terça-feira, 20 de março de 2012

Contra o efeito facebook: pela preservação do melhor lado da blogosfera


Há mais de uma semana decidi deixar de publicitar - como publicitava - os posts do meu blogue na minha página do facebook. Considero que a intoxicação entre a reflexão que ainda se faz na blogosfera e a instantaneidade da comunicação tipo chat do facebook não é em nada benéfica à primeira, na realidade, tende a sobrepor-se àquela. Faço isto ciente de que perderei umas quantas visitas (de circunstância) ao meu espaço, mas convicto de que se tem de começar por algum lado para preservar espaços mais estáveis de reflexão na Internet.

Por tudo isto, deixo o repto aos meus outros colegas bloggers a fazerem o mesmo. Dir-me-ão que só usam o facebook como plataforma intermédia de publicitação dos vossos posts, mas, cá para mim, o que era medium está a transformar-se num fim em si mesmo e, com isso, perdemos na fidelização aos espaços e perdemos na coerência do discurso que neles vamos, post a post, desenvolvendo. A ditadura do "like" também limita a troca de impressões na caixa de comentários. Mais um gimmick do facebook que só esvazia os espaços organizados e não descartáveis de reflexão.

Se concorda, partilhe, em blogue ou página do facebook, a imagem deste post.

6 comentários:

Pedro Santos disse...

Viva a "coerência"! Contra a postagem... mas postaste-o no FB...

Luís Mendonça disse...

Claro, porque visa quem posta no Facebook.

Sam disse...

Embora compreenda a intenção, devo também confessar a minha discordância em relação à mesma.

Aliás, parece-me que se levantou aqui uma falsa questão, isto é, nada me indica que a ligação entre blogs e Facebook seja um obstáculo ao desenvolvimento e qualidade da reflexão promovida pela blogosfera cinéfila. Neste âmbito, a rede social é, automaticamente, relegada para um papel de mera promoção dos conteúdos do blog.

Além disso, as caixas de comentários da comunidade blogger cinéfila portuguesa — modéstia à parte, acompanho-a há uns valentes anos — nunca foram espaços de estimulante e frutífero debate de ideias (excepção feita quando os posts eram polémicos e as "intervenções" nem sempre eram das mais recomendáveis). Mas isto já é tocar noutra "ferida"...

Por mim, continuarei não só a publicar no blog segundo os critérios que adoptei muito antes das redes sociais surgirem, como também a dar a conhecer via Facebook, Twitter e Google+ esse trabalho.

Cumps cinéfilos.

Luís Mendonça disse...

Concordo contigo quanto à caixa de comentários nunca ter sido particularmente bem tratada na blogosfera cinéfila nacional, mas isso não impede que a abandonemos ou que a reduzamos aos "likes" do Facebook.

O que digo em relação ao Facebook, salvaguardando já agora algumas excepções - é ver caso a caso -, é o seguinte: está visto, é evidente, que muitas pessoas chegam à blogosfera através de cliques "curiosos" no Facebook. O que acontece é que o blogue passa a ser seguido através do Facebook, a ligações particulares, e isoladas, a cada um dos posts num mural onde se partilham estados de alma mais ou menos fúteis, anedotas ou fotos dos animais domésticos. Subjugar o "ter ou não ter" visitas a este espaço parece-me errado e poderá empobrecer, no futuro, os tais "espaços de reflexão" estáveis na Internet. Quero dizer: potencialmente isto levará à substituição da blogosfera por uma qualquer aplicação de Facebook e o abandono completo de um espaço "coerente" seguido de forma sistemática e sistematizada por quem gosta de o visitar.

Deixa-me só fugir a qualquer eventual polémica: o que sugiro é UMA REDUÇÃO na partilha, não uma eliminação completa da mesma e, muito especialmente, na partilha de posts feitos pelo próprio blogger, em jeito de auto-publicitação. Ou seja, na minha opinião, preserva-se melhor a blogosfera reduzindo uma partilha de posts que signifique auto-publicitação.

Finalizando, também queria que este post fosse um apelo para que os bloggers REPONDERASSEM a sua posição em relação ao Facebook. Penso que ganhamos todos em fazê-lo.

Abraço,

ArmPauloFer disse...

Na minha modesta observação a este caso e prova de força do Luis Mendonça, que entendo a intenção dele mas não posso, tanto como blogger e como facebooker, o defender neste causa porque a mesma não faz pleno sentido e apenas se conduz a estar contra-corrente.

Luis, o importante aqui não é estar contra os meios que existem mas sim saber usá-los. O mundo mudou, a tecnologia evoluiu, o paradigma blogger mudou tal como a definição de estar em rede social também.
É no saber dosear o estado actual a que se chegou, o saber arranjar formas de tirar partido da actualiadade para se conseguir chegar aos mesmos fins de antigamente (o tempo em que um blog era uma forma de rede social por excelência).
Tudo mudou. Tal como o cinema...

Com tanta proliferação de redes sociais (não há só o facebook), o criador de conteúdos de opinião e de pensamento, tem sim é de fazer por chegar aos possíveis interessados da sua visão, usando os mesmos meios que o público usa. Estar contra isso, não saber lidar com o actual estado das coisas... é negar-se a si mesmo... mas isto sou eu a dizer!

Luís Mendonça disse...

Percebo o que dizes, mas não será negarmo-nos a nós próprios enquanto bloggers não fazermos nada perante a diluição quase total - que ameaça ser total, digo - da nossa actividade numa rede social da natureza do facebook - onde a comunicação é aceleradíssima, desorganizada, profundamente caótica... e onde impera uma grande ligeireza na disposição dos conteúdos e sua discussão?

A forma como usamos esta plataforma é exactamente o motivo da minha preocupação, que gostaria que fosse partilhada por mais do que uma pessoa. Se fizermos a crítica e a autocrítica - como digo, eu até há uma semana publicitava cada post de blogue na minha página do facebook - penso que iremos (re)encontrar um meio termo que só nos beneficia.

Contudo, se me permites dizê-lo, detecto uma certa contradição no que dizes: por um lado, como que alegas que as tecnologias estão aí e não há que negar o seu poder totalitário - aspecto de um certo fatalismo tecnológico no qual pouco me revejo -, mas, por outro lado, dizes que tudo é determinado pelo modo como nós usamos essas tecnologias - perspectiva na qual me revejo completamente, daí este repto.

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