"Blowup" (1966) de Michelangelo Antonioni
sábado, 17 de julho de 2010
Programação de cinema na RTP2 (X)

Por que surge agora a ideia de uma petição? Por duas razões.
A primeira prende-se com o global decréscimo de conteúdos de cinema na televisão portuguesa, incluindo a TV por Cabo, em benefício de um batalhão de séries com um número infindável de temporadas que se repetem sobre si mesmas em vários canais temáticos (os canais Fox e semelhantes). Encontramos cada vez menos espaços dedicados ao visionamento de filmes e nenhuns reservados à análise aprofundada dos mesmos.
A minha paciência atingiu um ponto de saturação quando constatei que o talk show "5 para a Meia-Noite" ia continuar, na sua milésima temporada, a preencher as noites da RTP2 - e agora, imaginem só, temos este degradante programa em dose dupla (com uma repetição) madrugada dentro!
A segunda razão prende-se com o facto de ter regressado recentemente a uma das minhas actividades favoritas: a gravação de filmes. Isto graças à box MEO que possuo há pouco tempo. Olho para as várias dezenas de filmes que gravei nas últimas semanas e vejo que a esmagadora maioria deles vieram dos canais Hollywood e TCM, sendo que na RTP2 como na RTP1 e RTPMemória gravei cerca de 5 filmes. Comparando com os tempos do "5 Noites, 5 Filmes" e "Filme da Minha Vida" esta situação parece-me inaceitável: quer dizer, multiplicam-se os canais, mas os conteúdos não se diversificaram, pelo contrário!
Exponho estas razões no seguimento dos vários posts que tenho publicado aqui, mas não só, em defesa de uma (melhor) programação de cinema na RTP2. Se se quiser juntar à causa, antes do lançamento da petição on-line, por favor, mande as suas informações pessoais para peticaortp2@hotmail.com. Estamos a construir uma mailing list com todos os contactos daquela que será a espinha dorsal desta iniciativa.
A dança mais cool na história do cinema (lamento Godard e Tarantino, lamento...)
a. Extracto de "Picnic" (1955) de Joshua Logan
b. Extracto de "Bande à part" (1964) de Jean-Luc Godard
c. Extracto de "Pulp Fiction" (1994) de Quentin Tarantino
Qual a sua escolha?
sexta-feira, 16 de julho de 2010
A débâcle do ano?
Tenho ido cada vez menos vezes ao site RottenTomatoes para ver como é que a crítica norte-americana reage às estreias da semana nos States. Mas ultimamente tenho feito questão de tornar quase semanais as visitas à página com as críticas ao último filme de M. Night Shyamalan, "The Last Airbender".
Bem, de qualquer forma, "The Last Airbender" parece ser a gota de água junto da crítica norte-americana; a partir de agora, Shyamalan deverá estar condenado à proscrição, como aconteceu com De Palma e Carpenter. Reconhecidos fora de portas, escorraçados dentro. Shymalan arrisca-se a levar tudo isto a uma nova dimensão, ao não renunciar em experimentar novos ângulos de câmara, dinâmicas narrativas e ao desafiar as convenções do cinema mainstream ao ponto de pôr em sério risco os seus níveis de popularidade.
É que "The Last Airbender" tem sido, de facto, massacrado: entre os críticos melhor cotados, o filme teve o incrível saldo de 7% de críticas positivas, ou melhor, 27 análises negativas e apenas 2 positivas. Isto é mau sinal? Nem por isso, pelas razões que já deixei implícitas atrás: veja-se como obras-primas suas foram tratados pelos mesmos senhores. O conteúdo destas análises também merecem alguma desconfiança, pela forma como histrionicamente espelham a incapacidade do seu redactor em lidar com a "estranheza" de um cinema para o grande público feito por um não-tarefeiro que desafia as normas. Ao ponto de Richard Corliss da TIME Magazine, por exemplo, recomendar quase que o segundo filme desta saga (baseada nuns desenhos animados da Nickelodeon) seja entregue a um realizador "eficiente", que, ouso ler nas entrelinhas, não invente: "Please, Hollywood, if there's to be another Airbender movie, hand the job to some efficient hack, and not to a once mesmerizing artist who's lost his way". Esta tem sido a atitude típica da mais conformista fatia da crítica norte-americana, que não consegue digerir o que não segue as receitas do cinema fast food, standardizado ou feito em cadeia.
