segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: 2.ª Edição

 
 Still de "Zidane, un portrait du 21e siècle" (2006) de Douglas Gordon e Philippe Parreno

A todos os "treinadores de bancada" da cinéfilia portuguesa, venho comunicar-vos que está de volta o grande evento cinéfilo-desportivo da blogosfera internacional: o torneio interblogues A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty. Já pode deixar de lamentar não ter podido participar na primeira edição e jogar contra temíveis "dream teams" treinadas com os métodos mais científicos.

As regras eram mínimas na primeira edição, não deixarão de o ser agora, mas com pequenas nuances com vista a "actualizar" o espírito da competição. Posto isto - e agora que está aberta a fase de inscrições - deverão ter em mente o seguinte:

1. Só poderão escolher jogadores/autores que estejam em actividade no dia de hoje. Não valem autores que, estando vivos, não realizaram qualquer filme nos últimos 5 a 10 anos. 

2. Deverão escolher os jogadores/autores que sejam representativos da "política desportiva" dos clubes que administram, leia-se, dos vossos blogues cinéfilos.

3. Cada escolha deverá ser justificada, em textos curtos, quanto à escolha em si mesma e/ou à posição do jogador no campo.

4. Não deverão repetir jogadores já escolhidos por outros concorrentes. Caso não consigam evitar escolher jogadores já seleccionados por outro treinador, então deverão colocá-lo noutra área do campo, fundamentando devidamente esta medida de excepção.

5. Deverão publicar nos vossos espaços a imagem da vossa equipa ideal, bem como os futuros embates com as outras equipas, tal como é estabelecido aqui no CINEdrio, o campeão do último A Angústia do Blogger Cinéfilo....

6. Como aconteceu na primeira edição, o vencedor deste torneio terá de arcar com a organização da próxima edição, em moldes a discutir com a casa-mãe do CINEdrio.

Seis pontos apenas separam-no de entrar na arena de todos os sonhos.

Entretanto, a título exemplificativo, e usufruindo do título de campeão da última edição, avanço já para a publicação da equipa do CINEdrio FC que irá alinhar neste torneio:


Guarda-redes: James Benning. Continua a ser o guardião inexpugnável das redes do CINEdrio FC. Imperturbável, paciente e muito concentrado nas decorrências de cada jogo, Benning é um guarda-redes de grande equipa.

Defesa esquerdo: John Carpenter. Desde o último torneio, Carpenter tornou-se ainda mais num jogador moderno, fazendo - como Fábio Coentrão - todo o corredor esquerdo. Marcou alguns golos na fase de preparação, em jogos realizados à porta fechada. Ainda assim, não se sabe se conseguirá retomar a excelente forma física do último torneio.

Defesa centro (esquerdo): James Gray. É meticuloso, não inventa, joga maravilhosamente dentro das limitações físicas que tem. É novo, mas parece um veterano a jogar: não falha passes, é bom a fazer cortes por antecipação, mas também não prima pela velocidade e virtuosismo técnico. Tacticamente perfeito, no entanto.

Defesa centro (direito): Clint Eastwood. Porque ainda está activo - e bem activo - resolvi mantê-lo no centro da defesa. É uma aposta de risco desde o episódio em que terá visto "um jogador invisível" infiltrar-se na grande área. A sua aparente fé no paranormal tem sido motivo de alguma dúvida - e alguma chacota - no balneário. Contudo, ainda tem "créditos de capitão".

Defesa direito: William Friedkin. Jogador que percebe muito bem a engrenagem colectiva, mas que (paradoxalmente) não prima sempre pela segurança. Aventura-se muito em espaços avançados ou recuados, sendo pouco constante em termos tácticos, mas é virtuoso e até empolgante quando está inspirado.

Médio defensivo: Ti West. É o box-to-box da equipa, aguenta magistralmente a bola a meio campo, raramente falhando o passe que balanceia a equipa para o ataque. Primoroso à defesa, West é o paradigma do jogador que parece uma coisa mas é outra - e quando se revela como é, tem o poder de deixar os adversários banzados com a precisão do seu jogo.

