudo, se puder arranjar o Blu-ray, ficará melhor servido.
The Leopard Man
Obra-prima absoluta que sintetiza tudo o que se deve saber em matéria de criação de atmosferas de terror. Jacques Tourneur, qual grande engenheiro do medo, compõe quadros de um preto-e-branco assombroso que, na sua sucessão, vão transformando uma historieta banal num trabalho de pura arte fílmica e, outrossim, de sedução e medo provocados pela indefinição dos seus mistérios mais escondidos... É o grande filme produzido por Val Lewton, obra que sobe mais alto que todas as outras na magnífica caixa editada pela Warner Home Video.
Man in the Wilderness
Richard C. Sarafian, para muitos reconhecido por ser o realizador de "Vanishing Point", foi o autor que mais me encheu as medidas neste final de ano. A sua magnum opus chama-se "Man in the Wilderness", filme com Richard Harris e John Huston sobre a fé, a Natureza e a luta pela sobrevivência de um homem traído pelos seus iguais. Algumas imagens são de uma beleza arrebatadora, mas o que fica é a viagem espiritual/a via sacra do protagonista e a comunicação íntima que vai estabelecendo com o meio natural que o envolve e interpela. Vi "Man in the Wilderness" e também o magnífico "The Man Who Loved Cat Dancing" numa edição da marca francesa Wilde Side Video, que recomendo também por causa da entrevista exclusiva a Sarafian que tem como extra (já a qualidade de imagem das cópias é algo discutível).
Les cousins
Hesitei um pouco, mas este é o meu "Blu-ray de 2012" (seria "On the Bowery", mas já o destaquei, em DVD, no balanço realizado há um ano). Não falo só da qualidade da transcrição - que é óptima, de qualquer modo - mas acima de tudo do choque que foi o encontro com este filme de Chabrol, só o seu segundo filme, mas até hoje - a par de "Juste avante la nuit" - o que me perturbou mais. A forma como o registo do filme nunca estabiliza, entre a tragédia realista e a aragem livre e leve da Nouvelle Vague, é um dos elementos que me fez, simultaneamente, estranhar e entranhar este filme muito difícil de classificar. Jean-Claude Brialy compõe uma máscara poderosa que anula o rosto "sem máscara" - logo, desprotegido - de Gérard Blain, dois papéis imensos que aqui produzem uma espécie de reflexo invertido sobre o filme anterior - o primeiro - de Chabrol, "Le beau Serge" (também editado em Blu-ray). Vi "Les cousins" na edição Blu-ray da Gaumont, mas entretanto não faltam alternativas (ainda mais) simpáticas: edição da Criterion e, em breve, da Masters of Cinema.
Milestones
Tendo sido a Cinemateca Portuguesa/ANIM responsável pelo restauro deste filme "esquecido" - mas muito amado por quem se lembra - de Robert Kramer e John Douglas, pergunto-me se não se perdeu uma grande oportunidade para uma distribuidora com coragem o lançar no circuito comercial. Não só isso não aconteceu, como também não foi em DVD que esta ficção documental ou este documentário ficcional chegou aqui a casa. Na realidade, foi pela mão da RTP2 que os portugueses puderam apreciar este monumento erigido a toda uma geração, aquela que, na América, fez a ponte entre os anos 60 e os anos 80. Fim de muitos sonhos - de uma certa ideia de liberdade - para o começo de uma outra vida, talvez, com menos sonhos - e, talvez também, com menos liberdade.
O noir do ano
Aqui hesitei muito. Podia ter escolhido "High and Low" de Kurosawa ou, por exemplo, "Bob le flambeur" de Melville. Também havia a hipótese "The Big Combo" de Joseph H. Lewis, film noir que tem sido muito recuperado nos últimos tempos mas que me deixou um travo a decepção... Escolho, então, outro "filme grande" que tinha em falta, mas que não deixei fugir em 2012: "Touchez pas au grisbi" de Jacques Becker. Não é bem o típico film noir ou polar, diria que tende até mais para o gangster movie, uma espécie de "gangster movie de avôzinhos". Eis a visão (com a sua ponta de ironia) de um grupo de veteranos "senhores do crime" e a tentativa de um deles de procurar sair em beleza da "profissão de uma vida". Jean Gabin, o "herói", é excelente, mas o que gostei mais ainda foi a mise en scène de Becker, nomeadamente o seu gosto por pacientes "alternâncias de cenário" antes que o plot estale e chame a si todas as atenções. Muita classe.
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