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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ligação directa à pala de Walsh (XVI)


Para lá do que já destaquei em matéria de entrevistas na última ligação à pala de Walsh, venho retransmitir-vos os conteúdos que mais trabalho me deram neste último mês de 2013. O primeiro, curiosamente, não me inclui (na imagem), mas ocupou-me durante um ou dois dias no processo de montagem. As segundas Conversas à Pala, moderadas pelo João Lameira e pelo Carlos Natálio, contam com uma interessante entrevista à cineasta Salomé Lamas, a propósito do seu "Terra de Ninguém".

Outro contributo meu, mas desta vez mais visível, foi dado no debate de lançamento da caixa de DVDs "The Story of Film: An Odyssey" de Mark Cousins. O João Lameira aproveitou esse debate para escrever a sua última crónica "Em Série", deixando lá link para que os nossos leitores possam ouvir o debate que se desenrolou entre mim, ele e os convidados especiais João Mário Grilo e Maria João Madeira.

Na minha crónica "Civic TV", despedi-me do canal TCM, um desaparecimento que me enluta. Recordo que 2013 também foi o ano em que a RTP2 voltou a suspender o "5 Noites, 5 Filmes", deixando de passar cinema numa base minimamente regular.

O prato forte de Dezembro terá sido o post com os Tops do ano de todos os redactores do À pala de Walsh que quiseram responder ao nosso desafio de fazer um balanço do que de melhor passou pelas nossas salas.

Escrevi ainda uma crítica Em Sala a um excelente filme que poderá estar a passar ao lado da maioria dos portugueses: "O Som ao Redor" de Kleber Mendonça Filho. Menos excelente foi o Filme Falado do mês.

A fechar o ano, pus a minha colherada numa Sopa de Planos feita de paisagens e fechei, com o Ricardo Vieira Lisboa, a rubrica Actualidades, que termina assim um ano a reprojectar a agenda noticiosa através das imagens dadas do cinema.

Em Janeiro, mês editado pelo Ricardo Vieira Lisboa, teremos como destaque máximo as Conversas à Pala #3, onde eu, o Carlos Natálio e o nosso convidado Vasco Baptista Marques iremos falar do ano cinematográfico que passou. Apareçam!

Bom 2014 a todos e desejos de mais e melhores filmes!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Listas individuais da Sight and Sound (III): as escolhas internacionais

"Wanda" (1970) de Barbara Loden

Vistas que estão as escolhas nacionais, sugiro passar rapidamente os olhos por algumas escolhas de especialistas internacionais. Aqui pus em destaque os nomes que, logo à partida, me despertaram maior curiosidade. O primeiro, pela sua bizarria, que gostava de mencionar nestas linhas é o filósofo esloveno Slavoj Zizek. A sua lista está para o top final da Sight & Sound um pouco como a pintura da Sra. Cecília está para o agora famoso "Ecce Homo" que tentou "restaurar". O "mau gosto" é, contudo, assumido, já que o critério adoptado foi só seleccionar "guilty pleasures". Ainda assim, um grande filme como "Fountainhead" de King Vidor sobressai notavelmente, na medida em que merece aqui o seu único - e justíssimo - voto em toda a sondagem.

De resto, temos um western menor, recentemente "refeito" (a meu ver, com sucesso) por James Mangold, o fracassado "Dune" de David Lynch, o bem piroso "The Sound of Music", o falhado "On Dangerous Ground" de Nicholas Ray e Ida Lupino, o esquecido (mas excelente) "Nightmare Alley" e... bem, a partir daqui a coisa desce ao nível do espalhafatoso e entediante "Hero" e, agarrem-se bem!, "Hitman", thriller político de acção realizado por um tal Xavier Gens - adaptação quase intragável de um jogo de computador com o mesmo nome. Não falo dos restantes, que não vi, mas fica aqui pintado uma espécie de "cristo de Slavoj Zizek" que a Sra. Cecília não precisava de "restaurar".

Fora a bizarria mais ou menos assumida por Zizek, destaco a lista de Adrian Martin, não tanto pelos filmes - alguns deles admiro muito, um ou outro ainda não vi, mas fiquei com vontade de ver... - mas pelo critério que engenhosamente "tirou da cartola" para responder a desafio tão difícil. O crítico australiano decidiu nomear apenas filmes que viu nos últimos dez anos, fazendo assim um refresh total em relação a exercícios anteriores.

