
Em "The Well" (*-título em português deste filme), obra-prima esquecida de Leo C. Popkin e Russell Rouse datada de 1951, uma rapariga negra cai num poço. Uma comunidade inteira suspende um bárbaro fratricídio racial para se concentrar na melhor forma de resgatar a menina das profundezas - o poço é tão estreito que nenhum adulto o conseguirá atravessar. Uma máquina perfuradora é erigida e, todos, todos sem excepção, reúnem esforços para salvar a menina. Todos, brancos e negros, juntos pela mesma causa.

Em "Ace in the Hole" (também de 1951), Wilder retrata, com enorme e, para a época, chocante mordacidade, a história de um homem retido nas profundezas de uma montanha que tem a infelicidade de ser encontrado por um jornalista com sede de drama, ou melhor, com fome de sucesso rápido. O jornalista (excelente Kirk Douglas) sabe que quanto mais tempo o homem ficar preso mais cobiçado será o seu "exclusivo". Fria e torpemente, começa a manobrar uma grande campanha mediática e política à custa do prolongamento do cativeiro. O final é muito menos feliz que o de "The Well".

O mundo abraça cada um dos mineiros chilenos, numa tentativa de ver nesta história dramática com final feliz uma espécie de "luz ao fundo do túnel"; a esperança de que, também nós, sairemos do fosso em que nos meteram - não importa quem, por ora... Cada mineiro, um breaking news, cada mineiro, lágrimas e champanhe. Quando chegarem os 33 à superfície, ressoará a interrogação nascida do vazio noticioso: quem falta salvar?

Dois dos mais recentes episódios da actualidade portuguesa têm tanto de grave como de anedótico: falo das apreensões que a PSP fez do boneco do Magalhães no
Quanto a nós, estes episódios são, até ver, apenas isto: anedotas. Mas lembram em potência o velho regime de Salazar, aquele Don Juan que deu origem a uma 
A guerra 




Hoje a América vai a votos. E o mundo está de olho... O entusiasmo em torno destas eleições fez com que se batessem recordes no número de inscritos para votar e, 
Durante a convenção democrata, que consagrou Barack Obama como o candidato democrata à Casa Branca, muito se falou sobre os três brancos supremacistas que tinham em mente matar o senador do Illinois. As autoridades procuraram desvalorizar esta tentativa falhada de reeditar aquele trágico dia de 1968. Entretanto, mais dois jovens, 
Sarah Palin teve o seu grande teste anteontem, no único grande debate com Joe Biden. Dizem que a governadora do Alasca superou as expectativas e que Biden foi ainda melhor do que se estava à espera. Nós não discordamos, mas a nulidade de Palin em relação a assuntos de política externa pareceu-nos preocupante: as suas expressões artificiais não lhe saiam da cara quando falava simplisticamente de coisas tão sérias como o Paquistão ou o actual estado do Afeganistão. Claro que também não disse nada de concreto; na realidade, foi muito mais elucidativo ouvir McCain no debate com Obama de há uma semana, onde ficaram claras as diferenças entre os dois candidatos. Já se viu que Palin só não desilude quando lhe é dada margem de manobra para debitar os seus chavões eleitoralistas e perpetuar uma certa imagem de everyday housewife. Todavia, pensamos que McCain terá cometido o erro de achar que Palin seria sempre bem sucedida a transmitir o mote "se eu estou aqui, vocês também podiam estar". 
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Em "The Mist", (subvalorizado) filme realizado por Frank Darabont e adaptado de uma obra de Stephen King, uma experiência científica levada a cabo pelo exército norte-americano provoca um buraco negro para uma outra dimensão. De lá saem monstros terríveis que vão querer envolver o mundo na sua bruma. O Apocalipse chega pela mão da ciência. Mas há quem pense que seja a revolta de Deus...


A Holanda, depois de eliminar, de forma contundente, a Itália e França, caiu aos pés de uma Rússia quase perfeita (3-1). Morreu na praia. Portugal, afastado pela Alemanha (3-2), nem isso.
Hoje, não foi preciso nenhum animal de circo para a Suíça fazer história frente a Portugal: o 2-0 foi a sua a primeira vitória numa fase final de um Europeu. No entanto, a Suíça fica de fora e Portugal passa para os quartos-de-final, em primeiro lugar no grupo. Entretenimento inconsequente e mole, num domingo nebuloso.
Não sabemos a opinião de "Harmonica" (Charles Bronson) sobre índios, nem tão-pouco sobre o República Checa-Portugal, mas sabemos que é lacónico, tem um olhar perscrutador e transforma o instrumento que lhe dá nome numa arma mortífera. "C'era una volta il west" (1968), de Sergio Leone, não seria uma obra-prima sem ele.
Karel Brückner é o seleccionador da República Checa, desde Dezembro de 2001. Dizem que falou muito pouco na última conferência de imprensa antes do jogo frente a Portugal. Apenas o vimos, sereno, a apontar a selecção nacional como a favorita para o jogo de amanhã. Tem uma presença nobre, rosto contemplativo e dá peso a cada palavra que profere. Como um chefe índio que lança, sem pestanejar, a seta envenenada.
Os filmes de Clint Eastwood, como os de Howard Hawks (mais do que John Ford, a meu ver), falam-nos muito de homens e das relações, fortes e inquebráveis, que entre eles se estabelecem. São exemplos de uma cumplicidade rara que não encontramos nas mulheres. O epítome disso é "Million Dollar Baby" (2004), em que temos essa ligação feita de aço que une Clint Eastwood (o treinador) a Morgan Freeman (o seu ajudante). É uma amizade que não se deixa desgastar com palavras. Os silêncios bastam. Muito Old school, portanto.


Hillary Clinton mantém-se na corrida, mesmo quando toda a imprensa já deu Barack Obama como o vencedor da nomeação democrata às presidenciais. Muito se especula sobre o porquê da insistência de Hillary em permanecer na corrida: há quem diga que é para abater a dívida de 20 milhões de dólares que contraiu durante esta longa campanha eleitoral; porque está em negociações com Obama para definir o seu lugar na futura administração - os jornais não enjeitam a possibilidade de uma espécie de