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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Glengarry Glen Ross (1992) de James Foley

Tem contornos de crime o que se passou aqui: só aos 24 anos me chega aos olhos um dos filmes melhor escritos e interpretados dos anos 90. Não há palavras e suspeito da existência de uma conspiração internacional, que deverá envolver o actual Primeiro-Ministro, empenhada na ocultação desta obra-prima na minha vida... até hoje.

É o mais genial pedaço de escrita de Mamet e, curiosamente, quem realizou este seu argumento baseado numa peça de teatro da sua autoria foi Foley. É difícil descrever o fulgor criativo e infindáveis subtilezas deste "filme de palco" com alguns dos maiores actores do cinema norte-americano.

Também me faltam adjectivos, neste momento, para qualificar a interpretação de Lemmon como de Pacino. E fico-me por aqui, porque tenho de levar este caso a tribunal.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Redbelt (2008) de David Mamet

Qualquer obra que David Mamet produza, escreva e/ou realize merecerá seguramente a nossa atenção. Contudo, parece-nos óbvio que esta não é, longe disso, a melhor fase da sua carreira. Dos seus últimos filmes, "Heist" (2001) é o mais equilibrado, melhor interpretado, escrito e, sobretudo, filmado. "Spartan" (2004), um thriller político com um excelente Val Kilmer, começa como nenhum outro filme de Mamet - a câmara, vertiginosa, quase sequestra o espectador, levando-o para o coração de uma investigação policial que já vai em andamento -, porém a sua segunda parte vai mais ao encontro das expectativas mornas que qualquer thriller do género nos provoca - a câmara larga o espectador e traça, à sua frente, não atrás, um labirinto de factos e provas que não nos leva a lado nenhum.

Depois o realizador de "House of Games" escreveu "Edmond" (2005) com base numa peça sua e supervisionou de perto este filme realizado por Stuart Gordon ("Re-Animator"). O elenco é mametiano (William H. Macy, Joe Mantegna e Rebecca Pidgeon), os diálogos robotizados também nos são familiares, mas o resto é um desastre em toda a linha. Foi lançado directamente em DVD cá em Portugal. O mesmo aconteceu, de forma totalmente despropositada, com este "Redbelt". Não que seja uma obra fundamental, mas bastava a qualidade do elenco para merecer o seu visionamento em sala. Os filmes de Mamet são sempre uma experiência diferente; mesmo quando estão longe da sua obra-prima ("Homicide", um dos incríveis filmes dos anos 90).

As debilidades de "Redbelt" são as mesmas das de "Spartan", ainda que o desequilíbrio aqui se tenha acentuado. O filme começa fora do universo Mamet, (falsamente) empenhado em contar a história mais banal do mundo (um treinador de jiu-jitsu falido, um acidente no seu ginásio e um convite para integrar um torneio com os melhores dessa arte marcial...). Qualquer cinéfilo desconfia de tanta "normalidade" num filme de Mamet e com razão: a meio, a acção dá uma volta de 180 graus (digna de um "The Spanish Prisioner") e factos acidentais ou personagens aparentemente inócuas ganham sentido numa intriga de grandes dimensões, que espanta a "normalidade" do ecrã.

O resultado deste twist é avassalador e renova o nosso interesse pelo filme: afinal, caímos no bluff que Mamet, um vicíado no jogo, nos montou, o que se traduz no avanço de alguns peões no campo de jogo e a queda de outros tantos. É nesta altura que a escrita de Mamet ganha alguma inspiração, ao mesmo tempo que entram em cena dois dos seus actores-fetiche mais emblemáticos: Joe Mantegna e Ricky Jay. Contudo, pouco tempo depois o filme volta ao registo inicial, com um romance enfiado a martelo entre as personagens de Emily Mortimer e Chiwetel Ejiofor e com este último a (quase) participar, como muito se sugeria no começo, no torneio de artes marciais.

O final resume um filme com uma grande dispersão de personagens-objecto que têm uma função excessivamente pontual na narrativa e, nesse sentido, algumas delas (claro, Mantegna, Ricky Jay e até Tim Allen) justificavam um maior aprofundamento. Enfim, um Mamet menor, que nem por isso merecia ser lançado directamente para o mercado de aluguer.

Ler mais aqui: IMDB.

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