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domingo, 6 de maio de 2012
Adeus Fernando Lopes e olá José Vieira Mendes ou o parasitismo mediático
Peço desculpa, mas vou ter de voltar a insistir nisto.
Numa altura em que se presta a homenagem, mais do que devida, a Fernando Lopes, não só como realizador maior do cinema novo português, como crítico de excepção (da Cinéfilo, revista de que tanto se orgulhava), mas também como co-fundador da RTP2 e programador que pensou e deu a pensar cinema no mítico Cineclube, numa altura em que faz sentido retirarmos as devidas lições desta vida exemplar, que ainda nos está tão próxima, ligo a RTPMemória e vejo, confesso que com apreensão, mais uma Noite de Cinema apresentada por José Vieira Mendes.
O sorriso de plástico e o fraco conteúdo de Vieira Mendes continuam lá, o que muda (porque nem sempre tem sido assim... como já testemunhei, aliás) é, desde logo, o facto de ter naquele estúdio virtual reles alguém com um discurso desempoeirado e empático: Filipe Melo, músico jazz e uma das cabeças por trás do primeiro filme zombie português, "I'll See You in My Dreams". José Vieira Mendes faz a apresentação do convidado, ao mesmo tempo que o põe desconfortável com uma enxurrada de elogios genéricos e salamaleques artificias, procura promover o seu trabalho na música, no cinema e, mais recentemente, na banda desenhada e depois reserva um minuto para a apresentação propriamente dita do filme.
Se antes criticávamos o tom e a escolha (deslocada) dos convidados (alguns, caídos de pára-quedas ali, nitidamente!) e não tanto os filmes que eram mostrados, uma vez que na RTPMemória havia uma predilecção por grandes clássicos do cinema (de Hawks, Powell, Ford, etc.), agora não pudemos deixar de nos engasgar mal ouvimos o título do filme que, no fim de contas, propiciara aquela reunião: "Academia de Polícias 3". Filipe Melo, simpaticamente, procura falar dos anos 80, do impacto que teve esta série cómica no final da sua infância... não deixa, contudo, escapar a ideia de que, talvez, estas comédias estejam hoje muito datadas.
Eu pergunto: em que consiste esta gestão programática que a RTPMemória está a fazer da memória cinéfila? "Academia de Polícias" é uma obra que mereça revisitações sofisticadas, contextualizações com 10 minutos? Não, aliás, de tal modo que só deram 1 ou 2 minutos a Filipe Melo para falar desse filme. A verdadeira motivação desta "apresentação" não tem nada a ver com a divulgação ou a pedagogia do olhar, aquela por que se bateu Fernando Lopes numa vida; não, os dois grandes objectivos destas falsas contextualizações cinematográficas são: a promoção do trabalho do convidado - mas então por que está este espaço disfarçado de grande "átrio" da cinefilia e da cinefilização? - e, antes de tudo, a projecção da imagem do entrevistador/programador - José Vieira Mendes tem amigos e, como se vê na narcísica troca de elogios que protagoniza sempre, tem feito muito pelo cinema em Portugal...
É terrível que o cinema na televisão pública sirva este puro parasitismo mediático, que lhe é completamente alheio. Penso que, e agora retomando a minha homenagem a Fernando Lopes, é tempo de se começar a dignificar o cinema no espaço público, é tempo de levarmos a bom porto a batalha por uma melhor e mais séria pedagogia do olhar em Portugal. É tempo de sermos mais exigentes e de reivindicarmos - porque pagamos por ela - uma televisão pública de serviço público. Não é tempo para auto-promoções à custa do cinema ou apropriações pífias e parasitárias da memória cinéfila.
domingo, 1 de janeiro de 2012
Sobre o espírito RTP, o maestro...

... António Vitorino d'Almeida, em entrevista ao Correio da Manhã (publicada no seu "guia televisivo" desta semana), disse:
Qual a sua opinião sobre a privatização de um dos canais da RTP?
Estou-me marimbando! A RTP é péssima, não presta, minimamente, serviço público. Não me afecta nada que seja gerida por um gajo qualquer. Afectava-me se houvesse um verdadeiro serviço público. Que eu saiba, era a RTP e não a RTP2 - a menos que me tenham aldrabado - que devia fazê-lo...tanto o canal um como o dois.
Não partilha o argumento de que um canal de serviço público é insuficiente?
Não pode piorar mais! Podemos sempre dizer que poriam lá outra 'Casa dos Segredos', mas o que é que a RTP lá tem? Coisas parecidas... segredos mais escondidos, mas o espírito é o mesmo.
É caso para dizer: "Bravo, maestro!"
(E também é caso para se fazer a pergunta: já conversou com a sua filhota?)
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Separemos as águas

Charlton Heston (no papel de Moisés) em "The Ten Commandments" (1956) de Cecil B. DeMille
Carlos Natálio, no blogue Ordet.
Sim, aqui limito-me a citar e a anexar o citado aos meus últimos posts e, meus caros leitores, não acrescento nem mais uma vírgula.
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