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sábado, 6 de julho de 2013

After Earth depois da próxima quinta-feira


O muito antecipado, aqui, novo filme de Shyamalan estreia na próxima semana ("de mãos dadas" com o último De Palma!). Será nessa altura que tenatarei deixar aqui umas linhas sobre a justiça ou injustiça que envolve a sua recepção crítica e popular ou, no limite, popularmente crítica nos Estados Unidos. Até artigos a sugerir uma mudança de rumo, virada para a produção independente "de autor", foram escrevinhados, disfarçando mal o embaraço que este filme constituiu e constitui para a grande fábrica Hollywood. Espero para ver.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

After Shyamalan (II)



Ok, acho que já percebi. O trailer do mais recente filme de M. Night Shyamalan esclarece algumas das dúvidas, por sinal muito pouco entusiasmantes, que tinha quando fiz aqui mesmo uma primeira antevisão, baseado nas informações disponíveis sobre a história do filme e o seu "teaser viral" pouco convincente - e revelador.

O que percebi é que haverá, seguramente, uma dimensão política nesta história projectada no futuro... aliás, a dimensão política começa precisamente com a falência dessa projecção: parece que Shyamalan diz "aqui vem uma superprodução passada num futuro longínquo, ao qual nenhum de nós tem acesso, parepare-se o espectador para o mais impensável dos cenários fantasiosos alguma vez produzidos!" para depois, como um bom discípulo de Hitchcock, frustrar em toda a linha o prometido. A especulação - que é isso que Hollywood muitas vezes tem a oferecer, e pouco mais, dentro do género - é ferida de morte logo à nascença - para chegarmos a esta conclusão, basta espreitar o trailer. É que a projecção no futuro é uma (muito menos fantasiosa) viagem ao planeta Terra tal como o conhecemos quando não o podíamos... conhecer, isto é, antes do aparecimento do Homem. Na realidade, esta Terra pós-histórica, pós-humana parece coincidir com a Terra pré-histórica e pré-humana. A ficção científica futurista está, deste modo, falsificada - e é aqui, estou em crer, que Shyamalan irá politizar este seu mais recente filme.

Por outro lado, encontro alguns elementos visuais e temáticos recorrentes no seu universo autoral. Desde logo, a relação pai-filho e a forma como esta é "posta em xeque" por uma ameaça exterior, "alienígena". A ironia aqui é que parece que são pai e filho que são os aliens, isto é, os estrangeiros na Terra, que deixou de ser "a sua própria terra", o que volta a convocar o tema religioso da "origem" e da "casa" no seu cinema. Os "aliens" deste filme não vêm "from outer space", nem tão-pouco de histórias míticas, mas de uma Natureza regressada à sua feição mais selvagem. Daí (re)encontrarmos grupos de macacos, águias e outros animais "ancestrais" do seu cinema - e já aqui tinha especulado sobre a importância da iconografia hindu no seu cinema. 

Não estou tão desalentado e desconfiado como já estive. Este trailer devolve-me bons indicadores quanto ao caminho que Shyamalan está a querer percorrer com este filme, no qual terá tido menos controlo artístico do que é costume. Vamos continuar a segui-lo, até porque esta será, sempre, uma das principais estreias de 2013.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

After Shyamalan (I)


Não estou muito entusiasmado com este projecto de M. Night Shyamalan, não só porque o passado recente do cineasta indiano é pouco estimulante - apesar de "The Last Airbender" não ser um mau filme, está muito longe da sua melhor forma - mas porque, neste momento, sob pena de se tornar num has been para a indústria, parece que aos seus olhos "tudo que vier à rede é peixe". Depois de ter estado associado a outros projectos do cinema fantástico, Shyamalan está de regresso. Contudo, na minha opinião, estará só parcialmente de regresso, já que este "After Earth" será o primeiro filme que realiza sem ter escrito o seu argumento.

Para um típico writer director esta "má novidade" soa a cedência comercial, eventual limitação à sua liberdade criativa (mesmo sendo ele produtor executivo), e tudo piora se vos disser que Will Smith será o protagonista desta mega-empreitada. O problema com esta super-estrela do boxoffice norte-americano é que os seus filmes recentes são meros veículos espectaculares para a manutenção da sua fama multimilionária, o que, face a um Shyamalan enfraquecido e a braços com um teste crucial para o seu futuro em Hollywood, só poderá constituir mau prenúncio para este "After Earth". Outra importante variante: Shaymalan filmará, pela primeira vez, em digital. Somando tudo isto, tanta novidade suspeita..., digo que o classicismo heteróclito shyamalaniano ameaça extinguir-se.

Estaria ainda mais céptico se não tivesse lido a sinopse e se não tivesse procurado animar-me a mim mesmo com o que vou percebendo nas suas entrelinhas. Percebe-se que Shyamalan se aventura, de novo pela primeira vez (raios, tantas "primeiras vezes" deixam-me apreensivo...), no universo sci-fi de acção, mas a estranheza deste projecto na obra do autor de "Lady in the Water" fica-se por aqui quando entrevejo, por trás do espectáculo CGI "from outer space" que se perspectiva, um drama (com toque pessoal? O "Shyamalan touch"?) entre filho e pai, entre um Will Smith em ponto pequeno (Jaden Smith, o já célebre filho do protagonista) e um pai ausente que admira (o próprio do Will)...

Será, portanto, um mergulho no cosmos que bate de chapa num microcosmos familiar muito caro ao realizador indiano. Receio, contudo, que os estúdios tenham exigido de Shyamalan aquilo que ele não pode nunca ser: um tarefeiro ao serviço da estrela da companhia. É que todos nós sabemos que os "Will Smith movies" tendem a tornar os dramas familiares (perfeitamente anónimos, do ponto de vista cinematográfico e não só) em pouco imaginativas historietas sentimentais cheias da boa moral pipoqueira.

Já anda a circular na Internet um teaser (pouco relevante) de "After Earth". O CINEdrio seguirá os passos a este filme até à sua estreia nacional. Estaremos no encalço (after de seguir) deste Shyamalan que poderá ser o princípio de um novo Shyamalan (after de seguinte).

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