"Lars and the Real Girl" (2007) de Craig Gillespie
(Próxima do filme americano "Lars and the Real Girl", a originalidade da história japonesa está no facto de não se centrar no homem e na sua misantropia simultaneamente pervertida e inocente, tal como estranha e natural - esta aparente contradição é o que funciona bem no filme protagonizado por Ryan Gosling. No filme de Kore-eda, numa linha mais fantasiosa, é a boneca que nos dá a sua perspectiva do mundo, depois de ganhar um coração e descobrir o amor - e a desilusão que ele traz... - por outros cantos... Fora o lirismo "de plástico", "Air Doll" tem alguns apontamentos fortes, a saber: a ideia de que ela substitui a ex-namorada do seu dono, que rima com o facto de trabalhar num videoclube, local que oferece "substitutos" à experiência do cinema em sala, ideia, aliás, que atinge o seu clímax dramático na conversa com a interessante personagem do velho sábio, ele que foi "professor substituto" toda a sua vida; um ensaio semântico em torno do "blow job" no pipo da boneca, "executado" pelo seu colega do videoclube, e que seguramente faria estremecer de prazer um Cronenberg; e, por fim, o facto de tratar um problema sério que assola a sociedade japonesa, e não só, já aflorado no cinema de Hirokazu Kore-eda pelo menos uma vez: a solidão ou o abandono.)
Sem comentários:
Enviar um comentário