Outro exemplo que me faz arrepios na espinha é este: "This is bad filmmaking and bad storytelling. It also sounds what should be the death knell to M. Night Shyamalan's career". James Berardinelli é o autor destas palavras e, apesar de não ter visto ainda o filme em questão, pergunto-me de onde veio o deleite desta gente em prenunciar "fins de carreiras" ou colar a etiqueta de "tipo que não sabe o que está a fazer" a alguém como Shyamalan. Acho que Berardinelli devia estar a dormir quando os minutos inicias de "The Happening" e os finais de "Lady in the Water", isto a título de exemplo, lhe passaram pelos olhos.
Tom Long diz o seguinte: "Stiff, fuzzy-looking, cloddish and disastrous in nearly every way, The Last Airbender looks as if it could have been made by the spoiled son of a studio mogul willing to waste gobs of money". Sinceramente, esta argumentação então é mesmo um asco: Shyamalan, o delapidador de dinheiro, o megalómano mimado com a mania que é... sei lá, um Steven Spielberg? Mas alguém duvida que o dinheiro não tem absolutamente entrado na equação de Shyamalan desde o o seu filme mais convencional, o tão elogiado por ESTA crítica "The Sixth Sense"? É por estas que Shyamalan, muito prescientemente, concebeu esta sequência de génio.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Programação de cinema na RTP2 (IX): uma carta de Laughton
Perguntei ao nosso excelso jurista Charles Laughton como é que a lei portuguesa define a figura da petição pública. A resposta veio em carta lacrada escrita à mão pelo insigne advogado - Laughton é MESMO um fulano do século passado. Tento traduzir aqui a sua resposta:
Caro Luís,
Folgo em saber que tenciona avançar com esta nobre causa. Ainda hoje me pasmo com o facto de haver no mundo uma estação de serviço público que não passa um filme em que eu entro, ou a obra-prima que realizei*, num período superior a 365 dias. Inaceitável!
Bem, quanto ao seu pedido, transcrevo de seguida o disposto no artigo Artigo 2.º, número 1, da Lei n.º 43/90: "Entende-se por petição, em geral, a apresentação de um pedido ou de uma proposta, a um órgão de soberania ou a qualquer autoridade pública, no sentido de que tome, adopte ou proponha determinadas medidas". No seu caso, as medidas reivindicadas são claras: mais conteúdos de cinema na grelha programática do segundo canal. Poderá ou não especificar que tipo ou de que forma esses conteúdos deverão ser tratados, à luz daquilo que a lei define como serviço público.
Quanto ao destinatário da petição, sugiro que pondere os seguintes: Ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão, figura que tutela a televisão pública nacional; a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e/ou Ministério da Cultura.
Quanto aos requisitos para a subscrição, lê-se no Artigo 6.ª, número 3: "Os peticionários devem indicar o nome completo e o número do bilhete de identidade ou, não sendo portador deste, qualquer outro documento de identificação válido". Lembre-se também que, quanto à forma, o Artigo 9.º estipula, nomeadamente no número 3, que "O direito de petição pode ser exercido por via postal ou através de telégrafo, telefax, correio electrónico e outros meios de telecomunicação". Não se esqueça: é mister que o objecto da petição seja o mais claro e concreto possível sob pena de indeferimento (Artigo 9.º , número 5 e Artigo 12.º da mesma lei).
Mais alguma questão, tem a minha morada - olhe, estive a pensar e se calhar queria que me pagasse os honorários com uma dessas maquinetas modernas que mandam cartas pela corrente.
Seu,
Sir Charles Laughton
Programação de cinema na RTP2 (VIII): reunir tropas, já!
Alguns têm-me acusado, e se calhar com alguma razão, de criticar em demasia o trabalho que a RTP2 tem feito em matéria de cinema. Digo "se calhar com alguma razão", porque a RTP2 não deixou completamente de passar cinema e mesmo algum cinema que foge à oferta das outras estações. A sessão dupla de cinema romeno há pouco tempo é disso exemplo.
