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terça-feira, 31 de março de 2015
À pala de Walsh com novo rosto
Sei que por aqui a actividade não tem sido muita, algo que tenciono mudar em breve.
Até lá, vá visitando o espaço vizinho, agora remodelado, por dentro e, sobretudo, por fora. Usando jargão cinéfilo mais técnico, é caso para dizer que o mesmo se zellwegerizou.
É no endereço de sempre: www.apaladewalsh.com
sábado, 20 de setembro de 2014
Rentrée com o Dossier Arkadin
sexta-feira, 18 de abril de 2014
IndieLisboa 2014 no À pala de Walsh
A outra razão para este contentamento tem a ver com os moldes em que iremos cobrir esta edição do festival. Teremos uma cobertura escrita a várias mãos e produziremos ainda uma especialíssima cobertura fotográfica da autoria de Mariana Castro, que o leitor poderá acompanhar diariamente no Facebook do À pala de Walsh. Outros dois walshianos, Ricardo Vieira Lisboa (da organização do festival) e Carlos Natálio, irão apresentar algumas sessões in loco. Muitos motivos para seguirem o próximo Indie à pala de Walsh.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
TCN Blog Awards 2013
A qualidade e quantidade dos convidados surpreendeu, tal como me parece que nunca a cerimónia terá encontrado um tom mais justo, descontraído e natalício. Carlos Reis do blogue Cinema Notebook está de parabéns pelo trabalho imenso que tem realizado, uma dedicação que seguramente lhe sai do corpo e da carteira, dada a dimensão que os TCN Blog Awards atingiram.
Estar na blogosfera é cada vez mais um acto de resistência, por isso, daqui do CINEdrio saúdo todos aqueles que alimentam de informação e "amor à arte" os confins mais ou menos recônditos do ciberespaço.
domingo, 10 de novembro de 2013
Newsletter do CINEdrio nomeada para TCN Blog Award
Assim sendo, esta é a altura certa para deixar o seu voto na categoria Melhor Iniciativa no blogue Cinema Notebook - os prémios são atribuídos também por voto popular, por isso, se é um subscritor ou entusiasta deste projecto, não hesite e deixe o seu voto aí, na sondagem da barra lateral.
Ao mesmo tempo, se ainda não se lembrou de subscrever a Newsletter, renovamos o nosso convite já aqui:
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
À boleia do Caminho Largo
Recentemente fui à boleia do Jorge Teixeira, do muito dinâmico blogue Caminho Largo, e respondi como pude às suas interessantíssimas questões. Agora, em modo de auto-publicidade, venho reencaminhar os leitores do CINEdrio para o resultado desta parceria blogoesférica (que venham mais como estas!).
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
O CINEdrio na Polónia: the aftermath
quinta-feira, 25 de julho de 2013
O CINEdrio na Polónia
Até segunda-feira, o CINEdrio, quer dizer, eu estarei em Wroclaw, Polónia, cobrindo o festival T-Mobile New Horizons - International Film Festival, uma espécie de versão "ampliada" do Indie Lisboa. Darei conta aqui do que conseguir ver em pequenos fragmentos que tentarei reunir e remoldar, em apenas um artigo, nesse outro fórum chamado À pala de Walsh. Não será uma cobertura exaustiva do que nele se mostrará, até porque já o apanho a meio e irei acompanhá-lo à distância, através de um "evento dentro do evento" chamado Sunday in the Country, para o qual fui primordialmente convidado. Explicarei melhor em que é que consiste/consistiu esta viagem no tal artigo escrito para a Pala.
Mais do que uma cobertura jornalística deste gigantesco festival de cinema, irei chamar a este espaço algumas impressões mais ou menos fugazes sobre os filmes que conseguir ver.