Médio esquerdo: Gus Van Sant. Jogador veloz e tecnicista, mas sempre solidário com a equipa. Perfeito no último passe e driblador nato mesmo sob pressão do adversário. Com ele, o jogo jogado flui em todo o campo.

Médio centro: Terrence Malick. Um criativo inexcedível que inventa soluções a meio campo que resolvem jogos. Tem um jogo aéreo melhor que a maioria dos jogadores que ocupam o seu lugar no campo. Quase invisível no campo, é o elo de união da equipa no balneário, amigo e confidente de todos os jogadores.

Médio direito: M. Night Shyamalan. É um risco pô-lo na equipa titular, mas se estiver no topo de forma pode fazer coisas que ninguém ousa fazer - e bem feitas! Exemplo disso foi aquele jogo - também realizado à porta fechada - em que marcou um golo a partir do meio campo, sempre a dar toques e com a cabeça!, sem que a bola tivesse tocado no chão.

Avançado (esquerdo): Jean-Luc Godard. É imprevisível, inconstante, mas na maior parte das vezes genial. Projecta-se no espaço vazio como ninguém: ele entra na grande área e posiciona-se onde os defesas adversários não se lembram de estar. Aparece para finalizar quando ninguém dava por ele. A idade pesa-lhe, mas não se fie muito nela...

Ponta-de-lança: Quentin Tarantino. De cabeça, de calcanhar, em exímios pontapés-de-bicicleta, Tarantino marca de todas as formas e feitios. É matreiro o suficiente para grandes simulações na grande área para provocar o penalty decisivo ou para grandes teatros, quando a equipa está vencer, para queimar o tempo que falta. Faz tudo para levar a sua equipa à vitória, mas na realidade só pensa numa coisa: a baliza. É muito polémico: um dia disse que preferia ser o melhor marcador do torneio do que ver a sua equipa ganhar.

Treinador: Sam Fuller*. Aqui não há "manáger" a dizer ao treinador o que deve fazer ou deixar de fazer... Fuller é o homem. Com preferência por "treinos sem bola" que transformam o campo de futebol num campo de batalha, o "big red one" (como é conhecido) lidera esta equipa com pulso forte. Se o outro pede "tranquilidade", este pede "acção!".

Aqui está o CINEdrio FC. Agora é a sua vez de ser mister e avançar com a "equipa de sonho" do seu blogue/site. Faça-o deixando na caixa de comentários deste post a sua selecção, com a devida fundamentação das suas escolhas (porque isto não é a selecção nacional de futebol). A sua equipa será publicada aqui e incluída depois no sorteio.

* - adenda desde este post, onde estabeleci: "para além dos jogadores, poderão, a título facultativo, indicar o treinador (que não terá de ser um "autor no activo") com o perfil mais indicado para pôr as vossos galácticos na ordem."

19 comentários:

PMF disse...

Estas regras são mais apertadas, mas o desafio está aceite. Vou já começar os treinos de captação :)

Abraço

Aníbal Santiago disse...

Boa Noite, espero ter cumprido as regras. Aqui vai a minha equipa, acompanhada por breves comentários sobre as escolhas.

Guarda Redes: Hou Hsiao-hsien. Parece que nada se passa com ele, mas está sempre atento a todos os lances e efectua belas defesas para a fotografia. É um Casillas no seu estado mais puro, com as defesas de penaltys a revelarem-se momentos de verdadeira poesia.

Lateral Esquerdo: Steven Spielberg. Desenvolve vários êxitos cinematográficos, mas nem sempre recolhe a unanimidade da crítica, um pouco como Marcelo, o lateral do Real Madrid. É bom a defender, no entanto, a sua maior habilidade é na saída para o ataque, ao revelar uma sincronia perfeita com os colegas de equipa.

Defesa Central: Takeshi Kitano – Um central ao estilo de Jorge Costa, pode passar a bola mas não passa o homem e se for preciso rebentam-se umas canelas pelo caminho.

