Molly Luther: Free food, free drinks, free press.
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sábado, 10 de março de 2012
Recorte de falas (XVII): The Legend of Lylah Clare
Eis uma mistura um-dois-três, desinspirada e caricatural, de "Vertigo", "Rebecca" e "Sunset Boulevard". "The Legend of Lylah Clare" (1968) é um melodrama, escrito com excesso de inspiração face à desinpiração da câmara de Aldrich e das sensaboronas interpretações de Kim Novak e Peter Finch; um melodrama sobre a segunda carne de uma estrela (cadente) morta tragicamente há mais de 20 anos. Trata-se, portanto, de um film on film, sem ponta de novidade, sem chama na forma como no tema, mas repleto de diálogos espirituosos, alguns muito acutilantes, ainda que excessivamente grandiloquentes (algo parecido já acontecia em "The Big Knife"). A certa altura, uma influente opinion maker do mundo do entretenimento comenta o evento pomposo que o realizador Lewis Zarken organizou em sua própria casa, a abarrotar de jornalistas, agentes do cinema e arredores, para lançar mediaticamente a actriz que irá (re)encarnar a lendária Lylah Clare. O comentário é veneno... e, como já todos adivinhamos, é veneno tanto para "eles" como para ela.
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domingo, 20 de abril de 2008
Kiss Me Deadly (1955) de Robert Aldrich
"Kiss Me Deadly" é um film noir muito especial. Percebemos isso logo nos primeiros minutos, em que vemos uma mulher semi-nua a correr desesperada, ao longo de uma estrada. Os carros passam, ignorando-a... até que esta decide colocar-se à frente do carro daquele que irá ser o protagonista do filme: Mike Hammer (Ralph Meeker). Os minutos seguintes são decisivos: "remember me", diz a mulher a Hammer, segundos antes desta morrer e ele ficar ferido, e amnésico, na sequência de um desastre de viação com muito pouco de acidental...A partir daqui, é noir puro: Hammer inicia uma investigação particular, começa a ligar variadíssimos nomes (o enredo é difícil de seguir, como um "The Big Sleep" ou "Murder, My Sweet") e, entrementes, seduz várias mulheres, algumas loiras (venenosas?) e uma morena (aquela que verdadeiramente ama). O mais especial nesta obra-prima de Robert Aldrich é, para além da sua extrema negridão e violência (a lembrar, a espaços, esse autêntico mergulho no abismo que é "Nightmare Alley", filme maldito de Edmund Goulding), a forma como paulatinamente vai perdendo o contacto com a realidade, deixando que a paranóia se apodere da história como um vírus.
Perto do fim, "Kiss Me Deadly" desliza para uma espécie de vertigem horrífica, só comparável a um David Lynch, mais concretamente, ao seu noir revisionista, "Mulholland Drive" - o que esconde a caixa misteriosa a que todos querem deitar mão?
Aldrich filma este noir febril e demencial, seguindo um objectivo claro: a cada plano, uma obra de arte. Com a câmara em posições inauditas, a sublinhar permanentemente a estranheza da história-pesadelo de Hammer, Aldrich constrói uma teia de imagens plasticamente notáveis e engenhosas. Singular.
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