Quero agradecer à organização do festival e, sobretudo, ao Instituto Camões em Varsóvia o convite e a forma profissional como trataram de tudo.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Balanço IndieLisboa 2013: Top 5 da blogosfera cinéfila
Comparando com a média de classificações do ano passado, que (como sempre) vou atribuindo no fórum Peeping Tom, dentro de uma escala de 0 a 5, parece haver um ligeiro decréscimo este ano: de uma média de 2,5 passamos para uma média de 2,2. Não posso dizer, ainda assim, que o balanço seja muito negativo ou até negativo - acredito até que o facto de ter falhado os visionamentos de obras como "The Act of Killing", "Leones", "Lacrau" e outros explicará, em certa medida, esta relativa infelicidade da minha parte.
Assim sendo, reeditando o que fiz no final do IndieLisboa 2012, convoquei diferentes bloggers cinéfilos, que cobriram de perto o evento, para escolherem os seus "5 mais". Publico, já de seguida, o Top conjunto, seguido dos Tops individuais do CINEdrio (meu), do Rick's Cinema (de Aníbal Santiago), do Keyzer Soze's Place (de Samuel Andrade), do Shut up and watch the movies (de Pedro Fernandes) e, last but not the least, do À pala de Walsh (de João Lameira).
Top blogosfera cinéfila IndieLisboa 2013
1. "Museum Hours" de Jem Cohen
2. "Leviathan" de Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel
3. "Leones" de Jazmín López
4. "The Act of Killing" de Joshua Oppenheimer
5. "Frances Ha" de Noah Baumbach
Nota: seguindo rigorosamente a jurisprudência instituída com o Top de 2012, "Leviathan" surge isolado no segundo lugar, por ter reunido três votos distintos, ainda que totalize os mesmos 8 valores de "Leones" e "The Act of Killing". Também decidi "isolar" "Leones": é verdade que totaliza 8 pontos, mas é inequivocamente escolhido por um dos dois votantes como o melhor filme do festival, distinção que "The Act of Killing" nunca chega a obter, sendo "medalha de prata" nesses dois Tops.
Top CINEdrio
1. "Museum Hours" de Jem Cohen
2. "Before Midnight" de Richard Linklater
3. "Frances Ha" de Noah Baumbach
4. "Gimme the Loot" de Adam Leon
5. "Antíphon" de Peter Kubelka
Top Rick's Cinema
1. "Under African Skies" de Joe Berlinger
2. "The Act of Killing" de Joshua Oppenheimer
3. "Leones" de Jazmín López
4. "No" de Pablo Larraín
5. "La piscina" de Carlos Quintela
Top Keyzer Soze's Place
1. "Leones" de Jazmín López
2. "Sinapupunan"/"Thy Womb" de Brillante Mendoza
3. "Art Will Save the World" de Niall MacCann
4. "Leviathan" de Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel
5. "Public Hearing" de James N. Kienitz Wilkins
Top Shut up and watch the movies
1. "Museum Hours" de Jem Cohen
2. "The Act of Killing" de Joshua Oppenheimer
3. "Leviathan" de Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel
4. "Gimme the Loot" de Adam Leon
5. "Starlet" de Sean Baker
Top À pala de Walsh
1. Trilogia Paradies de Ulrich Seidl
2. "Frances Ha" de Noah Baumbach
3. "Leviathan" de Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel
4. "Ma belle gosse" de Shalimar Preuss
5. "Public Hearing" de James N. Kienitz Wilkins
Aqui estão, um ano volvido, mais várias mãos cheias de bom cinema, que as distribuidoras, editoras e televisões portuguesas poderão apontar como prioridades para este ano de 2013.
domingo, 28 de abril de 2013
Vencedores IndieLisboa 2013
sábado, 13 de abril de 2013
Pillow shot: uma pausa para confortar o ego
Na crónica de Eduardo Cintra Torres, publicada no passado dia 24 de Março no Correio da Manhã, registei com grande prazer a parte que dedicou ao "trabalho de bastidores" que esteve por trás do aplaudido relançamento da rubrica "5 Noites, 5 Filmes". O movimento cívico que chamou a atenção da estação para a necessidade de uma programação de cinema sólida e regular nasceu aqui, no CINEdrio, tornou-se numa petição assinada por milhares de cidadãos, que foi à Assembleia da República, que motivou um debate com o antigo director do canal. Foi produzida reflexão, mas, antes de tudo, foi restaurada uma cultura de maior exigência em relação às opções editoriais da televisão pública no que diz respeito à sua missão de divulgação e preservação da memória cinéfila.