Defesa Central: Takashi Miike – Um parceiro de respeito na defesa para Kitano, a fazer lembrar os gloriosos tempos em que Fernando Couto e Jorge Costa faziam dupla na defesa. Por estes ninguém passa, ou se passar, é muito provável que fique em mau estado.

Lateral Direito: Guy Ritchie. Por aqui ninguém passa. É um lateral duro, mas talentoso, qual João Pereira prestes a “roer” as canelas aos adversários (e a distribuír fruta se o árbitro estiver distraído). É o lateral que toda a equipa precisa. Aguerrido, disponível, embora por vezes se exceda e passe as marcas da lei de jogo.

Trinco: Michel Hazanavicius. Praticamente sem falar, com um estilo de jogo algo antiquado, este senhor tem conseguido trazer para si as atenções da crítica, sendo considerado o novo Patrick Vieira. No seu início de carreira prometia muito pouco, mas aos poucos largou o espectro de Miguel Veloso francófono e está a revelar-se um senhor jogador. É raro quando o adversário passa pela sua pessoa e ainda mais raro quando a bola não sai jogável para os companheiros de equipa.

Médio Centro: Manoel de Oliveira – A experiência é um posto e Oliveira revela-se um regista com uma exímia qualidade de passe, muitas das vezes a fazer lembrar Andrea Pirlo. Com passes acertados e muita qualidade, é muito difícil fazer errar este senhor.

Médio Centro: Miguel Gomes – A fazer dupla com Oliveira só poderia estar Miguel Gomes. Um dos nomes cada vez mais sonantes do cinema português, um virtuoso para quem as regras de jogo não são 'Tabu” e está sempre ansioso para que regresse o seu “querido mês de Agosto” para regressar à competição.

Médio Ofensivo: James Cameron – É o criativo do qual todos esperam sempre grandes resultados e feitos. Se os seus filmes são pródigos em fazer dinheiro e em efeitos especiais, os seus passes de morte para os avançados são “meio golo” e prometem fazer estragos na defesa adversária.

Ponta de Lança: Christopher Nolan - É o Cristiano Ronaldo dos realizadores. Apesar de somar vários êxitos, Nolan continua a dividir a crítica e a gerar ódios de estimação. Uns veneram-no, outros odeiam-no. A verdade é que continua a marcar golos e a lucrar como poucos.

Ponta de Lança: Ang Lee – Espera-se dele os mais belos e adornados lances de ataque. Ang Lee é um Lionel Messi, um predestinado a raramente errar e a fazer os mais belos golos e assistências, esperando-se sempre que saia algo que nos surpreenda pela positiva.

Espero que a equipa corresponda às regras. Alguma alteração necessária é só avisar. Cumprimentos,
Aníbal

Luís Mendonça disse...

Olá Aníbal,

Muito bem! É bom começar a ver "o rosto" aos meus adversários! :) Em breve sai a tua equipa, depois peço-te para a publicares no teu blogue tal como eu fiz neste post.

PMF disse...

Para a edição deste ano, as minhas escolhas são estas:

GR: Aki Kaurismaki
DE: Chan-wook Park
DD: Johnie To
DC: Joel Coen
DC: Ethan Coen
MC: Brian de Palma
MC: Martin Scorsese
MD: Francis Ford Coppola
ME: Wes Anderson
AC: Michel Gondry
AC: Woody Allen

Aki Kaurismaki, o guarda-redes vindo do frio, com nervos de aço. Depois de uma temporada em Le Havre, o finlandês volta com as suas mãos de ferro recuperado para defender as redes da equipa.

Os irmãos Coen voltam a estar no centro da defesa, pois continuam a ser uma dupla de confiança e que se entende como ninguém.

Nas laterais duas estrelas asiáticas: Chan-wook Park e Johnie To. Dois valores com provas dadas, que tanto conseguem jogar à defesa como subir pelas alas no apoio ao ataque.

Wes Anderson é outro dos regressos. A jovem estrela continua a brilhar no corredor esquerdo com os seus cruzamentos certeiros para a área.

