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sábado, 24 de março de 2012

"5 Noites, 5 Filmes" está de regresso à RTP2


Penso que esta é a verdadeira primeira grande vitória da Petição Pelo Regresso da Exibição Regular de Cinema à RTP2: o saudoso "5 Noites, 5 Filmes" regressa à antena da RTP2 a partir do dia 2 de Abril. A afirmação deste espaço na grelha do canal dá-me alguma segurança de como este não servirá para tapar, provisoriamente, o buraco deixado vago na programação pelo talk show "5 Para a Meia-Noite", até porque, espantem-se, a avaliar pelo teaser e outras informações do site da nova temporada, este também regressa em Abril, não na RTP2, mas na RTP1!

Com estas decisões de transferir aquela que era a jóia da coroa da direcção Wemans do segundo canal para o primeiro e de devolver a este um espaço digno - esperemos que o seja... - dedicado à exibição de cinema, a RTP2 volta a fazer jus ao seu passado, reaproximando-se dos objectivos, a que nunca se deveria ter furtado, de serviço público.

Mas, agora, se me permitem, também quero dizer isto: para quem nunca acreditou na nossa iniciativa por achar que ela não ia a lado nenhum, para quem achava que só fazendo rolar cabeças as coisas podiam mudar, para quem pensava que as críticas públicas que fiz a programas como "5 Para a Meia-Noite" eram "contas de outro rosário", aos cépticos e aos cínicos, aqui têm a resposta. Aos outros, muito especialmente, aos perto de 3000 cidadãos que subscreveram a nossa petição, endereço uma mensagem de parabéns e um grande obrigado por darem provas de que a opinião pública é livre, independente e pode fazer a diferença, nomeadamente, contra a ditadura da opinião publicada.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Sobre o espírito RTP, o maestro...


... António Vitorino d'Almeida, em entrevista ao Correio da Manhã (publicada no seu "guia televisivo" desta semana), disse:

Qual a sua opinião sobre a privatização de um dos canais da RTP?
Estou-me marimbando! A RTP é péssima, não presta, minimamente, serviço público. Não me afecta nada que seja gerida por um gajo qualquer. Afectava-me se houvesse um verdadeiro serviço público. Que eu saiba, era a RTP e não a RTP2 - a menos que me tenham aldrabado - que devia fazê-lo...tanto o canal um como o dois.

Não partilha o argumento de que um canal de serviço público é insuficiente?
Não pode piorar mais! Podemos sempre dizer que poriam lá outra 'Casa dos Segredos', mas o que é que a RTP lá tem? Coisas parecidas... segredos mais escondidos, mas o espírito é o mesmo.

É caso para dizer: "Bravo, maestro!"

(E também é caso para se fazer a pergunta: já conversou com a sua filhota?)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

António-Pedro Vasconcelos, a RTP e o serviço público de televisão

Na entrevista que António-Pedro Vasconcelos (APV) deu no recém-criado programa do canal Q "Inferno", apresentado por Pedro Vieira (irmão Lúcia)*, ficam mais ou menos claras, pelo menos, parte das razões que levaram o cineasta a sair do programa "Trio D'Ataque" para se dedicar "à luta em defesa da RTP e do serviço público de televisão", que o comentador desportivo e cineasta em part-time diz, em tom apocalíptico, estar em risco de acabar. (Eu, pela minha parte, como já escrevi aqui, acho que sim: de facto, a RTP está em risco de acabar, mas, senhor APV, não vê televisão?, o serviço público de televisão acabou há muito tempo!)

Registo, desta entrevista, duas coisas.

Primeiro. APV diz que grassa a apatia no meio intelectual em torno desta situação de emergência nacional que é a manutenção do serviço público - tal como está? Manutenção do statu quo? Manutenção DESTE serviço público? APV parece estar na luta errada, na hora errada... É que o problema da RTP, como João Mário Grilo expôs de forma lapidar no debate Cinema na RTP2**, está na RTP e foi criado pela RTP. Foi quem lá esteve - e quem ainda lá está, bem instalado... - que resolveu virar as costas ao seu público e abraçar um conceito de audiência vindo da mais reaccionária das televisões comerciais e que em nada se coaduna com o modelo de serviço público, tal como está vertido no Contrato com o Estado e na Lei da Televisão - e, até, defendo eu, na própria Constituição.

APV é que acordou tarde para esta luta, como aliás, acordam tarde todos aqueles que, depois de terem virado a cara a esse escorraçamento de públicos perpetrado por sucessivas direcções da RTP, agora se auto-proclamam "defensores da pátria" à custa da vitimização da "RTP e do seu serviço - que só na sua cabeça é - de interesse público". Não me espanta esta atitude, tendo em conta que APV, como o próprio refere, fez parte do sistema durante 20 anos. O problema do serviço público, problema que é "do país", é precisamente este: criticar algo, ao mesmo tempo que se enxota a água do capote, se lava as mãos como pilatos, se assobia para o lado quanto às responsabilidades pessoais no actual estado das coisas. E APV esteve lá dentro durante duas décadas e, enquanto lá esteve, pouco ou nada produziu de significativo na crítica aos sucessivos atropelos ao serviço público incentivados por inúmeras direcções...