A frase curta mas significativa de Eduardo Cintra Torres que quero aqui destacar, em jeito de síntese do meu reconhecimento em relação a todos os que fizeram parte desta causa, é portanto esta: "Por pressão da sociedade civil, a RTP2 repôs agora o programa ["5 Noites, 5 Filmes"], pondo fim ao câmara-obscurantismo de Wemans e Moura Pinheiro".
***
A T-shirt é da autoria da Sabrina Marques, a nossa colaboradora da Newsletter do CINEdrio, projecto que - como todas as comunidades de interesses e paixões - vive destas manifestações de amor. Sabem bem, como também sabem bem as palavras que o Carlos Reis, do blogue Cinema Notebook, escreveu a propósito desta nossa folha, num post com o sugestivo título "Uma newsletter que vale a pena!". Agradeço ao Carlos a atenção e reforço que a divulgação por parte dos nossos leitores é a nossa única publicidade; logo, o nosso crescimento depende da capacidade que os leitores terão ou não de, por assim dizer, "vestirem a camisola".
terça-feira, 9 de abril de 2013
Newsletter #21: Herzog
Que se confunda como uma espécie de Deus - a ubiquidade está bem plasmada no seu cinema totalizador - ou com a imagem do mais megalómano dos documentaristas do vivido e do experimentado, isso não lhe rouba a ironia e "espírito jovem" que vão moldando cada novo projecto. Filmou um homem a montar uma ópera na Amazónia, embrenhou-se na ilusão do El Dorado, filmou a guerra como uma catástrofe ambiental, revisitou o planeta como faria um extraterreste - e se calhar é o que faz sempre, este realizador alienígena, sem limites humanos conhecidos -, encontrou cinema nas pinturas mais antigas, fez do grotesco e da mitificação o contraponto cósmico à exploração arqueológica e filosófica do lado mais escondido do mundo. Fez isto e mais, muito mais. No mês de Maio, Werner Herzog merece o nosso destaque.
Para além do herói do mês, teremos livros e filmes em quantidade e qualidade. Para aguçar o apetite, antevemos de seguida os principais nomes que poderá encontrar na nossa futura edição: Derrida, Fuller, Satyajit Ray, Thoreau, Kubrick, Almodóvar, Ford, Eastwood, Joseph Cornell, Vidor, Robin Wood, Scorsese, Vatimo, Ferrara, etc.
O entrevistado do mês será o crítico de cinema do semanário Expresso Vasco Baptista Marques.
Até já!
segunda-feira, 25 de março de 2013
Da boa vizinhança: agradecimentos
Numa nota à parte, gostava de agradecer ao Samuel Andrade o convite que me lançou - a mim e a outros ilustres bloggers - para fazer algo que me é caro: um balanço do cinema que marcou a primeira década do novo milénio. Irei participar no ambicioso dossier "O Cinema dos Anos 2000" com pequenas cápsulas dedicadas a alguns dos títulos que, de uma maneira ou de outra, não terão merecido o reconhecimento mais justo aquando da sua estreia. Até agora - mais análises virão -, já "cobri" "Ghosts of Mars" de John Carpenter e "R Xmas" de Abel Ferrara.
***
Outra iniciativa muito interessante aconteceu noutro blogue vizinho, o Caminho Largo, de Pedro e Jorge Teixeira. Sob o signo do tema da amizade, foram convocados vários bloggers cinéfilos para apontarem as suas preferências. Eu dei o meu singelo contributo aqui.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Newsletter #20: Losey
Homem com cabelos escuros - quando ainda não estavam justificadamente brancos - que levou a mise en scène cinematográfica para novos territórios com a ajuda de dois vultos da dramaturgia do século XX, primeiro Bertolt Brecht e depois - colaboração pela qual se celebrizou - Harold Pinter, Joseph Losey será o herói do mês na Newsletter de Abril. Cineasta fortemente politizado, por vezes parabólico - quando não hiperbólico - na sua visão do mundo e da humanidade, Losey iniciou a sua formação "dramática" com Brecht, aplicando os ensinamentos adquiridos, primeiramente, numa bem sucedida carreira no teatro, para depois os "pôr à prova" em Hollywood.