No corredor direito Francis Ford Coppola, um jogador que já teve melhores dias mas merece a confiança do treinador, pois quando os cruzamentos correm bem o resultado é meio golo.

No centro do meio campo Brian de Palma e Martin Scorsese, dois veteranos da mesma geração, cada um com o seu estilo, ambos conseguem segurar e distribuir jogo como poucos. As falhas recentes de de Palma, por vezes são colmatadas por um seguríssimo Scorsese.

No apoio ao ponta de lança, encontramos Michel Gondry, com um estilo de jogo fantasioso capaz de confundir o adversário e servir o seu companheiro na grande área.

O ponta de lança é Woody Allen. Mesmo em baixo de forma e vagueando pelas capitais europeias, qual playboy de terceira idade a gozar a idade da reforma, o nova-iorquino ainda vai dando um ar de sua graça e quando acerta, os seus golos continuam a maravilhar as bancadas.

Jorge Teixeira disse...

Boas, aqui vai a minha equipa (por enquanto com estas justificações, que irei melhorar):

Sistema de jogo: 4-3-3

Guarda-redes: Hayao Miyazaki - Recatado, algo isolado (num mundo e numa posição especial), tranquilo, de larga amplitude e análise de jogo, que se transcende por vezes (como que ganhando asas).

Defesa esquerdo (lateral): Kar Wai Wong - De uma visão única, capaz de defender (e segurar) tudo e todos como de se lançar para a frente com uma improvisação e provocação admiráveis.

Defesa centro (esquerdo): David Cronenberg - Escasso em recursos mas eficaz, inteligente, duro (física e psicologicamente) e regular. Tem uma personalidade distinta em campo, que impôe respeito aos adversários.

Defesa centro (direito): Roman Polanski - Metódico, certo, detém pouco espaço de manobra mas é exemplar e limpo nos lances. Contido em geral mas aqui e eli explosivo, particularmente em alguns cortes.

Defesa direito (lateral): Yimou Zhang - Com os seus altos e baixos, é jogador para se concentrar tanto no detalhe (num adversário), como em todo o campo, abrindo a ângulo (e o corredor) só para si.

Médio defensivo (esquerdo): Werner Herzog - Cru, poderoso. Um trabalhador nato, faz um pouco de tudo e explora o terreno como ninguém. Transmite segurança à defesa.

Médio defensivo (direito): Clint Eastwood - Versátil, concentrado, com tempo e sentido de posição. Segura a retaguarda ao mesmo tempo que prepara e lança a construção do jogo. Tem muito poucas falhas. A sua regularidade e força em campo dão-lhe, há muito, o título de capitão da equipa.

Médio centro (n.º10): Martin Scorsese - Notável, criativo, exímio no passe e na visão periférica. Organizador e manipulador de todo o jogo. Impecável tacticamente. O Nº 10 por excelência, que compensa a experiência com a sua variedade e técnica.

Avançado esquerdo (extremo): Quentin Tarantino - Volátil, ousado, irreverente, brilhante com a bola nos pés, seja a cruzar, seja a fintar e a brincar com o adversário no um para um. Nem sempre defende e é demasiado individualista, mas equilibra com a energia dos seus arranques até à linha de fundo - que o avançado agradece.

Avançado direito (extremo): Emir Kusturica - Ágil, mutável, imprevísivel, atrevido. Se Tarantino brinca, Kusturica por vezes humilha os adversários com os seus dribles mirabolosos. Com inspiração resolve jogos sozinho.

Ponta-de-lança: David Lynch - Famoso, de extrema qualidade, soberano na área adversária. Tanto marca de cabeça como com o pé. É surpreendente e, jogando muito de costas para a baliza, rompe a defesa contrária invariáveis vezes, finalizando sempre de maneira diferente, com o seu toque pessoal (e toque de bola). Um regalo para qualquer amante do futebol.

Cumprimentos,
Jorge Teixeira
Caminho Largo

Jorge Rodrigues disse...