Na sua lista há um título, que gosto muito, e que também consta do outro top que queria destacar aqui: "Wanda" de Barbara Loden, um dos filmes melhor recuperados dos últimos anos. Também gosto de ver no top de Ray Carney "Killer of Sheep" e um dos meus filmes independentes norte-americanos preferidos do passado recente, "Old Joy" de Kelly Reichardt. Contudo, o critério adoptado por Carney é, na minha opinião, infeliz. O académico norte-americano decidiu só nomear filmes do seu país, diz ele, para reverter o mito  segundo o qual "nenhuma mulher ou homem pode ser profeta no seu próprio país". Já acho muito discutível que os portugueses sondados tenham referido filmes nacionais, agora, assumir esta espécie de visão imperialista ou totalitária da história do cinema parece-me ainda mais questionável, ainda para mais, vinda de um académico...

Como grande admirador dos vídeo-ensaios ou vídeo-apresentações que Tony Rayns tem feito para a editora britânica Masters of Cinema, registo na minha "wish list" cada título asiático por ele referenciado. Fiquei especialmente a salivar por um filme com o título bem expressivo "Textism" de Hirabayashi Isamu, que, segundo Rayns,"stands for a vein of iconoclastic avant gardism that stretches from Robert Florey to Kenneth Anger and Hollis Frampton." Também para amantes do cinema asiático, a lista de Chris Fujiwara constitui um contributo importante, citando um Naruse, um Ozu, um Mizoguchi e o mais recente, e muito bom, "Memories of Murder" do sul-coreano Bong Joon-ho.

Mais tops mereceriam destaque, mas penso ser importante deixar o que sobra à descoberta do leitor. Não quero é fechar este assunto sem apontar algumas ausências que tenho como significativas: David Bordwell, Jacques Rancière, Jacques Aumont, Michel Marie, Stanley Cavell, Serge Toubiana, Andras Balint Kovács, Antoine DeBaecque, Alain Badiou e Louis Skorecki. Não foram convidados? Recusaram o convite?

Também aproveito estas linhas para corrigir um mal-entendido que não é da minha responsabilidade e que é devidamente rectificado no site da Sight & Sound: pelos vistos, as listas foram alojadas com os títulos dispostos alfabeticamente e não na ordem de valor fixada por cada votante, logo, não é correcta a observação que faço em relação ao Ozu ("An Autumn Afternoon") na lista de José Manuel Costa.

Entretanto, já foram tornadas públicas as listas dos realizadores. O nome de João Mário Grilo não faz parte da mesma, pelo que se confirma, na lista dos especialistas, uma ausência de peso (algo inaceitável, na minha opinião).

domingo, 5 de agosto de 2012

O fim da RTP2


Uma notícia recente dá conta da eventual venda da RTP2. Chegámos ao momento que pessoas como o Professor João Mário Grilo já anteviam no debate que a petição pelo regresso da exibição regular de cinema à RTP2 organizou, há quase um ano. Momento para a defesa da RTP2, mas que RTP2 é essa que as pessoas poderão defender, face a um presente tão descaracterizado e a uma direcção que nunca quis ouvir o seu público?

Agora vão aparecer meia dúzia de vozes, mais ou menos sonantes, que só sabem defender aquilo que é e não aquilo que devia ser um segundo canal de televisão. A discussão vai-se politizar, pior!, vai-se "partidarizar", mas algo me parece incontestável: nesta altura de vacas magras, em que se anuncia a reestruturação da televisão pública, o governo percebeu que o elo mais fraco era a estação de Jorge Wemans, um canal que se alicerça apenas numa boa programação infantil, numas quantas séries norte-americanas que duplica com outros canais do cabo e nalguma informação cultural mal amanhada e snobe (leia-se, o insuportável "Câmara Clara").

A direcção da RTP2 arrastou-se durante anos a mais, perdeu força e credibilidade e, agora, arrisca-se a levar consigo não só o passado e bom nome do canal mas também o canal propriamente dito. Parece uma daquelas ditaduras do norte de África: só acabam com a decapitação do ditador. Pena que esta "decapitação", se acontecer, seja executada pelo Poder e não seguindo a vontade dos cidadãos. Será não uma revolução "primaveril", mas a implosão de uma direcção decadente. RTP2, a estação que Jorge Wemans enterrou?