Filmes - só aparentemente inocentes - como "The Boy with Green Hair", a sua primeira e marcante primeira obra, não ajudaram à fama de cineasta engajado ou politicamente comprometido "à esquerda", pelo que não foram precisos mais de três anos para entrar na "lista negra" da infame House Un-American Activities Comittee e, em reacção, partir para o país que, sem grandes dificuldades, o adoptará como um dos seus: a Grã-Bretanha. O grosso da sua carreira passa-se aí, ao lado de Pinter e do seu actor-fetiche Dirk Bogarde. A história - com muito cinema, psicologicamente intenso e estilhaçado, lá dentro - continua na edição de Abril da Newsletter do CINEdrio.
Para o próximo mês, prometemos, em matéria de filmes, a descoberta de obras menos conhecidas dos promissores irmãos Safdie, documentários de Ferrara que poderá ter deixado escapar, edições Blu-ray de obras-primas de Lumet, Demme, Carpenter, uma caixa dedicada ao cinema urgente de Kim Longinotto, a mais recente edição em DVD com filmes de James Benning, boas pechinchas com a assinatura de Don Siegel, etc.
Para ler, iremos sugerir, entre outros, os estudos clássicos de Lotte Eisner sobre o expressionismo alemão, a tese de doutoramento de Ismail Xavier, republicações de obras importantes de Barthes, Horkheimer, Erich Fromm e Adorno, textos de Serge Daney publicados numa revista norte-americana de moda, arte e design que está agora acessível em formato e-book para Kindle, os segredos de Hollywood por Patrick Brion, Kubrick prefaciado por Scorsese, etc.
A nossa inquirida desta semana é a Professora Margarida Medeiros, autora de vários estudos sobre fotografia e docente na Faculdade de Belas Artes e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.
Até Abril!
quarta-feira, 6 de março de 2013
Newsletter de Março agora acessível a não subscritores
Aqui está o número #19 da Newsletter do CINEdrio na sua versão reduzida para os leitores "mais distraídos" que ainda não subscreveram esta publicação gratuita sobre lançamentos recentes, futuros, pechinchas, descobertas em matéria de livros, revistas, filmes e sites.
Este mês tivemos acesso EXCLUSIVO ao livro de memórias de William Friedkin, que nos mereceu, por isso, o devido destaque nos Lançamentos Futuros na rubrica dedicada aos livros sobre cinema, fotografia e filosofia. Também destaco o livro "Novas & Velhas Tendências no Cinema Português Contemporâneo", todo um ambicioso projecto científico, reflexivo e artístico compilado em pouco menos que 600 páginas. Um ovni que aterrou no nosso mercado editorial pela mão da Gradiva.
Fique a par de tudo isto e muito mais nesta versão da Newsletter de Março dedicada ao cineasta italiano Carmelo Bene (clicando na imagem acima) e, se a achar útil, pedimos que nos subscreva.
Até já.
domingo, 3 de março de 2013
Ligação directa à pala de Walsh (VII)
Já estamos no mês de Março, mas convém recuarmos um pouco para ver o que o mês passado nos ofereceu, à pala de Walsh.
Entre os textos escritos (também) por mim, começou como acabou: com "Guerra Civil", filme de Pedro Caldas que está "na prateleira" desde 2010 mas que, graças às suas aparições pontuais (começando pelo IndieLisboa e terminando na sua passagem pela RTP2), tem conquistado os favores da cinefilia. A minha crónica foi (também) sobre ele e a esta seguiu-se uma entrevista ao realizador e actor principal, cuja primeira parte já está disponível para leitura. Participei ainda nas habituais rubricas Sopa de Planos e Filme Falado. Recuperei o filme "Sorcerer" de William Friedkin, artigo que acabou por estabelecer um interessante diálogo com o texto de Miguel Domingues (ele que tem novo blogue), também publicado no mês de Fevereiro, sobre o pouco visto filme de Henri-Georges Clouzot "L'assassin habite au 21".
