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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Já está disponível a versão pública da Newsletter #23!

(Para consultar a versão pública da Newsletter #23, clique na imagem.)

Desta edição da Newsletter do CINEdrio, dedicada a Rainer Werner Fassbinder, tornamos públicos os nossos destaques a filmes de Henry Selick (com Tim Burton) e Curtis Harrington (uma cortesia da editora norte-american Flicker Alley). O Ricardo Vieira Lisboa escolhe os filmes que vale a pena ver no pequeno ecrã. Nos livros, re-publicitamos a monografia que Jacques Rancière dedicou ao cinema de Béla Tarr (cortesia da editora espanhola Shangrila) e revisitamos a história do cinema primitivo num livro de Laurent Mannoni. Também partilhamos com todos as respostas que nos deu Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão e Professor na Universidade Católica Portuguesa. 



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Newsletter #23: Fassbinder


O enfant terrible-mor do novo cinema alemão será o herói de Julho da Newsletter do CINEdrio. Circulando permanentemente entre uma visão nostálgica do cinema (devedora, acima de tudo, de um Douglas Sirk) e uma atitude de insurreição contra a instituição cinematográfica (o cinema, essa "puta sagrada"), Rainer Werner Fassbinder é provavelmente o cineasta estetica e politicamente mais complexo (e, por vezes, complicado) da história do cinema moderno. A ele dedicaremos linhas que tentam expor a contradição que enforma a sua arte, sem negarmos, portanto, que nela residirá boa parte da energia convulsa que alimentou a alma deste ser hiperactivo, que produziu, realizou e, a espaços, chegou a protagonizar ao todo mais de quatro dezenas de filmes, telefilmes e mini-séries, tal como escreveu e encenou outras tantas peças de teatro. E morreu jovem, com apenas 37 anos.

Para além de Fassbinder, o subscritor da Newsletter receberá boas novas do mercado home cinema, tais como uma muito aplaudida edição de filmes da fase Bergman de Rossellini, duas das obra-primas maiores de Sirk em Blu-ray (qualquer uma delas não teria sido indiferente a um Fassbinder...), uma caixa com (quase) todo o Mike Leigh a preço de promoção, os mais recentes pré-lançamentos de obras de Satyajit Ray (parece uma loucura nestes dois últimos meses!), a descoberta do cinema experimental de Curtis Harrington, Cottafavi a preço de saldo, uma edição de luxo de "Heaven's Gate" de Cimino, etc.

Quanto a livros, posso levantar o véu dos nomes que seguramente farão parte deste número da Newsletter: Jacques Rancière, J. Hoberman, Hollis Frampton, Noel Carroll, Alain Badiou, Hugo Munsterberg, etc.

Ao nosso inquérito, respondeu-nos Eduardo Cintra Torres, crítico e estudioso do fenómeno televisivo que publicou recentemente o livro A Multidão e a Televisão.



segunda-feira, 30 de abril de 2012

Warnung vor einer heiligen Nutte (1971) de Rainer Werner Fassbinder


Na secção dedicada aos 50 anos da Viennale, em que cada década aparece representada por um filme*, vi "Cuidado com essa Puta Sagrada", truculenta, tempestuosa e "terrorista" sátira ao labor em cinema. Se Wenders tem o seu "Estado das Coisas" (1982), Fassbinder tem a sua "Puta Sagrada" (1970). Estou a falar do cinema, claro, claro? Não, do cinema sobre o cinema, films on films, mais concretamente, filmes em que uma equipa de rodagem é material dramático suficiente para se dissecarem problemas maiores (que o cinema? Impossível...), do coração e do corpo. Fassbinder é magistral a filmar a dinâmica relacional entre actores (entre eles, Eddie "Lemmy Caution" Constantine e Werner Shroeter), assistentes de realização, produção (um deles interpretado pelo próprio Fassbinder) e, claro, bem no centro, Jeff (Lou Castel), o realizador, um pequeno déspota com sangue nas guelras (auto-retrato de Fassbinder?) e, pior que isso, um homem temperamental a braços com uma crise criativa, confundida com desgosto de amor (por outros e por ele?), que paralisa toda a produção.