A questão é que passar aqui e ali um bom double bill é fazer muito muito pouco, primeiro lugar, tendo em conta o contributo que a RTP2 deu no passado para a formação de uma sensibilidade cinéfila ou puramente áudio-visual e, em segundo lugar, tendo por referência aquilo que poderia ser e, sem motivo aparente, não é. Já citei, ou melhor, o Sir Laughton já citou, os artigos que, no fundo, definem aqueles que são os deveres de uma estação concessionária do serviço público. É comparar o que está na lei com aquilo que o canal de Wemans nos oferece (sobretudo, e perdoem-me a perseguição, às "5 para a meia-noite").
Peço a todos para votarem na sondagem aqui à direita. Será um indicador precioso saber a opinião dos frequentadores deste blogue ou/e da blogosfera em geral. Peço também que continuem a debater o estado da RTP2 à luz de todos os posts que escrevi aqui e dos muitos outros que os meus compagnons de route têm escrito nos seus espaços.
Se quiserem pertencer ao grupo redactor, basta enviarem as vossas informações pessoais para peticaortp2@hotmail.com. Estamos a trabalhar na criação de uma espécie de mailing list, com os dados mais relevantes de cada um dos elementos para ter uma visão panorâmica de quem está verdeiramente connosco neste começo de "batalha". Daí pedirmos para além do nome, idade e mail de contacto, o local de onde nos escrevem - acreditamos que só seremos consequentes se cobrirmos, dentro dos possíveis, o espaço nacional.
Até agora, enviaram-nos os seus dados:
Carlos Ferreira
Carlos Natálio
Cláudia Silvestre
João Palhares
Miguel Domingues
Ricardo Lisboa
Vamos a isto ou quê?
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Programação de cinema na RTP2 (VII): Laughton dixit
Eu já escolhi o nosso advogado: Sir Charles Laughton, na imagem, em "Witness for the Prosecution" (1957) de Billy Wilder.Em nossa defesa, do alto do seu génio "interpretativo" e dos seus muitos quilos, Sir Laughton invoca:
Constituição da República Portuguesa (CRP), Artigo 38.º (Liberdade de imprensa e meios de comunicação social):
sábado, 10 de julho de 2010
Programação de cinema na RTP2 (VI)

A cada sábado que passa, fica evidente a falta de uma política sólida de programação em matéria de cinema no segundo canal. Por este exemplo, demonstra-se que umas vezes os filmes como que respondem a assuntos da "actualidade"; outras vezes, aparecem totalmente desligados desta. O problema é que não há ninguém nem nada que os articule ou desarticule com a agenda mediática.
Se se quiserem juntar ao grupo, basta enviarem um mail com nome, idade, mail e mais o que quiserem para peticaortp2@hotmail.com. O nosso objectivo é criarmos uma espécie de mailing list para lançar a petição num futuro próximo.
Uma América (ainda) a sonhar com as suas fantasias de criança: a infância de Joey podia ser a de Bronco
(Já agora, a magnum opus de Eastwood é esta -- só talvez "As Pontes de Madison County" lhe faça frente em termos de alma e coração, a matéria-prima de que é feito o melhor Eastwood.)
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Programação de cinema na RTP2 (V)
Gravo filmes desde "A Casa Encantada". Devia ter 13 anos quando gravei a obra-prima de Hitchcock (e Dali?) e, depois de o ver três ou quatro vezes, comecei a gravar incessantemente até hoje. O fim do "5 Noites, 5 Filmes" marcou o princípio da minha insatisfação face à forma como a RTP2 estava a ser gerida - e, assim, uma história de amor transformou-se numa história de ódio e vingança... contra aqueles que tiraram do ar aquele que era para mim o espaço mais significativo da televisão portuguesa. Mas não sou partidário do neo-nazismo forçado de um Bickle ou do justicialismo bronsoniano ou dirty harriano (apesar de todos eles serem cool como o caraças). Por isso, a minha via terá de ser a mais democrática que encontro: uma petição pública.
