Visconti está para...
como Nanni Moretti está para
Num artigo do Público sobre "Caos calmo" lia-se no título "o filme que confundiu os fãs de Moretti". A nosso ver, dizer isto é totalmente despropositado, até porque nesta altura temos de falar em Morettis e não apenas num Moretti (o de "Ecce Bombo" até "Caro Diario"/"Aprile", passando pelo genial "Palombella Rossa"). "La stanza del figlio", filme que este sim deve ter confundido quem na altura era fã do realizador, está na origem de um Moretti menos acerbo, em que o político se transformou na mais profunda e comovente reflexão sobre as relações humanas. O amor (entre pai e filho, tal como entre homem e mulher , etc.) passou a ser o objecto de interesse do cineasta, que, por assim dizer, suavizou o tom colérico, violento, agreste, tempestuoso que caracteriza especialmente o começo da sua obra.
Tomo II de "Sogni d'oro" (com genérico de abertura azul, em vez de vermelho). Filme tragicómico, com o (falso) bucolismo típico do cinema de Moretti, mas também com o seu alter ego levado ao cúmulo da obsessão-compulsão.
Claro que é o mais complexo filme de Moretti; tão ligado a questões políticas do passado recente da Itália que se torna, para um português médio, de muito difícil leitura - faço-a aqui, ciente que o filme pede para ser revisto, com um olhar mais informado.