Segundo. Registo ainda aquele momento em que APV, interrogado por Pedro Vieira sobre se "Fátima Campos Ferreira não seria possível nos privados", afirma qualquer coisa como "não, impossível, o modelo de serviço público não é replicável nos privados". Quando se prepara para fazer a defesa do actual dito serviço público de televisão o que ocorre a APV invocar são todos os programas culturais - programas para públicos minoritários sobre livros ou ópera, como diz APV - que os privados não estarão dispostos a aguentar em nome do interesse público. De facto,como poderão sobreviver no selvagem mercado dos privados todos os programas sobre cinema, ópera, literatura que existem hoje na RTP? Impossível, até porque, como todos sabemos, na RTP abunda uma programação cultural de enorme qualidade.

*- Quase ao mesmo tempo (e actualizando este post - neste dia, 16 de Outubro 2011 -), APV foi ao talk show de bonecos animados do Wemans, "Noite do Óscar", repetir praticamente palavra a palavra as mesmas ideias...

** - Recordo que APV, em entrevista a um jornal, se disse "indiferente" a iniciativas do género da Petição pelo regresso da exibição regular de cinema à RTP. As suas palavras foram respondidas por um post espirituoso do Miguel Domingues.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O serviço público de televisão e o "problema" dos conteúdos

Só mesmo desligada, a televisão parece devolver o nosso (exigente) reflexo - a personagem de Jane Wyman em "All that Heaven Allows" (1955) decerto já o sabia.

Anda aí a circular a ideia de que se pode definir o conceito de serviço público de televisão sem se falar de conteúdos e grelhas de programas. Quem tem reagido com esta ideia à constituição do grupo de trabalho chefiado por João Duque, e que integra, entre outros, Eduardo Cintra Torres e Manuel Villaverde Cabral (dois subscritores da nossa petição), arrisca-se seriamente a cair num vazio de argumentos. O Governo tem obviamente de analisar conteúdos específicos se quer aprimorar (ainda mais) o conceito de serviço público.

Aliás, vou até mais longe, dificilmente se consegue falar de televisão sem falar de conteúdos, opções editoriais e mesmo das pessoas que as tomam... Por tudo isto, seria importante "desmascarar" todos aqueles que (epidérmica e demagogicamente) reagem a tudo o que são propostas para acertar o rumo dos canais do Estado e aproximá-los de uma ideia mais concreta de "interesse público" como se estas resultassem automaticamente numa ingerência ilegal, inconstitucional, das forças políticas no direito sagrado à liberdade de imprensa. É preciso, na realidade, tratar de conteúdos, se alguém quer, de facto, uma televisão pública responsável perante a lei e o Contrato que tem com o Estado.

Recomendo que se leia o Contrato que a RTP tem com o Estado para se perceber, de uma vez por todas, primeiro, que o Estado sempre tratou de conteúdos, sempre, por assim dizer, "ingeriu" no modo como as grelhas de programas se constituem e que, segundo, a actual definição de serviço público é já suficientemente exaustiva para que hoje pudéssemos ter uma televisão de muito melhor qualidade - que não oferecesse, pelo menos, tanta contestação por parte da sociedade civil informada. O problema, repito, está na regulação, que deve começar logo na nomeação de quem vai para a frente dos ditos canais. Lamento que, face às evidências, ainda se perca tempo com argumentos corporativistas ou partidariamente viciados.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Janelas para se pensar o cinema na televisão pública

Na televisão portuguesa, a alternativa ao espaço razoável de João Lopes na SIC Notícias é o programa de Mário Augusto "Janela Indiscreta" na RTP. Mário Augusto esteve na SIC Notícias até há pouco tempo, tendo passado entretanto, sabe-se lá com que custos, para a televisão pública. Faz hoje magazines "enlatáveis" que alimentam RTPN, RTP1 e RTP2 em horários impróprios (respectivamente, 2h30, 2h00 e 13h45). O que é que mudou em relação àquilo que Mário Augusto fazia na SIC? Bem, mudou muito pouco, mas o que mudou mostra quão inacreditável foi esta contratação: mais promoção e divulgação do cinema português.

Lá impuseram as "quotas do serviço público" ao homem dos junkets e das festas loucas de Hollywood. Não tenho nada em particular contra o "jornalismo" - vêem-se as aspas? Mas vêem-se mesmo? Não será melhor pôr a bold? Ó mãe, vê lá, está mesmo bem? Ok, continuando... - praticado por Mário Augusto, homem simpático que já tive o prazer de conhecer, mas a RTP não conseguia fazer melhor? Teve de roubar da concorrência alguém para fazer, contra-natura, a promoção do malquisto cinema nacional, misturado com a pipocada-mor do boxoffice?

A título de exemplo, veja-se os créditos de abertura de "Janela Indiscreta", com frases célebres da Sétima Arte como "O meu nome é Bond, James Bond" e... "Até que a voz me doa" ("Amália"). Isto revela não só a ausência de uma programação (pensada) de cultura na televisão pública como, muito especificamente, a condução editorial do resto do programa: euforia incontida quando é para falar da última comédia de Nora Ephron interrompida a espaços com os malditos dos filmes portugueses... enfiados a martelo. É tudo tão artificial quanto pôr um Mário Jorge Torres a entrevistar Hugh Grant num junket sobre a sua última produção "Ouviste falar dos Morgan?".

Não está a RTP equipada para conceber, de raiz, uma coisa que não tem, que não há, de facto, na televisão nacional: uma programação cultural com espaços, vá, com UM espaço que produza reflexão/informação relevante sobre a actualidade cinematográfica, que promova a descoberta dos clássicos e não se limite a "vender blockbusters" como quem vende um creme para as rugas? Caramba, não consegue a RTP arranjar, até mais barato, uma pessoa minimamente telegénica para falar ou/e pôr gente a falar empenhada e seriamente sobre Cinema?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

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