Marquei ainda presença na cobertura fal(h)ada à noite de Óscares aqui e, no último dia do mês, revisitei a agenda noticiosa do mês com o Ricardo Vieira Lisboa e, claro, com a ajuda do cinema.
Fora do meu domínio directo de acção, tenho a destacar o lançamento de uma nova rubrica dedicada a séries televisivas que sairá da pena - sim, escrevo-vos directamente do século XIX - do João Lameira e a publicação pelo Carlos Natálio da segunda parte da sua entrevista ao crítico de cinema Adrian Martin.
Em Março, teremos - ou temos, aliás - o Carlos Natálio ao leme da edição e podemos prometer mais e ainda melhor reflexão em torno de tudo o que mexe... (n)a imagem.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Tenham medo, eles são perigosos, eles são...os Óscares!
Óscar Tacuara Cardozo ou, como lhe chama Jesus, "o Óscar"
Como seguir a cerimónia? À pala de Walsh, está claro!
A cobertura do evento será intensiva, em três plataformas: Facebook, Twitter e, mais importante, no próprio site do À pala de Walsh, com podcasts gravados "na hora" comentando as principais incidências.
A deliciosa (ou nem tanto!) antevisão é feita aqui.
Juntem-se a nós, é mais fácil passarmos por esta noite "perigosa" bem acompanhados. Não é verdade?
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Newsletter de Fevereiro agora acessível a não subscritores
Caros leitores,
A Newsletter do CINEdrio vem transmitir a todos os interessados a boa notícia do seu relançamento, neste número 18 dedicado ao cineasta Raoul Walsh. Esta edição pode ser consultada na íntegra pelos leitores que já subscreveram a publicação, a versão que agora tornamos pública como amostra serve de aperitivo a todos aqueles que ainda não deixaram o seu endereço mail, primeiro e último nome aqui. Recordamos que a subscrição é totalmente gratuita e que nestas versões públicas, para além de poder vir a chegar tarde às promoções, apenas tem acesso a um número limitado de conteúdos.
Esta reactivação só foi possível graças à boa vontade dos nossos colaboradores e ao estímulo que as várias subscrições que temos recebido significaram e significam para cada um de nós. Temos um novo colaborador, o Samuel Andrade, que irá alargar e diversificar o escopo de análise da Newsletter. A sua presença, por convite, não encerra a nossa abertura a outras participações - nem que esporádicas - por parte de quem esteja interessado. Se se quiser candidatar a novo colaborador da Newsletter, por favor, faça-o seguindo estas indicações.
Até já,
Luís Mendonça e Francesco Giarrusso
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Por uma definição justa de pirataria
A pirataria é um mal que paira sobre a Humanidade. Todas as semanas, navios de praticamente todas as nacionalidades correm grandes riscos de serem abordados por piratas somalis nos Mares Arábico e Índico. Enquanto isso é um atentado à integridade física de pessoas e um roubo de produtos físicos - e a também antiga contrafacção de artigos coloca em risco a vida ou a saúde das pessoas - os governos e entidades mais ou menos oficiais preocupam-se principalmente com um tipo de pirataria bem mais ofensivo ou perigoso: a democratização do conhecimento cultural, através da partilha de conteúdos digitais.
Os conteúdos digitais foram uma invenção da indústria. Dando variedade de formatos e portabilidade, tencionavam vender mais, mais depressa e com maior lucro. E tal como no tempo dos gravadores de VHS, os consumidores contornaram as regras. Se há vinte anos as revistas apoiavam o consumidor fornecendo capas e códigos para gravar à hora certa, agora são os próprios fornecedores de serviços televisivos a permitir a gravação e visionamento posterior com um mínimo de esforço. E isso é legal porque, apesar de os fabricantes de conteúdo não gostarem, como são empresas que o fazem pagam impostos, continua a ser negócio. Os consumidores agradecem o serviço prestado.