Cá vai a minha equipa então, depois diz se achas que devo melhorar o texto:

Táctica: 4x3x3

GR: Steven Soderbergh. Uma escolha pouco consensual, que teve um percurso muito auspicioso no início de carreira mas que conseguida a aclamação crítica se deixou relaxar. Apesar de falhar de vez em quando, é fiável e equilibrado, cumprindo sempre. Com uma aposta firme nele, pode ser grande de novo.

DD: Mike Leigh. Consistente, organizado, de uma categoria e respeito indiscutíveis. Apesar de veterano, qual Javier Zanetti, aguenta-se em campo como poucos devido à sua brilhante ocupação do espaço e qualidade na decisão.

DE: Alain Resnais. Senhor de muitas guerras e com uma carreira bem longa, este continua a ser um dos gigantes do meio futebolístico, que apesar de meio enferrujado continua a merecer temor da oposição. O meu Paolo Maldini.

DC: Michael Haneke e Lars von Trier. Uma dupla temível, capaz de aterrorizar e torturar qualquer adversário. Sem medo de ir às canelas, de jogar sujo, de fazer doer, que olha nos olhos de qualquer um. Sabem o que fazem em campo e usam bem o seu ar provocador e enigmático para aparecer na grande área contrária a cabecear para golo. Uns centrais a fazer lembrar uma combinação de Cannavaro e Thuram, cada um ao seu estilo, eficazes a limpar, certinhos a defender e ferozes a lançar o ataque. São poucos os que se atrevem a enfrentá-los.

MC:
Nº6: David Fincher. Eficiente, operático, obsessivo, meticuloso. É o cérebro, o líder que controla as acções da equipa e fá-lo com precisão e detalhe irrepreensíveis. O meu Redondo.
Nº8: Abbas Kiarostami. A complementar um médio-defensivo daquela categoria, tinha que haver um médio box-to-box igualmente excelente. Passe de fino recorte, o naturalismo e simplicidade com que desempenha o seu papel em campo são marcas distintivas. Acima de tudo, o que mais surpreende é a capacidade de autorreflexão que confere ao seu jogo, que o leva a estar no local certo à hora certa, enchendo o campo. Muito crítico consigo mesmo, nunca fica satisfeito e quer sempre fazer mais. O meu Ballack.
Nº10: Paul Thomas Anderson. A minha contratação mais cara, digamos, cujo valor está a subir fruto da aclamação crítica que tem recebido nos últimos anos. Mas penso que vale a pena, pois Anderson, apesar de jovem, é tão-só o jogador mais talentoso da sua geração, exímio e quase perfeito no que faz, como se fosse um profissional com muitos anos de experiência. Ambicioso e destemido, é ele que inspira e empurra a equipa para a vitória, como só ele sabe. É um prodígio e tem tudo para ser um Baggio, um Maradona, um Zidane, um Platini ou um Messi.

AD: Terry Gilliam. Imaginação, originalidade como poucos, com a dose certa de bizarro e fantástico para confundir mesmo o mais persistente dos adversários. Passa com facilidade pelos defesas (o que o diverte imenso), porque estes nunca sabem o que ele vai fazer a seguir. Pouco valorizado, é a minha arma secreta, o meu Futre.

AE: Pedro Almodovar. Só o perfume da bota deste senhor diz tudo. Romântico, criativo, poético, Almodovar é como se fosse o meu Figo. Nem sempre agrada a todos, mas uma coisa é certa: que o moço tem um talento inato para encantar o espectador, isso tem.

PL: Todd Haynes. Pode não ser o ponta-de-lança mais concretizador, pode não ser o mais adorado e pode não ser o que ganha mais dinheiro mas, qual Benzema, mostra uma classe ímpar no seu jogo colectivo e impressiona pela sua irreverência, coragem e criatividade. Os GR adversários temem-no, porque já sabem que se não marca, ele dá a assistir.


Abraço!

O Narrador Subjectivo disse...

