Cavaco, no último debate presidencial, diz que se compromete a exercer uma "magistratura de influência activa" caso seja eleito. Há cinco anos, o mesmo Cavaco prometeu uma "cooperação estratégica" com o Governo. Entretanto, desde que a crise estalou, Cavaco mudou a agulha: mandou dar uma volta à cooperação e dá vida, agora, a uma magistratura que se quer influente. No dito debate, com o candidato do PCP, Cavaco acrescentou um adjectivo: "activa".
A quantidade de latim que foi gasto a tentar descodificar, nos últimos 5 anos, o que raio era isso de "cooperação estratégica" dava para encher este blogue e afundá-lo no ciberlixo que nos intoxica os dias. Alguns politólogos e analistas já se começaram a entreter com a "magistratura de influência" como uma criança com o seu novo brinquedo. "Activa", Cavaco ponderou, reflectiu aturadamente durante dias, semanas, meses, e disse. Durante esse tempo claudicou entre "activa" e "passiva", ter-se-á decidido há dias. Nada será como dantes.
Imaginem se tivesse dito: irei exercer uma "magistratura de influência passiva". Seria o primeiro a influenciar passivamente algo ou alguém, mas Cavaco não se quis aventurar, como bom social-democrata da ala mais conservadora que se apanha. Ficou-se por uma influência activa. "Passivamente activa" - é a que se segue...
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
Cavaco, o apolítico? (IV)
Cavaco, escaldado com as críticas de Sócrates - e, nós sabemos, aquele é "vingativo", tal como o caracteriza a diplomacia americana, cortesia Wikileaks -, não remeteu o povo ao seu site ou aos seus discursos dos anos 80. Disse directamente que desde o início do seu mandato se tem preocupado com as questões da pobreza; que, no primeiro discurso do 25 de Abril, alertou "os políticos" (palavras dele) para a situação dos mais desfavorecidos. Cavaco é o político que está no poder há mais tempo em Portugal; está envolvido na gestão do Estado desde, pelo menos, os anos 80, ou seja, há perto de 30 anos que Cavaco se dedica, quase em exclusivo, à política.
Acho muito interessante que se auto-exclua, como um trauma, da classe dos tais "políticos" a quem se dirige quando fala de pobreza. Cavaco refugia-se num suprapartidarismo completamente fabricado e num "apolitismo" ainda mais grave, na medida em que ele é, DE FACTO, o mais profissional e tecnocrata dos políticos nacionais do pós-25 de Abril; ele é o cientista que deu vida ao Frankenstein da Terceira Via chamado José Sócrates. Mas nem dessa obra ele se responsabiliza...
Acho muito interessante que se auto-exclua, como um trauma, da classe dos tais "políticos" a quem se dirige quando fala de pobreza. Cavaco refugia-se num suprapartidarismo completamente fabricado e num "apolitismo" ainda mais grave, na medida em que ele é, DE FACTO, o mais profissional e tecnocrata dos políticos nacionais do pós-25 de Abril; ele é o cientista que deu vida ao Frankenstein da Terceira Via chamado José Sócrates. Mas nem dessa obra ele se responsabiliza...
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Nobre com (boas) ideias para o país (III)
Ao contrário de Cavaco, que diz que ninguém o ouviu no passado mandato - não admira que não se ouça quem não diz nada! -, e até ao contrário dos restantes candidatos provenientes do actual - e muito enfermo - sistema político, Fernando Nobre tem falado de medidas que são, a meu ver, corajosas.
Uma delas passa por uma redução no número de deputados (100 é o número apontado), uma maior responsabilização, logo, acréscimo de qualidade do trabalho parlamentar e, não menos importante, uma aproximação maior entre representantes e representados (através da Internet, mas, acrescentaria eu, de iniciativas, como debates, visitas organizadas, etc., dos deputados, ministros, secretários de estado e, localmente, autarcas). Acho que é tempo de se institucionalizar uma verdadeira "política de proximidade", visto que esta, nos tempos que correm, parece só servir para o arrebanhamento de eleitores.
Ou seja, o que Fernando Nobre diz está muito próximo daquilo que eu defendo como uma das soluções mais viáveis para a reestruturação pacífica do Estado português. (A minha inclinação de voto para o nulo começa a mudar.)
Uma delas passa por uma redução no número de deputados (100 é o número apontado), uma maior responsabilização, logo, acréscimo de qualidade do trabalho parlamentar e, não menos importante, uma aproximação maior entre representantes e representados (através da Internet, mas, acrescentaria eu, de iniciativas, como debates, visitas organizadas, etc., dos deputados, ministros, secretários de estado e, localmente, autarcas). Acho que é tempo de se institucionalizar uma verdadeira "política de proximidade", visto que esta, nos tempos que correm, parece só servir para o arrebanhamento de eleitores.
Ou seja, o que Fernando Nobre diz está muito próximo daquilo que eu defendo como uma das soluções mais viáveis para a reestruturação pacífica do Estado português. (A minha inclinação de voto para o nulo começa a mudar.)