Até agoro, conto com Miguel Domingues do blogue In a Lonely Place e Carlos Natálio do blogue ordet como parceiros peticionários. Se se quiserem juntar, ponham um comentário num destes posts ou enviem mail. Entretanto, peço a todos que respondam à pergunta que coloco já aqui na coluna à direita: "Como classifica a actual programação de cinema na RTP2?".
Programação de cinema na RTP2 (IV): um tête-à-tête com Wemans
Diz-me o senhor Wemans: "Mas, ó caro Luís, você que tem a mania que é bom, devia perceber que as razões para a redução do número de filmes na grelha da RTP2 se deve ao facto da maioria do público cinéfilo hoje em dia - sobretudo, jovem - consumir filmes pela Internet, à la carte". Ao que eu respondo: "Certo, isso é uma realidade, mas o caríssimo senhor Wemans também sabe que os meninos e meninas só vão descobrir coisas como Kitano, Tati, Godard, os checos, os tailandeses, os romenos, os filipinos e, levando ao limite o exotismo, os portugueses se alguém lhes der a ver esse cinema. Senão, como explica o sucesso consolidado que é a Cinemateca e o clamor instalado para que se abram filiais da mesma em vários pontos do país? Há fome de cinema, o cinema está acessível na Internet e em DVD, mas falta mostrar o caminho. Esse caminho chama-se, a meu ver, "serviço público". E é dever da RTP2 desbravá-lo e guiar-nos na viagem".
Face a esta resposta, o senhor Wemans riposta rapidamente com um "Epa, mas tu pensas que se retomássemos uma programação intensiva de cinema as pessoas iam ver? Elas têm imensas alternativas hoje em dia, com os canais temáticos de cinema do Cabo. Nós não conseguiremos fazer frente a tal concorrência". "Concorrência?", isto sou eu, "Mas já passou os olhos por esses canais? São listagens caóticos e aleatórias de filmes acabadinhos de sair das salas, muitos deles, de qualidade duvidosa e que interessam pouco a este "público alvo", termo que seguramente aprecia e que aplico aqui para cair nas suas boas graças...Claro que, aqui e ali, passam filmes raros ou interessantes, mas aparecem descontextualizados, sem o enquadramento que, por exemplo, a Inês de Medeiros e os seus convidados faziam em "Filme da Minha Vida" ou das extraoardinárias apresentações de Bénard da Costa".
"Luís", diz Wemans - mas ele sabe quem eu sou, eu, um mero mortal? -, "O que diz faz algum sentido, mas é totalmente irrealista, sobretudo, nesta conjuntura internacional de crise. Tudo isso sai caríssimo". "Sai?", returco eu, "Mas não está a sair muito mais caro um talk show em directo todas as noites? Ou um magazine cultural que padece do paradoxo do Ornitorrinco (é um programa de entrevistas? É um magazine cultural? É temático? É generalista?)? Ouvi dizer que bom dinheiro tem sido investido nestes "conteúdos", outra palavra que decerto apreciará, o que é muito pouco visível no resultado final, inclusivamente em termos de "share" - ui, outra. Também não se pode dizer que seja uma política financeiramente equilibrada investir em documentários/filmes que depois não promove, ou promove mal, ou/e não divulga no seu canal".
"Luís", de novo Wemans - mas que confianças são estas? Ele conhece-me de algum lado para me tratar pelo primeiro nome? -, "Tudo bem. Nós temo-nos desleixado um pouco, mas olha fica descansado que eu irei reflectir sobre esta conversa. Terei em conta as queixas que me transmitiste".
"Obrigado", respondo.
Afinal o Wemans até é um gajo porreiro.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Programação de cinema na RTP2 (III)

L. Mankiewicz
Eisenstein
Ford
Truffaut
Tarkovsky
TatiAgora, se preferem ver, ao invés, a fronha do Nilton ou do Alvim, isso já é problema vosso...
Até ver, parceiros peticionários: Miguel Domingues do blogue In a Lonely Place e Carlos Natálio do blogue ordet. Juntai-vos e multiplicai-nos! (Como? É deixar comentário ou enviar mail.)