A câmara de Fassbinder baila, no espaço, com um desprendimento extraordinário - será esse o Fassbinder touch? -, captando as dinâmicas relacionais, os "focos" de tensão ou de pura apatia e marasmo e, enquanto isso, bebem-se copos e mais copos de Cuba Libre ao som de tema atrás de tema de Leonard Cohen (também o ouvimos, quase em modo repeat hipnótico, em "O Direito do Mais Forte à Liberdade"). Partem-se copos, dá-se uma, duas, três estaladas nas putas de serviço e grita-se, grita-se muito, sobretudo Jeff, mas grita-se tudo menos "acção!". O filme está parado e a crise colectiva bate à porta. A par disso, Fassbinder vai alfinetando as sensibilidades femininas com inúmeras manifestações de brutalidade machista por parte dos homens do cinema (ele próprio, por exemplo) e satiriza - satirizará? - a arrogância e racismo alemães. Numa palavra, "Cuidado com essa Puta Sagrada" de Fassbinder é o filme ideal para se perceber o seu cinema - e a sua visão do cinema - bem por dentro.

(Este filme foi mostrado hoje no IndieLisboa. Infelizmente, não será exibido de novo no festival.)

* - A primeira sessão, dedicada aos anos 60, terá sido um momento alto no festival, como relatam bloggers como o Carlos Natálio. O CINEdrio não assistiu a esta "histórica" reposição, porque ainda tem bem presente, no espírito e no estômago, os efeitos devastadores de "Daisies", provavelmente, o filme mais odiado e mais amado das novas vagas sob o signo (e tantas vezes críticas) do bloco soviético. Se não o viu ontem, no grande ecrã, procure a magnífica edição da Second Run ou invista mais umas coroas aqui. Gostando ou não, por favor, não perca a experiência.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Lola (1981) de Rainer Werner Fassbinder

Apesar de ter sido feito antes de "Veronika Voss" ,"Lola" é, para muitos, a última parte da trilogia do pós-guerra BRD (Bundesrepublik Deutschland).

Estamos nos anos 50, a década preferida de Fassbinder, e a Alemanha traumatizada vive um súbito período de graça no plano económico e financeiro. No entanto, o poder político, profundamente conotado com o seu trágico passado recente, mantém-se nas mãos daqueles que, mais ou menos oportunisticamente, deram o passo em frente para liderar a reconstrução da Alemanha. O poder aparece, tal como em "The Marriage of Maria Braun", como coisa intrinsecamente corruptora.

Lola (grande interpretação de Barbara Sukowa) é a principal atracção de um luxuriante lupanar, que serve de ponto de encontro dos homens poderosos (incluindo o presidente da Câmara) de uma localidade alemã. A chegada de Von Bohm (Armin Mueller-Stahl), o novo director de urbanismo, um homem da velha guarda com valores sólidos e uma visão para o país ("moderno e antiquado"), vem desorganizar o mundo de Lola e dos seus conspícuos clientes.

"Lola" é um filme dividido entre o glamour e o romantismo naive de Hollywood dos anos 50 (mais uma vez, Douglas Sirk, pese embora tenha como principal fonte de inspiração "Blue Angel" de Josef von Sternberg) e um ambiente histórico carregadamente político. É mais uma obra de Fassbinder que se constrói "entre extremos": num momento, é encantador, mágico e frenético; noutro, cruel, negro e intempestivo.

Ler mais aqui: IMDB.

terça-feira, 11 de março de 2008

Die Sehnsucht der Veronika Voss (1982) de Rainer Werner Fassbinder

Esqueçam Douglas Sirk e pensem em "Sunset Boulevard". Agora esqueçam Hollywood e relembrem a extinta UFA, os estúdios alemães onde nasceram nomes como Fritz Lang, F.W. Murnau, Josef von Sternberg, entre outros.

Passemos subitamente para 1982, ano da morte do prolífico cineasta Rainer Werner Fassbinder, o pai do "novo cinema alemão", onde se incluiu também Wim Wenders. Nesse ano, Fassbinder faz, na sua penúltima obra, uma viagem temporal pelo cinema e pela história até chegar a uma diva decadente do cinema mudo que pôs termo à própria vida, Sybille Schmitz. Fassbinder não quis ser literal (como já se viu, nunca é) e reapelidou-a de Veronika Voss.

Em "Veronika Voss", encontramos a estética noir do filme de Billy Wilder, mas a sua diva é (ainda) mais tétrica que a larger than life Norma Desmond. O papel masculino fica a cargo de um jornalista desportivo enfeitiçado pela beleza, e história, da antiga deusa da Sétima Arte.

Se Wilder não teve coragem de matar o sonho - Norma acaba por ter, no final, o seu "renascimento" -, Fassbinder fá-lo, sem remorsos, neste filme e revalida o jornalista, que, ao contrário da maior parte dos jornalistas de Wilder ("Ace in the Hole" e "The Front Page"), tem princípios fortes... salvo no amor.

"Veronika Voss" é um drama excessivo, muito plástico e frio, ou seja, distante da obra-prima homenageada.

Ler mais aqui: IMDB.

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