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Cavaco intervalou para se descavacar (II)
Finalmente Cavaco dispensa descodificação. Responde directa e objectivamente às acusações dos seus adversários a Belém, com uma particularidade: fá-lo com incisão e claramente. Dá nome aos bois (aos boys?): de facto, Alegre tem revelado uma estratégia "desesperada" (a palavra é de Cavaco) baseada numa atitude reactiva, quase primária, a cada intervenção ou não-intervenção de Cavaco Silva.
Se Cavaco critica os Açores por reivindicarem um "regime de excepção" no caso dos cortes salariais, vem Alegre defender (corporativamente, olhó "senhor da independência de espírito"!) o seu camarada de partido, Carlos César. (E terá ficado embaraçado quando viu que estava sozinho nesta contenda...) Já antes Alegre tinha adoptado a mesma estratégia. Cavaco devia chamar os partidos, para gerar consensos?
Pois, quando Cavaco os convoca, aparece Alegre, projectando as cordas vocais, em tom declamatório, a criticar que foi tarde demais, que ele tinha sido mais rápido. Alegre desafiou Cavaco a quebrar "o tabu" da recandidatura - acabem com isto, sempre que há Cavaco, lá vem a oposição de esquerda com a história do tabu...
Pois bem, o tabu foi quebrado, mas até lá Alegre não perdeu uma chance para acusar o Presidente da República de já estar em campanha eleitoral, e de se servir do seu lugar para granjear mais apoios. Cavaco tem razão quando fala em desespero da parte de Alegre. Neste ponto, vá lá, o senhor Silva falou português e deixou o cavaquês em casa(, a cuidar dos netinhos.)
Se Cavaco critica os Açores por reivindicarem um "regime de excepção" no caso dos cortes salariais, vem Alegre defender (corporativamente, olhó "senhor da independência de espírito"!) o seu camarada de partido, Carlos César. (E terá ficado embaraçado quando viu que estava sozinho nesta contenda...) Já antes Alegre tinha adoptado a mesma estratégia. Cavaco devia chamar os partidos, para gerar consensos?
Pois, quando Cavaco os convoca, aparece Alegre, projectando as cordas vocais, em tom declamatório, a criticar que foi tarde demais, que ele tinha sido mais rápido. Alegre desafiou Cavaco a quebrar "o tabu" da recandidatura - acabem com isto, sempre que há Cavaco, lá vem a oposição de esquerda com a história do tabu...
Pois bem, o tabu foi quebrado, mas até lá Alegre não perdeu uma chance para acusar o Presidente da República de já estar em campanha eleitoral, e de se servir do seu lugar para granjear mais apoios. Cavaco tem razão quando fala em desespero da parte de Alegre. Neste ponto, vá lá, o senhor Silva falou português e deixou o cavaquês em casa(, a cuidar dos netinhos.)
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
No cavaquistão falai cavaquês (I)
José Pacheco Pereira está para Manuela Ferreira Leite como eu espero vir a estar para Cavaco Silva no que falta até ao grande dia, em que este deverá ver renovado o mandato enquanto Presidente da República.
O que proponho - na sequência do que faço há muito só entre amigos - é descodificar as suas sábias palavras aparentemente auto-evidentes ou la palicianas, mas, na verdade, seus ignorantes!, cheias de sentidos duplos e milhares de intenções contraditórias e complementares - é isso que certos politólogos, bichos estranhos..., e yes men do PSD e arredores nos querem fazer crer.... aahhhh, eis a seiva que nos alimenta os dias: a libido decorticandi do subtexto cavaquista.
Pego num título de uma notícia para lhe descortinar, nesta semiótica arriscada do cavaquês, a substância ou, como se diz na terra da minha mãe, a sustância.
Cavaco espera que promessas feitas às vítimas do mau tempo sejam cumpridas.
Descavacando... sugiro fazer o contrario sensu: Cavaco espera que promessas feitas às vítimas do mau tempo não sejam cumpridas.
Voilá.
O que proponho - na sequência do que faço há muito só entre amigos - é descodificar as suas sábias palavras aparentemente auto-evidentes ou la palicianas, mas, na verdade, seus ignorantes!, cheias de sentidos duplos e milhares de intenções contraditórias e complementares - é isso que certos politólogos, bichos estranhos..., e yes men do PSD e arredores nos querem fazer crer.... aahhhh, eis a seiva que nos alimenta os dias: a libido decorticandi do subtexto cavaquista.
Pego num título de uma notícia para lhe descortinar, nesta semiótica arriscada do cavaquês, a substância ou, como se diz na terra da minha mãe, a sustância.
Cavaco espera que promessas feitas às vítimas do mau tempo sejam cumpridas.
Descavacando... sugiro fazer o contrario sensu: Cavaco espera que promessas feitas às vítimas do mau tempo não sejam cumpridas.
Voilá.
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