Clube Futebol Subjectivo

4x4x2

Guarda-Redes: Sofia Coppola. A sua classe e compostura transmitem uma calma e uma segurança incomparáveis à linha defensiva.

Lateral Direito: Kim Ki-Duk. A sua solidez é um problema para os extremos mais atrevidos, que são sempre surpreendidos com um corte certeiro no momento em que julgavam estar prestes a escapar à marcação. Carácter silencioso, jogo severo.

Defesa Central: Michael Haneke. Forte. Muito forte, este central austríaco. É frequentemente criticado pela sua altivez e é rotulado como demasiado agressivo, mas os adeptos e colegas que o têm na equipa veneram-no pelo rigor e consistência, quiçá incomparáveis no futebol europeu. O Beckenbauer dos dias de hoje.

Defesa Central: Bruno Dumont. Longe de ser o mais alto ou o mais veloz dos defesas, impõe-se pelo posicionamento preciso e pelo poder de antecipação. É capaz de moer a paciência ao mais recatado adversário e o seu trabalho sem bola passa despercebido até, qual líbero, salvar a sua baliza em cima da linha ou sacar um cabeceamento ao segundo poste que dá golo e pôr toda a gente a perguntar de onde é que terá aparecido.

Lateral Esquerdo: Andrea Arnold. Com um sentido de timing perfeito, esta lateral inglesa, apesar de primariamente defensiva, quando ataca é sempre com o pragmatismo que por vezes ajuda a decidir jogos na recta final.

Extremo Direito: Gaspar Noé. Às vezes criticado por ser demasiado brinca na areia, a sua velocidade e criatividade são inegáveis. Com diagonais que apanham qualquer defesa desprevenida, consegue deixar estádios de boca aberta.

Médio Defensivo: Jerzy Skolimowski. Afastado destas lides durante algum tempo, por vontade própria, o regresso de Skolimowski fez-se com a timidez que lhe é característica. Joga sempre limpo, está sempre no sítio certo à hora certa, e é o complemento perfeito para qualquer meio-campo cerebral de gestão de posse de bola. Muito subestimado.

Médio Ofensivo: Darren Aronofsky. É um jogador que enche o campo com a sua criatividade, nunca vai abaixo em momentos de grande tensão ou jogos de maior importância (aliás, encontra sempre forma de elevar a fasquia, mesmo quando já parece improvável alguém conseguir fazê-lo) e que impressiona pela velocidade de decisão; joga com a bola coladinha ao pé mesmo quando ultrapassa a barreira da luz em corrida. Com Skolimowski por trás, tem toda a liberdade ofensiva de que um verdadeiro número 10 gosta.

Extremo Esquerdo: Steve McQueen. Cruzamentos milimétricos e especialista das bolas paradas. Simplesmente letal, extremamente temido e imprevisível. Drulovic londrino.

Avançado-Centro: Lynne Ramsay. Avançado de trabalho cujo ritmo e visão de jogo estabelecem uma transição perfeita entre o número 10 e o ponta-de-lança, quando necessário. Sabe quando tem de vir atrás buscar jogo e acaba todas as épocas com quase tantas assistências quanto golos.

Ponta-de-Lança: George A. Romero. É aquele ponta-de-lança experiente que surpreende sempre pela capacidade de fugir à marcação seja de quem for. A sua longevidade tornam-no imparável, marcou uma era com o seu estilo único, já tem um legado - uma verdadeira lenda viva, respeitado por todos.

Hoplita disse...

Luís,

tenho os nomes, agora falta juntá-los para fazer deles uma equipa.

Em breve, A Sombra do Elefante apresenta o seu onze.

Abraço,
Nuno

Hoplita disse...

Olá Luís.

Não estou a ser capaz de fornecer o «onze» porque o texto excede o limite de caracteres permitido para a caixa de comentários.

Nuno

Luís Mendonça disse...

Ah, não te preocupes muito com isso. O mais importante é apresentar o onze aqui e depois o comentário deixam para o vosso blogue.

Narciso disse...

