terça-feira, 30 de setembro de 2014

Match made in hell

"Leave Her to Heaven" (1945) de John M. Stahl

"Gone Girl" (2014) de David Fincher

[O filme mais politicamente incorrecto de Fincher, que, palpita-me, vai dar muito que falar (já ouço ao fundo: "misógino"! "Mau cristão"!), é mais uma superfície cinematográfica impecavelmente polida, meticulsamente construída… meticulosamente construída para destruir o santo matrimónio, como se este fosse um filme de terror cozinhado até explodir numa panela de pressão de aço inox e "de design". Um passo em frente neste percurso magistral em que Fincher assimila Fincher, redu-lo às tais superfícies lisas - as mesmas do subvalorizado "The Girl With the Dragon Tattoo"? Sim - que escondem manchas de sangue ainda mais perturbantes que as dos crimes de "Se7en" ou então "Gone Girl" é um hardware robusto com um software várias vezes mais monstruoso que "Social Network" (o network social é a pessoa que mais amamos…) ou um "Zodiac" em que "o mal" é mais pervasivo que o próprio Zodiac (e tem o rosto da pessoa que mais amamos…). Enfim, o filme mais incontornável do ano até agora. Mais uma coisa para aguçar apetites: a apoteose deste filme é uma montagem arrepiante, música de Trent Reznor e fades rápidos penetrantes onde a tal superfície lisa, "branca", é pintada com jorros de sangue. O pós-"Psycho", em certo sentido.]

1 comentário:

Júlia disse...

Vi o filme de John M. Stahl recentemente e fiquei rendida. A Gene Tierney desempenha um papel fabuloso.

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