Vender DVD contrafeitos é ilegal. Porque nesse cenário não ganha quem faz o conteúdo, nem quem o vende paga impostos sobre o seu trabalho. O consumidor agradece pagar menos do que por um bilhete de cinema ou uma cópia oficial e, como os tempos estão difíceis, já sente que é justo cortar numa despesa “supérflua” como é o entretenimento.
Disponibilizar conteúdos online equivale ao anterior porque, atingindo determinada escala, começa a arrecadar quantias consideráveis de dinheiro com a publicidade.
E se quem os coloca online não estiver a ter lucro, nem a roubar a ninguém? Esse era o caso do blog My One Thousand Movies. Os três mil filmes que tinha eram clássicos que não se encontram à venda nem passam na televisão. Pretendiam dar a conhecer o património cinematográfico da humanidade. Serviam para descobrir cineastas esquecidos e obras de culto, mas com pouca resolução para que ninguém se sentisse tentado a ficar com essa versão em vez de se dedicar a procurar no mercado convencional de importação uma versão melhor. Outra vantagem é que no My One Thousand Movies todos os filmes tinham legendas em português ou numa língua mais ou menos compreensível. Na importação não.
Dia 16 foi fechado pela Google sem qualquer aviso por incentivo à pirataria. Estamos a falar de filmes quase impossíveis de encontrar no mercado, que em nada rivalizavam com a versão comprada, se existisse uma, e que tinham no máximo uma centena de downloads provenientes de todo o mundo, não apenas de Portugal.
O que o My One Thousand Movies fazia era complementar (ou substituir) a missão da deficiente televisão pública de educar cinéfilos. Muitos bloggers recorreram a este repositório para rever um título acarinhado, ou, a partir do filme e da pequena resenha que o acompanhava, fazerem publicações com as quais muitas outras centenas de pessoas ficaram com vontade de descobrir um cinema marginal e esquecido.
Isto não é pirataria, é serviço público, e é preciso (re)definir o enquadramento legal adequado.
Se alguém errou no meio disto tudo foram as distribuidoras que não viram interesse em comercializar os filmes. Ninguém o pode ver porque não compensa comprar os direitos e fabricar para pouca gente? Sugeríamos que houvesse um videoclube online no qual, por um valor simbólico, se pudesse ver o filme contribuindo para a distribuidora.
A distribuidora não teria encargos com a manufactura de cópias físicas que ficariam a ocupar espaço em armazém.
Os consumidores exigentes encontrariam o que queriam imediatamente sem remexer em caixotes de promoções nas superfícies comerciais.
Os retalhistas não estão interessados em ter uma cópia única de milhares de filmes que poderão nunca vir a comercializar, mas estariam interessados em vender cartões pré-pagos de acesso a esse serviço, como fazem para as consolas.
Se o preço fosse suficientemente baixo toda a gente poderia espreitar e talvez descobrir algo único.
Enquanto este tipo de serviço não existir, estaremos sempre dependentes da boa vontade, dedicação e cultura de pessoas como o autor do MOTM. Mesmo que achem que isso vai contra a lei. De todos nós, obrigado.
Signatários
Ana Sofia Santos Cine31 / Girl on Film
André Marques Blockusters
António Tavares de Figueiredo Matinée Portuense
David Martins Cine31
Francisco Rocha My Two Thousand Movies
Gabriel Martins Alternative Prison
Inês Moreira Santos Hoje Vi(vi) um filme / Espalha-Factos
Jorge Rodrigues Dial P for Popcorn
Jorge Teixeira Caminho Largo
Luís Mendonça CINEdrio
Manuel Reis Cenas Aleatórias / TV Dependente
Nuno Reis Antestreia
Pedro Afonso Laxante Cultural
Rita Santos Not a Film Critic
Samuel Andrade Keyzer Soze's Place / O Síndroma do Vinagre
Victor Afonso O Homem que Sabia Demasiado
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