sexta-feira, 24 de agosto de 2012

"É uma luz (...) que tem uma dinâmica interna que faz engendrar cores diferentes"*

"Samadhi" (1967) de Jordan Belson

"The Tree of Life" (2011) de Terrence Malick

* - Tirado daqui.

(In Hinduism, samādhi can also refer to videha mukti or the complete absorption of the individual consciousness in the self at the time of death - usually referred to as mahasamādhi.)

6 comentários:

jacquelinedepas disse...

Cada uma destas imagem é um prisma de Newton.

A luz, todas as cores visíveis.
E estas imagens, de uma a outra - falam de um ciclo.
O ciclo da luz, é o ciclo da vida : não há cores se não houver percepção óptica dessas cores, e para isso os seres vivos - humanos ou animais - tem de existir:

- Em Tree of Life, eu li naquela imagem em expansão o NASCIMENTO - sair da caverna, da escuridão primordial, nascer em direcção a uma vida que é radiância (a vida é iluminação, é ir ganhando progressivamente as imagens são composições de cores em variação visível)

- Ao colocares a imagem de SAMADHI, a hora da MORTE, o fechar dos olhos (o fechar das imagens, das memórias voltar ao negro, ausência de luz, de cor..) fecha-se o ciclo dos olhos.

Post lindíssimo. Muito budista.
Tenho de ver esse segundo filme.

Luís Mendonça disse...


Sim, interpreto exactamente assim a luz do "The Tree of Life". Contudo, o nascimento concorre quase sempre com a morte no filme do Malick, acho que não há nenhum filme que case tão bem "experiências" que temos como extremas. Em certa medida, o universo nasce quando sabemos da morte do bebé e, no fim, suspeitamos que ele se apaga, quando o bebé - já criança - renasce, na praia.

O cinema do Belson tem uma dimensão cósmica muito budista/hindu/espiritual, que comunica, a meu ver, muito expressivamente com o cinema místico do Malick. (Em termos puramente técnicos, se há termos puramente técnicos, noto o uso de fade outs repentinos, mas suaves, sobre paisagens cósmicas em filmes de Belson como "Light", tal como acontece em "The Tree of Life", de forma sublime.)

Sabrina D. Marques disse...

Muito agostiniana, essa ideia de um nascimento para a morte.
E concordo, está no The Tree of Life.

Adorei o Light de Belson. Obrigada!
Vou procurar ver mais coisas do género nos próximos tempos. (E partilhando títulos)

Luís Mendonça disse...

Estava aqui a ver e se calhar essa história que digo dos fades é mais notória no "The Fountain of Dreams", que é um dos filmes dele mais bonitos - como os vi seguidos, confesso que tenho dificuldade em saber o que pertence a qual.

Sabrina D. Marques disse...

Ainda sobre este derradeiro duo inseparável nascimento-morte:

- a deusa-demónio egípcia Teweret, a deusa da fertilidade com cabeça de hipopótamo, seios descaídos e grávida, acompanhava as almas para o reino dos mortos (a sua imagem assustadora afastava os demónios - era símbolo do descanso desejado no vir ao mundo e no sair dele)

- Acredita-se que deusa Mictecacihuatl, conhecida como "Senhora do Reino dos Mortos", , morreu ao nascimento. Sobre a sua figura giram festividades do Dia dos Mortos mexicano - o ritual que celebra os mortos, compreendendo crenças aztecas e de outras civilizações meso-americanas de que a morte era o começo da vida.

Luís Mendonça disse...

Muito interessante Sabrina, estás a fazer um trabalho sobre isso? Se sim, gostava de o ler depois!

Adoro essa grande narrativa dos Deuses e dos mitos à sua volta.

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