(Quanto ao ministro Miguel Relvas querer um canal público mais próximo da RTP1 do que da RTP2 ou dizer que não quer um canal "residual" a nível audimétrico, claro que isto constitui o triunfo da perspectiva tecnocrática que já impera há muito na televisão pública; logo, a machadada final sobre qualquer possibilidade de vir a existir - como já existiu um dia, na RTP2 - um serviço público de televisão.)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A tabuada e o espírito: RTP2, Sheet TV



Apetece-me falar da aparição televisiva do autor da série de livros "O Reino" e "O Bairro" por dois motivos.

Primeiro, porque a intervenção pública de Gonçalo M. Tavares é uma verdadeira intervenção pública. E proponho, desde já, que se faça uma limpeza completa da palavra intervenção e que se lhe vistam roupas novas e lavadas. É que, felizmente para nós, humanidade, pessoas pensantes e agentes deste mundo, não é só a Troika e os deputados da nossa Assembleia que fazem intervenções. Ainda há massa cinzenta e ideias que fervilham na cabeça dos que resistem ao regime totalitário, intelectualmente terrorista, imposto dia-a-dia pelos nossos media e classe política.

Segundo, porque no debate Cinema na RTP2 o cineasta João Mário Grilo silenciou a zombaria grosseira do senhor Jorge Wemans. O director da RTP2 iniciou a sua muito antecipada "intervenção" descredibilizando, desde logo, o título da nossa causa, referindo-se especificamente, e com uma certa soberba, à palavra "regular" como um lapso semântico da nossa parte. João Mário Grilo contra-atacou magistralmente separando as águas entre aquilo que deve ser entendido como "coisa regular" (uma realidade estatística, uma coisa que se repete quantitativamente) e uma "regularidade" (algo que, repetindo-se, gera uma certa "identidade", um hábito, uma cultura, o que quiserem chamar...). Wemans falava "de cor" da sua tabuada, Grilo elaborava sobre os assuntos do espírito.

Concordo com esta visão e reconheço que ela também presidiu à formulação do título da petição. Mas quando falámos numa "programação regular" também falámos de uma "coisa regular". É que, como não tive oportunidade de dizer, a RTP2 não é tão constante quanto leva a crer na sua programação de cinema. Por vezes, nomeadamente, em épocas festivas, a RTP2 volta a passar filmes diariamente. Esta semana, por exemplo, o canal de Wemans celebra o cinema de Burton; depois, passa 5 filmes de Almodóvar, mas... e depois? Depois, se quiser manter a coerência da sua política de programação ao longo destes anos, Wemans voltará a dar-nos cinema como quem dá pão a pombos, na sua Sessão Dupla de sábado. Talvez se distraia e nos dê mais uns filmitos ou uns documentáriozitos aqui e ali, "salpicados pela semana", antes da crucificação (da Páscoa).

Estamos, aqui, a falar do espírito, ou ausência dele, da tabuada atabalhoada de um tecnocrata chamado Wemans, homem que intervém no seu canal um pouco como a Troika intervém no país: com balancetes, balanços, déficits... folhas e mais folhas de estatística e uns quantos powerpoint a debitar "perspectivas de negócio". Mas, lamentavelmente, com pouco ou nenhum discurso que transforme a rude opacidade da Folha de Cálculo (sheet). O corolário de tudo isto é ainda termos, hoje, uma televisão pública cativa do fascínio de uns quantos senhores pela "ciência" estupenda da audimetria, loucos amantes de exercícios muito criativos e imaginativos de quantificação da sua programação pouco imaginativa e pouco criativa.

Ouçamos Gonçalo M. Tavares e ouçamos especialmente bem o que envolve o sentido das palavras que citamos em epígrafe.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Debate Cinema na RTP2 4/4

Eis a quarta, e última, parte do debate Cinema na RTP2. A conclusão é assinalada pelas reacções do painel à intervenção de Jorge Wemans.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Debate Cinema na RTP2: teaser

Não será propriamente um "blockbuster de Verão", mas é com particular regozijo que venho convidar todos os leitores do CINEdrio a entreverem neste TEASER alguns dos melhores momentos das quatro partes, que sairão em breve..., do Debate Cinema na RTP2, realizado no dia 12 de Maio 2011 e que reuniu à mesma mesa o director da estação Jorge Wemans, o ex-Provedor do Telespectador José Paquete de Oliveira, o cineasta João Mário Grilo, o Professor Francisco Rui Cádima e dois membros do grupo-redactor da Petição pelo Regresso da Exibição Regular de Cinema à RTP2, Ricardo Lisboa e eu próprio enquanto moderador.

Tema do debate? O actual estado da programação cultural da RTP2 no quadro do macroconceito de serviço público.

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