Segue a equipa da Sombra do Elefante:

GR: Bergman
DD: Abel Ferrara
DC:Almodóvar
DC:Spike Lee
DE:Farocki
MD:Sokurov
MCD:Antonioni
MCO:Godard
ME:Straub&Huillet
AC:Wes Anderson
AC:Miguel Gomes

O Narrador Subjectivo disse...

Quer-me parecer que repeti um jogador (Haneke)! Se tiver de mudar, avisa :)

Luís Mendonça disse...

Sim, se puderes, muda. Abraço,

Sam disse...

Cá vai a minha equipa.

Geográfica, demográfica e esteticamente variada, tal como a minha (e a do Keyzer Soze's Place) postura perante o cinema contemporâneo:

Guarda-Redes – Jafar Panahi: discreto mas sempre preparado para (se) defender, a sua perícia em contrariar os ataques mais complexos e inexplicáveis fazem dele um guarda-redes cuja qualidade merece sempre confiança.

Defesa direito – Jeff Nichols: a principal esperança deste onze, demonstra potencial para a polivalência

Defesa esquerdo – Errol Morris: com a sobriedade de um documentarista e a criatividade de um contador de histórias, é um elemento que ajudará a equipa nos piores momentos do jogo.

Defesas centrais – Alain Resnais e Martin Scorsese: a experiência e maturidade destes dois nomes aliam-se à ausência de receio em arriscar e demonstrar espontaneidade no ataque perante colectivos mais jovens.

Médio centro defensivo – Gaspar Noé: duro, implacável e determinante, nenhum adversário (leia-se, espectador) ficará igual depois de enfrentar a sua técnica, que tanto pode ser defensiva como atacante. Em alguns casos, não hesitará em abusar do “físico”.

Médio direito – Chan Wook Park: irreverente, metódico e inesperado, é um garante de assistências para colegas (ou filmografias) mais adiantados.

Médio esquerdo – Oliver Stone: por vezes individualista, as suas decisões podem ser mais prejudiciais do que úteis, contudo será sempre um dos mais inconformados em campo. Mas quando o remate se revela certeiro, é golo certo.

Médio centro ofensivo – William Friedkin: parece que não damos pela sua presença em campo, mas está sempre à procura de inverter o terreno de jogo, de desafiar tanto a táctica da sua equipa como a do adversário e surpreende em cada movimento decisivo que opera.

Pontas-de-lança – Nicolas Winding Refn e José Padilha: frieza nórdica e imprevisibilidade sul-americana para um ataque capaz de resistir às mais diversas defesas cinematográficas.



Cumps cinéfilos.

O Narrador Subjectivo disse...

Luis: então cá vai, substituo o Haneke pelo Van Sant.

Defesa Central: Gus Van Sant. central conhecido pela classe e técnica soberba, está constantemente alerta e sintonizado com o ambiente que o rodeia. Muito bom no ar.

Luís Mendonça disse...

Caro Hoplita:

Importante alerta:

A nova regra dita: "1. Só poderão escolher jogadores/autores que estejam em actividade no dia de hoje. Não valem autores que, estando vivos, não realizaram qualquer filme nos últimos 5 a 10 anos. "

Ora, face a isto, tanto Bergman como Antonioni - e até Huillet - não poderão "entrar em campo". Sugiro uma troca por troca, se ma conseguirem dar.

Cumprimentos cine-desportivos,

Narciso disse...

O departamento jurídico da Sombra vai analisar a questão. Mas quer-me parecer que a letra da lei exclui apenas atletas que, estando vivos, não tenham trabalhado na última década. Os atletas em questão, estando mortos, produziram filmes nos últimos dez anos.

Luís Mendonça disse...

Isso é verdade, mas é importante que estejam vivos hoje, "em actividade".

Hoplita disse...

A equipa do Sombra do Elefante:

GR - Herzog
DD - Abel Ferrara
DC - Spike Lee
DC - Almodóvar
DE - Farocki
MD - Sokurov
MC - Lynch
MC - Godard
ME - Haneke
A - W.Anderson
A - André Gomes

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