domingo, 15 de agosto de 2010

Esconderão estas ligaduras toda uma nova pessoa ou apenas uma pessoa nova?

"Tanin no kao"/"The Face of Another" (1966) de Hiroshi Teshigahara

"Seconds" (1966) de John Frankenheimer

2 comentários:

Sabrina Marques. disse...

Este post dá pano para mangas, se corresponderes ao desafio que aqui lanço de o desenvolveres.

Compreendendo literalmente este segmento dos "novos rostos" capazes de catalisar novas personalidades, pode acrescentar-se
a força da libertação da protagonista de LES YEUX SANS VISAGE (Franju 1960), a incarnação da bondade sem rosto,
e,
alongando-nos pelos árduos trabalhos de filmar as oscilações sobre as personalidades operadas pela passagem do tempo, ou pontuadas por acontecimentos visíveis em menor ou maior grau, temos
A CASA DE LAVA (Costa, 1994), que dá seguimento à personagem prévia de Edith Scob, munindo-a de um interiorizado trauma de desterro colonial e das amarguras de um amor recalcado
ou
SUNSET BOULEVARD (Wilder, 1950), cujas consequências da idade operam sobre o rosto até à incapacidade da sua aceitação
ou
VALLEY OF THE DOLLS (Mark Robson, 1967), onde o vício por fármacos que marcam a época operam consequências descontroladas sobre perfeição aparente destas "bonecas"
ou
V FOR VENDETTA (James McTeigue, 2006), a reapropriação estilizada de um acontecimento que marca uma morte, consequentemente revitalizada pela incorporação colectiva da mesma máscara (a comunhão multiplicada de um só rosto)
ou
em THE SILENT OF THE LAMBS (Jonathan Demme, 1991) onde, à semelhança de em "The Face of Another", o rosto de outrem é usado para mascarar o seu próprio rosto
ou
THE GREAT DICTATOR (Chaplin, 1940) e TO BE OR NOT TO BE (1942, Lubitsch) onde as similaritudes faciais (da encenação e da distracção) despoletam a narrativa
ou
THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON (David Fincher, 2008), onde o rosto e restante corpo sempre contradizem a idade mental e as capacidades comportamentais inerentes;
ou
THE PICTURE OF DORIAN GRAY (Albert Lewin, 1945), o drama do famoso rosto imutável, parado pelos trinta anos como a eterna beleza de cristo;
ou
VERTIGO (Hitchcock, 1958), onde a obsessão de um homem pretende consecutivamente mascarar outra mulher até à semelhança da mulher perdida
ou
LA DOUBLE VIE DE VERONIQUE (Krzysztof (Kieslowski, 1991), onde a semelhança de clone entre duas mulheres em dois pontos geográficos distintos cruza asceticamente os seus destinos
ou
OPENING NIGHT (John Cassavetes, 1977)
onde a actriz sente repulsa pelo papel da mulher de meia idade em que, sem que soubesse, se espelha
ou
PERSONA ( Ingmar Bergman, 1966), onde a cumplicidade das duas personalidades chega a desejar o rosto e a respectiva vida
ou
AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO (Miguel Gomes, 2008), onde o tema da semelhança entre mãe e filha explica uma aproximação incestuosa com o pai

etc.
entre infinitos exemplos para lá dos que sugiro, espaço de sobra para um desenvolvimento acerca do rosto, da máscara ou da transfiguração facial no cinema. haveremos de ler as tuas considerações sobre? =)

Sabrina Marques. disse...

Este post dá pano para mangas, se corresponderes ao desafio que aqui lanço de o desenvolveres.

Compreendendo literalmente este segmento dos "novos rostos" capazes de catalisar novas personalidades, pode acrescentar-se
a força da libertação da protagonista de LES YEUX SANS VISAGE (Franju 1960), a incarnação da bondade sem rosto,
e,
alongando-nos pelos árduos trabalhos de filmar as oscilações sobre as personalidades operadas pela passagem do tempo, ou pontuadas por acontecimentos visíveis em menor ou maior grau, temos
A CASA DE LAVA (Costa, 1994), que dá seguimento à personagem prévia de Edith Scob, munindo-a de um interiorizado trauma de desterro colonial e das amarguras de um amor recalcado
ou
SUNSET BOULEVARD (Wilder, 1950), cujas consequências da idade operam sobre o rosto até à incapacidade da sua aceitação
ou
VALLEY OF THE DOLLS (Mark Robson, 1967), onde o vício por fármacos que marcam a época operam consequências descontroladas sobre perfeição aparente destas "bonecas"
ou
V FOR VENDETTA (James McTeigue, 2006), a reapropriação estilizada de um acontecimento que marca uma morte, consequentemente revitalizada pela incorporação colectiva da mesma máscara (a comunhão multiplicada de um só rosto)
ou
em THE SILENT OF THE LAMBS (Jonathan Demme, 1991) onde, à semelhança de em "The Face of Another", o rosto de outrem é usado para mascarar o seu próprio rosto
ou
THE GREAT DICTATOR (Chaplin, 1940) e TO BE OR NOT TO BE (1942, Lubitsch) onde as similaritudes faciais (da encenação e da distracção) despoletam a narrativa
ou
THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON (David Fincher, 2008), onde o rosto e restante corpo sempre contradizem a idade mental e as capacidades comportamentais inerentes;
ou
THE PICTURE OF DORIAN GRAY (Albert Lewin, 1945), o drama do famoso rosto imutável, parado pelos trinta anos como a eterna beleza de cristo;
ou
VERTIGO (Hitchcock, 1958), onde a obsessão de um homem pretende consecutivamente mascarar outra mulher até à semelhança da mulher perdida
ou
LA DOUBLE VIE DE VERONIQUE (Krzysztof (Kieslowski, 1991), onde a semelhança de clone entre duas mulheres em dois pontos geográficos distintos cruza asceticamente os seus destinos
ou
OPENING NIGHT (John Cassavetes, 1977)
onde a actriz sente repulsa pelo papel da mulher de meia idade em que, sem que soubesse, se espelha
ou
PERSONA ( Ingmar Bergman, 1966), onde a cumplicidade das duas personalidades chega a desejar o rosto e a respectiva vida
ou
AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO (Miguel Gomes, 2008), onde o tema da semelhança entre mãe e filha explica uma aproximação incestuosa com o pai

etc.
entre infinitos exemplos para lá dos que sugiro, espaço de sobra para um desenvolvimento acerca do rosto, da máscara ou da transfiguração facial no cinema. haveremos de ler as tuas considerações sobre? =)

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